Lacto

Eu não me lembro se comentei que tenho intolerância à lactose. Descobri isso em dezembro, então é recente (a descoberta é recente, os sintomas tenho há muito mais tempo, só achava que era qualquer outra coisa). 

Eis que morar num país que vive da indústria de laticínios não é fácil, pois eles usam leite, creme e queijo em tudo quanto é comida. 

Para piorar, é bem difícil encontrar produtos livres de lactose nos supermercados. Normalmente um supermercado tem um produto, por exemplo leite, depois tem que ir num outro para encontrar iogurte ou manteiga e assim vai. Queijo sem lactose? aqui nunca tinha visto. 

Quando estive na Alemanha mês passado, fui à loucura quando vi que eles tinham tantas opções sem lactose, até queijo Philadelphia e queijo para pizza. 

Mas parece que minhas preces foram escutadas. Hoje foi a um supermercado de uma rede sueca (mas aqui em Copenhague mesmo) e fiquei tão surpresa que soltei um daqueles suspiros de surpresa e o povo ao meu redor todo me olhou. Tinha tanta, mas tanta coisa sem lactose, que eu não sabia o que comprar. 

Era sorvete, queijo cremoso, queijo mozzarella fresco, frios diversos, iogurtes, coisas para passar no pão, maioneses, queijos diversos inclusive para pizza e parmesão. Fiquei louca lá dentro. Claro que os preços são exuberantes, mas isso é um detalhe. 

Saí de lá feliz, e com um rombo no bolso!

Só espero que tenha saída esses produtos, que é para que eles não cortem, né. 

Midsummer

Ontem, véspera de São João, foi o Midsummer escandinavo. Eu já escrevi sobre isso inúmeras vezes no blog, então não vou repetir (aleluia!, dirão alguns! rsrs). 

A primeira vez que eu fui a uma comemoração de Sankt Hans, como eles chamam a comemoração na Dinamarca, eu achei um porre. 

Era na praia, a fogueira não passava de um amontoado de galhos e folhas (e nada mudou nesses muitos anos! os dina deveriam fazer um curso de como montar uma bela fogueira de São João com os brasileiros!). 

As músicas pareciam coisa de funeral, e em seguida vinham as crianças com bonequinhas de bruxa para queimá-las na fogueira, como símbolo da idade média quando eles queimava mulheres na fogueira. Isso fez ferver meu sangue e eu nunca mais quis ir a uma festa de Sankt Hans. 

Como agora os tempos são outros (fazendo alusão a minha nova vida), eu resolvi pesquisar o que tem para fazer no Midsummer em Copenhague. Achei mais de 7 eventos na cidade. 

Uns com show de bandas, outros com dança (salsa), outros com barraquinha de comida. E para completar tem o festival CopenHell acontecendo, que é um festival de heavy metal. Não tem nada a ver com São João, mas coincidiu a data. E olha que até o Robbie Zombie está aqui hoje.
Engraçado é que no metrô, pelas vestimentas, é possível distinguir quem está indo para qual evento! Os metaleiros e suas roupas incrementadas. 

Acabei que eu convidei o Carsten para vir no Midsummer comigo. Fim de semana passado eu fui lá na nossa casa, dei uma força no jardim e comemoramos o aniversário dele com um bom churrasco, e combinamos de explorar Copenhague no fim de semana seguinte. 

Todos os planos foram por água abaixo, literalmente, porque começou a chover horrores. Então fizemos tudo no improviso e saiu melhor que o esperado. 

Fomos no porto antigo, o Nyhavn, onde encontramos cereja (eu matei a vontade) e ele comeu waffle belga. 

De lá atravessamos uma ponte recentemente inaugurada e fomos parar num street food market, com mais de 40 barracas de comida, mas acabamos comendo no brasileiro. Churrasco. Estava muito bom. De brasileiro mesmo só o nome e a bandeira, mas de qualquer modo estava tudo bem feitinho. 

De lá nos embrenhamos num parque que estava abandonado. Não tinha nem uma alma penada andando por lá. Mas achei interessante, lá tinha muitas entradas para os antigos abrigos de bomba. Eu nunca tinha visto tantos juntos antes. 

Saindo do parque paramos na beira mar, para ver o concerto da Oh Land tocando piano. Enquanto esperávamos, ouvi um casal falando português e puxei papo: estão a passeio ou morando na cidade, eu perguntei. Estavam aqui fazia 4 meses e estavam adorando. 

