Madeira – parte final

Passear por Funchal é agradável. jardins, calçadão à beira mar, centrinho com lojas, mercado. Numa doca vimos ancorado o galeão que passou por nós num dos dias anteriores. A decoração de natal da cidade é bonita, bem feita. Muita gente tocando música na calçada. Até mesmo nas docas tinha música de natal tocando nos alto-falantes, O clima era bem natalino, bem descontraído.

Eu queria ver o jardim botânico da Ilha da Madeira. Dizem ser lindo. Mas por causa dos incêndios que devastaram a ilha uns meses antes (havia um piromaníaco à solta, foi muito triste), o bondinho que subia até lá, estava desativado. No entanto o bondinho que subia até o JardimTropical estava funcionando. Foi um passeio incrível. Havia de tudo, jardim japonês, chinês, cascatas, castelo, passarinhos (engaiolados, coitados).

De lá, numa das ruas laterais, pudemos ver os famosos carrinhos de cestos. Ao invés de descer de bondinho, dá para descer a ladeira nesses carrinhos, puxados por dois homens vestidos à caráter. Parecia bem divertido, mas tinha uma cara de ser daquelas armadilhas para turistas que custa os olhos da cara.

De noite, passeando por Funchal, vimos uma que havia uma corrida. Nos disseram que era de 7 km, com direito a ganhar medalha de participação e tudo. Para quem gosta de correr, fica a dica.

A última coisa que vimos na cidade foram os fogos de artifício. Pensamos em ir até o centro de Funchal e ficar no meio da multidão. Também pensamos em ir num dos navios e ver os fogos do mar, mas nosso hotel nos ofereceu uma outra opção, completamente gratuita: pegar o ônibus do hotel, que nos levaria até a base naval, que fica no topo de um morro, e de lá ver os fogos.

Foi o melhor que fizemos. Foi inesquecível. Fogos sincronizados dos dois lados da ilha. Não é à toa que os fogos de Funchal entraram para os livros dos récordes.

Na virada do ano anterior vimos os fogos em Edimburgo, no festival Hogmanay. Foram lindos.
Na entrada de 2017 vimos em Funchal. Fenomenal.

Acho que daqui pra frente vou começar a caçar lugar para ver fogos, como Londres, Sidney, Rio.

Conclusão: acabei não fazendo nenhuma das caminhadas nas Levadas da ilha, nem vendo o jardim botânico que eu tanto queria. São motivos para voltar um dia com bastante tempo e disposição, e quem sabe a companhia de alguém aventureiro.

Madeira – parte 3

Depois da maratona do dia anterior para chegar na Camara dos Lobos, passamos o dia no hotel descansando, aproveitando a bela vista da sacada do quarto, indo ao spa do hotel: massagem, piscina.

No hotel resolvi puxar conversa com o rapaz que tinha um falcão. Todos os dias de manhã ele estava ali e isso me intrigava. Ele me explicou que o falcão era um modo de manter os passarinhos irritantes, como pombos, fora da área de hotel. Achei interessante a tática.

Esse hotel foi uma boa pedida. Meio longe do centro, mas num local muito bonito, com jardins bem cuidados e com plantas catalogadas e bem identificadas, incluindo uma área dedicada a orquídeas, onde as borboletas faziam a festa.

Durante a noite, alguma flor noturna, espalhava seu perfume por toda a área da piscina e jardins. Eu tinha que passar por ali todas as noites, só para me deliciar.

Depois de descansar bastante, num dos dias seguintes tomamos coragem de ir até o centro de Funchal. Ficamos pensando se iríamos caminhar ou tomar o ônibus do hotel. Lembro que o tal do José Rodrigues tinha dito que levaria 20 minutos até a vila de pescadores, e demorou 3 horas. Ele também tinha dito que do hotel até Funchal levaria 10 minutos andando, pertinho. Ahã. Fomos andando. 10 minutos, né? Eram 45 minutos de caminhada, morro acima. Jesus. Mas foi bom para fazer um pouco de exercício.

