Pinguça

E não passou nem três semanas e já estou de volta a Aarhus. Sim, novamente o que me traz à cidade é minha boa amiga. Vamos comemorar o aniversário dela.

Última vez bebemos horrores. Ela tinha uma garrafa de catuaba com açaí e eu tinha levado uma garrafa de Netuno, bebida de gengibre do sul da Bahia.

Dessa vez sei que me aguarda meia garrafa de netuno e uma garrafa inteira de um licor artesanal típico de Aarhus, feita de maracujá. Ainda não provei, mas se for docinha, aí lascou. Vamos tri-alegres para a festa brasileira de noite, hahaha.

Gente esse fim de semana pelo visto está sendo o fim de semana da bebedeira.

Ontem fui a uma degustação de vinhos da Serbia. Última vez que fui num evento assim, foram 4 vinhos franceses e eles serviam exatamente 150 ml no copo.

Dessa vez paguei um preço semelhante e incluía jantar. Fiquei realmente impressionada quando tinha oito vinhos no catálogo de degustação e mais um diferente para a hora da janta. E não era somente 150 ml não.

Eu que fico meio tonta com uma taça de vinho, imagina como eu estava no final desse evento. Especialmente pq só serviram comida no último vinho. Todos os outros foi no estômago vazio. Voltei me arrastando pra casa! Risos

Mas foi uma noite super agradável, até o instrutor de spinning do clube da empresa estava no evento. Ah, esse evento é no clube do vinho da minha empresa, então é um evento entre colegas, mas é possível trazer convidados que não trabalham na empresa, mas em compensação, o preço para não-membros é o dobro e aí já achei caro. Bom, mas valeu demais a experiência. Já estou contando as horas para a próxima.

Na estica

Estou no trem a caminho da casa para visitar o Carsten. Interessante ver o povo aqui, muita gente de terno e gravata, sapatos engraxados, numa estica. Pacotes de presentes, bouquet de flores, salto alto, vestidos apertados.

Ao meu lado, um pacote tão grande que imagino seja um quadro.

Pelo visto tem casamento agora nessa direção. Casamento cedo. No Brasil se casa normalmente de tardezinha, não ?

DHL Staffet

Para quem não conhece a sigla DHL, é um serviço de entregas rápidas aqui na Europa, é algo como o Sedex brasileiro ou o Fedex americano. 

Staffet quer dizer estafeta (em português luso), que é aquele bastão que se passa adiante nas corridas de revezamento.

O DHL é o patrocinador da maior corrida de revezamento do mundo, que ocorre aqui na Dinamarca, e esse ano me convenceram a participar. (Esse ano estão me convencendo a participar de um monte de coisas doidas!)

A corrida é para funcionários das empresas, tanto públicas quanto privadas, e os funcionários podem se organizar em grupos de 5 pessoas, para correr os 25 km do percurso, cada competidor corre 5 km e entrega o bastão para o próximo.

Muita gente participa só pelo social, para se divertir, pois nem todo mundo consegue correr 5 km em menos de 20 minutos. Eu, por exemplo, tive que caminhar a maior parte do percurso, ou meu coração ia se jogar pela boca. Mesmo assim fiz em 42 minutos, 8 min/km, não está tão mal. Meu tempo é o que aparece numa das fotos como “tur 4”.

Se eu não me engano a corrida DHL Staffet, como é chamada na DK, ocorre em 5 cidades. Ano passado foram 206 mil pessoas correndo.

Só em Copenhague são 120 a 150 mil. Eles dividem o povo em 5 dias de corrida e aqui corremos no parque Faelled. São 5 mil grupos por dia. O meu grupo tinha número 1356, eu fui a corredora número 4, e corremos na segunda-feira dia 28.

Terrível correr na grama e sobre um tapete que eles colocam lá. Teve uma hora que eu estava tão cansada, que tive vontade de jogar tudo pro ar, e detalhe, eu não tinha ainda nem passado a faixa de 1 km. Mas eu terminei o percurso todo. No dia seguinte não senti dor no corpo, mas hoje, dois dias depois, estou com dor em cantos do corpo que e nem sabia que existia!

Mas valeu a experiência. Minha empresa correu com 420 colegas. Mas tinha empresa lá que tinha mais de 3000 corredores participando. Era um mar de gente com a mesma cor de camiseta.

