Paixão

Vocês se lembram do meu amigo chuchu, que em janeiro desse ano rendeu um monte de postagens? Pois é, se ele tivesse sobrevivido, provavelmente estaria me dando o que fazer durante esse verão.

Mas já que ele morreu e como eu não posso ficar sem o que fazer, resolvi comprar um novo entretenimento para o jardim. Há 7 anos eu tento cultivar maracujá. Até hoje não consegui trazer sementes da variedade que vende aí no Brasil, Passiflora edulis flavicarpa, no entanto, tem um supermercado aqui que vende da variedade roxinha, Passiflora edulis. Usando as sementes frescas, consegui fazer brotar uma plantinha. Faz tempo isso e a planta não sobreviveu os cuidados intensos de tia Cris, nem o inverno barbárico das zonas de cá. Fiquei chateada e larguei mão de maracujá.

Entretanto, nesse verão, eu encontrei um tipo de flor da paixão (passiflora) que eu acho que vai dar certo. Comprei um tipo que se chama Passiflora vitifolia. Vitifolia quer dizer folha de videira, e realmente, esse maracujá tem a folha igualzinha de uma videira. Andei lendo e descobri que essa passiflora resiste melhor temperaturas frias durante o verão (abaixo de 18 graus) e durante o inverno pode aguentar até uns 5 graus. Talvez por isso a planta está aguentando bem lá fora no jardim.

No momento estou muito contente, pois meu maracujá está grávido! Digo, 3 frutas estão amadurecendo e eu li que a fruta é comestível. Claro que minhas expectativas são baixas, pois imagino que a fruta não vai ter gosto de nada, mas não importa. Estou tão contente, que faço de conta que é um verdadeiro P. edulis flavicarpa.

Algo que me impressionou é que essa flor da paixão é rápida. A flor fica aberta somente por um dia, dois no máximo; se for polinizada, uma semana depois já coloca o fruto. Achei isso super rápido. Pensei que só coelho reproduzisse rápido assim.

E para finalizar, tenho uma pergunta. Você sabe porque em muitos países maracujá é chamado de fruta da paixão?

Ninho

Faz tempo que eu prometi de fazer o vídeo do ninho que um melro-preto resolveu fazer dentro da casinha onde guardamos as nossas ferramentas de jardim. Isso foi em 2010.

Dois anos depois, finalmente achei tempo para montar as cenas.

Se você não sabe do que estou falando, eu descrevi o meu encontro com o melro no site Cris.dk, na seção Jardim.

Confirmado

Você se lembra desse moço aqui ao lado?
Pois é, coitado, o chuchu morreu.

Até minhas dálias já começaram a florir e nada do chuchu ressurgir das cinzas. Enfiei o dedo lá no pote e achei estranho. Onde o chuchu deveria estar, tinha um buraco.

Arranquei tudo do pote e descobri só a carcaça do nosso amigo. Mortinho da Silva.

Mas não tem problema. Já comecei uma nova sementeira com um monte de plantas trepadeiras. Nesse verão, o que não vai faltar aqui em casa é planta escalando as paredes.

Meu único problema agora é que eu não sei onde vou colocar tanta planta!

Fênix

Recebi várias perguntas sobre o chuchu.

Eu acho que ele não vive mais, porém resolvi dar uma chance para ele, pois hoje eu acabei de ver uma outra planta – que eu achava que estava morta – ressurgindo das cinzas. Quem sabe o chuchu também resolva dar uma de fênix.

 

Massacre

Uma chuva torrencial massacrou o exército que estava de plantão do lado de fora da minha casa. Uma barbaridade. Dá até pena de ver uma imagem dessas.

Duas horas de árduo trabalho levadas pela enxurrada em poucos minutos.

Verde, verdinho, verdilhão

Finalmente tirei fotos de um verdilhão (passarinho Carduelis chloris). Raramente esse passarinho passa aqui pelo jardim e fazia 2 anos que eu não via nenhum.

Há exatos 2 anos eu vi um bando de verdilhões comendo semente de girassol bem na frente da minha janela. Puxei a câmera e tirei umas trocentas fotos. Pelo menos eu achei que estava tirando trocentas fotos. Depois quando fui checar, vi que não tinha cartão de memória na câmera e já era tarde demais.

E a espera foi longa. Mas hoje eu vi um se atracando nas sementinhas junto com os outros passarinhos. E onde tem um verdilhão, imediatamente terá outro. Eles só andam em bandos. Tinham dois hoje, porém não consegui uma foto deles juntos. Em compensação, deles separados, acho que tirei mais de 100 fotos! Matei a vontade!

Não sei porque o nome verdilhão (greenfinch, em inglês), já que o passarinho parece mais amarelo do que verde.

