Férias

Eu sei que você leu férias e já está pensando que eu estou de férias novamente. Calma. Eu não estou de férias. Muito pelo contrário, estou ralando dobrado essa semana, porque o resto do povo todo está de férias.

Semana 42 é férias de outono na Dinamarca. Antigamente as crianças tinham férias na escola que era para ajudar na colheita da plantação de batata. Agora que os tempos são outros, a criançada aproveita as férias mas coitados dos pais, que são obrigados a tirar férias também, pois as instituições não abrem e eles não têm com quem deixar as crianças.

Tem gente que leva os filhos para o trabalho. Isso eu acho inconveniente, mas é altamente aceitável na sociedade dinamarquesa. E ficam bravos se falarem alguma coisa. Pessoalmente eu acho que levar criança para passar o dia no escritório atrapalha os outros, além da mãe (ou o pai) em questão. Acaba que ninguém consegue se concentrar e nós trabalhamos com documentação que é enviada para as autoridades.

A menina que senta atrás de mim chegou com dois pirralhos de 3 e 4 anos. Fala sério. Por que ela não ficou em casa e trabalhou de casa então? A nossa empresa permite trabalhar de casa uma vez por semana. Teria sido melhor para ela, para nós e para as crianças, que estavam com a maior cara de cansadas. Pelo visto sensatez está em falta nos dias de hoje.

Solidariedade

Um dos maiores choques culturais que se enfrenta na Dinamarca, para quem vem do Brasil, é que aqui não existe solidariedade.

Certa vez, dirigindo para casa, me senti muito mal e tive que sair da estrada e parar o carro no meio do campo, numa plantação de batatas. Só deu tempo de abrir a porta do carro e ali eu regurgitei até as tripas.

Vários carros passaram por mim, nenhum parou para ver se tinha acontecido alguma coisa. (Meu carro parado no canteiro da estrada no meio das batatas, não é de estranhar?)

Ainda me sentindo muito mal, eu continuei sentada no carro com a porta aberta ao lado da poça de vômito, esperando que eu melhorasse um pouco para poder continuar dirigindo os 20 km restantes até em casa. Nesse momento passou uma mulher bem ao meu lado, fazendo jogging. Ela não me perguntou se eu estava precisando de alguma coisa, se eu estava me sentindo bem. Ela não me olhou. Ela simplesmente me ignorou e continuou seus exercícios.

Nesses 11 anos que estou aqui, passei por outras situações semelhantes, onde eu me senti mal, mas ninguém me ajudou.

Essa é a dura realidade da Dinamarca. E pelo visto da Escandinávia, baseado pelo vídeo que está rodando a net e os canais de tv nessa semana.

Foi no domingo passado. Um homem embriagado caiu nos trilhos do metrô de Estocolmo, na Suécia. Nesse momento havia somente uma outra pessoa na estação, que testemunhou o acidente. Essa testemunha, também um homem, desceu nos trilhos, roubou o acidentado e o deixou ali para ser atropelado pelo trem.

Por um puro milagre o acidentado sobreviveu. Teve ferimentos muito graves e o pé precisou se amputado, mas sobreviveu.

Na quarta-feira a polícia sueca liberou o vídeo para os canais de TV para tentar identificar o malfeitor.

Eu fiquei indignada. Como tem gente ruim nesse mundo. Não pude deixar de comparar esse acidente na Suécia com um que aconteceu em Madrid há dois-três anos atrás. Mas lá a história foi bem diferente. Solidariedade é a palavra-chave.

Abaixo os dois vídeos, o de Madrid e o de Estocolmo.

 

Castigo

Às vezes me admiro com a incompetência dinamarquesa. Essa cultura deles de não tomar uma atitude ou de não ter coragem suficiente para tomar uma atitude.

A colega contando que as crianças na escola, quando perdiam a partida de futebol no recreio, que os perdedores entravem em discussão e batiam uns nos outros para liberar a frustração.

Depois de vários episódios de porrada e várias crianças chegando em casa com olho roxo (isso num país onde se vai preso por agressão corporal!), para tentar punir os estudantes envolvidos e resolver o problema, a escola proibiu futebol no recreio por uma semana.

Mas a semana se passou, agora pode jogar novamemte, e novos casos de pancadaria entre os perdedores.