Ano que vem, se me convidarem, não sei se vou participar. Esse ano tive sorte de principiante, até com o tempo dei sorte, fez sol e calor. Quem sabe ano que vem me inscrevo nos grupos que fazem 5 km de caminhada ao invés de correr. Pareceu animado. Enquanto a gente se matava para correr de um lado, do outro lado da rua a gente via o povo vindo caminhando em grupo, tranquilamente, escutando uma musiquinha, batendo papo… muito mais light!

 

Submergiu

Ontem fui a uma degustação de vinhos com o povo do trabalho e está todo mundo comentando de uma história louca que ocorreu aqui em Copenhague. Não, ninguém estava bêbado ainda. Essa história doida eu escutei assim que cheguei. Estávamos todos sóbrios, juro! rs

Como eu não assisto TV nem leio jornal, justamente porque só se fala em notícia ruim, eu fiquei boquiaberta ouvindo os relatos. Detalhe, quem me contou leu a notícia no jornal da Turquia, então eu fui procurar em português e achei, mas não com todos os detalhes que ouvi ontem.

Imagina um cidadão que construiu ele mesmo 3 submarinos para uso particular. Onde esse homem estaciona esses submarinos, eu adoraria saber. 

Ouvi também que ele está metido na construção de um foguete.

Mas a história é que ele está preso, acusado de matar uma mulher no submarino dele. Mas até agora não encontraram o corpo dela.

As teorias são muitas, pelo menos do povo ontem, de que ela tenha fugido e está curtindo a vida na Tailândia, ou sabe-se lá. 

Cada doido nesse mundo. Quem precisa de 3 submarinos privativos? E aí, gata, quer dar uma voltinha no meu submarino?

Notícia em português

Ilhada

Vi que no meu post anterior eu estava reclamando dos míseros 20 km de estrada de terra esburacada. Eu não sabia o que me esperava. 

Amanhã será meu último dia num paraíso no sul da Bahia chamado Caraíva. Paraíso intocado, mas por uma razão: difícil acesso. Quase 50 km de estrada de terra esburacada. Com chuva, não tem quem passe. Demorou que 2 horas para passar esses 50 km, chegando a Nova Caraíva. Para chegar no destino final, a vila de Caraiva, tem que atravessar o rio com canoa. Foi uma maratona, mas que valeu muito a pena. 

Mas aqui tem que vir com disposição. As ruas todas são de areia fofa, tudo muito rústico, mas a região é fantástica, o povo muito acolhedor, a comida maravilhosa. Pastel de arraia, purê de banana, uma moqueca top. Do forró daqui não gostei, mas acho que não dei sorte, aparentemente aqui é como Dunas de Itaúnas no Espírito Santo, um lugar para curtir um bom forró pé-de-serra. 

Amanhã vou embora, mas tem chovido tanto, que estou apreensiva se vou conseguir passar pela estrada. Espero que sim, pois tenho que chegar em SP a tempo de pegar o avião para casa. Vamos ver. 

Aeroporto 

Ah, aeroporto de Guarulhos. Como esse povo adora fazer anúncio pelo autofalante. Anúncios de montão, mas informação nenhuma. 

Meu vôo para Vitória está atrasado. Ao invés de informarem quanto tempo, para quando está previsto, só dizem que estão aguardando o avião chegar e que os passageiros devem esperar aqui no portão. 

Sim, mas quanto tempo? Pq não dizer o novo horário de embarque, e ao invés de ficar aqui mofando, poderiamos caminhar pelo saguão, olhar as lojas, sentar numa lanchonete. 

Acho essa falta de comunicação uma falta de consideração com o passageiro. Nessas horas eu sinto falta da Europa. Digo, do Norte da Europa, pq o sul da Europa tem uma cultura muito parecida com a brasileira. 

Comidas estranhas

Nessa rota do forró conheci gente de praticamente todo o Brasil. Muita gente do Sudeste e Nordeste, e eu percebi como os costumes são diferentes, como as comidas são diferentes. (Lembrei de quando fui no Acre e comi tacacá. Fiquei mascando aquelas folhas de jambu e tomando o tucupi.)

Outro dia achei sagu para vender num mercadinho tailandês. Fazia uns 8 anos que eu não comia sagu, resolvi comprar e fazer. Comentando com um pessoal de Minas e da Bahia, eles nunca ouviram falar de sagu. Eu achei que sagu fosse coisa do país todo, mas aparentemente é coisa do sul.

