Globo Repórter

Eu fiquei sabendo sobre a matéria que o Globo Repórter apresentou na última sexta sobre a Dinamarca. Pintaram a Dinamarca de Ouro e não mostraram os prós e contras.

Só quero ver a quantidade de brasileiros mal informados que vão aparecer na Dinamarca nos próximos anos. Vão tomar um susto muito grande.

Chove chuva

Fim de semana interessante. Chove torrencialmente, pára. Clareia, aparece até sol. Volta a chover torrencialmente. E assim esse ciclo continua. Acho que já teve uns 12 ciclos desses hoje, e ainda não são nem 3 da tarde.

Não tive nem coragem de colocar o pé fora de casa. E olha que eu tinha planos de ir tomar vinho quente (quentão) lá no centro da cidade.

Assim não tem graça. O fim de semana já é tão curto e ainda o tempo não ajuda. Pelo menos dá para descansar, assistir uns filmezinhos e ficar de pijama o dia inteiro. Adoro!!!

Royal Run

Quer vir à Dinamarca e correr na rua junto com o príncipe Frederik, futuro rei?

Ano que vem, 21 de maio de 2018, ele fará 50 anos e para comemorar, convida todos para correr com ele nas ruas da Dinamarca.

Será um dia todo de corrida. Ou uma milha (1,6 km) ou 10 km.

Ele correrá nas cinco maiores cidades do reino: Aalborg, Aarhus, Esbjerg, Odense, Copenhague.

Nas primeiras quatro cidades ele correrá uma milha com os habitantes.

Já quando chegar na capital, correrá 10 km e todos estão convidados.

Dia 21 de maio será uma segunda feira mas é feriado de pentecostes na Dinamarca. Eu imagino que essa corrida vai entrar pra história. Vamos torcer para que faça bom tempo!

Natal? Já?

Gente, ontem foi 31 de outubro, dia de Halloween. Aqui na Dinamarca têm algumas pessoas que comemoraram e estão ensinando as crianças a bater de porta em porta para pedir doces. O que está faltando é ensinar as crianças que não é em toda porta que se pode bater, pois tem gente (como eu) que não gosta dessas coisas.

Certa vez, eu ouvi de um amigo americano, que pros lados de lá, há regras. O Halloween se comemora num horário fixo, por exemplo entre 17 e 19 horas e as crianças só batem na porta de quem decorou a casa e está com a luz do lado de fora da casa acesa, para indicar que “Trick or Treaters” são bem-vindos.

Aqui na DK dá até uma agonia, pois eles podem bater na sua porta a qualquer horário, especialmente se o halloween cair num fim de semana. É uma irritação, especialmente porque em fevereiro há uma outra comemoração aqui, bem no domingo de carnaval, que é o Fastelavn, onde as crianças também se fantasiam e saem batendo de porta em porta. Eu acho que duas vezes ao ano é demais.

Bom, mas não era nada disso que eu ia dizer.
Ontem, para não ficar em casa ouvindo baterem na minha porta, fui pro shopping. Achei que iria ver decoração de halloween mas me surpreendi. O shopping já tinha decorado para o natal, em pleno outubro!
Acho cedo demais.
Entendo que o mês de novembro é um tédio na DK. Anoitece cedo, amanhece tarde, faz frio e tempo cinza ou chove quase todos os dias. É bem deprimente e as luzes dos enfeites de natal ajudam, dão uma alegrada, mas peloamordedeus, cansa demais isso. Quando chega dezembro eu não tenho nem vontade de decorar a minha casa porque já estou cansada de ver decoração de natal. Fala sério.

Está assim no Brasil também? As lojas já estão vendendo decoração de natal?

Cine

Ir ao cinema virou uma nova experiência, tanto pra melhor quanto pra pior.

A tela IMAX é fantástica, a qualidade de imagem e som também melhorou infinitamente.

Barulho da plateia continua igual. Pipoca, bolacha, barulho de papel de bala, chocolate, conversinhas paralelas.

Mas a coisa que mais mudou é a hora que realmente começa o filme.

Antes eram 15 minutos de trailers e então começava.

Hoje são 15 minutos de comerciais chatos, mais 15 minutos de trailers. Que saco isso. Dá vontade de chegar com quase trinta minutos de atraso.

Sem falar no som que está incrivelmente alto. Ninguém merece.

Já estou cansada e ainda tenho que encarar três horas de filme Blade Runner.

1 a 1

Hoje não foi um bom dia para sair de casa, apesar do belo sol.

Fiquei de visitar minha boa amiga Lilian, e daqui de casa só preciso entrar no ônibus que para na frente do prédio e descer na esquina da casa dela.