Já que aqui todo mundo tem direito de dizer o que pensa (só não pode pensar diferente deles!), eu manifestei minha indignação. Disse que no Brasil isso rapidinho se resolveria com suspensão.

Pronto, as minhas colegas dinamarquesas entraram em polvorosa. Que isso não é a mentalidade deles, que isso não se faz na Dinamarca, que isso, que aquilo. Eu simplesmente disse: dois dias de suspensão para o grupo todo, e uma semana de suspensão em caso de reincidência, eu te digo, isso nunca mais aconteceria na escola!

E assim o punição seria justa, somente afetando os agressores e cumplices. Pois proibindo a prática do esporte no recreio, todos estavam sendo punidos injustamente.

Minha colega disse que não se pode punir porque essa era uma reação normal, que é instinto masculino de dar porrada. A resposta dela mexeu com meus ânimos. Fui obrigada a dizer que o diferencia humanos dos animais é justamente saber controlar os impulsos. É por isso que é importante educar as crianças (educar no sentido de ensinar comportamento aceitável).

Ela disse que eu estava errada, que era uma reação normal masculina de dar porrada. Eu então retruquei perguntando: vai dizer isso quando ele tiver uma namorada e encher a moça de porrada. Vai me dizer que isso é uma atitude aceitável porque é instinto?

Conversa encerrada.

Vestibulandos

Durante a semana 27 (de primeiro a sete de julho), enquanto o blog estava hibernando, a Dinamarca entra no final do ano letivo.

Assim como no Brasil, o ano escolar termina com o início do verão. A única diferença é que aqui o final do ano letivo não coincide com o final do ano em si. É muito estranho. Em agosto começa um novo ano escolar.

Final de ano letivo significa um monte de gente se graduando, e para eles a graduação do ensino médio (segundo grau) é a mais importante, pois aqui não existe vestibular.

Então o que acontece? O cidadão termina o segundo grau e faz aquela festa – algo parecido com a festa dos aprovados no vestibular.

No Brasil, para mostrar para todo mundo que você foi aprovado, os rapazes raspam o cabelo e no dia do resultado, o povo sai pintado na rua, lambuzado de lama e sabe-se lá o que mais.

Aqui eles colocam um chapéuzinho na cabeça, sobem em caminhões para desfilar pelas ruas fazendo algazarra. Encher a cara é de praxe, como em qualquer canto do mundo.

Pelo que entendi esse negócio do chapeuzinho é uma tradição que vem desde 1854 e a cor da tarja indica que tipo de escola a pessoa frequentou.

Uma das diferenças do Brasil, é que aqui existem vários tipos de segundo grau. Uns dão mais ênfase para matemática, outros para artes, outros para área biológica, e tem o normalzão, que é o que eles chamam de Gymnasium. (Parece com a nossa palavra para ensino ginasial, mas a correlação não é a mesma, pois ginásio no BR era da quinta à oitava série do primeiro grau e aqui é segundo grau científico.)

No início eu achava uma bobagem esse povo fazendo tanta festa só porque terminaram o segundo grau e nem sabiam se entrariam para a universidade no curso desejado, já que aqui entra no curso por nota. Mas depois eu fui conhecendo mais e mais sobre o ensino dinamarquês.

O que você diria se soubesse que aqui não existe prova durante o ensino fundamental? Nunca. Da primeira à nona série (e em algumas escolas existe uma décima série que é opcional e você só estuda as matérias que selecionar), nunca tem prova. Os professores avaliam se o aluno passa de ano baseado no que se vê durante o ano. Eu nunca ouvi falar de gente reprovando aqui.

Agora imagine esse povo todo, acostumado com mamata e que nunca fez prova na vida, quando eles chegam no segundo grau, eles tomam um baque. Tem prova e é a matéria toda do ano de uma vez só. As provas não são bimestrais. É uma só no fim do ano, e a nota que vc tirar vai te acompanhar para o resto da vida e dela dependerá seu futuro para entrar para a faculdade. Tem neguinho que vai até para psicólogo para superar essa fase, acredita?

Se eu estivesse no lugar deles, eu também sairia festejando para comemorar que finalmente terminei esse pesadelo de ensino médio.

Com relação a essas provas, eu já escutei diversas coisas. Já escutei que para algumas matérias as provas são como as de vestibular. Você tem 4 ou 5 horas para responder a tudo. Mas também já ouvi que as provas são orais.

