Forró no Brasil – Itaúnas e Caraíva

Todo mundo supõe que por você ser brasileiro(a), que vc dançava forró no Brasil.

Gente, eu cresci no sul do país. Lá a gente dança uns fandango, vanerão, e olhe lá. Quando o forró começou a se popularizar nas universidades, eu já tinha deixado o Brasil há anos! Aprendi a dançar aqui em Copenhague e vou aprimorando minha técnica em cada viagem, nos workshops e dançando com os forrozeiros que encontro – tanto homens quanto mulheres, pois há muitas mulheres que conduzem bem.

Eu nunca tinha dançado forró antes no Brasil, e toda vez que dançava com brasileiros aqui na Europa, eu passava vergonha, porque esse povo dança muito, e eu ainda estava aprendendo.

Então resolvi que tinha chegado a hora de descobrir o que é dançar forró no Brasil. Todos esse gringos aí já tinham viajado pra Itaúnas mil vezes, e eu  nem sabia o que era isso.

Em janeiro 2017 comprei tanto o meu bilhete para Itaúnas que seria em julho, e também comprei para o Rootstock que será em outubro.

Meu objetivo com a viagem ao Brasil não é visitar nem família nem amigos, mas dançar forró e descobrir a diferença entre dançar aqui na Europa e aí no Brasil.

Destino: vila de Itaúnas no Espírito Santo, onde ocorre maior festival do forró do mundo, o FENFIT (Festival Nacional de Forró de Itaúnas), que está na sua 17ª edição. São praticamente 8 dias de festival, e na vila, o forró rola, literalmente, 24 horas por dia. Tem que escolher qual evento de forró vai perder para poder dormir, comer, tomar banho, ir à praia, etc.

Funciona assim: O festival ocorre no Bar do Forró, com show das bandas concorrentes do Fenfit e de pelo menos 3 bandas famosas/conhecidas. Vai das 10 da noite até 6 da manhã.

Seis da manhã o povo vai andando do Bar do Forró para a Padaria, que é um boteco onde o forró continua das seis da manhã até de noite (ou com música ao vivo ou com DJ). Ali é o point da galera, pois fica bem na saída de que vai pra praia. Tem que passar quase que obrigatoriamente por ali. É um lugar para ver e ser visto.

Lá por umas 5 da tarde começa o forró no Café Brasil e vai até 11 da noite. Já por aí dá pra ver que não dá pra fazer tudo. Os eventos se intercalam. Fora isso tem outros eventos de forró avulsos durante o dia, como aulas de forró no Café Brasil, aula com instrumentos, show ao vivo em algumas pousadas de noite ou no Buraco do Tatu, que é o concorrente do Bar do Forró (detalhe, as duas casas são vizinhas, e se a música não estiver alta o suficiente, dá para escutar o show um do outro. Loucura).

Detalhes sobre a vila de Itaúnas: Chegar lá é aventura. Os últimos 20 km de Conceição da Barrá até Itaúnas são de estrada de terra, muito buraco e muita lama, caso esteja chovendo. Demora uma hora para atravessar esses 20 km e a van chocalha bastante.

Em Itaúnas não tem nada, lá é um lugar para descansar, passear pelas dunas e pela praia, fazer atividades no rio, para os aventureiros, fazer atividades na restinga ou fazer um passeio até a praia da Costa Dourada no sul da Bahia (15 km de distância).

Mas, porém, todavia, durante o Fenfit, a vila recebe milhares de pessoas. Tanta gente vai pra lá, que me orientaram a levar tudo que eu precisava, desde remédios até produtos de higiene, porque nos dias finais do evento, às vezes acaba remédio na farmácia, produtos no mercadinho e até comida em restaurantes.

A vila em si não é muito bonita. As ruas todas de areia batida (ou no caso do dia que cheguei e uns dois dias em seguida, de poças de água e lama). Levei mala de rodinha, mas sofri. Aconselho viajar de mochilão pra lá.

Tudo é muito simples. Não tem supermercado, não tem hospital. Se precisar, tem que voltar os 20 km de terra e ir para Conceição da Barra. Em Itaúnas tem dois mercadinhos e duas farmácias bem básicas, e só. E uma igrejinha, caso precise de um momento de reflexão, mas acredito que até lá dentro dá para ouvir o forró, porque toca forró em todos os cantos da vila.

 

 

Eu fui para o Brasil porque queria dançar com brasileiros, mas a verdade é que encontrei tanta gente da Europa lá, que dancei mais com o povo que eu já conhecia, e eram com essas pessoas que eu passava o dia e conversava.

Claro que também conheci muitos brasileiros. Fiz aulas particulares de forró. Mas nem tudo foi um mar de rosas.

Achei que estava um clima de pegação. Muitos rapazes abusando da proximidade da dança, muita gente tentando te beijar, sem que vc tivesse dado abertura para esse tipo de comportamento. E o cidadão se ofendia se vc dissesse não. Os brasileiros estão muito mal acostumados. A paquera está fácil demais pra eles.

Eu cheguei a conclusão de que Itaúnas é um lugar paradisíaco. O Fenfit é ótimo para ver boas bandas, mas eu achei que danço mais na Europa, e com menos gente (falando francamente) se esfregando em mim e abusando do meu corpitcho.

Ouvi uns meses depois, quando estava em BH no Rootstock, que o clima em Itaúnas em 2017 estava estranho. Que estava esse clima de carnaval, de pegação. Que não costuma ser assim. Bom, não sei se eu iria novamente para comprovar se há diferença. Acho que Itaúnas pra mim será do tipo “been there, done that”.

Terminando o Fenfit, fui para Caraíva, no sul da Bahia. Um paraíso, ótimo lugar para descansar e onde o forró continua. Não é festival, mas eventos simples de forró durante a noite. Chegar em Caraíva é uma aventura ainda maior que chegar em Itaúnas. São 50 km de estrada de terra, e demora 2 horas pra percorrer isso.

Para chegar em Caraíva, tem que atravessar o rio de canoa. E em Caraíva, todas as ruas são de areia fofa. Mala de rodinhas será um tormento. Mochilão, ou pagar 30 reais na carroça de burro para eles levarem tua mala pra tua pousada.

Levar para Caraíva:
– um bom repelente, pois tem muito mosquito até mesmo no inverno, por causa do mangue
– chinelo de dedo para andar na areia fofa das ruas e evitar pegar bicho geográfico no pé
– dinheiro, pois não tem banco para sacar dinheiro e em muitos lugares não aceita cartão pois a conexão internet é precária. Tudo é caro lá.

Caraíva é um lugar que eu gostaria de visitar novamente. Aquela prainha, onde o mar encontra o rio, encontrar a galera, bater aquele papo, fazer caminhadas, descer o rio de boia… tantas atividades, tanta coisa boa… Recomendo.

 

 

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