Hospital

Ao meu ver, nem sempre uma visita ao hospital é uma atividade agradável. Nem como paciente, nem como visita, e algumas vezes, nem como profissional. Hospital sempre tem uma energia no ar que diz: aqui é um local de muito sofrimento. 
Mas sofrimento é chegar no infeliz do hospital do reino, o Rigshospital, em Copenhague. As estações de trem e metrô são tudo longe, e vc tem que pegar ônibus. Ir de carro até lá, é pedir para sofrer em dobro, por conta do trânsito e depois achar estacionamento – e ainda tem que pagar para estacionar (a não ser que vá fazer um procedimento de mais de 3 horas, aí vc ganha um vale-estacionamento). 

Fui fazer meu check-up na quarta-feira e resolvi trazer a bicicleta comigo no trem. Eis que na metade do caminho o maquinista informa que esse trem não vai mais fazer o caminho previsto, vai fazer meia-volta e retornar. Ainda bem que eu estava com a bicicleta e que o tempo estava ótimo. Resolvi pedalar o resto do caminho e peguei a via na beira dos lagos. 

Acabei chegando no hospital com 15 minutos de antecedência e antes de entrar dei uma caminhada no parque na frente do prédio. Eu nunca tinha caminhado lá, achei bacana. Encontrei até uma mensagem de boas melhoras (get well) pichado no portão de entrada do abrigo anti-bomba. Achei bem bolada a ideia, apesar de imprudente. As vezes os fins justificam os meios. Somente pacientes em estado grave são enviados ao Rigshospital. São pacientes com câncer, com doenças complicadas, e assim vai. Aqui não se entra, a não ser com ambulância. A emergência não é aberta ao público. Então essa mensagem no portão deve ter dado ânimo e forças para alguém que estava precisando. 

O bacana é que se vc tem condições para andar, pode caminhar pelos jardins do hospital. E foi o que eu fiz quando a enfermeira me disse que meu médico estava atrasado por uns 60 minutos. Perguntei se eu poderia caminhar no sol, ela disse que sim e que me telefonar ia quando fosse meu horário. Me sentei ao lado da fonte e das lavandulas. As abelhas todas loucas com as flores da planta. Um perfume gostoso no ar. Nem parecia que eu estava no hospital. 

Vi que eles estão fazendo uma reforma gigante no hospital. Ouvi comentários de que teria saído mais barato construir um novo hospital em outro local da cidade do que reformar da maneira como estão fazendo. Mas ei, isso aqui é Dinamarca, eles adoram usar dinheiro público de forma insensata.  

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