Prova oral, acho que eu só fazia prova oral nas aulas de inglês e olhe lá. Não consigo nem imaginar o que é fazer prova horal de história, geografia, química.

Mas olha a mamata: 30 minutos antes da sua prova oral, você sorteia a pergunta que terá que responder. Nesses 30 minutos você pode usar todos os meios de comunicação para procurar a resposta: livros, internet, telefone, rezar para São Longuinho. Fica a seu critério. Claro que 30 minutos é pouco para achar uma resposta, se vc não tem a mínima idéia do conteúdo do assunto. Tem que estar preparado.

Esse estilo de prova oral é o que te segue pelo resto da vida. Nas universidades as provas todas são orais com exceção de idiomas e das técnicas: física, matémática, química, onde se resolve uma questão ali na hora, escrevendo no quadro negro – e detalhe,  tudo isso com platéia, pois as provas são abertas ao “público” (os colegas).

Esse negócio de só fazer prova oral tem uma consequencia. Neguinho aqui não sabe escrever. Em compensação sabem argumentar bem. Todo dinamarquês tem palpite para tudo. Para eles é super híper importante dar a opinião deles sobre determinado assunto e dizer se concorda ou não concorda. Mas, porém, todavia… a opinião deles não pode ser muito diferente do da maioria, ou a pessoa será excluída. É uma mentalidade estranha, essa mentalidade de igualidade.

Outra coisa diferente: A maioria das provas são com auxílio. Enquanto você senta ali com suas perguntas, vc pode procurar as respostas no livro, na internet, no seu caderno de anotações.

Para nós isso parece loucura, já que no nosso Brasil dá-se importância à decoreba. Se não lembrar a resposta na hora da prova, lascou-se. Não é, não? Mas aqui ninguém se importa se o estudante se lembra disso ou daquilo de cor. Isso não interessa para eles, porque informação se acha fácil depois que se formar. Para eles é mais importante saber solucionar problemas, e por isso as escolas ensinam a raciocinar para resolver situações difíceis que ocorrem no dia à dia (enquanto no BR só se aprende isso com a prática).

Mas não fique pensando que isso é genial, pois eu vejo os recém formados que entram na minha empresa, eles não sabem nada e são uns iludidos. Pelo menos os “decoreba” brasileiros se empenham em fazer estágios relevantes e não chegam cru no mercado de trabalho.

Não sei se você sabe, mas as universidades dinamarquesas todas são gratuitas e sendo estudante, o governo paga uns salário estudante para você. Se você mora com os pais, o valor é bem pequeno, só para ajudar com gastos com livros, mas se vc saiu de casa e mora por exemplo numa república de estudantes, o valor é 4 vezes maior (mas tem que pagar 37% de imposto – aqui ninguém escapa do imposto).

Claro que todo esse gasto que o governo tem contigo não é de graça. Depois que se formar você é obrigado a trabalhar por pelo menos 2 anos no mercado dinamarquês e pagar impostos aqui que é para retribuir aquilo que foi gasto com a sua educação. E lembre-se que o imposto é gradativo, quanto mais se ganha, maior porcentagem se paga. Já vi neguinho pagando quase 72% de imposto. Eu, particularmente, acho que não vale a pena ganhar mais. Se vc quer ser rico, não deve se mudar para a Dinamarca, pois aqui se trabalha para o governo, literalmente.

Vou parar por aqui. Esse foi um gostinho da educação dina. Outra hora eu conto mais.

Incluso

Quando eu morava no Brasil eu achava que a palavra incluso só se usava quando vinha a conta do restaurante. “O serviço (10% do garçon) está incluso ou não?” a gente sempre pergunta.

Então vim para a Dinamarca, e a coisa mudou de figura. A palavra incluso aqui é usada o tempo todo, mas foi só recentemente que eu entendi o correto significado da palavra.

Imagine o seguinte: Neguinho informa que vai tirar férias. Eles escrevem assim: Férias de 10 a 25 de janeiro, ambos dias inclusos.

Eu te pergunto: Se vc diz que vai tirar féria de 10 a 25, que dia começa as férias e que dia termina?

