Sicília, dia 2

Acordei numa preguicinha, mas bem descansada. Finalmente dormi bem! Fazia tempo que isso não acontecia.

Bom, de manhã resolvi ir conversar com a moça da agência de turismo. Quero dar uma olhada nas ilhas Eólias. Eu estava achando o preço do passeio um pouco salgado, mas quando vi o preço para ir por conta própria de balsa, ida e volta, de repente não achei o preço do pacote turístico tão caro. Vou fazer dois dias de passeios, já que estou aqui sozinha e não tenho nada melhor pra fazer mesmo. rsrsrs

Mas isso é só amanhã. Hoje, no início da tarde, resolvi pegar o carro e subir o morro até Tindari, para ver a igreja – Santuário Maria Ss. di Tindari.

Aquela estrada íngrime, sinuosa e estreita me fez lembrar das vezes que dirigi na Serra da Graciosa ou na estrada Anchieta. A única diferença que ao invés de ver mata e selva, a vista é do rochedo e do mar azul lá embaixo.

A paisagem me lembrou da minha última viagem pra Itália, em 2015, quando fui a Positano. Porém naquela viagem pude sentar no carro confortavelmente e apreciar tudo, enquanto hoje tive que me concentrar na direção!

Chegando lá, achei que poderia subir até o topo com o carro, mas me barraram e me obrigaram a estacionar bem antes. Queriam que eu pagasse um micro-ônibus para subir. Quando fiquei sabendo que era somente 1 km de subida, que pagar ônibus, que nada. Fui andando, fazendo exercício, apreciando a vista.

Bela igreja, mas pra variar, estava fechada para almoço. Isso parece ser um karma. Lembram da minha viagem para Annecy na França em 2014? Quando paguei todos meus pecados subindo um morro para ir na igreja, e ela estava fechada pra almoço? Foi igualzinho hoje. Pena, porque imagino que o vitral na entrada dessa igreja de Tindari deve ser magnífico. Olhando as fotos do interior da igreja agora na internet, vejo que é realmente linda por dentro. Quem sabe eu volte lá antes de ir embora.

Fiquei ali uns minutinhos, apreciando a vista, quando um temporal começou a se formar. Tudo escureceu.

Uns ciclistas italianos pediram para que eu tirasse uma foto deles e eu aproveitei para perguntar como ir de carro na praia lá de baixo. Parecia linda.

E foi o que fiz. Peguei o carro, desci até Marinello, que é o nome da praia. Belo lugar, Marinello, mas a praia não achei nada demais. Depois de 3 minutos já me entediei e foi a sorte. Assim que abri a porta do carro para voltar para o meu quarto, começou a chover e assim ficou pingando a tarde toda.

Espero que amanhã o tempo firme para que eu possa fazer e aproveitar os passeios nas ilhas. Vamos ver se vou ter sorte.

Sicília, dia 1

Na verdade é dia 2, mas cheguei aqui só 10 da noite ontem – depois de 12 horas de viagem, vindo de Zurique de trem até Milão, fazendo um transfer hiper corrido até Malpensa e pegando vôo pra Sicília. No aeroporto de Catânia demorei quase uma hora pra pegar o carro que tinha alugado. Caí no conto do vigário. Achei que tinha conseguido um bom preço por 12 dias com o carro, chegando aqui tomei um susto com os preços em caso de riscos, danos e furto. Fui obrigada a desembolsar uma quantia equivalente ao valor do aluguel, só para pegar seguro contra danos. Ficou super caro. Lá foi o orçamento que eu tinha pra viagem toda, mas tudo bem. Quem disse que a vida sempre é justa.

Mas não posso me queixar. As duas horas de estrada de Catânia até Milazzo eu fiz sem problemas, mesmo sendo de noite, num carro com o qual não estou habituada, numa estrada desconhecida, muito trânsito, muitas obras na pista, e muito siciliano doido que acha que é Ayrton Senna.

Fui recepcionada muito bem na casa que aluguei, dentro de um conjunto residencial cheio de segurança pra tudo que é lado. Muito bonito.

Hoje de manhã fui comprar uns mantimentos e fazer um reconhecimento do local.

A praia de Tindari, que eu escolhi porque tinha lido que a areia aqui é fininha e branquinha, me decepcionou. Areia grossa cheia de pedrinhas. No fundo da água não tem areia, é só pedra.

