Ilegal

Voltei ontem de Berlim e vim direto do aeroporto para o trabalho. Estou eu saindo do elevador e toca meu telefone. O identificador de chamada mostrou um número que eu não conhecia.

Alô
Você que é a dona de um Astra, placa tal?
Sim
Ele está estacionado no hotel Tivoli?
Onde?
No subsolo to Tivoli.
Qual é a placa do carro? E a cor?
(ele confirmou, e era o meu carro)
O seu carro está estacionado tão perto do meu, que eu não posso abrir a porta para entrar no carro.
Não sou eu que estou usando o carro hoje. Mas o seu carro tem dois lados. E o outro lado? Vc não pode entrar por ele?
Sim, eu posso, mas a questão é que estacionar tão perto pode causar danos no meu carro.
O meu carro causou danos no seu carro? Vc pode checar?
Não, acho que não, mas é a questão de estacionar assim tão perto.
Então me desculpei e ele desligou.

Carsten estava usando o carro ontem e coincidentemente ele tirou uma foto do estacionamento, pq o cara que me ligou estava estacionado fora da área demarcada e tomando espaço de quase 2 carros. Carsten estacionou bem colado de propósito, mas tb pq não tinha outra maneira de estacionar. E a culpa é do cara que me ligou.

Agora vem a parte boa. Como o cara conseguiu o número do meu telefone a partir da placa do carro? Essa informação só se consegue com a polícia. O que indica que o cara tem conexões. Mas eu também tenho! E eu sei que é ilegal fornecer esse tipo de informação. Hoje eu vou descobrir qual departamento da polícia – e quem exatamente – liberou o meu número de telefone e vou registrar uma reclamação.

Recordação

Volte das férias de verão no início da semana e voltei ao trabalho na quinta-feira.
Estava eu na cantina do meu trabalho, quando vejo um morenão bonito me encarando. Então eu perguntei se ele era brasileiro e ele disse que não, e me perguntou se eu me lembrava dele.

Fiquei surpreendida com a pergunta. Eu costumo ser boa para me lembrar de um rosto, principalmente um rosto bonito, mas dele eu confesso que não me lembrava.

Olha a memória desse cara. Ele se lembra de mim da época que eu trabalhava na Novozymes. Isso faz uns 10 anos. Aparentemente eu ia buscar amostras de enzimas no laboratório onde ele trabalhava.

Fiquei depois pensando, como é possível eu não me lembrar… mas de repente, quando escutei o nome dele (Modesto), eu me lembrei. Esse homem se lembra de mim, mas eu só fui no laboratório dele umas duas vezes. Caramba, isso é que é memória boa.

Coisa fantástica nessa vida. É impressionante como as pessoas que passam na vida da gente, ou deixam muitas marcas e lembranças ou passam despercebidas.

Surpreendente

Na postagem antiga eu estava sofrendo por antecipação, antes mesmo de ir para Barcelona. Devo dizer que essa última viagem mudou a minha opinião sobre a cidade. Dessa vez fiquei só na região da Barceloneta e foi muito bacana. Bem diferente.

Comi muito bem, dancei bastante forró, e vi muita gente nua na praia, que é mixta.

Estava um calor infernal, mas foi bom. De dia não dava para ir a lugar nenhum, mas de noite dava para andar só usando uma regatinha e passear no calçadão. De alguma forma me lembrou a cidade de Santos.

Não sei se volto a Barcelona para o forró, pois achei muito mal organizado, mas quem sabe um dia volto para passear no calçadão da Barceloneta.

Barcelona

Por causa do forró estou quebrando todas as minhas promessas. Em 2008 eu fui a Barcelona com várias amigas. Passamos uma semana lá, e depois disso, eu jurei que não voltaria naquela cidade.

Não me entenda mal. A cidade é muito bonita. Há muita coisa interessante para ver. O clima é gostoso, as pessoas me trataram bem, e até encontramos uma churrascaria brasileira. Os problemas foram a comida e a falta de segurança da cidade.