Eu nunca entendi porque dizer incluso. O cara já está dizendo tudo. Férias de 10 a 25 de janeiro. Eu entendo que ele trabalha dia 9, dia 10 está de férias e só volta a por os pés na empresa no dia 26, pois no dia 25 ele ainda está de férias. Você concorda comigo? Se eu estiver errada, por favor me corrijam! Mas sempre entendi que as coisas funcionam assim. Pelo menos no idioma português.

Mas como eu sou estrangeiro, gringo na terra do outros, sabe como é, a gente tenta se encaixar nos moldes de onde estamos e por isso eu também passei a escrever o tal do incluso. Eu achava que era para enfeitar.

E assim foi por 10 anos, até que mês passado eu recebi um texto, e junto com este veio um email dando as instruções: Faça a atualização do texto até a seção 4.6.

O que você entende disso? A seção 4.6 está inclusa ou não?

Bom, eu fiz a atualização do texto, incluindo a seção 4.6 e aí parei. Da seção 4.7 até a seção 10 eu deixei sem atualizar, como solicitado no email e achando que fiz um trabalho genial.

Mas para que facilitar as coisas quando os dinamarqueses gostam de complicar a vida da gente. Fui olhar no texto das outras, elas só atualizaram até a seção 4.5.

Sabe por que?

Por que na Dinamarca nada está incluso. E eu não entendo isso. Se o 4.6 não é para ser atualizado, então para que mencioná-lo? Diga simplesmente até o 4.5 e pronto. Mas não. Complicação geral.

Mas complicação para mim, pois a cabecinha oca deles está acostumada com essa não inclusão de nada.

Consequencia disso: Eu tive que consertar o meu texto e retirar o que eu tinha atualizado na seção 4.6. Depois desse acontecimento eu nunca mais me esqueci dessa palhaçada do idioma dinamarques.

E os dias se passaram, tudo estava indo muito bem, até que hoje vem a minha colega me fazer uma pergunta e eu perdi minha paciência com ela, coitada.

O meu texto diz: Conservação, abaixo de 25 graus. O texto dela diz: Conservação, não acima de 25 graus.

Ela me pergunta então se deve consertar o texto dela escrevendo abaixo, dizendo que essas duas expressões não significam a mesma coisa.

Para mim significa exatamente a mesma coisa. No meu entendimento 25 graus é a palavra-chave. Se um dia estiver fazendo 30 graus, tem que colocar o produto na geladeira. Pronto.

Mas para ela o ‘não acima de 25’ significa 25, mas o abaixo de 25 significa 24,999999999. Fala sério.

Se você comprar um colírio na farmácia e a bula disser mantenha abaixo de 30 graus, você vai ficar controlando o termômetro para o 29,9? Não. Vc se baseia pelo 30.

E do ponto de vista científico, se a bula diz que pode guardar até 30 ou abaixo de 30, é porque os testes de estabilidade foram feitos na temperatura de 30 graus ou acima disso.

Se bem que no Brasil pode estar tanto calor que eles escolhem escrever: mantenha em local fresco. E aí? Fresco é 20, 25 ou 30 graus? Ou talvez é 19,999999999999?

Pronto, desabafei.

Midsummer

Peguei um resfriado bem no dia de São João. De molho em casa, o pensamento vai longe. Fiquei pensando em São João, ou melhor, nas comemorações em torno do 24 de junho. São João, acende a fogueira do meu coração!

No Brasil temos a festa junina, mas você sabe por que celebramos festa junina?
A verdade é que quando a festa é tão popular, como carnaval por exemplo, ninguém sabe o que se está celebrando e nem o porquê.

Aqui na Dinamarca não é diferente.
Eu me mudei para cá no mês de junho de 2001, e todo 23 de junho os dinamarqueses comemoram a noite véspera de São João. Quando perguntei o que se estava sendo celebrado, ninguém sabia me explicar direito, e me disseram umas coisas que deixaram uma impressão muito ruim da Dinamarca.

Minha experiência foi assim:

‘Vamos para a praia para ver a fogueira e cantar canções em torno dela? Será bem legal.’
– Chegando na praia, a fogueira era um amontoado de mato, galhos e grama que foi coletado no jardim das casas ali do quarteirão.
– Ninguém sabia direito que canção cantar. Mais parecia um hino ou salmo de igreja do que uma canção para uma festa ao redor da fogueira.
– Em meio àquela chatice, surge uma boneca de bruxa que é queimada com alegria para as crianças, e alguém me diz que é porque eles queimavam as bruxas na idade média.