Eu ia dizer que detesto esse tipo de praia, mas descobri uma vantagem muito grande. O fato de não ter areia no fundo na água resolve aquele inconveniente de quando se vai nadar e se sai do mar cheio de areia no biquini ou calção. Isso sim eu acho uma coisa horrível.

Então dessa vez entrei no mar (coisa rara pra mim!) e aproveitei aquela água verde límpida e morna, e fiquei admirando as pedrinhas no fundo do mar.

Meados de setembro, dia de semana. 27 graus. Quente e úmido. Não tem ninguém aqui. Num trecho de 1 km de praia, tinha umas 20 pessoas, e olhe lá.

A comunicação com o povo até que está sendo boa. Por enquanto estou conseguindo entender e me fazer entender. Meu italiano básico está me salvando em todas as situações rsrs.

É isso. Agora vou caçar o que fazer nos outros dias. Mantenho vocês atualizados.

Estou tirando pouquíssimas fotos. Só trouxe o celular. Deixei a câmera em casa. Quando eu transferir as fotografias para o computador, publico umas fotos pra vocês. 

Praga

Tirei um dia de folga do trabalho, fiz meu registro no festival de forró de Praga, chamado Fica no Coração, e comprei minhas passagens para Praga na República Tcheca.
Sabia que seria um festival menor, mas minha motivação foi visitar uma cidade que eu não conhecia e que todos dizem que é muito bonita.

Eu me apaixonei por Praga. Linda, linda, mas linda demais. E olha que estava um frio danado, chuva e tempo cinza. Durante os três dias da minha viagem não fez nem um pouco de sol, mesmo assim a gente se encanta com a cidade.
Tenho vários motivos para voltar.
– Quero tirar fotos. Não tirei nenhuma por causa da chuva.
– Adoraria ver a cidade com sol, numa época menos gelada.
– Quero ver as atrações que eu perdi.

O famoso relógio astronômico criado por Tycho Brahe (astrônomo dinamarquês♥) estava sob renovação. Não deu para ver.
Eu queria ter visto o cemitério judeu, mas fui num sábado e me esqueci que sábado é Sabbah e as sinagogas e o cemitério estavam fechados para o dia de descanso.

Me indicaram subir a colina até o castelo num domingo e ver a troca da guarda ao meio-dia, no entanto eu recebi essa indicação no sábado, justamente quando eu tinha acabado de descer do castelo e estava super, híper acabada. Subi tudo a pé. Não foi moleza. Não aguentaria ir novamente no dia seguinte, mesmo sendo a vista da cidade lá de cima absolutamente fascinante.

Praga é pequena, calma, segura. Caminhei a pé de dia e de madrugada (para ir para as festas de forró). Me senti muito segura o tempo todo.
Havia sempre gente na rua.
Aliás, havia muitos grupos de homens de madrugada. Raramente eu vejo grupos de homens assim. Parecia até coisa de máfia russa. Mas talvez tenha sido impressão minha. Talvez sejam grupos de viajantes, pois um dos atrativos da cidade é beber até cair. rs

Melhor horário para ver a ponte Charles é de madrugada ou ao amanhecer. No resto do dia é impossível caminhar na ponte, quanto mais ver a ponte. Turistas demais.

Praga é bem barato, comparado com o resto da Europa.
Ouvi um amigo me dizendo: essa é a primeira vez que venho pro leste europeu. Gente, por favor, Praga é Europa Central. Não diga lá que eles são leste europeu, que é uma ofensa grande.

Algo que não se deve perder em Praga são as cervejas. Eles fazem uma fermentação diferente. Além de barato, são muito boas. Eu não tomo cerveja, mas provei muitas outras coisas. Nem tudo caiu no meu gosto, mas provei mesmo assim: licor de creme de ovo, quentão local, limonadas de frutas diversas, joelho de porco, borsch e goulash estilo tcheco.

Também andei muito. Pela cidade velha, pela cidade nova e reconheci as ruas dos vídeos históricos onde a gente vê as tropas nazistas invadindo a cidade. Foi uma sensação interessante.

A arquitetura me fascinou. Praga não foi destruída por bombardeios, então os as fachadas dos prédios são originais. Arquitetura antiga misturada com arquitetura francesa art-nouveau. Praga tem muita história.