Não sei que tipos de temperos ou aditivos eles usam na comida, mas tudo pesava no estômago. Depois de três dias na cidade eu já não aguentava mais. Tinha fome mas não tinha vontade de comer nada, porque sabia que iria doer no estômago. Acabamos comendo em McDonalds e fast foods de shopping centers para tentar encontrar uma comida que não pesasse.

Quanto à segurança. Como tem batedor de carteira nessa cidade. Nas outras capitais da Europa, a gente pode fazer caminhadas tranquilas pela cidade, mas em Barcelona isso não é possível. Uma caminhada de 100 metros é um estresse. Deve-se ter olhos nas costas para não ser roubado. Todos os gringos que eu conheço tiveram algo roubado durante uma viagem para Barcelona e acabaram passando parte da viagem na delegacia de polícia, tentando falar espanhol, e fazendo boletim de ocorrência.

Meu conselho para quem vai a Barcelona: para evitar ser roubado, o melhor é ser um pouco neurótico e achar que todo mundo é batedor de carteira.

Mas o forró… eu viajo daqui a uma semana, para participar do festival em Barcelona. Confesso que já estou meio ansiosa, pensando se vou passar pelo mesmo sofrimento com a comida, como da última vez.

Veremos.

Sofrimento

Fui ao dentista. Nem preciso dizer mais nada.

Coitadinho, o meu dentista está todo sozinho naquele consultório. Ele não dá sorte encontrando dentistas auxiliares. De alguma maneira ele sempre contrata mulher e elas vivem em licença maternidade.

Mas não era nada disso que eu ia dizer. Hoje eu sofri demais na cadeira, mesmo não tendo cárie nenhuma. É a limpeza que mata a gente aqui. Eles não usam o jato de bicarbonato, como no Brazil, porque isso acaba com o esmalte do dente. Eles usam uma sonda de ultra-som, que é muito eficiente, mas dói demais. Quando a sonda toca a gengiva, é uma verdadeira carnificina. Assim não tem quem aguente.

A única coisa boa disso é o preço. Há 9 anos que o preço da limpeza é o mesmo. Honestamente, eu não sei como o meu dentista consegue essa façanha, quando tudo mais custa os olhos da cara.

Ouriçada

Nesse fim de semana tem festival de kizomba – uma dança proveniente de Angola, e que eu gosto de dançar de vez em quando.

Estava eu saindo de casa para ir para a festa, em torno das 9 da noite, e nesse horário está escurecendo. Entrei no carro, e pensei: melhor pegar o navegador GPS porque eu não conheço o caminho para o local. Cadê o negócio? Não está no carro. E cadê meu telefone? Putz, esqueci dentro de casa.

Saio do carro e enquanto estou destrancando a porta de casa, eu vejo um bicho me encarando. Já estava meio escuro, e de longe parecia uma ratazana. Fiquei com medo, e chamei o Carsten, que estava dentro de casa, para ele vir bem devagar até a porta, sem fazer barulho.

O bicho continuava lá, me encarando.

Carsten coloca a cabeça para fora de casa, e não estava bem certo se era um rato.

De repente o bicho vira, e dá uma caminhadinha e nós, embasbacados, pudemos ver que não se tratava de um rato, mas de um ouriço (hedgehog). Eu nunca tinha visto um antes na minha vida, assim ao vivo, somente em foto e em filme. Carsten disse que fazia uns 20 anos que ele não via um ouriço.

E eu, vendo as fotos, sempre achei que era um bichinho pequeno, mas esse tinha uns 25 a 30 centímetros. E parece ser um bicho bem dócil. Ficou lá olhando bem no olho da gente por uns dois minutos.

Carsten foi buscar a câmera fotográfica, mas bem nessa hora o bicho resolveu se embrenhar na folhagem. Pena.

Pensamos em dar alguma comida, mas nos lembramos que se for para dar algo, é ração para gato. Tem gente que põe leite para os ouriços (pois eles são mamíferos), mas isso faz com que o bicho fique doente e pode até matar. Então não se deve dar leite. E acabamos não dando nada, pois não temos ração de gato em casa.

