Custo de vida

Hoje eu atualizei a minha planilha de orçamento e pela primeira vez que comecei a perceber o quanto se gasta com coisas a gente quase não usa, e o quanto se gasta com coisas que são muito importantes, como por exemplo, água.

Na minha casa a gente paga mais em seguro do que com a conta de luz.
Para quem está vindo para cá, aqui vão alguns valores aproximados – valores em coroa dinamarquesa por ano.

  • 2.500 DKK – licença do Dansk Radio
  • 3.500 DKK – água e esgoto
  • 7.000 DKK – aquecimento da casa
  • 10.000 DKK – eletricidade
  • 20.000 DKK – imposto sobre o terreno e coleta de lixo
  • 12.000 DKK – seguros

Licença do DR (Dansk Radio) é para ver os canais dessa emissora (de tv, rádio e computador) e é obrigatório mesmo que vc não assista tv ou escute rádio, que é o meu caso

Aquecimento da casa depende do tamanho da casa ou apartamento e tipo de aquecimento. Nós usamos gás natural, mas quem mora na cidade usa “aquecimento à distância”. A água quente que circula nos radiadores vem das usinas da queima de lixo urbano, e o preço é bem mais barato do que gás ou óleo. Lembro que quando eu morava em Copenhague o aquecimento de um apartamento de 40 m2 era menos de 2 mil por mês, e o de uma casa de 80 m2 era de 5 mil usando aquecimento à distância (fjernvarm)

Seguros obrigatórios são o da casa (incêndio e danos – não cobre furtos, que é um seguro à parte) e o do carro (responsabilidade em caso de acidente – cobre os danos no carro da outra pessoa, mas não no seu). Mas claro que vc vai fazer um seguro para proteger os objetos de valor da casa em caso de arrombamento. Se tiver um carro novo também é bom ter um seguro que cubra danos à carroceria. Nós não temos, porque o carro é velho, no entanto temos um seguro assistência, para virem nos socorrer se der pane no carro. 🙂 e já precisamos ativar o seguro algumas vezes. O da casa nós também ativamos quando passou um furacão aqui que levou embora o topo do nosso telhado.
O bom das seguradoras da Dinamarca é que não tem aporrinhação. Preenche um formulário e pronto. Depois vc encontra a pessoa para fazer o serviço e eles enviam a conta diretamente para a seguradora. Ponto final.

Se você paga aluguel, veja se gastos eletricidade, água e aquecimento estão incluídos ou são à parte.
Se mora em apartamento, o seguro contra incêndio é dividido por todos e vem na taxa do condomínio, assim como coleta de lixo e gastos com remoção de neve das calçadas.

Quem mora em casa é responsável por limpar a neve da calçada na frente da sua casa e espalhar sal. Se alguém cair e quebrar a perna na frente da sua casa por causa de neve ou gelo, você é responsável.

Os gastos com moradia são em torno de 50 mil mais hipoteca da casa ou aluguel, que facilmente pode acrescentar de 60 a 100 mil coroas (ou mais) a esse valor.

Pense que tem gente que ganha menos de 20 mil coroas por mês, ou seja menos de  240 mil por ano (aqui não existe 13º salário). Desse valor é descontado no mínimo 37% de imposto de renda, 8% contribuição à saúde pública e 1% aposentadoria pública.

Depois de pagar todas as despesas, no final do mês, talvez não sobre dinheiro para ir ao supermercado ou transporte.
Na DK o empregador não paga vale-transporte nem vale-refeição.

Quando vier para cá, se não tiver trabalho garantido, pode ser difícil de sobreviver. Pense nisso.

Kulturnatten 2015

Ontem, sexta 9 de outubro, foi a noite da cultura de Copenhague. Tem todo ano e as ruas ficam cheias de gente.

A primeira vez que eu participei foi em 2011 e eu até escrevi aqui no blog como foi.

Como a noite da cultura sempre acontece uns poucos dias antes do meu aniversário, eu comecei uma tradição: nesse dia eu e Carsten jantamos numa boa churrascaria argentina e depois caminhamos um pouco pela cidade vendo o movimento.

E foi exatamente isso que fizemos. Dessa vez provamos uma churrascaria diferente e caminhamos por outros cantos da cidade. Descobrimos que tem um mercado lá no centro que serve especialidades. Alguns “tapas”, alguns sanduíches especiais e até comida japonesa feita na hora.