Entrei em várias igrejas. Algumas grandiosas, que até me fizeram lembrar da Catedral da Sé de São Paulo, mas religiosidade lá dentro, não senti nenhuma.
Em compensação, entrei numa igrejinha ortodoxa perto do albergue da juventude onde fiquei hospedada, e lá dentro foi uma experiência que não sei descrever. Religiosidade, cheiro de incensos, alguém na sacristia rezando em tcheco sem parar que fazia eco dentro da igreja. Muitos tapetes tipo persa espalhados no altar. Foi fascinante.

E como de costume, eu tentei aprender algumas frases no idioma local, para ter mais experiências durante a viagem. Gente, nunca mais eu vou reclamar que a pronúncia dinamarquesa é impossível. Toda vez que algum estrangeiro vier reclamar de dinamarquês, eu vou mandar eles aprenderem tcheco. Não foi dizer que é impossível, mas foi tão complicado que eu só consegui aprender meia dúzia de palavras avulsas ao invés de 20 a 30 frases como de costume. Mesmo sabendo pouco, usei todas as palavras que aprendi com muita frequência, porque, por incrível que pareça, o povo em Praga não sabe falar mais nenhum outro idioma. Perdi a conta de quantas vezes tive que usar mímica para me fazer entender e nem sempre funcionava bem.
Saber falar 7 idiomas não me serviu de nada em Praga. Essa foi a primeira vez que provei algo desse tipo. Sempre encontro algum idioma em comum, mas não dessa vez.
Mesmo assim valeu. Espero poder voltar em breve.

Praga, recomendo!

Madeira – parte final

Passear por Funchal é agradável. jardins, calçadão à beira mar, centrinho com lojas, mercado. Numa doca vimos ancorado o galeão que passou por nós num dos dias anteriores. A decoração de natal da cidade é bonita, bem feita. Muita gente tocando música na calçada. Até mesmo nas docas tinha música de natal tocando nos alto-falantes, O clima era bem natalino, bem descontraído.

Eu queria ver o jardim botânico da Ilha da Madeira. Dizem ser lindo. Mas por causa dos incêndios que devastaram a ilha uns meses antes (havia um piromaníaco à solta, foi muito triste), o bondinho que subia até lá, estava desativado. No entanto o bondinho que subia até o JardimTropical estava funcionando. Foi um passeio incrível. Havia de tudo, jardim japonês, chinês, cascatas, castelo, passarinhos (engaiolados, coitados).

De lá, numa das ruas laterais, pudemos ver os famosos carrinhos de cestos. Ao invés de descer de bondinho, dá para descer a ladeira nesses carrinhos, puxados por dois homens vestidos à caráter. Parecia bem divertido, mas tinha uma cara de ser daquelas armadilhas para turistas que custa os olhos da cara.

De noite, passeando por Funchal, vimos uma que havia uma corrida. Nos disseram que era de 7 km, com direito a ganhar medalha de participação e tudo. Para quem gosta de correr, fica a dica.

A última coisa que vimos na cidade foram os fogos de artifício. Pensamos em ir até o centro de Funchal e ficar no meio da multidão. Também pensamos em ir num dos navios e ver os fogos do mar, mas nosso hotel nos ofereceu uma outra opção, completamente gratuita: pegar o ônibus do hotel, que nos levaria até a base naval, que fica no topo de um morro, e de lá ver os fogos.

Foi o melhor que fizemos. Foi inesquecível. Fogos sincronizados dos dois lados da ilha. Não é à toa que os fogos de Funchal entraram para os livros dos récordes.

Na virada do ano anterior vimos os fogos em Edimburgo, no festival Hogmanay. Foram lindos.
Na entrada de 2017 vimos em Funchal. Fenomenal.

Acho que daqui pra frente vou começar a caçar lugar para ver fogos, como Londres, Sidney, Rio.

Conclusão: acabei não fazendo nenhuma das caminhadas nas Levadas da ilha, nem vendo o jardim botânico que eu tanto queria. São motivos para voltar um dia com bastante tempo e disposição, e quem sabe a companhia de alguém aventureiro.

Madeira – parte 3

Depois da maratona do dia anterior para chegar na Camara dos Lobos, passamos o dia no hotel descansando, aproveitando a bela vista da sacada do quarto, indo ao spa do hotel: massagem, piscina.