Fui embora para Copenhague para dançar kizomba super contente, por ter visto pela primeira vez um ouriço selvagem no meu jardim. Será que vou ter outra oportunidade dessas?

Melhor que isso, somente a lua cheia, enorme e dourada, que estava iluminando o céu durante todo meu percurso até o centro da cidade.

Tricotando 

Acho que fazer tricô está na moda aqui. Muita gente, somente mulheres, obviamente, sentada no trem e tricotando uma nova peça de vestimenta. 

Tem gente que chega ao cúmulo de trazer o material para tricotar para as reuniões de departamento da empresa e sentam lá, com as mãos à obra. 

Será que elas prestam atenção no que está sendo dito? Ou será que ficam contando quantos pontos deram para a direita, e quantos pontos faltam para a esquerda? 

Achados e perdidos

Ontem eu postei sobre um telefone que foi esquecido dentro do banheiro do meu trabaho.

Como eu imaginei que o telefone ainda estaria no mesmo lugar, e eu não queria ver nenhum objeto perdido, eu resolvi ir até o banheiro do outro lado do prédio. Mas vai ter carma assim na Conchinchina. Entro no lavabo e a primeira coisa que vejo é uma garrafinha de água na pia e dentro da lixeira, um copo descartável que foi usado para café.

Mas o que é isso? O povo está pensando em passar horas dentro do banheiro e leva bebida junto? Sem comentários.
E nem venha com a desculpa de que levaram a garrafinha para enchê-la na pia, pois essa desculpa não cola, já que a água do banheiro é sempre morna.

Estou até com medo de ir ao banheiro novamente. O que mais será que eu vou encontrar por lá? Uma camisinha usada, talvez, que nem encontraram numa sala de reuniões da minha antiga empresa! Verdade!

Deu branco 

Acabei de presenciar uma cena desagradável e tive que tomar uma decisão importante. 

Encontrei um telefone celular no banheiro da empresa onde trabalho. Quem leva celular ao banheiro? 

Acho que é muito anti higiênico levar o celular para o banheiro. E a situação é no mínimo irônica, tendo em vista que o povo daqui não usa a escova higiênica por que têm nojo de tocar nela, mas levar o celular para juntar bactérias, isso pode? Sem comentários. 

E vai demorar para a dona do celular encontrá-lo, pois ele tem capa branca e está deitado sobre o radiador branco… 

Antes de vir embora prata casa, eu cheguei a pensar se eu deveria me empenhar para procurar a dona do troço, mas pela primeira vez decidi não fazer meu os problemas alheios. 

Só quero ver quanto tempo o telefone vai ficar ali juntando bicharada… 

Chocada

Estou em estado de choque.

Esse verão foi um dos mais chuvosos. Choveu todo santo dia por quase 2 meses e para finalizar com chave de ouro, nesse fim de semana, nevou! Em pleno verão! Com sol e 19 graus de temperatura! Eu nunca tinha visto nada igual.

É normal chover granizo durante o verão aqui, mas nevar? Essa foi a primeira vez. Claro que não foi o tipo de neve que acumula no chão, mas um tipo que neve molhada, que derrete rapidamente. Os dinamarqueses têm até um nome diferente para esse tipo de neve: slud.
Enquanto neve de verdade eles chamam de sne.

Lembrei de um trocadilho brasileiro:

Sol e chuva casamento de viúva,
Chuva e sol, casamento de espanhol
E sol e neve, é o que?

Reflexão

Tenho pensado muito em como a sociedade funciona, em como continuamos sendo escravos, como os relacionamentos humanos são superficiais e de como nós nos exaurimos tentando mostrar sermos algo que não somos, para sermos aceitos por essa sociedade que padroniza tudo, até mesmo a maneira de pensar.

 

Enigma

Estou encafifada com uma coisa. Lembram-se de quando eu comentei do meu vizinho da frente, que em 2014, de uma hora para outra, sumiu?