A cidade é bonitinha. Visitamos o mercado central. Frutas e verduras lindas, mas os preços são especiais para turistas. Me deram, sem brincadeira, uns 5 maracujás diferentes para provar. Tinha uns ali dos quais eu nunca tinha ouvido falar, e olha que eu adoro maracujá. Me empolguei e pedi uns 6 para trazer para casa. Quando ele me passou o preço, quase tive um treco. 20 euros. Com 20 euros dá para comprar muitos quilos de maracujá em outros lugares. Mas tudo bem. Estou viajando.

Aproveitei e comprei um panetone para matar a saudade, e uma garrafa de licor Beirão, para fazer o coquetel Caipirão no hotel. Realmente nos apaixonamos por esse drink. Melhor que Caipirinha.

Madeira – parte 2

Dia seguinte à chegada, depois do café da manhã, fomos fazer um reconhecimento do local e andar até a vila de pescadores indicada pelo José Rodrigues.

Ele tinha dito que era pertinho, uns 20 minutos caminhando. Eu acho que esse homem nunca andou a pé na vida dele. Deve demorar 20 minutos de táxi. Depois de caminharmos por mais de 90 minutos, resolvi perguntar se estávamos longe, e nos informaram que estávamos na metade do caminho.

Como fazia um sol divino, temperatura agradável, resolvemos continuar a caminhada beira mar e se chegássemos lá, era lucro.

Valeu muito a pena. Vimos grutas, despenhadeiros, um navio tipo galeão, e muitas coisas interessantes no meio do caminho, como a flora local.

A vila de pescadores, Camara dos Lobos, é um lugarzinho super pequeno, bem turístico, porém agradável. Enquanto aguardávamos o horário do trenzinho que subiria o morro e nos levaria até o alto do Cabo Girão, resolvemos provar os coquetéis locais: Nikita, Caipirão, Poncha.

Pegamos o último trenzinho do dia. Somente eu e Carsten éramos os passageiros. A vista do Cabo Girão é realmente muito bonita, pena que indo com o trenzinho, só nos dão 15 minutos lá em cima. Então foi correria. Eu prefiro fazer as coisas com mais tempo. Próxima vez, ou aluga um carro, ou vai de táxi. Carro parece ser a melhor opção, pois a ilha é grande, há muita coisa para ver, e quem quer fazer as caminhadas nas Levadas (que são várias e umas longe das outras), seria uma boa maneira de se locomover e economizar, pois os preços dos passeios com agências são híper caros.

Madeira – parte 1

E assim foi a viagem para a Ilha da Madeira…

Cinco horas de vôo de Copenhague até Funchal. No saguão do aeroporto nos aguardava um taxista, segurando uma placa dizendo Sr. Rodrigues. Bom, não é a primeira vez que me chamam de senhor, então tudo bem.

Assim que eu me identifico como “Sr” Rodrigues, o homem desabou a falar. Ele achava que estavam fazendo uma brincadeira com ele, pois o sobrenome dele também é Rodrigues e em 27 anos trabalhando como taxista na Madeira, ele nunca antes tinha ido buscar alguém com o nome Rodrigues. Então ele puxa a manga da blusa para mostrar uma tatuagem enorme no seu antebraço que dizia: Rodrigues
Linda tatuagem.
E ainda por cima, além de termos o mesmo sobrenome, descobri que ele tinha o mesmo nome do meu pai! José Rodrigues.

Dentro do taxi, esse homem não parava de falar. Nos deu muitas dicas. Uma delas era ir do nosso hotel até uma vila de pescadores e de lá pegar o trenzinho para o cabo Girão. Disse que do hotel até a vila seria uns 20 minutos de caminhada.