No hotel resolvi puxar conversa com o rapaz que tinha um falcão. Todos os dias de manhã ele estava ali e isso me intrigava. Ele me explicou que o falcão era um modo de manter os passarinhos irritantes, como pombos, fora da área de hotel. Achei interessante a tática.

Esse hotel foi uma boa pedida. Meio longe do centro, mas num local muito bonito, com jardins bem cuidados e com plantas catalogadas e bem identificadas, incluindo uma área dedicada a orquídeas, onde as borboletas faziam a festa.

Durante a noite, alguma flor noturna, espalhava seu perfume por toda a área da piscina e jardins. Eu tinha que passar por ali todas as noites, só para me deliciar.

Depois de descansar bastante, num dos dias seguintes tomamos coragem de ir até o centro de Funchal. Ficamos pensando se iríamos caminhar ou tomar o ônibus do hotel. Lembro que o tal do José Rodrigues tinha dito que levaria 20 minutos até a vila de pescadores, e demorou 3 horas. Ele também tinha dito que do hotel até Funchal levaria 10 minutos andando, pertinho. Ahã. Fomos andando. 10 minutos, né? Eram 45 minutos de caminhada, morro acima. Jesus. Mas foi bom para fazer um pouco de exercício.

A cidade é bonitinha. Visitamos o mercado central. Frutas e verduras lindas, mas os preços são especiais para turistas. Me deram, sem brincadeira, uns 5 maracujás diferentes para provar. Tinha uns ali dos quais eu nunca tinha ouvido falar, e olha que eu adoro maracujá. Me empolguei e pedi uns 6 para trazer para casa. Quando ele me passou o preço, quase tive um treco. 20 euros. Com 20 euros dá para comprar muitos quilos de maracujá em outros lugares. Mas tudo bem. Estou viajando.

Aproveitei e comprei um panetone para matar a saudade, e uma garrafa de licor Beirão, para fazer o coquetel Caipirão no hotel. Realmente nos apaixonamos por esse drink. Melhor que Caipirinha.

Madeira – parte 2

Dia seguinte à chegada, depois do café da manhã, fomos fazer um reconhecimento do local e andar até a vila de pescadores indicada pelo José Rodrigues.

Ele tinha dito que era pertinho, uns 20 minutos caminhando. Eu acho que esse homem nunca andou a pé na vida dele. Deve demorar 20 minutos de táxi. Depois de caminharmos por mais de 90 minutos, resolvi perguntar se estávamos longe, e nos informaram que estávamos na metade do caminho.

Como fazia um sol divino, temperatura agradável, resolvemos continuar a caminhada beira mar e se chegássemos lá, era lucro.

Valeu muito a pena. Vimos grutas, despenhadeiros, um navio tipo galeão, e muitas coisas interessantes no meio do caminho, como a flora local.

A vila de pescadores, Camara dos Lobos, é um lugarzinho super pequeno, bem turístico, porém agradável. Enquanto aguardávamos o horário do trenzinho que subiria o morro e nos levaria até o alto do Cabo Girão, resolvemos provar os coquetéis locais: Nikita, Caipirão, Poncha.

Pegamos o último trenzinho do dia. Somente eu e Carsten éramos os passageiros. A vista do Cabo Girão é realmente muito bonita, pena que indo com o trenzinho, só nos dão 15 minutos lá em cima. Então foi correria. Eu prefiro fazer as coisas com mais tempo. Próxima vez, ou aluga um carro, ou vai de táxi. Carro parece ser a melhor opção, pois a ilha é grande, há muita coisa para ver, e quem quer fazer as caminhadas nas Levadas (que são várias e umas longe das outras), seria uma boa maneira de se locomover e economizar, pois os preços dos passeios com agências são híper caros.

Madeira – parte 1

E assim foi a viagem para a Ilha da Madeira…

Cinco horas de vôo de Copenhague até Funchal. No saguão do aeroporto nos aguardava um taxista, segurando uma placa dizendo Sr. Rodrigues. Bom, não é a primeira vez que me chamam de senhor, então tudo bem.