Achei muito interessante. Acho que ano que vem, para sair um pouco da rotina, vamos nesse mercado, quem sabe provar o famoso sanduíche de pato, na barraquinha do francês.

O ponto forte da noite de ontem ocorreu num quiosque onde estávamos aguardando nossa vez para comprar um chiclete. O cidadão na nossa frente, turista falando inglês, perguntou para a atendente onde era a noite da cultura e ela não sabia dizer.

Eu fiquei indignada. Eu acho que ela não queria perder tempo dando informação, porque não é possível não saber “onde é a noite da cultura”, já que ela acontece na cidade inteira!

Eu me intrometi na conversa deles dizendo para ele que era na cidade toda e que ele podia comprar um catálogo das atrações (que são mais de 200) nos quiosques do Seven-11.

Tá bom, sei que não se deve se meter na conversa dos outros, mas eu não aguentei. Seria uma pena eles perderem de aproveitar a noite da cultura.

Kulturnatten - Mozilla Firefox_2015-10-10_14-56-31Imagina, há vários lugares em Copenhague que só abrem para o público nessa noite. São lugares como a penitenciária, o castelo da rainha, o banco central da Dinamarca, vários museus, os laboratórios do hospital do reino, os calabouços do castelo Christiansborg (onde fica o parlamento)… e você pode visitar quantos lugares quiser, pagando uma pequena taxa para comprar o passe da noite da cultura. E se você tem o passe, pode se locomover de um lugar para o outro usando transporte público, quantas vezes quiser, sem pagar nada por isso. Não é genial?

3 meses

Faltam 3 meses para o Natal.

Honestamente eu nem tinha pensado nisso, pois estou mais preocupada com o Halloween que se aproxima. Mas os dinamarqueses já começaram a contagem regressiva para o Natal. E não é brincadeira. Hoje, duas pessoas olharam o dia no calendário e depois disseram: “Faltam 3 meses para o Natal!

Vai gostar de Natal assim lá na conchinchina.

Agora eu entendo porque já a partir de outubro as lojas começam a vender produtos natalinos e alguns começam até a enfeitar as casas e decorar as lojas.

Pessoalmente, se eu começar a comemorar o Natal muito cedo, quando finalmente o 24 de dezembro chega, eu já estou cansada de Natal e não tenho vontade de fazer nada. Será que tem alguma coisa errada comigo?

Tradições de Páscoa

Ontem eu estava conversando com o meu amigo francês e ele me contou sobre as tradições de páscoa francesas. Lembro que eu perguntei se ele iria almoçar com a família, e ele respondeu que iria tanto para almoçar quanto para jantar, e que eles comem cordeiro.

Então quando ele me perguntou sobre as minhas tradições, tanto no Brasil quanto na Dinamarca, eu não sabia exatamente o que responder.

Quando me dei conta de que eu não tenho nenhuma idéia do que os dinamarqueses comem na páscoa, decidi pesquisar. Descobri que aqui, como em muitos países europeus, o povo come cordeiro.

Eu não fazia idéia e Carsten nunca me contou nada disso, mas acho que é porque o meu gringo não gosta de cordeiro (e nem eu), então essa “tradição” nunca fez falta aqui em casa.

Nós brazucas comemoramos a páscoa com um almoço em família, correto? Então pode soar estranho quando eu disser que aqui eles fazem um jantar de páscoa no domingo e um almoço na segunda-feira de páscoa.

Além do jantar e almoço, muitas famílias fazem a brincadeira de esconder os ovos de páscoa e no domingo se dá uma verdadeira caça aos ovos com as crianças. (Pessoalmente eu não sei o que é isso, pois na minha casa nunca ninguém escondeu nenhum ovo de páscoa, muito pelo contrário, os ovos eram colocados na mesa do café da manhã, desde manhã cedo.)

coelhoE falando em ovos… como eu sinto falta dos nossos ovos brasileiros, com vários sabores diferentes (sonho de valsa, laka, diamante negro, isso e aquilo) e eles vêm recheados de bombons ou de brinquedinhos. Os ovos daqui são ocos. Lembro que quando eu descobri isso, senti um vazio e uma tristeza dentro de mim. Não tinha nada dentro do ovo.
Desde então não comprei mais ovos de páscoa. Faz 13 anos. Depois disso eu só compro coelho de chocolate, e só compro após a páscoa, quando o preço desce uns 50%.
*curiosidade: aqui não chama coelho de páscoa, mas lebre de páscoa.