Mas eu também já provei coisa que nunca tinha ouvido falar antes. Já ouviu falar de tapioca? Pois eu provei no festival do Baião em Lisboa em dezembro do ano passado. Adorei. Eles faziam tapioca tanto com recheio doce quanto salgado. Eu só gosto de coisa salgada, então o meu foi com frango desfiado e catupiry. Achei ótimo.

Até então eu achava que o negócio se fazia com farinha de mandioca, mas um dia resolvi pesquisar para tentar fazer em casa, e descobri que é com polvilho umedecido. Vivendo e aprendendo.

Então fui para o festival em Berlim e fiquei hospedada na casa de uma amiga baiana que me ensinou a fazer a tapioca bem certinho. Agora eu ando com mania de fazer tapioca. Quase todos os dias de manhã eu faço para o café-da-manhã. É super rápido, gostoso e sustenta. Agora só falta eu aprender os segredos (pq todo prato brasileiro tem algum segredo!). Quando eu chegar na Bahia na semana que vem, vou investigar os segredos da tapioca. Vou virar expert! rsrs

 

Hospital

Ao meu ver, nem sempre uma visita ao hospital é uma atividade agradável. Nem como paciente, nem como visita, e algumas vezes, nem como profissional. Hospital sempre tem uma energia no ar que diz: aqui é um local de muito sofrimento. 
Mas sofrimento é chegar no infeliz do hospital do reino, o Rigshospital, em Copenhague. As estações de trem e metrô são tudo longe, e vc tem que pegar ônibus. Ir de carro até lá, é pedir para sofrer em dobro, por conta do trânsito e depois achar estacionamento – e ainda tem que pagar para estacionar (a não ser que vá fazer um procedimento de mais de 3 horas, aí vc ganha um vale-estacionamento). 

Fui fazer meu check-up na quarta-feira e resolvi trazer a bicicleta comigo no trem. Eis que na metade do caminho o maquinista informa que esse trem não vai mais fazer o caminho previsto, vai fazer meia-volta e retornar. Ainda bem que eu estava com a bicicleta e que o tempo estava ótimo. Resolvi pedalar o resto do caminho e peguei a via na beira dos lagos. 

Acabei chegando no hospital com 15 minutos de antecedência e antes de entrar dei uma caminhada no parque na frente do prédio. Eu nunca tinha caminhado lá, achei bacana. Encontrei até uma mensagem de boas melhoras (get well) pichado no portão de entrada do abrigo anti-bomba. Achei bem bolada a ideia, apesar de imprudente. As vezes os fins justificam os meios. Somente pacientes em estado grave são enviados ao Rigshospital. São pacientes com câncer, com doenças complicadas, e assim vai. Aqui não se entra, a não ser com ambulância. A emergência não é aberta ao público. Então essa mensagem no portão deve ter dado ânimo e forças para alguém que estava precisando. 

O bacana é que se vc tem condições para andar, pode caminhar pelos jardins do hospital. E foi o que eu fiz quando a enfermeira me disse que meu médico estava atrasado por uns 60 minutos. Perguntei se eu poderia caminhar no sol, ela disse que sim e que me telefonar ia quando fosse meu horário. Me sentei ao lado da fonte e das lavandulas. As abelhas todas loucas com as flores da planta. Um perfume gostoso no ar. Nem parecia que eu estava no hospital. 

Vi que eles estão fazendo uma reforma gigante no hospital. Ouvi comentários de que teria saído mais barato construir um novo hospital em outro local da cidade do que reformar da maneira como estão fazendo. Mas ei, isso aqui é Dinamarca, eles adoram usar dinheiro público de forma insensata.  

Som da terrinha 

Estou na cantina do trabalho, sentada perto do quiosque, onde eles vendem suco natural, sobremesas, vinho, chocolates, e outras coisas apetitosas. A mocinha que vende, está sempre escutando jazz suave ou bossa nova. Quando toca música brasileira eu vou lá brincar com ela. 

Nessa semana ela está de férias, e para minha surpresa, a substituta também está escutando música brasileira. Ara Ketu. 

Gringo escutando axé? Fora do Brasil? Impressionante! Só que aqui eles chamam axé de samba reggae. 