Assim que eu me identifico como “Sr” Rodrigues, o homem desabou a falar. Ele achava que estavam fazendo uma brincadeira com ele, pois o sobrenome dele também é Rodrigues e em 27 anos trabalhando como taxista na Madeira, ele nunca antes tinha ido buscar alguém com o nome Rodrigues. Então ele puxa a manga da blusa para mostrar uma tatuagem enorme no seu antebraço que dizia: Rodrigues
Linda tatuagem.
E ainda por cima, além de termos o mesmo sobrenome, descobri que ele tinha o mesmo nome do meu pai! José Rodrigues.

Dentro do taxi, esse homem não parava de falar. Nos deu muitas dicas. Uma delas era ir do nosso hotel até uma vila de pescadores e de lá pegar o trenzinho para o cabo Girão. Disse que do hotel até a vila seria uns 20 minutos de caminhada.

Enquanto estávamos no taxi, caiu um toró, mas um toró, daqueles que não dá para ver nem um palmo na sua frente. Foi uma tempestade de verão. Depois de 5 minutos, a chuva sumiu e não voltou a chover por uma semana, só para contrariar a previsão do tempo, que dizia que ia chover todos os dias. Sorte nossa! Carsten viajou comigo.

 

Friburgo

Tirei uma tarde para passear pelo centro antigo (em alemão: Altstadt) de Friburgo em Brisgóvia (em alemão: Freiburg im Breisgau). Fazia um frio fenomenal, oito graus abaixo de zero, mas o sol lindo e céu azul.

É necessário mencionar de qual Friburgo se está falando, porque há uma outra cidade na Suíça que também se chama Friburgo e não fica muito longe da Friburgo alemã. Então para não haver dúvida.

Achei a cidade muito bonitinha, mas é super pequena. Um dia ali é mais que suficiente.

Quanto mais andava pela cidade, mais eu percebia que já viajei demais. Tudo que eu via me lembrava de outras cidades que eu já tinha visitado.

A igreja principal de Friburgo me lembrou demais a igreja de Limburgo am der Lahn. Mesma arquitetura, só a cor que é diferente.

Outras igrejas que vi tinham as torres de metal e me lembraram igrejas que vi em Münster.

 

Até aí tudo bem, tanto Limburgo quanto Münster são cidades alemãs, então está tudo certo. Estilo de arquitetura nacional.

De repente meu olho bate numa torre com um relógio e aquilo me fez lembrar da Suíça! Só faltava uma fonte com estátua para completar, mas foi eu olhar pra trás, que vi a fonte na pracinha. E para dar um toque ainda mais suíço à paisagem, passou um bonde bem naquela hora, e um bonde do estilo suíço também (em Friburgo vi dois estilos de bonde, um suíço e outro que eu não tinha visto antes em nenhum outro lugar).

 

Um pouco mais tarde passo por uma ruazinha com o córrego ao lado. Aquilo me fez lembrar a cidade francesa de Annecy. E o fato de ver tantas bicicletas encostadas na grade, me lembrou de Amsterdã e de Copenhague, as cidades das bicicletas.

Acho que a única coisa que achei típica de Friburgo e que não tinha realmente visto em outro lugar foi o antigo sistema de valas para a drenagem de água. Essas valas estão por toda parte na cidade antiga e têm uns 800 anos de idade. Não tirei nenhuma foto, mas é só procurar no google.

 

 

Outra coisa que gostei foi o street art. Vi vários muros pintados, decorados. Bem bonitos.

E para terminar meu passeio, olhei no mapa uma área verde, com dois lagos, achei que seria um parque e que seria uma ótima maneira de terminar meu passeio. Andei pra caramba para chegar lá. Minhas pernas já estavam congeladas depois de andar por quase 4 horas. Chegando lá, cadê o parque? Era um cemitério!!
Bom, como já estou morta, aqui é o lugar certo para visitar, pensei. Entrei.

Que cemitério bonito. Como o pessoal cuida das covas. Fazem jardim, plantam flores. Tinha até decoração de natal nas maioria das tumbas. Acabei caminhando bastante nesse cemitério. Valeu a pena. Em matéria de decoração das tumbas, esse foi um dos cemitérios mais bonitos que já vi – até mais bonito que os cemitérios famosos de Paris, como o Montparnasse e Père Lachaise.

Niver

Aprendi na Dinamarca que a vida deve ser celebrada. Todo aniversário deve ser comemorado, e se for um “aniversário redondo”, como eles dizem (fechando uma década) aí a comemoração deve ser dobrada.