Diário

Diário do pepino, o breve

  • Em dezembro resolvi colocar a cara para fora
  • 08 de janeiro já tenho uns 5 cm e ganhei um vaso com terra sintética
  • 14 de janeiro tenho 10-15 cm e foi quando resolvi colocar minhas garrinhas, digo, gavinhas de fora.
  • 21 de janeiro, somente uma semana depois, tenho 76 cm e suspeito que estou com os dias contados.
  • SOCORRO!

Pepino

Ups, não é pepino, é chuchu, mas pelo visto será um pepino.
No sábado quando postei as fotos ele tinha 10 cm, duas folhinhas e 1 gavinha. Hoje, somente 4 dias depois, ele está com o triplo do tamanho e três gavinhas que estão se agarrando em tudo.
Se o crescimento continuar nessas proporções, na semana que vem já não terei como manter essa planta dentro de casa até o inverno terminar e serei forçada a encerrar meus ambiciosos planos de jardinagem. Pena.

Trepadeira

Tenho até medo de perguntar o que se passa pela sua cabeça depois de ter lido o título desse post. E se não estava pensando nisso antes, agora certamente está. Então vamos logo ao que interessa.

Quando vim do Brasil trouxe na mala uns chuchus. Essa foi a primeira vez que trouxe chuchu na mala.

Eu lembro que, faz uns quatro anos, pesquisei para saber como é que se planta chuchu. Achei que seria com semente e que poderia facilmente trazer sementes do Brasil. Mas li que se usa o fruto todo para plantar o chuchu. Aí já desanimei, porque achei que daria muito trabalho, fora o risco de trazer moamba (chuchu) na mala.

Mas sem querer querendo, eu trouxe o chuchu dessa vez e ele chegou até aqui inteirinho. Matei a vontade de comer chuchu. Fiz um monte de coisas: sopa, salada, carne moída com os chuchus. Mas não fiz tudo de uma vez. Tinha deixado um chuchu de reserva para a semana seguinte. Estava eu pronta, com facão na mão, para assassinar o chuchu, quando vejo que ele tinha dado a luz.

Eu nunca tinha visto um chuchu brotando antes. Cheguei até a lembrar daquelas experiências escolares onde se coloca o feijão num algodãozinho umidecido e coloca-se tudo no sol para estudar a germinação das dicotiledôneas. (Não acredito que ainda me lembro desses nomes de cabeça. Sou mesmo um caso perdido!)

Chamei Batman para uma bat-conversa, e perguntei se deveríamos liquidar o chuchu agora e fazer uma salada ou se deveríamos tocar meus planos de quatro anos atrás para frente? Eu expliquei nos mínimos detalhes que se eu levasse meus planos à frente, que estávamos comprando encrenca:

1) Chuchu é invasivo
2) Chuchu cresce demais da conta
3) Chuchu não sobreviverá o inverno aqui e terá que ser trazido para dentro de casa no inverno, se quisermos pelo menos tentar manter o bicho vivo
4) Os três primeiros argumentos são tão desanimadores que não tive nem coragem de pensar num número 4

Depois dessa conversa seríssima e da inestimável ajuda de Batman – que disse, faça o que você quiser – não tive coragem de matar o chuchu. Sou mesmo uma manteiga derretida. Decidi manter o bicho vivo e verificar se a invasão verde, praticamente alienígena, será realmente algo de outro mundo.

Se a invasão tomar proporções incontroláveis e naves intergaláticas começarem a pousar no meu jardim, então será um salve-se quem puder.

Enquanto isso não ocorre, vou aproveitando e registrando cada momento desse experimento:

  • Meados de dezembro de 2011, constatou-se que chuchu está se abrindo.
  • Chuchu movido rapidamente de janela face norte para uma janela face sul, para pegar mais luz (lembre-se que estou no outro hemisfério do planeta).
  • 08 de janeiro de 2012, verificou-se que o brotinho já está grande o suficiente para ser movido para um vaso. Veio a idéia de registrar o momento com fotos.
  • 14 de janeiro, tira-se nova foto pois chuchu já tem duas folhinhas permanentes e uma gavinha. Que chuchu precoce esse. Pensei que gavinha fosse coisa que só aparecesse mais tarde no ciclo alienígena.

Não lembra o que é gavinha? É aquele órgão que as trepadeiras usam para se agarrar nas coisas.

Aqui vão umas fotos do meu futuro problema.

Veranico

Esse mundo anda muito louco.

Final de setembro, estou eu esperando a temperatura despencar aqui na gelada terra dos Vikings, mas não, o que acontece no final de setembro? O verão resolve dar as caras.