Enquanto estávamos no taxi, caiu um toró, mas um toró, daqueles que não dá para ver nem um palmo na sua frente. Foi uma tempestade de verão. Depois de 5 minutos, a chuva sumiu e não voltou a chover por uma semana, só para contrariar a previsão do tempo, que dizia que ia chover todos os dias. Sorte nossa! Carsten viajou comigo.

 

Friburgo

Tirei uma tarde para passear pelo centro antigo (em alemão: Altstadt) de Friburgo em Brisgóvia (em alemão: Freiburg im Breisgau). Fazia um frio fenomenal, oito graus abaixo de zero, mas o sol lindo e céu azul.

É necessário mencionar de qual Friburgo se está falando, porque há uma outra cidade na Suíça que também se chama Friburgo e não fica muito longe da Friburgo alemã. Então para não haver dúvida.

Achei a cidade muito bonitinha, mas é super pequena. Um dia ali é mais que suficiente.

Quanto mais andava pela cidade, mais eu percebia que já viajei demais. Tudo que eu via me lembrava de outras cidades que eu já tinha visitado.

A igreja principal de Friburgo me lembrou demais a igreja de Limburgo am der Lahn. Mesma arquitetura, só a cor que é diferente.

Outras igrejas que vi tinham as torres de metal e me lembraram igrejas que vi em Münster.

 

Até aí tudo bem, tanto Limburgo quanto Münster são cidades alemãs, então está tudo certo. Estilo de arquitetura nacional.

De repente meu olho bate numa torre com um relógio e aquilo me fez lembrar da Suíça! Só faltava uma fonte com estátua para completar, mas foi eu olhar pra trás, que vi a fonte na pracinha. E para dar um toque ainda mais suíço à paisagem, passou um bonde bem naquela hora, e um bonde do estilo suíço também (em Friburgo vi dois estilos de bonde, um suíço e outro que eu não tinha visto antes em nenhum outro lugar).

 

Um pouco mais tarde passo por uma ruazinha com o córrego ao lado. Aquilo me fez lembrar a cidade francesa de Annecy. E o fato de ver tantas bicicletas encostadas na grade, me lembrou de Amsterdã e de Copenhague, as cidades das bicicletas.

Acho que a única coisa que achei típica de Friburgo e que não tinha realmente visto em outro lugar foi o antigo sistema de valas para a drenagem de água. Essas valas estão por toda parte na cidade antiga e têm uns 800 anos de idade. Não tirei nenhuma foto, mas é só procurar no google.

 

 

Outra coisa que gostei foi o street art. Vi vários muros pintados, decorados. Bem bonitos.

E para terminar meu passeio, olhei no mapa uma área verde, com dois lagos, achei que seria um parque e que seria uma ótima maneira de terminar meu passeio. Andei pra caramba para chegar lá. Minhas pernas já estavam congeladas depois de andar por quase 4 horas. Chegando lá, cadê o parque? Era um cemitério!!
Bom, como já estou morta, aqui é o lugar certo para visitar, pensei. Entrei.

Que cemitério bonito. Como o pessoal cuida das covas. Fazem jardim, plantam flores. Tinha até decoração de natal nas maioria das tumbas. Acabei caminhando bastante nesse cemitério. Valeu a pena. Em matéria de decoração das tumbas, esse foi um dos cemitérios mais bonitos que já vi – até mais bonito que os cemitérios famosos de Paris, como o Montparnasse e Père Lachaise.

Niver

Aprendi na Dinamarca que a vida deve ser celebrada. Todo aniversário deve ser comemorado, e se for um “aniversário redondo”, como eles dizem (fechando uma década) aí a comemoração deve ser dobrada.

Nos meus 30 eu chamei a moçada para ir lá no meu, na época, novo cafofo.

Nos meus 40 eu queria fazer uma viagem exótica. Aí me perguntei, por que ir lá pra conchinchina se posso ir ao meu país que também é um lugar exótico?

E assim eu comemorei meu niver. Num festival de forró, o Rootstock, em Belo Horizonte. Foi FENOMENAL!