Acho que eu nunca falei disso antes, mas os dina enfeitam a casa para a páscoa – da mesma maneira como o fazem para o natal, mas no fim de ano os tons são normalmente vermelho, verde e dourado, porém na páscoa os tons são amarelo, branco e prateado.

Quem tem criança coloca umas galinhas, pintinhos, ovos pintados na casa. Mas há granfinos que gastam uma verdadeira fortuna com ornamentos feitos por designers famosos. Então eles coletam alguns galhos no jardim, especialmente de forsítia (um arbusto que dá flores amarelas), ajeitam tudo num vaso, e enfeitam os galhos com os ornamentos. Fica bonito.
Mas na minha casa eu não ponho nada, talvez por isso eu estou sempre desanimada na época da páscoa. Talvez eu devesse começar a enfeitar a casa na páscoa e criar minhas próprias tradições… mas cordeiro para o jantar, nem pensar!

pascoa1Já que estamos falando em tradições, uma colega sueca estava me contando que na páscoa os suecos fazem uma competição de qual cidade/vilarejo faz a maior fogueira. Disse que no período que antecede o feriado, é um tal de roubar galhos secos e árvores de natal descartadas do jardim dos vizinhos. Eu achei essa história fascinante.

Mas voltando à conversa com o françês, eu perguntei o que eles comem na sexta-feira santa, já que é o dia que não se deve comer carne vermelha. Ele disse que não se come nenhuma carne, que se come peixe. [Pensei comigo mesmo, e peixe não é carne? Achei melhor nem falar nada, que é para não perder a amizade.]

Então eu falei que no Brazil, na minha casa, comia-se bacalhau. E esse é provavelmente um dos motivos pelo qual eu tenho horror de páscoa – eu detesto bacalhau e a minha família me obrigava a comer.

Eu comentei várias vezes no blog que na escandinávia come-se muito bacalhau (que eles chamam de torsk). Eu confesso que eu provei o torsk daqui, já que eles servem o peixe fresco e achei que talvez isso mudaria minha impressão e opinião, mas não. Realmente, bacalhau não é pra mim – a não ser bolinho de bacalhau português.

Na minha casa, na sexta-santa, eu não faço peixe, pois o Carsten não come peixe nem frutos do mar. Devo confessar que muitas vezes comemos carne vermelha ou pedimos uma pizza nesse dia por falta de opção. Não me julgue nem me queime na fogueira como herege. Faça de conta que eu tenho uma outra religião que não segue as tradições cristãs.

Esse ano no entanto, eu me preparei bem para esse dia tão difícil do calendário. Eu fui a uma loja especialisada e comprei queijo (gruyére, ementaller e appenzeller). Vou fazer um fondue de queijo suíço, seguindo a receita que Andreas e Rebécca (meus amigos suíços) me passaram. Comprei também queijo Comté para fazer um quiche com alho-poró. Esse será meu plano B, caso algo dê errado.

Para vocês, uma boa páscoa. Eu vou agora no jardim cortar uns galhos de forsítia!

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Feriado de Páscoa

Finalmente chegou o meu feriado preferido. Não por causa da páscoa, mas por causa dos 5 dias consecutivos de folga:

  1. quinta-feira lava pés
  2. sexta-feira santa
  3. sábado
  4. domingo de páscoa
  5. segunda-feira de páscoa

Eu percebi que o feriado varia de país para país – falando em termos de Europa. Em Portugal é como no Brasil, só a sexta-feira santa é feriado.

Na Itália, que é um grande país católico, a sexta-feira santa não é feriado. Eu fiquei chocada quando descobri isso. Eles só têm a segunda-feira de Páscoa.
O mesmo ocorre com a Polônia.

Já França, Suíça, Finlândia, Holanda têm tanto a sexta como a segunda.

Nos países escandinavos (Dinamarca, Suécia e Noruega) temos a quinta, a sexta e a segunda.

Em 2015 a Espanha também terá quinta, sexta e segunda de feriado. Eu li que o governo espanhol, todos os anos, decide quais dias serão feriados. Achei isso interessantíssimo.

Depois fui pesquisar Bulgária, Grécia, Hungria, Rússia e levei até um susto, porque o calendário diz: páscoa ortodoxa. Eu tinha me esquecido desse pequeno detalhe.