Quando eu falei que estava aqui há 16 anos, se assustaram. Mas pq veio para cá, me perguntaram. Olhei para o Carsten e falei: vim porque eu e ele éramos casados. Outra vez, olhar de susto. (isso acontece muito, quando esbarramos em alguém conhecido e Carsten me apresenta como “minha ex-mulher” kkk)

E de onde vc é do Brasil? De Curitiba, disse. E eles: nós também!

Mas eu só esbarro com curitibano, impressionante! Duas semanas atrás, algo parecido aconteceu na minha viagem para Berlim. Mas isso é outra história. 

Final das contas. Oh Land tem uma voz bacana, mas selecionou umas musiquinhas desanimadas e nós fomos embora no meio do show. 

As fogueiras montadas tanto no Nyhavn quanto ali na beira mar não passavam de um amontoado de galhos secos de jardim. 

Só faltou as crianças com as bruxas, para dizer que nada mudou!

Voltamos para casa e ficamos tomando chocolate quente e escutando heavy metal, até que para nossa surpresa, começou um show de fogos de artifício que durou por 5 minutos e deu para ver de camarote aqui da minha sacada. Foi uma surpresa, pois não sabíamos que teria fogos, nem que duraria por tanto tempo. Foi o final perfeito para o São João!

E vocês, o que fizeram? Pinhão com quentão? 

Motivação 

Ontem fui a uma festinha de aniversário de uma amiga italiana. Muito interessante ver como as diferentes culturas celebram aniversário. 

Cantamos até o Parabéns pra você em italiano.

Foi muito agradável, tomamos um excelente proseco, e conheci garotas do Kwait, Grécia, diversos lugares da Itália e até uma dinamarquêsa. 

Mas o melhor de tudo foi ver os quadros na casa da minha amiga. Em todos os cômodos havia um quadro com uma frase motivacional. Tudo em inglês, mas vou tentar traduzir. 

Na entrada dizia: Amigos, sempre bem-vindos. Parentes, só com agendamento prévio. 

No quarto dizia: Vida é o que acontece agora enquanto você faz planos para o futuro. 

Na sala dizia: Você pode achar que eu sou impossível, mas tudo é possível. 

Na cozinha dizia: Se o trabalho de uma mulher nunca chega ao fim, para que começar? 

E no banheiro, o melhor de todos, e é o lema na minha casa nos últimos 29 anos:

Planejamento para lavar roupa
Separar peças por cor – hoje
Lavar – amanhã 
Dobrar – algum dia
Passar – rsrsrs

Original
Laundry Schedule:
Sort – today
Wash – tomorrow
Fold – some day
Iron – ha ha ha ha 

Eu deveria ter tirado uma foto desse quadro! Rs

Festança 

Sexta-feira passada foi o dia da festa de verão da minha empresa. Quando eu entrei na empresa, pouco mais de dois anos atrás, uma das primeiras coisas que me disseram foi que aqui eles quase não faziam festa de verão, que era para economizar. Onde eu trabalhava antes a festa de verão era para mais de 7 mil funcionários, sempre num lugar gigantesco, com jantar, bebida à vontade, e shows com bandas famosas. 

Honestamente, eu nunca gostei das festas daqui. O povo bebe demais, só dança depois de encher a cara, só toca música dinamarquêsa chata, e sete mil funcionários mas você é obrigado a ficar grudado com o povo do seu departamento para ser social. Um saco. Eu nem ia nas festas porque sabia que não me divertiria. 

Mas na lundbeck as coisas funcionam de outra forma. O objetivo não é impressionar ninguém, mas curtir, com atividades diferentes que dão oportunidade de conhecer gente nova.

Nada precisa ser perfeito, com garçom, jantar granfino. Aqui é pegar um sanduba na carrocinha, sentar na arquibancada, montar no touro mecânico (e eu consegui por 28 segundos, mais que muito cara metido que chegou lá se achando e caiu depois de 6 segundos!) usar uma peruca divertida e dançar muito ao som dos ritmos dos anos 80!

Pernas pra que te quero 

Digamos que, pra quem viaja praticamente todo fim de semana, eu sou quase uma viajandeira profissional. Mas hoje eu dei uma de amador. Peloamordedeus. Rsrs 

Normalmente eu tenho saldo suficiente no meu cartão para o transporte público. Eu também sempre chego no aeroporto uma hora antes do vôo, que para quem só anda com mala de mão, é tempo suficiente para trocar dinheiro no banco, e para passear o controle segurança sem estresse. Mas tb não chego muito cedo, pq detesto tomar chá de cadeira. 

Eis que hoje a bruxa estava solta. Depois de um dia corrido no trabalho, lembrei que tinha esquecido de recarregar meu cartão de transporte. Eu tinha que andar até a estação para fazer isso no último da hora. Perdi 10 minutos com isso. 