E para fechar com chave de ouro, uns dias no Rio, que é um lugar que não visito há 17 anos.

Além de curtir as belas paisagens, calor e praia, provei uma cachaça de castanha com folha de jambu, que anestesia a boca da gente; encontrei antigas amizades; e dei uma de aventureira!

Forró no Brasil – Itaúnas, chegada

Pela primeira vez, meu objetivo com a viagem ao Brasil não foi visitar nem família nem amigos, mas ir dançar forró e descobrir a diferença entre dançar aqui na Europa e aí no Brasil.

Meu primeiro destino era a vila de Itaúnas no Espírito Santo, onde ocorre maior festival do forró do mundo, o FENFIT (Festival Nacional de Forró de Itaúnas), que está na sua 17ª edição. São praticamente 8 dias de festival, e na vila, o forró rola, literalmente, 24 horas por dia. Tem que escolher qual evento de forró vai perder para poder dormir, comer, tomar banho, ir à praia, etc.

Deixa eu explicar como funciona. O festival ocorre no Bar do Forró, com show das bandas concorrentes do Fenfit e de pelo menos 3 bandas famosas/conhecidas. Vai das 10 da noite até 6 da manhã.

Seis da manhã o povo vai andando do Bar do Forró para a Padaria, que é um boteco onde o forró continua das seis até de noite (ou com música ao vivo ou com DJ). Ali é o point da galera pois fica bem na saída de que vai pra praia. Tem que passar quase que obrigatoriamente por ali. É um lugar para ver e ser visto.

Lá por umas 5 da tarde começa o forró no Café Brasil e vai até 11 da noite. Já por aí dá pra ver que não dá pra fazer tudo. Os eventos se intercalam. Fora isso tem outros eventos de forró avulsos durante o dia, como aulas de forró no Café Brasil, aula com instrumentos, show ao vivo em algumas pousadas de noite ou no Buraco do Tatu, que é o concorrente do Bar do Forró (detalhe, as duas casas são vizinhas, e se a música não estiver alta o suficiente, dá para escutar o show um do outro. Loucura).

A minha chegada foi mais ou menos assim: Cheguei em Guarulhos e já tomei o avião para Vitória, onde passei um dia descansando e caminhando pela praia. No dia seguinte, quando encontrei os forrozeiros que iam comigo na van para Itaúnas, ouvi dizer que estava rolando o maior forró em Vitória e que o povo já fez um esquenta lá mesmo. Pena, perdi, mas eu estava demasiado cansada da viagem e com jetlag.

De Vitória até Itaúnas foram cinco horas de viagem, sendo que uma hora foi só para percorrer os 20 km de estrada de chão antes de chegar na vila. Tinha chovido muito, tinha muito buraco e poças enormes de água. A van chocalhou tanto que eu cheguei a pensar que na próxima vez vou tomar um remédio para enjoo. Pensei, coitados dos instrumentos dos músicos, vindo nessa buraqueira. Mas acho que o que garante a preservação da vila e da natureza ali, é esse difícil acesso.

Em Itaúnas não tem nada, lá é um lugar para descansar, passear pelas dunas e pela praia, fazer atividades no rio, para os aventureiros, fazer atividades na restinga ou fazer um passeio até a praia da Costa Dourada no sul da Bahia (15 km de distância).

Mas, porém, todavia, durante o Fenfit, a vila recebe milhares de pessoas. Tanta gente que me orientaram a levar tudo que eu precisava, desde remédios até produtos de higiene, porque nos dias finais do evento, às vezes acaba remédio na farmácia, produtos no mercadinho e até comida em restaurantes.

A vila em si não é muito bonita. As ruas todas de areia batida (ou no caso do dia que cheguei e uns dois dias em seguida, de poças de água e lama). Levei mala de rodinha, mas sofri. Aconselho viajar de mochilão pra lá.