Coitada da Rússia, não tem feriado nenhum nesse período. Mas o outros países de cristianismo ortodoxo, têm ou a segunda, ou tanto a segunda e a sexta de feriado.

Todas essas informações eu encontrei num site suiço chamado feiertagskalender (calendário dos dias de feriado). Eu adoro como em alemão e idiomas escandinavos eles juntam um monte de palavras numa só, resultando num palavrão incompreensível. Nesse caso estão juntas feier+tag+s+kalender. (feier=festivo, tag=dia, s=de, kalender=dispensa tradução, né?)

Christiania

Mais um vídeo sobre a Dinamarca, feito em 2014 pelo Multi Show da Globo. Encontrei o link no Facebook.

Achei interessante e bem feito, e achei genial ter revisto um conhecido aparecer no vídeo, o Renato. O cara eu conheci na Christiania mesmo, há uns 12 anos. Ele trabalhava no restaurante vegetariano, e pelo visto ainda continua lá. Lembro que ele me deu uma sopa de beterrada, no dia que nos conhecemos.

Para ver o vídeo, tem que ir até o site do multishow.

multi

Fúnebre

Hoje de manhã eu estava escutando um programa de rádio diferente. Eles estavam contando a tão conhecida história do navio Titanic, mas de um jeito diferente. Ao invés de contar a história que todos nós já conhecemos tão bem, eles fizeram a tradução de todas as mensagens em código morse que foram enviadas naquela noite fatal.

Foi muito interessante escutar que muitos navios receberam o sinal de sos, mas que todos demoraram para tomar uma atitude. Parecia que ninguém acreditava que o Titanic estava afundando.

Bom, depois de escutar esse programa eu fiquei até cabisbaixa. Foi quando um carro funerário me cortou e entrou bem na minha frente. Mas foi bom isso ter acontecido, porque ao invés de me lembrar de mais mortes, o carro me fez pensar como o processo funerário aqui é diferente do brasileiro.

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Primeiro o carro funerário daqui é chique demais. Depois não tem aquele cortejo todo seguindo o carro. O povo vai direto para a igreja.

Outras diferenças básicas são: Aqui não tem embalsamento ou a necessidade de enterrar o mais rápido possível. Lembro quando minha sogra morreu. Eu fiquei espantada ao saber que o enterro seria somente uma semana depois da morte dela.

Também não existe velório. O corpo é mantido na geladeira do hospital. Se alguém da família quiser ver o defunto, o hospital coloca o corpo numa capelinha dentro do hospital mesmo, e o familar pode dizer seu adeus por alguns minutos.

No dia do enterro, o caixão fica sempre fechado. Eu achei isso estranho. Lembro que no dia do enterro eu achava difícil dizer adeus, já que eu estava dando adeus para uma caixa, e não para a falecida.

caixOutra coisa que achei bem diferente aqui, e talvez um pouco menos mórbido, é que o caixão daqui não parece com o do conde drácula. O caixão é branco, bem grandão, no formato de um grande baú. Aliás, até o nome de caixão em dinamarquês é o mesmo nome que se usa para baú: kiste.

Vou parar por aqui, porque essa história está me entristecendo ainda mais… acho que vou dar um passeio no parque. Opa, mas o parque daqui é no meio do cemitério! Ai meu Deus!

Pontualidade

Continuando a conversa com o cara de Manchester (ver postagem sobre ‘espontaneidade’):

Então o cara me perguntou sobre pontualidade para encontros informais, com amigos e família. Eu disse que no Brasil é normal chegar com 1 ou 2 horas de atraso, mas que aqui na Dinamarca, você tem que chegar no horário. É considerado falta de educação chegar tanto adiantado quanto atrasado.

Os dinamarqueses, se eles chegam adiantado na casa do amigo, eles não tocam a campainha. Eles dão uma voltinha ou esperam ali mesmo em frente à porta e só tocam a campainha quando der o horário certinho.

O cara de Manchester então me disse que já tinha presenciado isso uma vez quando estava visitando na Alemanha. Ele me contou, e eu não sabia disso, que na Inglaterra é considerado rude chegar no horário exato. Tem que chegar com 10 minutos de atraso, porque a mentalidade deles é que a anfitriã pode estar um pouco atrasada com os preparativos, então você está sendo gentil ao chegar com 10 minutos de atraso para dar a ela um pouco mais de tempo para terminar de preparar as coisas. No entanto, não é de bom tom chegar com mais de 10 ou 15 minutos de atraso.