Consequentemente, perdi o ônibus e tive que esperar o próximo. 

Dez minutos de atraso em torno das 3 da tarde numa sexta, fazem uma diferença enorme no trânsito de Copenhague. De repente tinha congestionamento. Perdi mais 10 minutos. 

A troca para o metrô foi tranquila. Ótimo. 

Checo pelo app qual a previsão de espera para passar pelo controle de segurança: 17 minutos. Gente, esqueci que em junho começa a temporada de férias na Dinamarca. Aff 

Estou eu, bela e formosa na fila, quando o app me avisa que está embarcando e que o portão ia fechar em 20 minutos. Pânico. 

Passando o controle, desisti de trocar dinheiro. Pela primeira vez, não tenho um puto comigo. 

Foi então que eu vi que meu portão de embarque era F1. Longe pra caramba. Seria mais rápido chegar em Berlim à pé do que achar esse bendito portão. São 15 minutos andando. Gente, não ia dar tempo. 

Sabe aquela história de correr para tirar o pai da forca? Pernas pra que te quero. Fazia tempo que eu não corria feito uma louca aeroporto afora. Eu e um outro carinha do meu lado. Parecia que estávamos nos metros finais de uma maratona, disputando tapa-a-tapa o primeiro lugar. 

Chegamos nesse portão ofegantes, suados, descabelados, e rindo demais, pq o avião não tinha nem terminado de desembarcar os passageiros da viagem prévia. Fala sério. Tanto desespero para nada. Kkk

Bom, próxima vez que viajar em alta temporada, vou chegar mais cedo nesse aeroporto! 

Tomara que o fim de semana valha a pena toda essa correria. 

Berlim, me aguarde, que estou chegando!

Sobrevivendo

Dizem que quem é vivo sempre aparece. Eu continuo aqui. Muitas novidades na minha vida, muita coisa nova, mas nem tudo dá para compartilhar no blog. 

Nós últimos 3 meses eu me mudei duas vezes. Em janeiro eu aluguei um quarto em um apartamento que compartilhava com dois rapazes de 24 anos. Um era estudante e o outro, estava trabalhando. Mas eles eram super bons amigos desde a infância, conversavam bastante juntos, gostavam de fazer coisas no meio da noite, como lavar roupa ou colocar a lava-louça para funcionar. Eu já não consegui entrar para o “time”, especialmente pq eu tento ir dormir cedo para acordar as 6 da manhã. 

Ainda bem que foi um lugar temporário, mas em compensação a localização era ótima. Do outro lado da rua, literalmente, fica a empresa onde eu trabalho. Eu tinha que andar 7 minutos para chegar no escritório. Fantástico!

Quando o contrato estava para acabar, calhou de eu encontrar dois outros lugares, todos pertinho desse lugar que eu estava morando. Acabei escolhendo morar com duas moças. Uma dinamarquêsa quase da minha idade que trabalha para a rainha da Dinamarca, e a outra, um a moça sueca de 22 anos, que trabalha em loja de roupas acho. 

Eu achava que seria mais tranquilo morar com mulheres e que o padrão de limpeza também seria um pouco melhor, e é, mas há outras coisas que não funcionam como um mar de rosas. 

Mas hoje eu não vou chorar as pitangas para vocês. Os detalhes eu conto outro dia que eu tiver tempo para aparecer aqui no blog. 

Ouriçada

Nesse fim de semana tem festival de kizomba – uma dança proveniente de Angola, e que eu gosto de dançar de vez em quando.

Estava eu saindo de casa para ir para a festa, em torno das 9 da noite, e nesse horário está escurecendo. Entrei no carro, e pensei: melhor pegar o navegador GPS porque eu não conheço o caminho para o local. Cadê o negócio? Não está no carro. E cadê meu telefone? Putz, esqueci dentro de casa.

Saio do carro e enquanto estou destrancando a porta de casa, eu vejo um bicho me encarando. Já estava meio escuro, e de longe parecia uma ratazana. Fiquei com medo, e chamei o Carsten, que estava dentro de casa, para ele vir bem devagar até a porta, sem fazer barulho.

O bicho continuava lá, me encarando.

Carsten coloca a cabeça para fora de casa, e não estava bem certo se era um rato.

De repente o bicho vira, e dá uma caminhadinha e nós, embasbacados, pudemos ver que não se tratava de um rato, mas de um ouriço (hedgehog). Eu nunca tinha visto um antes na minha vida, assim ao vivo, somente em foto e em filme. Carsten disse que fazia uns 20 anos que ele não via um ouriço.