Tudo é muito simples. Não tem supermercado, não tem hospital. Se precisar, tem que voltar os 20 km de terra e ir para Conceição da Barra. Em Itaúnas tem dois mercadinhos e duas farmácias bem básicas, e só. E uma igrejinha, caso precise de um momento de reflexão, mas acredito que até lá dentro dá para ouvir o forró, porque toca forró em todos os cantos da vila.

Cheguei na sexta dia 14, e confesso que estava desanimada, com toda aquela chuva, aquela lama, o fato de estar sozinha e pior, me sentindo sozinha. O festival começaria oficialmente no dia seguinte, mas já na sexta dava pra ir dançar no Café Brasil. Eu acabei que não fui a lugar algum.

No dia seguinte fui fazer um reconhecimento do lugar, mas confesso que aquela lama em todas as ruas dificultava a locomoção.

Acabei não indo até as dunas e praia por causa da chuva. Depois de comer um prato feito (que era a coisa mais barata, pois tudo lá estava imensamente caro, e as porções eram para duas pessoas no mínimo e custava de 50 reais pra cima) fui fazer minha aula particular de forró. Claro, aproveitei para fazer uma aula com um professor local, para aprender uns passos novos e corrigir erros.

Acabei que comprei um pacote de 4 horas de aulas, e fiz aulas em 3 dias consecutivos. Não farei mais esse erro, porque nos dias de sol, eu tinha que voltar mais cedo da praia para ir para a aula. Sem falar no cansaço de subir e descer duna para chegar na praia. Já começava a aula me sentindo morta.

As coisas começaram a melhorar quando o sol apareceu e depois disso foi a semana inteira de sol. As ruas secaram, ficou bem melhor para andar. Comecei a encontrar o pessoal. Tinha muito forrozeiro da Europa em Itaúnas. Muita gente conhecida, me senti praticamente em casa. E obviamente, conheci gente nova.

Depois disso não me senti mais sozinha. Estava até muito contente por tem momentos só para mim, de poder fazer tudo o que eu queria na hora que eu queria.

Na Padaria, vi uma menina vendendo quadros e ímã de geladeira com frases extraídas das letras de forrós famosos. Achei um que me serviu muito bem: “Se avexe não, amanha pode acontecer tudo, inclusive nada”.

Eu vou continar a narração sobre minhas aventuras em Itaúnas nos próximos posts. Abaixo coloco as poucas fotos que tirei lá. E peço desculpas, pois não levei câmera, e as fotografias que tirei com o celular ficaram todas sem foco, embaçadas. Uma pena. Mais um motivo para voltar um dia para Itaúnas, rsrs.

Aeroporto 

Tomando um chá violento de cadeira aqui no aeroporto de Stavanger. Quatro horas de espera pelo novo vôo. Pelo menos pagaram meu jantar e no aeroporto tinha uns sofá cama, onde me instalei e proclamei: daqui não saio, daqui ninguém me tira. 

Deitei, assisti filme no Netflix, chorei que borrou toda a maquiagem. Uma coisa pavorosa. Mas eu estava bem confortável e feliz. Maldita hora que a bexiga apertou e tive que procurar um banheiro. Perdi meu lugar. 

Enfezei e resolvi passar para a ala dos voos internacionais. Ali não tinha sofazão, mas tinha um canto agradável com tabuleiro de xadrez. Foi onde me sentei para escrever o post anterior. Agora estou aguardando o embarque. Pelo menos o avião já estacionou. Que canseira. 

Sofá onde me acomodei e cantinho do xadrez. 

Pedra 

As coisas melhoraram um pouco. Dancei bastante na festa de sábado e domingo amanheceu ensolarado. 

Peguei a balsa e fui de Stavanger para Tau, depois o ônibus até o pé da montanha onde fica a preikerstolen. 

Já os primeiros 50 metros de escalada acabaram comigo. Taquicardia, falta de ar, suadouro. Gente, estou fora de forma. 