Eu achei interessante isso que ele falou, pois não se encaixa no conceito de  “pontualidade britânica” que a gente sempre ouve falar.

Espontaneidade

Uns minutos atrás eu estava conversando com um cara de Manchester, Inglaterra, e ele me perguntou sobre as diferenças culturais entre Brasil e Dinamarca. A primeira coisa que me veio à cabeça foi a palavra ‘espontaneidade’.

Ele disse, como assim? E eu dei como exemplo o seguinte:

Hoje está fazendo um dia lindo, vou preparar a grelha e chamar uns amigos para um churrasco.

Ele não me deixou nem terminar e me interrompeu dizendo que isso era impossível.

E eu concordei. Impossível aqui na Dinamarca, e pelo que entendi, na Inglaterra também.

Aqui as pessoas te convidam com meses de antecedência. Daí no dia do churrasco está a maior chuva, você não tem a menor vontade de sair de casa, mas é obrigado a ir, porque aceitou o convite faz tempo.

E assim é para tudo, até para marcar de ir ao cinema.

Férias

Eu sempre escuto: pô, mas você está de férias de novo?

Não me lembro se alguma fez eu falei sobre o sistema de férias da Dinamarca, por isso vou falar dele rapidamente e fazer uma comparação com Brasil, Estados Unidos, Canadá e Japão. Pois hoje eu quase caí da cadeira quando me disseram quantos dias de férias os japoneses têm por ano.

Na Dinamarca: Oficialmente são 25 dias úteis. Isso dá 5 semanas de férias. Note que eu escrevi dias úteis. Não conta fim de semana e não conta feriado. Se você tirar férias numa época que tem feriado, você é inteligente, pois tira mais dias de folga usando menos dias de férias.

Em várias empresas eles dão 30 à 33 dias úteis de férias, que é o caso da empresa onde trabalho, e isso dá 6 a 6 ½ de férias.

Normalmente o povo tira:
– 3 semanas de férias no verão
– 1 semana no outono (normalmente na semana número 42 que cai no meio de outubro)
– 1 semana entre natal e ano novo
– 1 semana no inverno (normalmente na semana número 7 que cai no meio defevereiro)

Mas não é obrigatório tirar férias desse jeito. Dá para pedir para tirar 4 ou 5 semanas tudo junto, caso você queira fazer uma viagem longa. Também dá para tirar menos férias no verão e mais tarde tirar férias fora de época (e para quem não tem filhos, isso é uma vantagem, pois fica mais barato viajar).

E o bom da Dinamarca é que se você troca de emprego, você trás as suas férias pagas junto contigo. Isso porque o seu antigo empregador é obrigado a pagar suas férias para o estado, e depois o estado vai lhe repassar o dinheiro, quando você quiser tirar as suas férias. Isso eu acho genial.

No Brasil eu imagino que continua a mesma regra? Tem-se 30 dias corridos de férias e conta tudo: fim de semana e feriado. Então se tirar férias num mês cheio de feriados, é burrice, certo?

Agora vem os Estados Unidos e o Canadá, pois ambos têm o mesmo sistema. Para calar a boca desse povo que vive dizendo que a vida no exterior é ótima. Ótima uma ova. O povo nesses dois países só tem 2 semanas de férias por ano.

Se você trabalhar com o mesmo empregador por muitos anos, a cada 5 anos você receberá uns dias a mais de férias e só. E se mudar de emprego, começa tudo do zero novamente.

Honestamente, duas semanas de férias é muito pouco. O corpo humano e principalmente a mente humana precisa de descanso. É algo fisiológico. Duas semanas não dá nem pro cheiro, quanto mais para descansar a mente das preocupações.

Agora vem o Japão. Hoje minha colega Nissei me disse que no Japão é somente uma semana de férias por ano e olhe lá!

Gente, fiquei pasma. Como pode isso? Sem comentários.

 

 

Chegada em Bremen

No primeiro dia de viagem descobrimos que a sinalização na Alemanha não é muito boa. Em alguns lugares faltam placas indicando que caminho tomar.

Antes de sairmos de casa, nós baixamos vários mapas das cidades que iríamos visitar e os trouxemos no iPod e no nosso telefone, mas mesmo assim foi difícil encontrar o caminho certo.

Assim que entramos em Bremen passamos o maior sufoco para encontrar nosso hotel. Depois de rodar por mais de meia hora, pedi para o Carsten parar num posto de gasolina. Eu fui na lojinha de conveniências e perguntei se eles sabiam me dizer, se eu estava muito longe do hotel.

