Ontem foi a festinha de aniversário de uma amiga que vou chamar de J. Ela fez 50 anos, então tem que comemorar! Como ela é originalmente da Holanda, vieram várias pessoas da família dela para a Dinamarca. Vieram dirigindo um motorhome. Muito legal esses veículos. Bem compacto, porém mais confortável do que muito hotel em que fiquei.
Chegar na casa de J foi uma aventura. Dez anos de amizade mas eu nunca tinha ido na casa dela antes. Tinha ouvido comentários de que a casa era meio afastada da estação de trem.
Do meu cafofo até a casa dela são 43 km de distância, mas me levou 2 horas para chegar lá! Tive que ir até Copenhague e de lá pegar um trem regional.
Cheguei na estação e ainda tinha 20 minutos de caminhada me aguardando. Realmente, a casa é afastada da estação. E eu ia caminhando e a floresta ia ficando mais densa. De repente aparece uma placa dizendo: parque nacional. Minha amiga mora literalmente no meio do mato! Ainda bem que eu levei repelente.
Por causa dessa distância toda, eu resolvi reservar um quarto de hotel que fica 70 metros de distância da casa de J. Muito prático. Na verdade o lugar não é um hotel, é mais um casarão desses de antigamente, sabe, essas casas no meio das fazendas?
Só para ter uma ideia, a fazenda é de mil trezentos e bolinhas, e o casarão onde eu fiquei é de 1877.
Casarão antigo, zero isolamento acústico. Dava para escutar tudo: povo entrando, saindo, subindo e descendo escada, indo ao banheiro. Aliás, o banheiro era compartilhado. Isso eu só descobri depois que fiz a reserva. Mas foi de boas. Tinha pouca gente no casarão e parece que todo mundo teve a mesma ideia: deixar para tomar banho quando chegar em casa.
Pelo menos a vista do meu quarto era bem bacana.
No quarto tinha um garda-roupas embutido na parede com 4 portas. Eu não ia nem abrir as portas, porque eu levei só uma mochilinha e o presente de J. Foi sorte que eu resolvi abrir o guarda-roupa. Atrás da porta número um estava encondido uma chaleira elétrica, vários sachês de café solúvel, açúcar e saquinhos de chá. Muito bom. Fiz bom proveito disso hoje de manhã.
Atrás da porta número 3 havia uma pia para lavar as mãos, com um sabonete líquido muito cheiroso. Muito estranho coloar uma pia dentro do quarda-roupas. Enfim. Mas foi muita sorte ter essa pia particular dentro do quarto.
Eu estou gripada desde o fim de semana passado. Fui para Berlim dançar forró e voltei bichada. Estava me sentindo melhor, mas passei bastante frio de noite na festa da J. A festinha foi numas barracas montadas no meio da floresta e ontem estava um vento frio. Eu não levei roupa adequada. Consequência: me deu um ataque de tosse e tive que ir embora da festa cedo. Ainda bem que o hotel era ali do lado. Já pensou estar doente e ter 2 horas de viagem para casa?
Acho que tossi por várias horas até cair no sono. De manhã cedo foi outro ataque de tosse, mas dessa vez expectorando. A pia daquele quarto quebrou o maior galho! Ou eu teria que sair correndo para o banheiro o tempo todo.
Deixando o ataque de tosse de lado, foi uma noite muito agradável. Foi ótimo conhecer uma parte da Dinamarca que eu não conhecia antes. Foi ótimo rever antigos amigos, sair de casa um pouco, conhecer gente nova, comer uma comidinha gostosa – e olha, a J caprichou no cardápio. Eu até repeti!