Já vou matando a saudade… Quando eu chegar no Brasil semana que vem, vou estar no ritmo! Rsrs 

Lacto

Eu não me lembro se comentei que tenho intolerância à lactose. Descobri isso em dezembro, então é recente (a descoberta é recente, os sintomas tenho há muito mais tempo, só achava que era qualquer outra coisa). 

Eis que morar num país que vive da indústria de laticínios não é fácil, pois eles usam leite, creme e queijo em tudo quanto é comida. 

Para piorar, é bem difícil encontrar produtos livres de lactose nos supermercados. Normalmente um supermercado tem um produto, por exemplo leite, depois tem que ir num outro para encontrar iogurte ou manteiga e assim vai. Queijo sem lactose? aqui nunca tinha visto. 

Quando estive na Alemanha mês passado, fui à loucura quando vi que eles tinham tantas opções sem lactose, até queijo Philadelphia e queijo para pizza. 

Mas parece que minhas preces foram escutadas. Hoje foi a um supermercado de uma rede sueca (mas aqui em Copenhague mesmo) e fiquei tão surpresa que soltei um daqueles suspiros de surpresa e o povo ao meu redor todo me olhou. Tinha tanta, mas tanta coisa sem lactose, que eu não sabia o que comprar. 

Era sorvete, queijo cremoso, queijo mozzarella fresco, frios diversos, iogurtes, coisas para passar no pão, maioneses, queijos diversos inclusive para pizza e parmesão. Fiquei louca lá dentro. Claro que os preços são exuberantes, mas isso é um detalhe. 

Saí de lá feliz, e com um rombo no bolso!

Só espero que tenha saída esses produtos, que é para que eles não cortem, né. 

Festa

Volta e meia o povo me pergunta por que eu não faço videolog no YouTube. Gente, minha vida é tão sem graça. Quer um exemplo. 

Hoje de noite tem uma festança do Internations num restaurante badalado no topo de um prédio chique aqui de Copenhague. Eu sou membro do internations e entro praticamente de graça na festa, se chegar antes das 11 da noite. A festa começa com jantar para quem quiser a partir das 19 horas. 

O código de vestimenta é roupa branca. 

Eis que eu passei o dia me enrolando. Choveu horrores, dormi quase o dia inteiro. Quando acordei, já eram sete da noite. Um solaço começou a brilhar (mas frio, 13 graus e vento, afinal, isso aqui é Dinamarca). 

Eu poderia ter me arrumado e saído de casa gravando o vídeo para o YouTube, certo? Mas sabe o que eu fiz? 

Resolvi tocar piano. Então resolvi tomar um banho longo. Já que estava ali, resolvi lavar o box do banheiro. Nisso o relógio já estava mostrando 21:30. 

Resolvi então requentar uma comida que tirei do freezer. 

Enquanto comia, checava o horário do ônibus para ir para o centro. Tinha saída de dez em dez minutos, mas eu comecei a calcular: preciso de uns 15 minutos para escovar dentes e passar uma maquiagem. Mais uns minutos para achar uma jaqueta e dinheiro, pq não aceita cartão na festa. 

Com meus cálculos, mais o tempo que demoraria para chegar lá, eu já estava atrasada e não chegaria antes das 11 da noite. E depois desse horário, o preço da entrada era beeeeeem caro. 

Acabei que desisti de ir. Estou toda vestida de branco, mas resolvi que vou ficar em casa, vendo o por do sol da minha sacada, tomando chá de cidreira que trouxe do Brasil em 2014, escutando Festa do Interior. 

Viu como não dá certo essa história de videolog?! Minha vida é monótona demais! Rsrsrs

Agora vou lá caçar um filme no Netflix para assistir. Enquanto isso, a festa é aqui na minha cozinha, ao som de Gal Costa! 

Midsummer

Ontem, véspera de São João, foi o Midsummer escandinavo. Eu já escrevi sobre isso inúmeras vezes no blog, então não vou repetir (aleluia!, dirão alguns! rsrs). 

A primeira vez que eu fui a uma comemoração de Sankt Hans, como eles chamam a comemoração na Dinamarca, eu achei um porre. 

Era na praia, a fogueira não passava de um amontoado de galhos e folhas (e nada mudou nesses muitos anos! os dina deveriam fazer um curso de como montar uma bela fogueira de São João com os brasileiros!). 