Era um casal que estava tomando conta da loja. Meu alemão não é muito bom, mas entendi que não estávamos longe, mas era meio complicadinho chegar lá.

E não é que o homem larga a mulher dele na loja, entra num carro e diz que nós deveríamos seguir atrás dele?! Ele dirigiu até o hotel para nos mostrar o caminho.

Eu fiquei impressionada. Não sabia nem o que dizer para agradecer. Foi uma lição de vida. Nunca pensei que os alemães fossem tão solidários.

Sim, no Brasil as pessoas são capazes de uma gentileza dessas, porém estou vivendo na DK há tanto tempo, que já tinha me esquecido que existe gente boa nesse mundo. Aqui na Dinamarca ninguém nem oferece uma carona, quanto mais sair da loja para levar um estranho até o hotel que ficava à 5 minutos de distância.

Se a vida fosse uma partida de futebol, eu diria que em categoria de solidariedade, a Alemanha dá de dez à zero na Dinamarca. Olé!

Costumes – café da manhã

Na Dinamarca come-se muito pão. Come-se pão para o café, para o almoço e para o jantar.

A coisa mais importante para eles, é o que vai sobre o pão. Isso é tão importante que a categoria de coisas que se coloca sobre o pão tem até um nome especial. Chama-se paalaeg (pålæg).

Hoje vamos falar dos paalaegs para o café da manhã (sim, porque há paalaegs que eles só comem no almoço ou jantar). Alguns paalaegs são clássicos, como os nossos: queijo fatiado, frios (presunto, salami, etc), geléias, cremes como Nutella. Mas uma coisa que nós não temos, e que eu acho interessante, é que os dina começam o dia comendo chocolate.

chocoEles compram chokoladepaalaeg, e eu imagino que você já entendeu o que é. São placas ou “fatias” de chocolate muito fininhas que eles colocam sobre o pão com margarina. E pode ser tanto chocolate meio-amargo, ou chocolate ao leite.

Outra coisa que eles fazem é: eles passam manteiga no pão, colocam uma fatia de queijo e por cima, geléia. Eu achava muito estranho. Parecia até repugnante.

Até que vi uma menina, que ao invés de passar margarina no pão, ela passava a geléia direto no pão, e por cima colocava a fatia de queijo. Sem margarina.

Hoje já não acho esse tipo de coisa estranha e até eu, de vez em quando, coloco geléia por cima do queijo. Mas não uso margarina, pois não consigo fazer essa mistura de manteiga salgada com coisa doce.

geleiaJá meu estimado marido, coloca um monte de margarina no pão e mel ou Nutella por cima, e faz aquela mistureba horrorosa. Só de pensar já estou fazendo caretas.

Tem gente que gosta até de colocar fatias de pimentão sobre o queijo.

O pão mais comum vendido aqui para o cafë da manhã é tipo pão caseiro, aquele feito numa forma, que você fatia. Mas claro que existe também um pão menorzinho, que parece um pouco com o nosso, mas fica bem mais caro comprar desses.

paesVale a pena dizer que o povo te olha com cara estranha, se você pegar uma fatia de pão, colocar queijo, presunto ou o paalaeg de sua preferência sobre o pão, e cobrir tudo isso com outra fatia para fazer tipo um sanduíchezinho. Meu Deus, o mundo vai cair se você fizer isso, e você vai escutar comentários. A típica ignorância dinamarquesa. Eles não aceitam e não conseguem lidar com coisas diferentes… Para eles, cada fatia de pão deve ser comida individualmente com seu paalaeg. Nada de juntar duas fatias para fazer um sanduba. Mesmo que seja um desses pães individuais. Você deve cortar ele ao meio, e comer cada metade individualmente, nada de juntar as duas metades.

rundstykkeE todo esse pão é regado à muito chafé. Digo chafé, porque o café deles é tão fraquinho que mais parece um chá. No entanto, ao invés de tomar só uma xícara pequena de café, eles tomam de baldes. Literalmente.

Ano Novo

Espero que todos tenham tido um ótimo Natal e que estejam se preparando para entrar em 2014 com o pé direito.

anonovoPara quem está interessado em saber como é a comemoração do ano novo na Dinamarca…

Enquanto os brasileiros estão comprando roupas brancas para passar o reveillon, ou fazendo planos para pular 7 ondas e ver as oferendas para Iemanjá, os dinamarqueses estão desde já preparando o seu melhor modelito preto e comprando chapéus e óculos engraçados, máscaras, serpentina, confeti, fogos de artifício e rojões.