Nos meus 30 eu chamei a moçada para ir lá no meu, na época, novo cafofo.

Nos meus 40 eu queria fazer uma viagem exótica. Aí me perguntei, por que ir lá pra conchinchina se posso ir ao meu país que também é um lugar exótico?

E assim eu comemorei meu niver. Num festival de forró, o Rootstock, em Belo Horizonte. Foi FENOMENAL!

E para fechar com chave de ouro, uns dias no Rio, que é um lugar que não visito há 17 anos.

Além de curtir as belas paisagens, calor e praia, provei uma cachaça de castanha com folha de jambu, que anestesia a boca da gente; encontrei antigas amizades; e dei uma de aventureira!

Aeroporto 

Tomando um chá violento de cadeira aqui no aeroporto de Stavanger. Quatro horas de espera pelo novo vôo. Pelo menos pagaram meu jantar e no aeroporto tinha uns sofá cama, onde me instalei e proclamei: daqui não saio, daqui ninguém me tira. 

Deitei, assisti filme no Netflix, chorei que borrou toda a maquiagem. Uma coisa pavorosa. Mas eu estava bem confortável e feliz. Maldita hora que a bexiga apertou e tive que procurar um banheiro. Perdi meu lugar. 

Enfezei e resolvi passar para a ala dos voos internacionais. Ali não tinha sofazão, mas tinha um canto agradável com tabuleiro de xadrez. Foi onde me sentei para escrever o post anterior. Agora estou aguardando o embarque. Pelo menos o avião já estacionou. Que canseira. 

Sofá onde me acomodei e cantinho do xadrez. 

Pedra 

As coisas melhoraram um pouco. Dancei bastante na festa de sábado e domingo amanheceu ensolarado. 

Peguei a balsa e fui de Stavanger para Tau, depois o ônibus até o pé da montanha onde fica a preikerstolen. 

Já os primeiros 50 metros de escalada acabaram comigo. Taquicardia, falta de ar, suadouro. Gente, estou fora de forma. 

E ao meu redor tinha velhinho de bengala, criança e até cachorro subindo o morro. Pensei comigo: se esse cachorro fru-fru consegue subir, eu também consigo! E fui. 

É uma escalada de duas horas. Fiz em uma hora e vinte, pq eu estava preocupada com o tempo. Meu vôo de retorno era 6 da tarde e para voltar a tempo eu teria que começar a descida 12:45. Acho que foi essa afobação que me cansou tanto. 

Faltando uns 45 minutos de escalada, o tempo virou. Foi rápido. Começou de repente a chover torrencialmente e fiquei enxarcada. 

Chegando na pedra, a vista não estava boa por causa da chuva e das nuvens. E vinha o vento, que frio. Passei frio demais. Mas fiquei lá em cima por quase uma hora pq parecia que ia clarear um pouco. Mas foi pouco e resolvi começar a descida 12:30 porque as pedras estavam escorregadias e achei que ia demorar mais pra descer. 

Eis que durante a descida eu encontrei meus amigos fazendo a subida! Foi legal. 

Desci. Muita gente escorregando e caindo perto de mim, e eu estava toda satisfeita que minha escalada tinha sido perfeita. Quase perfeita. Levei um escorregão e tombasso nos últimos metros! Me esfolei, mas não faz mal. É souvenir da viagem! 

E foi entrar no ônibus que o sol apareceu. Realmente a sorte não estava do meu lado nessa viagem. 

Chegando no aeroporto, vôo cancelado. Estou aqui faz 4 horas aguardando novo vôo. 

Despedida

Realmente, Barcelona é a cidade preferida da galera para ir fazer despedida de solteiro. 

No post anterior comentei de dois grupos que vi no aeroporto. Pois naquele mesmo dia, vi mais dois. Dois grupos de mulheres no centro da cidade. 

O primeiro grupo, estava portando óculos Pink e eu cheguei a achar que era o mesmo grupo do aeroporto, mas me enganei. Essas moças no centro eram francesas. No meio da praça elas enrolaram um lençol e começaram a chamar o povo que estava sentando na escadaria para fazer um cabo de guerra! 

Foi uma luta de puxa pra cá e puxa pra lá. Cheguei a achar que todo mundo ia rolar no chão, mas não acabou nessa tragédia. O povo se divertiu e foram embora. 