E eu, vendo as fotos, sempre achei que era um bichinho pequeno, mas esse tinha uns 25 a 30 centímetros. E parece ser um bicho bem dócil. Ficou lá olhando bem no olho da gente por uns dois minutos.

Carsten foi buscar a câmera fotográfica, mas bem nessa hora o bicho resolveu se embrenhar na folhagem. Pena.

Pensamos em dar alguma comida, mas nos lembramos que se for para dar algo, é ração para gato. Tem gente que põe leite para os ouriços (pois eles são mamíferos), mas isso faz com que o bicho fique doente e pode até matar. Então não se deve dar leite. E acabamos não dando nada, pois não temos ração de gato em casa.

Fui embora para Copenhague para dançar kizomba super contente, por ter visto pela primeira vez um ouriço selvagem no meu jardim. Será que vou ter outra oportunidade dessas?

Melhor que isso, somente a lua cheia, enorme e dourada, que estava iluminando o céu durante todo meu percurso até o centro da cidade.

Passeio no parque

Ontem eu resolvi fazer um passeio diferente. Lá pelas 11:30 da manhã, mandaram chamar o meu motorista particular, também conhecido como ambulância. Ele chegou 45 minutos mais tarde, porque veio sem sirene.

Do carro desceu um homem alto, loiro, esbelto, com olhos azuis gigantes, um verdadeiro Miguel Fallabella. Esse par de olhos azuis, olhando pra mim bem de pertinho e dizendo: “qual sua data de nascimento?” foi a coisa mais comovente.

Pela primeira vez enfiaram na veia da minha mão um daqueles sistemas intravenosos, que se usa quando vai dar soro.
Primeiro ele lavou o sistema com solução salina, e ele aplicou aquilo tão rápido, que tive uma sensação muito estranha. Eu senti o braço inteiro ficar gelado por dentro.

Depois ele me deu uma dose de morfina (primeira vez que eu tomo uma bomba dessas) e ele disse que eu talvez ficasse um pouco tonta. Tonta eu fiquei, mas bem mais tarde. A primeira reação, alguns segundos após a injeção, foi que eu tinha dificuldade de respirar e entrei em pânico.

Bom, encurtando a história. Eles me levaram para o hospital mais próximo onde eu esperei atendimento por mais de 3 horas.

Tiraram vários raio X, do joelho, do braço, me enfaixaram toda, mas não quebrei nada. Ainda bem.

O que aconteceu comigo? Eu tropecei e caí. Eu nem sabia que um tombo no asfalto podia causar tanto estrago. Estou toda estourada, cheia de hematomas, mancando e com o braço direito imobilizado.

Coitado do Carsten, chegou no hospital todo preocupado, e teve que me ajudar a noite inteira. Precisei de ajuda até pra ir ao banheiro. Muito humilhante.

Hoje estou em casa de licença médica e espero me recuperar nesse final de semana, porque tenho uma viagem marcada na segunda – e eu vou de qualquer jeito, nem que seja toda engessada.

Esse tombo levou todos os meus planos por água abaixo, já que não posso movimentar meu braço.
Eu ia lavar roupa, ia consertar uma jaqueta que eu queria trazer na viagem, ia fazer a minha mala… O jeito agora é esperar e ver se eu melhoro até domingo, ou então pedir pro meu babysitter, Carsten, para fazer a mala pra mim. Ô vida.

***

A mensagem acima eu postei faz umas horas. E eu estava tão contente. Mas cinco minutos atrás me telefonaram do hospital, dizendo que um outro médico olhou as minhas chapas e que eu fraturei o antebraço na altura do cotovelo. Disse também que eu tive sorte, e que não vai ser preciso operar nem ingessar, mas que eu tenho que manter o braço imóvel e que as dores podem durar por até 3 meses.

Hmm, pelo visto terei que preparar táticas de como tomar banho sozinha e de como carregar minha bagagem durante a viagem!

 

Novo destino

Eu cheguei a comentar que o meu vizinho da frente sumiu? Tomou Doril e desapareceu.

Ano passado, no início de junho, Carsten e eu fomos para a Alemanha e quando voltamos 10 dias depois, nossos vizinhos tinham sumido e a casa está abandonada desde então, por 11 meses.

Quando digo abandonada, digo em todos os sentidos. Ninguém mora lá. Não tem placa de “vende-se”. E a casa está literalmente caindo aos pedaços.

Então semana passa o mistério foi desvendado. Bom, estou exagerando, mas pelo menos agora sabemos o que aconteceu.

Conversando com o vizinho do outro lado, descobrimos que o casal que morava na casa, agora abandonada, era somente locatários. Aparentemente, depois de morar ali por mais de 8 anos, eles encontraram uma casa com aluguel mais barato e se mudaram, assim, de uma hora para outra.