Num domingo, quando cheguei na rua, achei estranho a fila de carros andando bem devagar. E vi tb que tinha acabado de perder o ônibus. Vendo aquela fila, que eu não imaginava o motivo, concluí que o próximo ônibus iria demorar.

Resolvi andar até a praça para pegar outra linha que me levaria ao metrô. Essa seria uma boa opção. Mas foi eu entrar no ônibus da linha alternativa que vi o meu ônibus preferido chegar. Saltei então no próximo ponto e troquei.

Mas esse ônibus estava cheio demais. E muitos rapazes estavam com um cachecol branco e vermelho. Suspeitei que teria jogo de futebol, mas não sabia que hoje era o dia do jogo Dinamarca contra Romênia, classificatórias para a copa do Mundo.

Não preciso dizer que o trânsito virou um inferno. Isso eram 3 e meia da tarde, e o jogo seria somente 18h.

Fui embora da minha amiga em torno das oito e meia e achávamos que o trânsito já estaria mais ameno nesse horário. Ledo engano.

Cheguei no ponto estava marcando que o ônibus chegaria em 10 minutos.. Então muda para 11 minutos. Resolvi caminhar até o próximo ponto ao invés de ficar ali no vento passando frio.

No próximo ponto dizia 8 minutos… Caminhei até o próxima, dizia 9 minutos, e assim foi por 40 minutos de caminhada. Esse ônibus só passou por mim 45 minutos mais tarde quando eu já estava 8 minutos de caminhada de casa. E aí passaram 5 ônibus dessa mesma linha, um atrás do outro!!!

Ainda bem que vim caminhando. Fiz exercício, peguei ar fresco e um pouco de chuva… Melhor que ficar irritada num ponto de ônibus esperando por horas.

O jogo terminou em 1 a 1. Nem sei se isso garante participação da Dinamarca na copa.

Pinguça

E não passou nem três semanas e já estou de volta a Aarhus. Sim, novamente o que me traz à cidade é minha boa amiga. Vamos comemorar o aniversário dela.

Última vez bebemos horrores. Ela tinha uma garrafa de catuaba com açaí e eu tinha levado uma garrafa de Netuno, bebida de gengibre do sul da Bahia.

Dessa vez sei que me aguarda meia garrafa de netuno e uma garrafa inteira de um licor artesanal típico de Aarhus, feita de maracujá. Ainda não provei, mas se for docinha, aí lascou. Vamos tri-alegres para a festa brasileira de noite, hahaha.

Gente esse fim de semana pelo visto está sendo o fim de semana da bebedeira.

Ontem fui a uma degustação de vinhos da Serbia. Última vez que fui num evento assim, foram 4 vinhos franceses e eles serviam exatamente 150 ml no copo.

Dessa vez paguei um preço semelhante e incluía jantar. Fiquei realmente impressionada quando tinha oito vinhos no catálogo de degustação e mais um diferente para a hora da janta. E não era somente 150 ml não.

Eu que fico meio tonta com uma taça de vinho, imagina como eu estava no final desse evento. Especialmente pq só serviram comida no último vinho. Todos os outros foi no estômago vazio. Voltei me arrastando pra casa! Risos

Mas foi uma noite super agradável, até o instrutor de spinning do clube da empresa estava no evento. Ah, esse evento é no clube do vinho da minha empresa, então é um evento entre colegas, mas é possível trazer convidados que não trabalham na empresa, mas em compensação, o preço para não-membros é o dobro e aí já achei caro. Bom, mas valeu demais a experiência. Já estou contando as horas para a próxima.

Na estica

Estou no trem a caminho da casa para visitar o Carsten. Interessante ver o povo aqui, muita gente de terno e gravata, sapatos engraxados, numa estica. Pacotes de presentes, bouquet de flores, salto alto, vestidos apertados.

Ao meu lado, um pacote tão grande que imagino seja um quadro.

Pelo visto tem casamento agora nessa direção. Casamento cedo. No Brasil se casa normalmente de tardezinha, não ?

DHL Staffet

Para quem não conhece a sigla DHL, é um serviço de entregas rápidas aqui na Europa, é algo como o Sedex brasileiro ou o Fedex americano. 

Staffet quer dizer estafeta (em português luso), que é aquele bastão que se passa adiante nas corridas de revezamento.

O DHL é o patrocinador da maior corrida de revezamento do mundo, que ocorre aqui na Dinamarca, e esse ano me convenceram a participar. (Esse ano estão me convencendo a participar de um monte de coisas doidas!)

A corrida é para funcionários das empresas, tanto públicas quanto privadas, e os funcionários podem se organizar em grupos de 5 pessoas, para correr os 25 km do percurso, cada competidor corre 5 km e entrega o bastão para o próximo.