Eu escrevi sobre isso no post Novo destino (link abaixo)

Novo destino

Pois é, ele por seis anos nunca nem sequer podou a cerca viva na frente da casa – era o locador da casa que vinha fazer a poda, mas curiosamente nessa semana, quando eu cheguei em casa no fim da tarde, dei de cara com ele, o antigo vizinho, fazendo a poda da cerca viva. Achei muito estranho.

Foram dois dias que eu os vi, colocando o jardim em ordem. E o barulho e a gritaria das crianças dele, agora adolescentes, vieram junto. Lembro que eu perguntei para o Carsten se ele achava que a família voltaria a morar ali. Nós esperamos que não.

No dia seguinte apareceu a placa de vende-se.

Demorou, hein! Mais de dois anos a casa está às moscas. Depois do incêndio ninguém veio fazer restauração.

Fui no website ver quanto eles querem pela casa, e achei o preço caro. Está bem mais barato que todas as outras casas à venda nas redondezas, mas essa aqui realmente precisa ser demolida. Vamos ver quanto tempo vai demorar para vender.

Só para ter uma idéia da situação da casa, no site da imobiliária eles não colocaram nenhuma foto!

Resposta para meu enigma eu ainda não encontrei. O cara, enquanto morava na casa, nunca podou os arbustos, e justamente agora, depois de estar mais de dois anos fora do lugar, vem para fazer a poda? Não é estranho isso?

Vindo para DK

Se alguma das perguntas abaixo é a pergunta que não quer calar, então eu tenho uma sugestão:

  • Eu quero ir para a Dinamarca?
  • Como posso me preparar para morar na Dinamarca?
  • Vou ser expatriado para a Dinamarca, e agora?
  • Como é a vida em Copenhague?
  • Como funcionam as coisas na Dinamarca?
  • Será que vou me acostumar a morar na Dinamarca?
  • A Dinamarca é muito diferente do Brasil?

Imagino que há muitas outras perguntas, para quais as respostas podem ser encontradas em uma nova página de internet chamada “O livro Copenhague”. A página é em inglês e é voltada principalmente para expatriados, mas qualquer um que esteja vindo para ficar por um tempo prolongado, pode beneficiar das informações publicadas lá.

thecopenhagenbook.dk

Eu dei uma “folheada” rápida no website, mas vi que tem muita informação lá, desde como achar emprego para cônjuges de expatriados, passando por tratamento dentário, médico, seguros, banco e afins.

Clique em “Practical Info” para acessar a maioria das informações úteis.

Eu espero que essa dica ajude.

Cruzamentos 

Essa é a semana dos doidos cruzando o trilho do trem. Sem brincadeira, nas últimas 24 horas, vi três. Os dois de ontem foram em estações diferentes, no meio do dia,  e foram meninos jovens… e a gente sabe bem as bobagens que o povo faz durante a juventude. Mas o de hoje, bateu recorde e foi o que me fez decidir que um ato doido desses merecia uma postagem no blog.

O trem está chegando na estação e esse maluco pula no trilho, de bicicleta!

O maquinista enfiou a mão na buzina!

Juro que pensei que eu iria presenciar um dos atropelamentos de trem, que são comuns aqui, devido ao alto número de suicídios na Escandinávia.

Pensei, não vai dar tempo dele jogar a bicicleta na plataforma e dele pular em seguida.

Mas felizmente, ele conseguiu alcançar uma escadinha no fim da plataforma.

Uma loucura, um tormento para quem testemunhou.

Ainda se, para justificar esse ato, ele estivesse atrasado para pegar o trem,  e o único jeito fosse cruzar pelos trilhos, ainda daria para entender. Mas não. Depois de subir na plataforma ele andou bem devagar no sentido de uns homens, que tinham ar de serem desabrigados e moradores de rua, para conversar. Pode isso?

Gente doida.

Coitados desses maquinistas. Não é à toa que eles precisam de terapia e a companhia tem dificuldade de contratar gente.