Eu já tinha até guardado a maioria das minhas roupas de verão e colocado minhas blusas de lã de volta nas prateleiras, quando a temperatura resolve dar um pulo até os 24 graus. E esse veranico durou por uma semana inteira.

Foi muito estranho. Sol e calor como verão, mas o visual no jardim é típico de outono: tudo muito úmido, a folhas nas árvores mudaram para amarelo, laranja e vermelho e começaram a cair e os passarinhos já estão doidinhos e atacando qualquer comida que colocamos lá fora para eles.

Pleno primeiro de outubro, fez um sol bonito e nenhum vento. Eu até me sentei no jardim para uma sessão de suadouro. Ao invés de protetor solar, coloquei uma boa camada de repelente de mosquitos, pois são tantos que não se tem sossego.
Abre-se o jornal e só se fala que pela primeira vez na história da Dinamarca houve um dia de verão em pleno mês de outubro.
Segundo a definição deles é verão na Dinamarca quando em algum ponto no país a temperatura vai acima de 25 graus. (Eu gosto dessa definição de ponto, porque se fossem esperar que em todo o país fizesse temperaturas acima de 25 graus, não seria verão nunca na DK!)

Ontem, sábado, o dia estava tão bonito que até tio Carsten se inspirou. Acendeu a churrasqueira e comemos umas linguicinhas com salada de batata à brasileira. Foi muito bom. Tudo bem que entre uma mastigada e outra tínhamos que dar uns tapas nos mosquitos que estavam nos circulando, como se fossem tubarões famintos, mas isso é um mero detalhe.

Aqui vão umas fotos que tirei dos passarinhos indo à loucura com umas sementinhas de girassol.

 

 

Objetos voadores

O espaço aéreo aqui de casa está sendo invadido. A movimentação tem sido enorme:

Aves migratórias, grupos de patos, bando de andorinhas e um helicóptero militar que vai e vem o tempo todo.

Não faz muito tempo passou um avião bem antigão. Imediatamente brinquei com o Carsten dizendo que a segunda guerra mundial estava reinstaurada. Carsten diz que aquele modelo era mesmo de uns 50 anos atrás.

E hoje, para completar o dia, balões. Lá em cima, bem silenciosos, estavam só espiando o povo aqui de baixo.

Daqui uns dias só falta aparecer um disco voador!

 

Borboleta vingadora

Depois de cinco dias de chuva, esse sábado amanheceu ensolarado, 19 graus, índice UV 6 e pouquíssimo vento. Isso é suficiente para fazer tia Cris pular da cama e ir ao jardim descabelada, de pijama e chinelinho pantufa.

Em meio às flores, vejo que não é só tia Cris que estava doida para pegar um solzinho. As borboletas e abelhas também estavam doidinhas no jardim. Tinha tanta borboleta junta, que não resisti: agarrei minha câmera e dá-lhe tirar foto de inseto.

Comecei tirando foto de uma borboletinha, depois de duas, três. De repente já eram 6 borboletas juntas. Algumas flores estavam sendo disputadas à tapa. Uma verdadeira selvageria. Uma florzinha pequena estava sendo alvo de uma mosca cernidora, uma abelha bombus e uma borboleta, todos juntos num mesmo momento. E eu lá, firme e forte registrando cada segundo.

Então a borboleta dá as costas ao abelhão e olha bem direto para a câmera. Ô bichinho zoiudinho!
Eu aqui tirando foto e a borboleta ali olhando para mim. Enquanto isso o abelhão vai chegando mais perto, e mais perto, até dar uma cutucada no popozão da borboleta. Numa hora dessas a mosca cernidora já tinha até se mandado, porque sabia que a coisa iria esquentar. A borboleta fecha suas asas com uma cara de malvada a levanta vôo. E o abelhão lá, tranquilo. Uns segundos depois volta a borboleta, pousa bem na cabeça do abelhão, dá o troco e voa para longe rapidamente. Isso aconteceu tão rápido, que eu não tive nem tempo de piscar e o abelhão nem viu o que o tinha atingido. Quando a borboleta levantou vôo, fez o abelhão até perder o equilíbrio. Ficou quase que literalmente de pernas para o ar. Achei até que fosse despencar flor abaixo.

Uma cena violenta assim foi demais para o meu coraçãozinho. Fiquei abalada demais. Ô mundo violento esse. Nem meu jardim escapa! Para tentar recuperar meu estado zen, fui obrigada a ligar a fonte d’água, abrir uma espreguiçadeira, colocar um biquini e tostar no sol por várias horas.

Segue abaixo algumas fotos que tirei hoje. Mas cuidado: algumas fotos contêm cenas fortes, impróprias para menores de 12 anos!

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