Muita gente participa só pelo social, para se divertir, pois nem todo mundo consegue correr 5 km em menos de 20 minutos. Eu, por exemplo, tive que caminhar a maior parte do percurso, ou meu coração ia se jogar pela boca. Mesmo assim fiz em 42 minutos, 8 min/km, não está tão mal. Meu tempo é o que aparece numa das fotos como “tur 4”.

Se eu não me engano a corrida DHL Staffet, como é chamada na DK, ocorre em 5 cidades. Ano passado foram 206 mil pessoas correndo.

Só em Copenhague são 120 a 150 mil. Eles dividem o povo em 5 dias de corrida e aqui corremos no parque Faelled. São 5 mil grupos por dia. O meu grupo tinha número 1356, eu fui a corredora número 4, e corremos na segunda-feira dia 28.

Terrível correr na grama e sobre um tapete que eles colocam lá. Teve uma hora que eu estava tão cansada, que tive vontade de jogar tudo pro ar, e detalhe, eu não tinha ainda nem passado a faixa de 1 km. Mas eu terminei o percurso todo. No dia seguinte não senti dor no corpo, mas hoje, dois dias depois, estou com dor em cantos do corpo que e nem sabia que existia!

Mas valeu a experiência. Minha empresa correu com 420 colegas. Mas tinha empresa lá que tinha mais de 3000 corredores participando. Era um mar de gente com a mesma cor de camiseta.

Ano que vem, se me convidarem, não sei se vou participar. Esse ano tive sorte de principiante, até com o tempo dei sorte, fez sol e calor. Quem sabe ano que vem me inscrevo nos grupos que fazem 5 km de caminhada ao invés de correr. Pareceu animado. Enquanto a gente se matava para correr de um lado, do outro lado da rua a gente via o povo vindo caminhando em grupo, tranquilamente, escutando uma musiquinha, batendo papo… muito mais light!

 

Submergiu

Ontem fui a uma degustação de vinhos com o povo do trabalho e está todo mundo comentando de uma história louca que ocorreu aqui em Copenhague. Não, ninguém estava bêbado ainda. Essa história doida eu escutei assim que cheguei. Estávamos todos sóbrios, juro! rs

Como eu não assisto TV nem leio jornal, justamente porque só se fala em notícia ruim, eu fiquei boquiaberta ouvindo os relatos. Detalhe, quem me contou leu a notícia no jornal da Turquia, então eu fui procurar em português e achei, mas não com todos os detalhes que ouvi ontem.

Imagina um cidadão que construiu ele mesmo 3 submarinos para uso particular. Onde esse homem estaciona esses submarinos, eu adoraria saber. 

Ouvi também que ele está metido na construção de um foguete.

Mas a história é que ele está preso, acusado de matar uma mulher no submarino dele. Mas até agora não encontraram o corpo dela.

As teorias são muitas, pelo menos do povo ontem, de que ela tenha fugido e está curtindo a vida na Tailândia, ou sabe-se lá. 

Cada doido nesse mundo. Quem precisa de 3 submarinos privativos? E aí, gata, quer dar uma voltinha no meu submarino?

Notícia em português

Ilhada

Vi que no meu post anterior eu estava reclamando dos míseros 20 km de estrada de terra esburacada. Eu não sabia o que me esperava. 

Amanhã será meu último dia num paraíso no sul da Bahia chamado Caraíva. Paraíso intocado, mas por uma razão: difícil acesso. Quase 50 km de estrada de terra esburacada. Com chuva, não tem quem passe. Demorou que 2 horas para passar esses 50 km, chegando a Nova Caraíva. Para chegar no destino final, a vila de Caraiva, tem que atravessar o rio com canoa. Foi uma maratona, mas que valeu muito a pena. 

Mas aqui tem que vir com disposição. As ruas todas são de areia fofa, tudo muito rústico, mas a região é fantástica, o povo muito acolhedor, a comida maravilhosa. Pastel de arraia, purê de banana, uma moqueca top. Do forró daqui não gostei, mas acho que não dei sorte, aparentemente aqui é como Dunas de Itaúnas no Espírito Santo, um lugar para curtir um bom forró pé-de-serra. 

Amanhã vou embora, mas tem chovido tanto, que estou apreensiva se vou conseguir passar pela estrada. Espero que sim, pois tenho que chegar em SP a tempo de pegar o avião para casa. Vamos ver. 

Aeroporto 

Ah, aeroporto de Guarulhos. Como esse povo adora fazer anúncio pelo autofalante. Anúncios de montão, mas informação nenhuma. 

Meu vôo para Vitória está atrasado. Ao invés de informarem quanto tempo, para quando está previsto, só dizem que estão aguardando o avião chegar e que os passageiros devem esperar aqui no portão. 