E ao meu redor tinha velhinho de bengala, criança e até cachorro subindo o morro. Pensei comigo: se esse cachorro fru-fru consegue subir, eu também consigo! E fui. 

É uma escalada de duas horas. Fiz em uma hora e vinte, pq eu estava preocupada com o tempo. Meu vôo de retorno era 6 da tarde e para voltar a tempo eu teria que começar a descida 12:45. Acho que foi essa afobação que me cansou tanto. 

Faltando uns 45 minutos de escalada, o tempo virou. Foi rápido. Começou de repente a chover torrencialmente e fiquei enxarcada. 

Chegando na pedra, a vista não estava boa por causa da chuva e das nuvens. E vinha o vento, que frio. Passei frio demais. Mas fiquei lá em cima por quase uma hora pq parecia que ia clarear um pouco. Mas foi pouco e resolvi começar a descida 12:30 porque as pedras estavam escorregadias e achei que ia demorar mais pra descer. 

Eis que durante a descida eu encontrei meus amigos fazendo a subida! Foi legal. 

Desci. Muita gente escorregando e caindo perto de mim, e eu estava toda satisfeita que minha escalada tinha sido perfeita. Quase perfeita. Levei um escorregão e tombasso nos últimos metros! Me esfolei, mas não faz mal. É souvenir da viagem! 

E foi entrar no ônibus que o sol apareceu. Realmente a sorte não estava do meu lado nessa viagem. 

Chegando no aeroporto, vôo cancelado. Estou aqui faz 4 horas aguardando novo vôo. 

Despedida

Realmente, Barcelona é a cidade preferida da galera para ir fazer despedida de solteiro. 

No post anterior comentei de dois grupos que vi no aeroporto. Pois naquele mesmo dia, vi mais dois. Dois grupos de mulheres no centro da cidade. 

O primeiro grupo, estava portando óculos Pink e eu cheguei a achar que era o mesmo grupo do aeroporto, mas me enganei. Essas moças no centro eram francesas. No meio da praça elas enrolaram um lençol e começaram a chamar o povo que estava sentando na escadaria para fazer um cabo de guerra! 

Foi uma luta de puxa pra cá e puxa pra lá. Cheguei a achar que todo mundo ia rolar no chão, mas não acabou nessa tragédia. O povo se divertiu e foram embora. 

E eu continuei lá, aproveitando o sol. Minutos mais tarde, chega um novo grupo de despedida de solteiro, moças espanholas, conversando bem alto, fazendo algazarra. A noiva estava com uma peruca afro que tinha no topo uma cestinha de basquetebol. Eu achei que elas iam fazer alguma brincadeira com aquela cestinha, acertar a bola, por exemplo, mas não aconteceu nada. Acho que elas já tinham brincado demais da conta e estavam cansadas. Foram ali somente para tomar um refresco. 

Achei fenomenal isso. A última vez que eu tinha visto despedida de solteiro desse jeito foi numa viagem para a Suécia, onde a noiva e suas amigas estavam parando estranhos na rua para fazer um jogo de adivinhação. Eram très perguntas sobre a noiva, e só olhando para a cara dela, a gente tinha que adivinhar. Eu lembro que achei a brincadeira bem bolada e bem-humorada. 

Pelo visto, é uma tradição viajar para Barcelona para fazer festa de despedida de solteiro. 

No Brasil a gente tem dessas coisas? Eu nem sei. 

Crazy Barça 

Acabei de aterrissar em Barcelona. Vim visitar um forrozeiro amigo meu, dançar e descansar. 

Aparentemente Barcelona é o lugar para vir fazer despedida de solteiro. No aeroporto vi vários. 

Caras vestidos de uniforme de futebol e o noivo vestido de “coelhinha” mascote do time. Esse cara está aqui no ônibus comigo, a caminho da praça Catalunha. Toda vez que eu olho oras orelhas de coelho que ele está usando, eu caio na risada. 