As músicas pareciam coisa de funeral, e em seguida vinham as crianças com bonequinhas de bruxa para queimá-las na fogueira, como símbolo da idade média quando eles queimava mulheres na fogueira. Isso fez ferver meu sangue e eu nunca mais quis ir a uma festa de Sankt Hans. 

Como agora os tempos são outros (fazendo alusão a minha nova vida), eu resolvi pesquisar o que tem para fazer no Midsummer em Copenhague. Achei mais de 7 eventos na cidade. 

Uns com show de bandas, outros com dança (salsa), outros com barraquinha de comida. E para completar tem o festival CopenHell acontecendo, que é um festival de heavy metal. Não tem nada a ver com São João, mas coincidiu a data. E olha que até o Robbie Zombie está aqui hoje.
Engraçado é que no metrô, pelas vestimentas, é possível distinguir quem está indo para qual evento! Os metaleiros e suas roupas incrementadas. 

Acabei que eu convidei o Carsten para vir no Midsummer comigo. Fim de semana passado eu fui lá na nossa casa, dei uma força no jardim e comemoramos o aniversário dele com um bom churrasco, e combinamos de explorar Copenhague no fim de semana seguinte. 

Todos os planos foram por água abaixo, literalmente, porque começou a chover horrores. Então fizemos tudo no improviso e saiu melhor que o esperado. 

Fomos no porto antigo, o Nyhavn, onde encontramos cereja (eu matei a vontade) e ele comeu waffle belga. 

De lá atravessamos uma ponte recentemente inaugurada e fomos parar num street food market, com mais de 40 barracas de comida, mas acabamos comendo no brasileiro. Churrasco. Estava muito bom. De brasileiro mesmo só o nome e a bandeira, mas de qualquer modo estava tudo bem feitinho. 

De lá nos embrenhamos num parque que estava abandonado. Não tinha nem uma alma penada andando por lá. Mas achei interessante, lá tinha muitas entradas para os antigos abrigos de bomba. Eu nunca tinha visto tantos juntos antes. 

Saindo do parque paramos na beira mar, para ver o concerto da Oh Land tocando piano. Enquanto esperávamos, ouvi um casal falando português e puxei papo: estão a passeio ou morando na cidade, eu perguntei. Estavam aqui fazia 4 meses e estavam adorando. 

Quando eu falei que estava aqui há 16 anos, se assustaram. Mas pq veio para cá, me perguntaram. Olhei para o Carsten e falei: vim porque eu e ele éramos casados. Outra vez, olhar de susto. (isso acontece muito, quando esbarramos em alguém conhecido e Carsten me apresenta como “minha ex-mulher” kkk)

E de onde vc é do Brasil? De Curitiba, disse. E eles: nós também!

Mas eu só esbarro com curitibano, impressionante! Duas semanas atrás, algo parecido aconteceu na minha viagem para Berlim. Mas isso é outra história. 

Final das contas. Oh Land tem uma voz bacana, mas selecionou umas musiquinhas desanimadas e nós fomos embora no meio do show. 

As fogueiras montadas tanto no Nyhavn quanto ali na beira mar não passavam de um amontoado de galhos secos de jardim. 

Só faltou as crianças com as bruxas, para dizer que nada mudou!

Voltamos para casa e ficamos tomando chocolate quente e escutando heavy metal, até que para nossa surpresa, começou um show de fogos de artifício que durou por 5 minutos e deu para ver de camarote aqui da minha sacada. Foi uma surpresa, pois não sabíamos que teria fogos, nem que duraria por tanto tempo. Foi o final perfeito para o São João!

E vocês, o que fizeram? Pinhão com quentão? 

Motivação 

Ontem fui a uma festinha de aniversário de uma amiga italiana. Muito interessante ver como as diferentes culturas celebram aniversário. 

Cantamos até o Parabéns pra você em italiano.

Foi muito agradável, tomamos um excelente proseco, e conheci garotas do Kwait, Grécia, diversos lugares da Itália e até uma dinamarquêsa. 

Mas o melhor de tudo foi ver os quadros na casa da minha amiga. Em todos os cômodos havia um quadro com uma frase motivacional. Tudo em inglês, mas vou tentar traduzir. 

Na entrada dizia: Amigos, sempre bem-vindos. Parentes, só com agendamento prévio. 

No quarto dizia: Vida é o que acontece agora enquanto você faz planos para o futuro. 

Na sala dizia: Você pode achar que eu sou impossível, mas tudo é possível. 