Sim, mas quanto tempo? Pq não dizer o novo horário de embarque, e ao invés de ficar aqui mofando, poderiamos caminhar pelo saguão, olhar as lojas, sentar numa lanchonete. 

Acho essa falta de comunicação uma falta de consideração com o passageiro. Nessas horas eu sinto falta da Europa. Digo, do Norte da Europa, pq o sul da Europa tem uma cultura muito parecida com a brasileira. 

Comidas estranhas

Nessa rota do forró conheci gente de praticamente todo o Brasil. Muita gente do Sudeste e Nordeste, e eu percebi como os costumes são diferentes, como as comidas são diferentes. (Lembrei de quando fui no Acre e comi tacacá. Fiquei mascando aquelas folhas de jambu e tomando o tucupi.)

Outro dia achei sagu para vender num mercadinho tailandês. Fazia uns 8 anos que eu não comia sagu, resolvi comprar e fazer. Comentando com um pessoal de Minas e da Bahia, eles nunca ouviram falar de sagu. Eu achei que sagu fosse coisa do país todo, mas aparentemente é coisa do sul.

Mas eu também já provei coisa que nunca tinha ouvido falar antes. Já ouviu falar de tapioca? Pois eu provei no festival do Baião em Lisboa em dezembro do ano passado. Adorei. Eles faziam tapioca tanto com recheio doce quanto salgado. Eu só gosto de coisa salgada, então o meu foi com frango desfiado e catupiry. Achei ótimo.

Até então eu achava que o negócio se fazia com farinha de mandioca, mas um dia resolvi pesquisar para tentar fazer em casa, e descobri que é com polvilho umedecido. Vivendo e aprendendo.

Então fui para o festival em Berlim e fiquei hospedada na casa de uma amiga baiana que me ensinou a fazer a tapioca bem certinho. Agora eu ando com mania de fazer tapioca. Quase todos os dias de manhã eu faço para o café-da-manhã. É super rápido, gostoso e sustenta. Agora só falta eu aprender os segredos (pq todo prato brasileiro tem algum segredo!). Quando eu chegar na Bahia na semana que vem, vou investigar os segredos da tapioca. Vou virar expert! rsrs

 

Hospital

Ao meu ver, nem sempre uma visita ao hospital é uma atividade agradável. Nem como paciente, nem como visita, e algumas vezes, nem como profissional. Hospital sempre tem uma energia no ar que diz: aqui é um local de muito sofrimento. 
Mas sofrimento é chegar no infeliz do hospital do reino, o Rigshospital, em Copenhague. As estações de trem e metrô são tudo longe, e vc tem que pegar ônibus. Ir de carro até lá, é pedir para sofrer em dobro, por conta do trânsito e depois achar estacionamento – e ainda tem que pagar para estacionar (a não ser que vá fazer um procedimento de mais de 3 horas, aí vc ganha um vale-estacionamento). 

Fui fazer meu check-up na quarta-feira e resolvi trazer a bicicleta comigo no trem. Eis que na metade do caminho o maquinista informa que esse trem não vai mais fazer o caminho previsto, vai fazer meia-volta e retornar. Ainda bem que eu estava com a bicicleta e que o tempo estava ótimo. Resolvi pedalar o resto do caminho e peguei a via na beira dos lagos. 

Acabei chegando no hospital com 15 minutos de antecedência e antes de entrar dei uma caminhada no parque na frente do prédio. Eu nunca tinha caminhado lá, achei bacana. Encontrei até uma mensagem de boas melhoras (get well) pichado no portão de entrada do abrigo anti-bomba. Achei bem bolada a ideia, apesar de imprudente. As vezes os fins justificam os meios. Somente pacientes em estado grave são enviados ao Rigshospital. São pacientes com câncer, com doenças complicadas, e assim vai. Aqui não se entra, a não ser com ambulância. A emergência não é aberta ao público. Então essa mensagem no portão deve ter dado ânimo e forças para alguém que estava precisando. 

O bacana é que se vc tem condições para andar, pode caminhar pelos jardins do hospital. E foi o que eu fiz quando a enfermeira me disse que meu médico estava atrasado por uns 60 minutos. Perguntei se eu poderia caminhar no sol, ela disse que sim e que me telefonar ia quando fosse meu horário. Me sentei ao lado da fonte e das lavandulas. As abelhas todas loucas com as flores da planta. Um perfume gostoso no ar. Nem parecia que eu estava no hospital. 

Vi que eles estão fazendo uma reforma gigante no hospital. Ouvi comentários de que teria saído mais barato construir um novo hospital em outro local da cidade do que reformar da maneira como estão fazendo. Mas ei, isso aqui é Dinamarca, eles adoram usar dinheiro público de forma insensata.