O cardápio de alguns brasileiros inclui lentilhas, arroz, salada, carne, peixe, mas nada que ande ou cisque para trás, não é mesmo? (Ei, não estou julgando ninguém. Cada um tem suas próprias superstições.) Por aqui, no entanto, come-se qualquer coisa, mas tem gente que mantém a tradição de comer bacalhau.  Uma curiosidade que você talvez não saiba, o bacalhau que vende aqui é fresco, ao contrário do bacalhau que vende no Brasil. Porém a origem do bacalhau daqui o do daí é a mesma: Noruega. (Opa, Cris, você está enganada. O bacalhau que vende no Brasil é comprado em Portugal. – Sim, eu sei, mas os portugas compram o peixe fresco na Noruega, eles o salgam que é para preservar, e depois mandam para nós, tupiniquins.)

Uma diferença brutal é a qualidade dos fogos de artifícil. Enquanto nós brazucas estamos acostumados com shows pirotécnicos fantásticos, patrocionados por grandes hotéis, clubes e algumas prefeituras, por aqui eles se contentam com meia-dúzia de fogos mixurucas, comprados pelos próprios residentes. O engraçado é que tem gente que gasta horrores em fogos. Mas eu entendo. Deve-se aproveitar, já que o Ano Novo é único dia do ano em que é permitido soltar rojão e fogos.

Em função disso eu imagino que a noite de Ano Novo é a noite mais movimentada nos hospitais dinamarqueses – enquanto no Brasil é toda noite de partida de futebol, não é?

Todo ano é a mesma coisa, no dia primeiro de janeiro a gente lê e escuta sobre as tragédias, quantos perderam os dedos ou a mão soltando fogos, quantas crianças foram atingidas, quantos ficaram cegos e de vez em quanto, até algumas fatalidades.

E falando em todo ano é a mesma coisa, momentos antes da meia-noite a TV dinamarquesa sempre mostra a mesma coisa. Mas sobre isso eu escrevi ano passado, no post Mesmo Procedimento.

E isso é o que acontece no Ano Novo para quem fica aqui. Afortunados aqueles que escolhem viajar para lugares quentes.

Descartável

Se não me falha a memória eu já havia comentado que pros lados de cá tudo é “descartável”. Fica mais caro consertar ou comprar um peça reserva do que comprar um aparelho/equipamento novo.

E e fui obrigada a entrar nesse esquema de “jogar fora” algo relativamente novo que estava funcionando bem e comprar outro, só porque uma pecinha de nada quebrou.

citrus

O meu espremedor de frutas cítricas. A pecinha que transporta o suco da câmara interna do aparelho para o copo do lado de fora se partiu e não estava mais encaixando direito. Eu tinha pago 200 coroas pelo espremedor. Eu imaginei que uma pecinha pequena assim custaria umas 50 coroas. Caro, mas ainda mais em conta que comprar um aparelho novo.

Depois de contactar o fabricante, descobri que eles não vendem essa peça avulsa. Que tristeza!

Mais eis que passeando pelo supermercado essa semana, eu vi o mesmo modelo de espremedor na promoção por 100 coroas. Opa! É agora mesmo. E comprei outro. Foi o jeito.

Chegando em casa descobri porque o preço estava tão reduzido. Todas as partes internas do novo modelo agora são feitos de plástico, enquanto o antigão era de metal. Santa diferença. Só quero ver quanto tempo o novo vai durar.

gemeosAté agora não tive coragem de jogar fora o meu “velhinho”. Ele funciona bem, as peças são de melhor qualidade (de metal). Realmente é somente aquela pecinha infeliz que não estava encaixando direito.

Bom, agora com os “gêmeos” sobre a bancada, pelo menos dará para convidar um verdadeiro batalhão de gente para vir tomar café da manhã ou brunch aqui em casa. Carsten faz pão cazeiro e, se vc trouxer umas laranjas, eu faço o suco! 🙂

E eu pergunto. Vendo a foto, qual é o novo e qual é o velho?

Mesmo procedimento

Ano Novo. O ano é novo mas o procedimento é o mesmo de todo ano. Pelo menos na Dinamarca.