Na cozinha dizia: Se o trabalho de uma mulher nunca chega ao fim, para que começar? 

E no banheiro, o melhor de todos, e é o lema na minha casa nos últimos 29 anos:

Planejamento para lavar roupa
Separar peças por cor – hoje
Lavar – amanhã 
Dobrar – algum dia
Passar – rsrsrs

Original
Laundry Schedule:
Sort – today
Wash – tomorrow
Fold – some day
Iron – ha ha ha ha 

Eu deveria ter tirado uma foto desse quadro! Rs

Festança 

Sexta-feira passada foi o dia da festa de verão da minha empresa. Quando eu entrei na empresa, pouco mais de dois anos atrás, uma das primeiras coisas que me disseram foi que aqui eles quase não faziam festa de verão, que era para economizar. Onde eu trabalhava antes a festa de verão era para mais de 7 mil funcionários, sempre num lugar gigantesco, com jantar, bebida à vontade, e shows com bandas famosas. 

Honestamente, eu nunca gostei das festas daqui. O povo bebe demais, só dança depois de encher a cara, só toca música dinamarquêsa chata, e sete mil funcionários mas você é obrigado a ficar grudado com o povo do seu departamento para ser social. Um saco. Eu nem ia nas festas porque sabia que não me divertiria. 

Mas na lundbeck as coisas funcionam de outra forma. O objetivo não é impressionar ninguém, mas curtir, com atividades diferentes que dão oportunidade de conhecer gente nova.

Nada precisa ser perfeito, com garçom, jantar granfino. Aqui é pegar um sanduba na carrocinha, sentar na arquibancada, montar no touro mecânico (e eu consegui por 28 segundos, mais que muito cara metido que chegou lá se achando e caiu depois de 6 segundos!) usar uma peruca divertida e dançar muito ao som dos ritmos dos anos 80!

Pernas pra que te quero 

Digamos que, pra quem viaja praticamente todo fim de semana, eu sou quase uma viajandeira profissional. Mas hoje eu dei uma de amador. Peloamordedeus. Rsrs 

Normalmente eu tenho saldo suficiente no meu cartão para o transporte público. Eu também sempre chego no aeroporto uma hora antes do vôo, que para quem só anda com mala de mão, é tempo suficiente para trocar dinheiro no banco, e para passear o controle segurança sem estresse. Mas tb não chego muito cedo, pq detesto tomar chá de cadeira. 

Eis que hoje a bruxa estava solta. Depois de um dia corrido no trabalho, lembrei que tinha esquecido de recarregar meu cartão de transporte. Eu tinha que andar até a estação para fazer isso no último da hora. Perdi 10 minutos com isso. 

Consequentemente, perdi o ônibus e tive que esperar o próximo. 

Dez minutos de atraso em torno das 3 da tarde numa sexta, fazem uma diferença enorme no trânsito de Copenhague. De repente tinha congestionamento. Perdi mais 10 minutos. 

A troca para o metrô foi tranquila. Ótimo. 

Checo pelo app qual a previsão de espera para passar pelo controle de segurança: 17 minutos. Gente, esqueci que em junho começa a temporada de férias na Dinamarca. Aff 

Estou eu, bela e formosa na fila, quando o app me avisa que está embarcando e que o portão ia fechar em 20 minutos. Pânico. 

Passando o controle, desisti de trocar dinheiro. Pela primeira vez, não tenho um puto comigo. 

Foi então que eu vi que meu portão de embarque era F1. Longe pra caramba. Seria mais rápido chegar em Berlim à pé do que achar esse bendito portão. São 15 minutos andando. Gente, não ia dar tempo. 

Sabe aquela história de correr para tirar o pai da forca? Pernas pra que te quero. Fazia tempo que eu não corria feito uma louca aeroporto afora. Eu e um outro carinha do meu lado. Parecia que estávamos nos metros finais de uma maratona, disputando tapa-a-tapa o primeiro lugar. 

Chegamos nesse portão ofegantes, suados, descabelados, e rindo demais, pq o avião não tinha nem terminado de desembarcar os passageiros da viagem prévia. Fala sério. Tanto desespero para nada. Kkk

Bom, próxima vez que viajar em alta temporada, vou chegar mais cedo nesse aeroporto! 

Tomara que o fim de semana valha a pena toda essa correria. 

Berlim, me aguarde, que estou chegando!