1º de maio

Dia do trabalho, vocês em casa na mordomia enquanto eu dei um duro danado no trabalho hoje.

Primeiro de maio é feriado nacional em 80 países, que comemoram o dia do trabalho. Já vários outros países comemoram essa data mais informalmente. Entre esses está a Dinamarca.

Aqui não é feriado, mas também já tem tanto feriado em maio, que a gente nem sente falta desse. No entanto os trabalhadores braçais, aqueles que ganham por hora, como jardineiro, pedreiro, pintor, operários de fábrica e assim por diante, esses recebem o dia de folga no 1º de maio e no dia da constituição (5 de junho).

Já nós, os outros meros funcionários que recebem salário mensal, nós temos que dar duro nesses dias.

Faz tanto tempo que estou aqui que eu tinha me esquecido completamente que é feriado no 1º de maio em vários países. Só me lembrei disso porque eu estava esperando uns textos da filial na Índia. Com o feriado hoje lá, e com o feriado na sexta aqui, só quero ver no que vai dar. Eles já não entregaram a papelada na data combinada, o que está atrasando o nosso trabalho aqui e nós já estamos nos preparando para o pior. Ou teremos que trabalhar no final de semana ou vamos perder o prazo de entrega dos documentos.

Mas como não dá para reclamar dos caras da Índia o dia inteiro, eu resolvi perguntar se o povo sabia por que se comemora o primeiro de maio no mundo. Ninguém sabia. E  honestamente, nem eu.

A única coisa que eu sabia é que os Estados Unidos comemoram o dia do trabalho em setembro. Mais precisamente na primeira segunda-feira do mês de setembro. Quem me contou isso foi um amigo americano que eu tenho, que mora em Seattle, e nós nos falamos pela internet há quase 10 anos, porque ele gosta de praticar português.

Chegando em casa hoje e pesquisando o que ocorreu no mundo para tornar o primeiro de maio em uma data de comemoração nacional em vários países, descobri que tudo começou em Chicago. Achei isso muito interessante. O troço começa em Chicago nos Estados Unidos, e o próprio Estados Unidos não comemora a data no 1º de maio? Aí tem coisa…

 

A coisa está russa

Se você já leu a postagem anterior, então sabe que durante essa semana eu estou acompanhada de gringos.

Durante o almoço me sentei entre eles. Foram 40 minutos de puro entretenimento. Logo na minha frente estavam um japa e uma dina numa conversa acirrada sobre um museu no centro da cidade. E eu só escutando.

Ao meu lado esquerdo, uma mexicana. A moça ficou calada quase o almoço todo e só soltou a língua quando eu perguntei se ela festejou muito o dia dos mortos. (Certa vez eu li que o dia de finados é comemorado com intensidade no México.) Então ela já comentou  como foi a festa e as oferendas, também disse que esteve no Brasil recentemente, que adorou cocada e me deu até um bombom de doce de leite de cabra. Eu nunca tinha comido um doce de leite feito com leite de cabra. Foi novidade para mim e não sei exatamente se gostei.

Conversa vai, tequila vem, arriba-arriba, anda-lhe… Mas de repente a coisa ficou russa.

Os russos estavam sentados um ao meu lado e outro ao lado da mexicana. Estavam bem quietos, até que a moça marroquina do outro lado da mesa resolveu quebrar o gelo e puxar papo com um deles.

– Eu estudei com uma russa na faculdade de Copenhague.
– Interessante, disse o russo por educação.

Quando ela tenta esticar essa conversa fiada, eu não me aguentei, porque vi que esse papo não iria a lugar algum. Então na maior cara de pau me enfiei na conversa.

Perguntei a ele se era a primeira vez dele na DK, ele disse que já esteve aqui muitas vezes. Então não deixei a conversa morrer e de imediato tasquei outra pergunta referente ao hotel, pois todo mundo fica sempre hospedado no mesmo pulgueiro. Depois que ele terminou de esculachar o hotel ele me disse umas coisas interessantíssimas.

Você sabia que na Rússia não existem diversas categorias de hotel como no resto do mundo? Normalmente os hotéis são divididos em até 7 categorias, ou  estrelas. Na Rússia só há duas categorias.

Quando esse papo engrenou, ele me contou que a pernoite no hotel onde ele está ficando no centro de Copenhague custa em torno de 250 reais. Achei um roubo de caro por um hotelzinho 3 estrelas, mas ele achou super-híper barato. (Diferença cultural é algo fascinante!) Foi aí que ele me contou que na Rússia só existem duas categorias de hotel. Caríssimo ou baratíssimo. Nas palavras dele: hotel barato é sujo e desconfortável. E mais. Disse que um hotel normal em Moscou custa em torno de 700 reais por noite. Quase tive um troço. Naturalmente fiz uma conexão de que os inúmeros turistas que a Rússia recebe ficam no pulgueiro.