E eu continuei lá, aproveitando o sol. Minutos mais tarde, chega um novo grupo de despedida de solteiro, moças espanholas, conversando bem alto, fazendo algazarra. A noiva estava com uma peruca afro que tinha no topo uma cestinha de basquetebol. Eu achei que elas iam fazer alguma brincadeira com aquela cestinha, acertar a bola, por exemplo, mas não aconteceu nada. Acho que elas já tinham brincado demais da conta e estavam cansadas. Foram ali somente para tomar um refresco. 

Achei fenomenal isso. A última vez que eu tinha visto despedida de solteiro desse jeito foi numa viagem para a Suécia, onde a noiva e suas amigas estavam parando estranhos na rua para fazer um jogo de adivinhação. Eram très perguntas sobre a noiva, e só olhando para a cara dela, a gente tinha que adivinhar. Eu lembro que achei a brincadeira bem bolada e bem-humorada. 

Pelo visto, é uma tradição viajar para Barcelona para fazer festa de despedida de solteiro. 

No Brasil a gente tem dessas coisas? Eu nem sei. 

Crazy Barça 

Acabei de aterrissar em Barcelona. Vim visitar um forrozeiro amigo meu, dançar e descansar. 

Aparentemente Barcelona é o lugar para vir fazer despedida de solteiro. No aeroporto vi vários. 

Caras vestidos de uniforme de futebol e o noivo vestido de “coelhinha” mascote do time. Esse cara está aqui no ônibus comigo, a caminho da praça Catalunha. Toda vez que eu olho oras orelhas de coelho que ele está usando, eu caio na risada. 

No saguão do aeroporto tinha tb um grupo de moças, todas usando uns óculos enormes cor-de-rosa, fru-fru de cabelo pink, bolsas brilhosa e a noiva estava de véu, para diferenciar. 

Vamos ver o que mais a cidade me reserva. 

E pensar que eu estou aqui de novo (última vez foi setembro, festival de forró pisa na fulô). E eu que, há uns 10 anos atrás, tinha jurado que não voltaria mais aqui. 

Realmente, a gente nunca deve dizer que dessa água não beberei! 

Suíça

Aqui vai um alô da Suíça, onde a previsão meteorológica não é tão boa quanto a da Dinamarca. Está fazendo um calorão infernal, sem vento, que me faz lembrar de Paranaguá. Calor, insetos e trovoadas fenomenais que nos pegaram várias vezes de surpresa.

Ontem, procurando por temperaturas mais amenas, fomos visitar uma gruta.
Que lugar fascinante. Eu nunca tinha entrado numa gruta antes, e nessa nós podíamos caminhar por mais ou menos um quilômetro no seu interior. Carsten e eu adoramos.

Os detalhes da viagem eu conto quando voltar.

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Viagem dos selfies

Eu não sou muito fã de tirar selfie, desses que você estende o braço e click. Normalmente eu levo para minhas viagens um tripé pequeno, onde posso apoiar a câmera. Aí é aquele ritual: coloco o timer para 10 segundos, focalizo, clico, corro, faço pose, um sorrisão e click. Então checa e descobre que a foto não ficou boa e tem que começar tudo de novo. De repente a gente usou 10 minutos para tirar um selfie, mas a foto fica boa.

No entanto dessa vez a viagem foi diferente. Eu esqueci o meu tripé sobre a mesa da sala. Só lembrei disso quando já estava no aeroporto a caminho de Milão. O jeito foi aderir à moda dos selfies do braço esticado. Se bem que, tanto em Roma quanto em Florença, havia muitos ambulantes vendendo o tal do pauzinho do selfie. Chegavam a ponto de serem irritantes. Não se podia andar em paz. Eles colocavam o troço bem debaixo do nariz da gente e perguntavam se queríamos comprar. 10 euros!!!

Bom, eu não tenho experiência em tirar selfie, mas tia Lu tinha e eu, facilmente influenciável, acabei entrando na onda dos selfies. Tiramos trocentos selfies nessa viagem e nos divertimos.

E como essa viagem ficou para a história, eu acabei trazendo comigo o hábito de tirar selfies – digamos que é um souvenir. Um souvenir que eu usei no aniversário do Carsten, quando fomos para Malmo na Suécia. Lá nós também tiramos incontáveis selfies.

Pronto, estou num caminho sem volta. O selfies agora fazem parte de mim.