Aquela história de vestir-se de branco, pular 7 ondinhas, aqui não funciona. Lembre, aqui é inverno.

O povo se reúne com amigos em casa e o traje é normalmente de gala, ou o que os dina acham que é elegante. Moças colocam vestidos de festa e os rapazes usam até gravata. Nunca vi ninguém vestido de branco no Reveillon. Pelo contrário, o pretinho básico é muito comum.

HUNDENPara animar a festa o pessoal joga confete, serpentina, usa chapéuzinhos e óculos engraçados e dá-lhe língua de sogra regado à muita bebida alcoólica. Mas muita mesmo.

A noite de ano novo é o único dia do ano que é permitido soltar rojão e fogos de artifício. Quem gosta compra fogos de monte. Ano passado os dinamarqueses usaram 500 milhões de coroas (160 milhões de Reais) em fogos.

Na TV também o procedimento é o mesmo de todo ano.

18:00 é o discurso de Ano Novo da rainha. Ela senta no castelo Amalienborg e fala de como foi o ano e o que ela espera dos súditos e da economia para o ano que está por vir. Ela sempre termina o discurso com as palavras Deus guarde a Dinamarca (Gud bevare Danmark).

Hendes Majestæt Dronningens nytårstaler - Kongehuset - Mozilla Firefox_2013-01-06_11-25-12

Em seguida é o discurso do primeiro-ministro. A DK tem no momento, pela primeira vez na história do país, uma mulher no cargo de primeiro-ministro. Então foram dois discursos bem femininos.

DR-journalister spåede om nytårstale de havde læst - Mozilla Firefox_2013-01-06_11-28-37

Um pouco antes da virada a TV apresenta um show que aqui e na Alemanha é chamado de ‘Aniversário de 90 anos’. Esse show é apresentado em 12 países e aqui esse ano foi a 34ª vez que o canal DR apresentou o mesmo show.

O show é em preto e branco e os atores são alemães, mas foi tudo gravado em inglês e é apresentado inglês com legenda. O show original é uma peça de teatro inglês que foi escrita em 1920 e só em 1945 é que o show se transformou no que é apresentado hoje e ao contrário das expectativas, foi o maior sucesso. A peça original é chamada ‘Jantar para um’ (Dinner for one).

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É a história de Miss Sophie e James, seu mordomo. É o aniversário de 90 anos dela e James serve o jantar para ela e os convidados: Senhor Toby, Almirante von Schneider, Sr. Pommeroy e Sr. Winterbottom. Durante o jantar é James que atua como os convidados e que brinda por eles, pois esses convidados já morreram faz muito tempo. Então durante a história, a cada brinde James fica mais e mais bêbado, vindo a tomar água do vaso, tropeçar no tapete de pele de tigre e outras peripécias engraçadas que só um bêbado consegue fazer. Durante a peça uma frase aparece várias vezes e essa é também a frase que eles usam para terminar o show: “Mesmo procedimento que ano passado, Miss Sophie?”, no que ela respode: “Mesmo procedimento de todo ano, James”.

Esse show fez o maior sucesso e em 1962 dois alemães foram para a inglaterra procurando inspiração, viram o show e queriam fazer o show então para a população alemã. Mas o ator que fazia o papel de James, ele tinha cuidado de soldados ingleses feridos durante a segunda guerra mundial e tinha muita raiva dos alemães, por isso ele não queria que o show fosse para a Alemanha. No final das contas ele acabou cedendo mas com uma condição: o show tinha que ser apresentado em inglês e não poderia ser dublado para alemão (quase tudo na tv alemã é dublado).

E assim foi feito. O show até hoje é apresentado em original inglês, com legenda.

Na Dinamarca o show foi televisionado pela primeira vez na noite de ano novo de 1973. E depois toda noite de ano novo de 1980 até 1984.

90 års FødselsdagenEm 1985 o canal DR decidiu mudar a programação e colocou outros shows, porque achavam que o ‘Aniversário de 90 anos’ já tinha sido mostrado muitas vezes, agora chega. Isso causou o maior protesto na Dinamarca e no ano seguinte colocaram o show novamente no ar na noite véspera de ano novo e todo santo ano é a mesma coisa: às 23:40 vc assiste ao ‘Aniversário de 90 anos’ e depois a tv mostra o relógio do castelo da prefeitura de Copenhague para a contagem.

The same procedure as last year, Miss Sophie? The same procedure as every year, James.