Claro que eu não ia falar uma coisa assim para ele. Não quero ofender o homem. Vai que ele está ligado com a máfia russa. Então disse:

– Puxa, mas a Rússia recebe tantos turistas. Ouvi falar que há filas gigantes para ver o corpo do Stalin.
– O quê?
– Stalin.
– Como?

Aí perdi o fio da meada. Mas agora não dava mais para voltar atrás. Então vai tentar explicar. E vocabulário para falar uma coisa assim em inglês? Eu não lembrava o nome do homem. Aparentemente não era Stalin. Então não me lembrava o que o homem tinha sido. Primeiro falei presidente, não adiantou. O russo até me olhou meio estranho. Então apelei dizendo que era o homem embalsamado que tinha governado o país. (Numa hora dessas o jeito é apelar.)

– Você quer dizer o Lenin?
– Sim! Esse!
– Eu não sei por que o povo vai perder tempo para ver o corpo do Lenin quando tem tantas outras coisas muito mais interessantes para se ver em Moscou.

E com essas poucas frases deu-se o ponta-pé inicial da mais completa aula de história russa. Tudo isso eu descobri nos 25 minutos restantes de almoço:

O Lenin morreu em 1924 e o corpo dele continua em bom estado de conservação. Mas os caras têm 2 corpos, o do Lenin e um outro qualquer que eles usam como referência para fazer testes de preservação e saber em que estado de decomposição o corpo está. Isso eu não sabia e achei interessantíssimo.

E conversando sobre a mumificação, ele me contou que um outro país aqui por perto também mantém o ex-governante mumificado, mas o corpo foi embalsamado em mil oitocentos e bolinhas (muito antes que o Lenin) e que mesmo sendo mais antigo, está em melhor estado de conservação que o corpo do Lenin.

Foi nessa hora que a russa do outro lado da mesa deu sinal de vida e acrescentou que o corpo de Lenin está encolhendo. (Será que é porque o corpo perde água?)

Então o meu novo amigo ruski diz que achou interessante eu ter comentando do Stalin. (Eu sabia que esse Stalin iria render uma boa conserva!) Fiquei estarrecida ao saber que quando o Stalin morreu, 1953, o corpo dele também foi embalsamado e (pasmem!) colocado em exposição junto com o corpo do Lenin. Por mais ou menos 2 anos os dois estavam juntinhos. Mas você sabe como é a percepção de uma nação inteira. De uma hora pra outra eles resolvem mudar seus fundamentos e começam a associar o Stalin a um monte de coisas ruins. Em função disso mudaram o corpo do Stalin para outro lugar, ficando o Lenin solitário novamente.

Descobri também, que durante a segunta gerra mundial, quando Moscou foi invadida pelos alemães, os russos mudaram o Lenin para a Sibéria, para que o corpo ficasse protegido. (Isso é que é paixão por um defunto!)

Obviamente meu colega russo completou essa conversa comentando que os dinamarqueses quase não vão a Moscou, mas preferem viajar para São Petersburgo, pois essa cidade fica bem mais próxima da Escandinávia e dá para ir até lá de barco, que é mais barato. Aprendi que São Petersburgo era a capital russa, mas que depois da revolução (1917) e a capital foi mudada para Moscou.

Tá vendo, almoço de seminário também é cultura. Dá para aprender sobre a cultura e história russa em menos de 30 minutos. Só faltou mesmo foi informação sobre a máfia!

Cores

Eu não sei por que cargas d’água as maiores aventuras da minha vida ocorrem justamente quando estou a caminho de casa logo após um longo dia no trabalho.

Choveu bastante o dia todo hoje. Lá pelas tantas a chuva deu uma trégua, um solzinho apareceu e se formou a combinação de cores que eu mais gosto: De um lado o sol, do outro, núvens bem carregadas quase de cor roxa acinzentada. Acho linda essa combinação de cores no céu.

Aproveitei que tinha parado de chover para voltar para casa. Coloco meus óculos de sol, entro no carro e pego o caminho mais idílico possível, passando pela estrada que corta as fazendas de canola. Mas você sabe como são essas estradas que cortam o campo, elas parecem uma pista de autorama ou a antiga estrada da Graciosa, com curvas pra lá e pra cá.