No saguão do aeroporto tinha tb um grupo de moças, todas usando uns óculos enormes cor-de-rosa, fru-fru de cabelo pink, bolsas brilhosa e a noiva estava de véu, para diferenciar. 

Vamos ver o que mais a cidade me reserva. 

E pensar que eu estou aqui de novo (última vez foi setembro, festival de forró pisa na fulô). E eu que, há uns 10 anos atrás, tinha jurado que não voltaria mais aqui. 

Realmente, a gente nunca deve dizer que dessa água não beberei! 

Forrozeira

Há uns anos atrás eu escrevi no blog sobre os meus hobbies, de como eu me interesso por algo, me dedico a isso de corpo e alma, e depois mudo para algo novo.

Nos últimos dois a três anos eu tenho me dedicado ao aprendizado de línguas, mas agora acho que chegou o momento de me dedicar a algo diferente: dança.
Foi no final do mês de agosto que eu descobri que o forró finalmente chegou na Dinamarca. Forró chegou na Europa há mais ou menos 10 anos, mas nos países lá pra baixo, como França, Alemanha, Portugal. Aqui na DK ele só chegou no ano passado e há muito pouca gente que sabe dançar. Na verdade, a maioria do povo que dança forró em Copenhague são estrangeiros: uns brazucas, um espanhol, um búlgaro, uma francesa, e assim por diante.
Mesmo a comunidade de forró de Copenhagen sendo pequena, o pessoal é muito gente boa e nos encontramos frequentemente.
E foi assim que eu descobri que na Europa toda há festivais de forró, onde gente de inúmeros países se reúne para fazer workshops e compartilhar experiências.

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O primeiro festival que participei foi há duas semanas em Lisboa, Portugal, de 11 a 13 de dezembro. Foi ótimo e os portugas dançam muito bem. Fiquei impressionada com a qualidade do festival. Mas é algo bem puxado, uma verdadeira maratona. Aulas das 11 da manhã e festa até 4 da matina, por 3 dias consecutivos, e às vezes até mais.

Conheci muita gente em Lisboa. Gente da Alemanha, gente de Paris, da Suíça, e agora estamos mantendo contato.

Meu próximo festival será no final de janeiro em Berlin. Dessa vez eu não irei sozinha (viajei completamente só para Portugal) mas vamos num grupo grande, representando Copenhague. Acho que será bacana.

Depois de passar quase 14 anos sem dançar, eu tinha me esquecido de como eu gosto de um arrasta-pé!
Estou tão contente de voltar a dançar, que resolvi checar uns outros estilos novos de dança, como a Kizomba. Mas o post de hoje é sobre forró, e forró de alta qualidade – nada daquelas músicas pé-de-chinelo tocadas por grupos como Calcinha Preta (socorro!), mas músicas de grupos como Luso Baião, Bicho de Pé, e assim por diante.

Manterei vocês atualizados da minha nova vida de forrozeira, que promete ser agitada. Minha próxima parada será Oslo, Noruega, para um workshop meados de janeiro. Em seguida o festival Psiu! de Berlin. Depois será um festival por mês: Forró London em fevereiro e o Ai Que Bom, de Paris nas férias da páscoa. E tome forró!
Abaixo uma foto minha tirada no Club Mambo, onde me aventurei a dançar bachata com um conhecido brazuca.

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Suíça

Aqui vai um alô da Suíça, onde a previsão meteorológica não é tão boa quanto a da Dinamarca. Está fazendo um calorão infernal, sem vento, que me faz lembrar de Paranaguá. Calor, insetos e trovoadas fenomenais que nos pegaram várias vezes de surpresa.

Ontem, procurando por temperaturas mais amenas, fomos visitar uma gruta.
Que lugar fascinante. Eu nunca tinha entrado numa gruta antes, e nessa nós podíamos caminhar por mais ou menos um quilômetro no seu interior. Carsten e eu adoramos.

Os detalhes da viagem eu conto quando voltar.