Fiquei com a impressão de que a Dinamarca comemora a brutalidade da igreja católica durante a idade média com a inquisição e a queima de mulheres inocentes na fogueira. Saí de lá com raiva. Muita raiva.

Mas a ignorância não leva a lugar nenhum. Por anos, todo dia 23 de junho, véspera de São João, eu já ficava com raiva. E como essa é a segunda data mais comemorada no país, todo mundo fica perguntando: ‘Você vai ver a fogueira hoje?’ Esse comentário só tacava mais lenha na minha fogueira interna! 🙂

Até que ano passado eu escutei sobre essa mesma tradição na Suécia, mas a pessoa sabia explicar direitinho o que era. Comemora-se o solstício de verão, também chamado de Midsummer. A data para eles é tão importante que é até feriado nacional. Então resolvi pesquisar no Wikipedia. (Santa Internet. Você só fica na ignorância se quiser.)

Descobri que em vários países no mundo comemora-se o dia do solstício, inclusive no Brasil. (Pasmem, assim como eu! Pois eu também não sabia que existe um fundamento nas festas juninas.)

Só para relembrar:

Se você mora no norte ou nordeste do Brasil, perto da linha do equador, então os dias e noites sempre têm a mesma duração durante o ano todo. Mas quanto mais para o sul ou para o norte da linha do equador você vai viajando, a duração do dia e noite vai mudando. No verão os dias são longos, e no inverno os dias são curtos. Por exemplo em Curitiba, no inverno amanhece em torno das 7 da manhã e anoitece lá pelas 5 da tarde. Então são 10 horas de claridade do dia contra 14 horas de escuridão da noite.

O solstício de verão é quando chega o dia mais longo do ano e depois começa a inverter, até chegar o dia mair curto do ano, que é o solstício de inverno.

Agora lembre que quando é inverno no hemisfério sul, é verão no hemisfério norte. Isso quer dizer que em junho o sol está iluminando mais o lado norte do planeta. Então em junho nos países do hemisfério norte comemora-se o solstício de verão (dia mais longo do ano), e em alguns países do hemisfério sul, como Brasil, Argentina e Austrália, comemora-se o solstício de inverno, ou dia mais curto do ano.

Na dinamarca escolheram comemorar o midsummer sempre na véspera de São João.
Já no Brasil, festa que é festa tem que durar por muitos dias. Já pensou o que seria do carnaval se só durasse por uma noite? Então festa junina começa lá pelo 12 de junho, que é véspera de dia de Santo Antônio (13 junho), passa por São João (24 junho) e vai até dia de São Pedro (29 junho).

No Wikipedia vi a lista dos países que comemoram o solstício, e cada lugar tem suas tradições, mas uma coisa todos tem em comum: Todos acendem uma fogueira.

Acreditava-se antigamente que algumas plantas que dão flores no meio do verão (midsummer) tinham poderes de cura, como a calêndula, então a colheita era feita na noite do midsummer e o povo acendia fogueiras para se proteger dos espíritos malignos, que eles acreditavam estar à solta e mais ativos durante o midsummer, quando o sol então começa a voltar para o sul. Lá pela idade média achavam que as bruxas encontravam os seres poderosos durante o midsummer, e acredito que aí já usavam a mesma fogueira para queimar as bruxas, matando assim dois coelhos com uma cajadada só.

Como queimar mulher inocente na fogueira não é suficientemente sadista, em alguns lugares como a França, eles queimavam animais vivos, principalmente gatos. Ficavam lá apreciando a agonia dos bichos até esses serem totalmente carbonizados. Às vezes jogavam um saco inteiro cheio de gatos na fogueira.

Não fui pesquisar, mas certamente no Brasil deve ter alguma história de como a festa junina evoluiu para ser o que é hoje. Eu prefiro no entanto pensar nas coisas boas: Quentão, pinhão (no sul do país), amendoim, pamonha e uma boa dança de quadrilha.
Pula fogueira iá-iá, e pula fogueira iô-iô.

Divida comigo sua experiência de festa junina. Talvez você até saiba como foi a evolução de comemoração de solstício para 2 semanas de festividades juninas? 🙂
Olha a cobra! Olha a chuva! É mentira!

Esse foi o link que usei para pesquisar sobre Midsummer.