Eu lá, firme e forte, com meus ocrinhos escuros, apreciando a paisagem. À minha esquerda o sol e céu claro, à minha direita um bando de núvens roxas, parecia até uma cena do filme Twister.

Estava indo tão bem, até que a danada da estrada fez a primeira curva… vira à esquerda, dá de cara com o sol e então não se enxerga mais nada. Então vira para a direita, tudo escuro, cadê o sol?

Outra curva para a direita? Não, não, não… entra debaixo das núvens e começa a chover forte. Rapidamente arranco os óculos escuros e coloco os meus ocrinhos fundo-de-garrafa que é para enxergar para onde estou indo. Detesto dirigir com chuva. A pista fica escorregadia, o limpador de pára-brisas nunca limpa direito e sempre fica um risco de água bem na frente da gente atrapalhando a visão, sem falar no barulho que o troço começa a fazer depois de cinco minutos se movendo para lá e para cá: nhec-nhec, nhec-nhec. (Acho que nem cama de motel não faz tanto nhec-nhec como o meu limpador de pára-brisas!)

Então começa a chover granizo. Umas pedras de gelo do tamanho de um bonde. Dei graças por estar de carro hoje. Mas quando é que chega a próxima curva mesmo?

Um pouquinho mais à frente chego numa rotatória. Minha saída é a pista da direita. Pela quantidade de água acumulada na pista, ali já tinha chovido tudo o que tinha direito e mais um pouco. O céu já estava até clareando. Entro para a direita. Agora as núvens escuras estão atrás de mim. Olho pelo espelho retrovisor e vejo algo inédito. Um arco-íris enorme e com cores bem fortes, parecia até uma pintura. Normalmente um arco-íris aparece meio transparente, de cor fraquinha, mas esse de hoje era berrante de tão forte. Não sei se era a posição do sol bem na frente e o plano de fundo de núvens roxas, não sei. Só sei que tive até vontade de fazer meia-volta para ver se encontrava o famoso pote de ouro!

Tradução do multicultural

Atendendo a pedidos, aqui vai uma tradução rápida das músicas dos vídeos postados no ‘Multicultural’.

A música da sueca chama-se ‘Vem vet’ (quem sabe?) e fala sobre o encontro dela com o amado. Fala desse encontro como se fosse um conto de fadas e que esse encontro talvez já estivesse determinado muito antes deles nascerem. Mas quem sabe, ela pergunta. E ela mesmo responde: nem eu e nem você.

Uma tradução bem pé-de-chinelo e ao pé da letra seria:

Você é uma história boa demais para ser verdade.
A história em si de como encontramos um ao outro é um conto. Nós poderíamos muito bem jamais termos nos encontrado
ou o nosso encontro já foi decidido muito antes de nascermos quem sabe? nem você
quem sabe? nem eu
não sabemos nada agora
não sabemos nada hoje

Já a música da dinamarquesa é mais dramática. Chama-se ‘Just so’ (assim mesmo/nem mais nem menos). Eu só entendi o que a cantora queria dizer com essa letra obscura depois que assisti a uma entrevista que ela deu para a tv alemã. A apresentadora perguntava em alemão e ela respondia em inglês. Meio estranho, mas tudo bem. Ela disse que se inspirou num amigo, que tinha sofrido uma desilusão amorosa e estava tão deprimido que ele não tinha nem energia para se levantar da cama, nem para fazer nada.

Outra tradução ao pé-da-letra e feita nas coxas seria assim:

 A escuridão se transforma em claridade acendendo a luz
Hoje vai ser o dia em que você ouve alguém dizer
Nós precisamos de você bem acordado

Ponta dos pés sobre o piso.
Pelo quê você está esperando?
Mais ou menos e mais nada.
Isso é suficiente para se sentir coitado

Hoje vai ser o dia em que você ouve alguém dizer
Nós precisamos de você bem acordado

Você ouve os minutos voarem
A ordem do dia vem gritando a seu caminho
A cortina na janela, a ajuda da enfermeira
Para ajudar tudo a funcionar da cabeça aos pés

Uma sombra cresce sempre e mais um dia
momentos de calma cantarolam
mas alguma coisa você faz errado

Hoje vai ser o dia em que você ouve alguém dizer
Nós precisamos de você bem acordado

Não há tempo para limonada
Alguém marcou a data
E já estamos na metade do caminho
Um brinde ao sol, às coisas que nunca se realizaram,
ao raiar do dia
Isso é tudo que digo

Olá você!

Resolvi tentar algo novo e dar início a um blog de verdade, com interatividade, onde não só conto as novidades aqui na terrinha, mas também poderei ler os seus comentários. Entre nessa e participe!