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Viagem dos selfies

Eu não sou muito fã de tirar selfie, desses que você estende o braço e click. Normalmente eu levo para minhas viagens um tripé pequeno, onde posso apoiar a câmera. Aí é aquele ritual: coloco o timer para 10 segundos, focalizo, clico, corro, faço pose, um sorrisão e click. Então checa e descobre que a foto não ficou boa e tem que começar tudo de novo. De repente a gente usou 10 minutos para tirar um selfie, mas a foto fica boa.

No entanto dessa vez a viagem foi diferente. Eu esqueci o meu tripé sobre a mesa da sala. Só lembrei disso quando já estava no aeroporto a caminho de Milão. O jeito foi aderir à moda dos selfies do braço esticado. Se bem que, tanto em Roma quanto em Florença, havia muitos ambulantes vendendo o tal do pauzinho do selfie. Chegavam a ponto de serem irritantes. Não se podia andar em paz. Eles colocavam o troço bem debaixo do nariz da gente e perguntavam se queríamos comprar. 10 euros!!!

Bom, eu não tenho experiência em tirar selfie, mas tia Lu tinha e eu, facilmente influenciável, acabei entrando na onda dos selfies. Tiramos trocentos selfies nessa viagem e nos divertimos.

E como essa viagem ficou para a história, eu acabei trazendo comigo o hábito de tirar selfies – digamos que é um souvenir. Um souvenir que eu usei no aniversário do Carsten, quando fomos para Malmo na Suécia. Lá nós também tiramos incontáveis selfies.

Pronto, estou num caminho sem volta. O selfies agora fazem parte de mim.

Siena e Monteriggioni

Continuando descrevendo os últimos momentos da viagem à Itália…

O passeio foi até Siena, onde pegamos uma guia local que, segundo outros brasileiros nos acompanhando, se esqueceu de que estava guiando um grupo grande e saiu desvairada pela cidade afora falando no microfone e nem sequer olhando para ver se o povo a estava companhando. Coitados dos velhinhos, subindo as ladeiras de Siena e tentando manter o passo.

Nessas alturas já estávamos pedindo arrego. Ninguém aguentava mais andar e a última parte do passeio era uma subidinha até a igreja principal. Mas quem aguenta? Nós abandonamos o grupo e arriamos na praça mesmo, onde nos estiramos no chão, tomando um sorvete.

Como não dá para ir até Siena e nem sequer dar uma espiada na igreja, depois do descanso fizemos um esforço para subir aquela ladeira. A igreja é realmente linda. Vale a pena.

Esgotados, cruzamos Siena inteira novamente para voltar para o estacionamento e pegar o ônibus.

Eu olhava para a expressão do povo. Estavam todos um bagaço. Dava pena de ver a cara de desespero deles quando ficaram sabendo que Siena não era a última parada, mas que ainda visitaríamos o forte de Monteriggioni.

Juro, teve gente que nem saiu do ônibus quando chegamos no forte – o que foi pena, porque o local é muito agradável. Tão bonito que eu gostaria de ter passado mais tempo lá. Como nos atrasamos em Siena, só tivemos uns 20 minutos para passear no forte. Eu diria que, se você estiver fazendo o passeio em carro, por conta própria, se programe para passar algumas horas no local e talvez até jantar por lá.

E esse foi o último passeio na Itália.

No dia seguinte retornamos para Milão, onde tínhamos planos de voltar para ver a catedral (e entrar nela), mas estava chovendo horrores e resolvemos ir direto para o aeroporto, onde passamos umas 4 horas esperando dar o horário do vôo.

Eu achei que foi uma viagem supimpa, mesmo com braço quebrado e bagagem extraviada.

A Itália é linda demais, mas também é muito cara. Tem que vir preparado. Dizem que no sul da Itália é mais barato, lá pros lados da Puglia ou na Sicília. Eu não conheço. Quem sabe da próxima vez incluo esses lugares no roteiro.