Depois de escutar isso nós entendemos porque o casal nunca cuidou da casa. Nenhuma renovação, nenhuma manutenção. Tudo está apodrecendo. Tudo está se estragando. No jardim só tinha mato. Nem a cerca viva eles aparavam. Era o dono da casa que vinha uma vez por ano para fazer a poda. (E nós não sabíamos quem era, achávamos que era um familiar. Santa ingenuidade.)

Nós sempre nos perguntamos quando é que vai entrar um novo vizinho nessa casa. Particularmente eu acho que vai demorar para alugar, porque a casa realmente está precisando ser consertada. Mas acho que vai sair bem caro consertar aquilo ali. Chegou num ponto que ficará mais barato demolir a casa inteira e construir uma nova.

No entanto, eu acho que hoje o destino dessa casa foi alterado.

fogo2Estamos Carsten e eu jantando e assistindo a um filme, quando escutamos uma sirene. Até aí, tudo bem. Quando eu vou até a cozinha, vejo que tem um caminhão de bombeiros estacionado bem na frente da nossa casa.

Chamei o Carsten, abrimos a porta e olhamos a movimentação sem nos aproximar. A primeira coisa que vi foi polícia para tudo que é lado. Havia um policial encostado na nossa cerca, falando com um vizinho dos fundos. Cheguei até a achar que tinha sido um atropelamento, ou que tinha algo no nosso jardim. Pois eles estavam bem na área onde alguém bateu na nossa cerca e quebrou tudo.

Foi nesse momento que o bombeiro começou a puxar o equipamento e Carsten apontou para a casa da frente, a abandonada. Uma fumaceira enorme saindo de lá.

A teoria do Carsten é que talvez algumas crianças tenham entrado lá para brincar e tenham feito uma fogueira. Afinal, a porta estava escancarada há meses.

Com aquela fumaça, achei melhor entrarmos em casa e fecharmos as portas e janelas. Vai que aquela fumaça é tóxica. Casa velha, cheia de asbetos. Eu hein.

fogoVoltamos a assistir nosso filme e meia hora mais tarde os bombeiros continuavam lá, agora dois caminhões estacionados aqui na frente. Uau.

O fogo não arrasou a casa, mas imagino que o estrago foi suficientemente grande para poder acionar a seguradora.

Parece que agora a casa será restaurada de qualquer jeito, pois a seguradora vai pagar, não é mesmo?

Imagino que o dono da casa deva aparecer aqui amanhã ou durante a semana para ver o estrago.

Também imagino que a partir de agora será uma questão de tempo, até que um novo inquilino apareça. Só espero que o próximo seja mais amigável e menos problemático que o anterior. Aw, relações humanas.

Acesso

imageÉ, os caras da previsão do tempo acertaram na mosca. A neve está derretendo e o cadeado descongelou.

Como prometido, Carsten buscou a pá e dá-lhe empurrar neve na calçada!

Ah, quase me esqueci de dizer, hoje ele encontrou o spray, aqui dentro de casa, socado em algum canto.

Garoto esperto

Ontem de noite caiu mais neve e tem uns 20 centímetros de neve lá fora. Quem tem casa, deve retirar a neve da calçada. Isso é obrigatório e em alguns lugares é sujeito à multa. Se você não limpar a neve e alguém escorregar, cair e se machucar, você é responsável. Se você não limpar a neve, o carteiro não deixa suas correspondências na caixa do correio.

Hoje, Carsten se prontificou a limpar a neve, já que eu tenho que trabalhar. A nossa pá a gente deixa na garagem, mas ela sumiu.

Ou ela foi roubada, ou nós a colocamos no galpão e nos esquecemos disso.

Isso não seria um problema, se não fosse o fato de que nós trancamos o galpão com um cadeado, e hoje está fazendo 13 graus negativos e o infeliz do cadeado está congelado, e a gente não consegue abrí-lo.

Eu perguntei se Carsten tem um daqueles sprays que descongela cadeados (que o povo usa nos cadeados de bicicleta quando está muito frio) e ele me disse que se tiver, também está dentro do galpão.

Garoto esperto, 39 anos de praia, digo, de neve, e ele guarda um spray desses no galpão lá fora.

image

Pensei em usar uma vassoura para varrer a neve, mas advinha onde ela está? Exatamente.

Ainda bem que o carteiro foi simpático e nos entregou a correspondência agora há pouco. Pelo menos isso.

Agora é esperar para ver se a previsão do tempo para amanhã está correta e se a neve realmente vai derreter, ou se teremos que sair à pé nessa neve toda para comprar um spray descongelante.

Ô vida.