Observações

Quarta-feira. Fui de bicicleta para o trabalho. Na volta para casa, como de costume, passei pelo antigo aeroporto nazista, que tem uma área verde enorme entre as pistas de pouso. Se você acompanha o blog sabe que ali já vi vários animais selvagens.

Naquele dia vi um pássaro muito grande sobrevoando área. Mas não era tão grande quanto a águia que vi uma vez. Esse era grande, marrom, e tinha uns desenhos interessantes na parte inferior da asa. O que será que era. Algum tipo de falcão, pensei.

Mais pra frente tem o lago. Eu vou pedalando ao redor dele, até chegar numa ruazinha que faz a conexão com a rodovia principal. Ali tenho que parar e avaliar o trânsito antes de atravessar. Vejo parado bem na esquina um ônibus, duas ambulâncias, várias pessoas de pé observando ou aguardando.

Resolvi não parar para olhar e aproveitei que o acidente estava bloqueando o trânsito, e atravessei.

Do outro lado dava para ver melhor o que aconteceu. Julgando pelo nível de destruição, um carro vermelho bateu com tudo na traseira do ônibus. Como que aquilo aconteceu? Será que o motorista estava destraído olhando celular? Pensei em parar para observar, pensei em pegar meu celular e tirar uma foto, aí pensei bem, pra que isso? Vou continuar meu caminho, porque eu tenho que subir um morro. E fui subindo devagar, na marcha lenta.

Nos quinze minutos de subida, passaram por mim mais duas ambulâncias e dois carros de polícia.

Gente, então aquele acidente foi mais feio do que pensei?

Passei por duas senhorinhas que tinham vindo até o portão de suas casas para ver o que aconteceul. Imagino que a batida fez um barulhão e isso aguça a curiosidade. Relatei o que vi, e que mais duas ambulâncias passaram por mim minutos antes delas me pararem.

Continuei meu caminho. Uns 25 minutos mais tarde, estou na reta final antes de chegar na minha casa, e passam por mim, à todo vapor, dois caminhões do corpo de bombeiros. Fiquei pensando se poderia ser para socorrer o acidente que vi, mas acho que não. Deve ser outra coisa. Aquele acidente não tinha cara de que ia pegar fogo.

No final do morro minhas pernas não aguentavam mais. Saltei da bicicleta e vim até em casa empurrando ela. Um calor de rachar o cocoruco. E meu apartamento pega sol a tarde toda. 32 graus aqui dentro e nem um ventinho para ajudar a ventilar o apartamento. Aff.

Fui pesquisar na internet para ver se alguém tinha escrito algo sobre o acidente.

Nada.

No dia seguinte, fiz o mesmo. Havia uma nota bem singela sobre o acontecido. Ali é uma parada de ônibus. O ônibus foi parar para pegar um passageiro quando carro bateu na traseira do ônibus. Disse a nota que o motorista era uma mulher. Disse que ninguém se feriu mas que levaram o motorista do ônibus para o hospital para fazer um check up.

Fico imaginando se houve sensura nessa nota. Não disse qual o motivo da batida. A motorista do carro vermelho estava distraída? Faltou freio? O ônibus fez uma parada brusca? Se ninguém se machucou, por que foram até o local 4 a 5 ambulâncias e dois carros de polícia? Está muito estranha essa nota.

Na quinta eu fui de bicicleta para o trabalho novamente. O carro vermelho, todo estourado, estava lá no acostamento, de certo aguardando algum guincho. Achei que quando eu saísse do trabalho o carro já teria sido levado, mas 7 da noite quando passei por aquele cruzamento novamente, o carro ainda estava lá. Novamente pensei em tirar uma foto, mas aí pensei bem, pra mó de quê?

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Onda, onda, olha a onda

Esse aquecimento global está com força total. Acho que é a terceira onda de calor que chega na Dinamarca esse ano. 30 graus. Sem ar condicionado, quem aguenta? O verão mal começou e eu já quero que ele acabe. Calor demais assim, não consigo dormir.

Durante minha viagem para o Reino Unido umas semaninhas atrás, eu passei muito calor. Acho que estava em torno de 38 graus. Foi bem no áuge da onda de calor. As autoridades tinham até emitido um alerta vermelho e muitos trens foram paralisados. Eu tive muita sorte que minha viagem de trem foi de manhã bem cedo e eu cheguei no meu destino antes da paralisação. Em compensação, acabei não fazendo alguns passeios, porque eu e meu amigo passamos a maior parte do tempo caçando sombra e água fresca.

O povo estava meio desesperado. Passamos por um lago com águas bem barrentas. Sabe quando que eu teria coragem de entrar naquela água? Mas o povo estava nadando lá. Eu hein, eu que não entro em água que não dá para ver o que tem lá dentro. É que no Reino Unido não tem dessas coisas como cobra, jacaré, piranha, mesmo assim. Corajosos!

Mas eu entendo. Vale tudo para tentar se refrescar.

No Brasil a gente está acostumado que o horário mais quente do dia é ao meio-dia e depois lá pelas 4 da tarde começa a refrescar, né? E de vez em quando ainda cai uma chuva de verão, e refresca de verdade.

Aqui não é assim. O horário mais quente do dia é entre 3 e 6 da tarde e as casas são construídas para manter a quentura. Então na hora de dormir, o quarto ainda está um forno de quente. Chuvinha de verão para refrescar é muito raro aqui.

A sorte é que aqui em casa tenho um ventiladorzinho. Desses de 15 cm de altura. Hoje de noite terei que dormir com ele ligado. São duas da tarde eu já estou assando. rsrs

Por outro lado é ótimo ver um dia ensolarado de céu azul e o belo pôr do sol. Adoro deitar na minha cama com a cortina aberta e ficar observando as cores rosadas e laranjadas no final do dia. E eu coloquei a minha cama bem do lado da janela só para ver o céu.

No momento o pôr do sol é em torno das dez e pouco da noite, então eu fico deitada observando, escutando uma musiquina. Acho lindo. O problema é ficar acordada até esse horário e depois ter que acordar cedo no dia seguinte.

Calor, sol, isso combina com um axé. Vou tocar um pra animar. Tchacabum, onda onda, olha a onda!

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Créu

Eu não tenho acompanhado a copa do mundo. Nem se eu quisesse não daria, pois eu não tenho uma televisão. Mas eu tenho acompanhado os videos engraçados no Instagram. Teve muito vídeo de créu brincando com os noruegueses. Mas quem levou créu mesmo foi a nossa seleção.

O jogo foi domingo 10 da noite aqui.

Hoje é terça, ou seja, praticamente dois dias depois do jogo. Estou eu num ônibus a caminho de casa depois de uma consulta médica. No ônibus havia duas telas penduradas no teto: uma mostrando quais as próximas paradas daquela linha e quais conexões pegar, e outra tela mostrando como se comportar no ônibus, previsão do tempo, e (pasmem) mostrando o gol que o norueguês altão fez contra o Brasil.

Agora me diz, dois dias depois do jogo, tinha necessidade disso? Mó sacanagem isso. E aqui nem é Noruega! Voltei pra casa até meio borocoxô depois de ver aquela jogada.

E agora, esse povo brasileiro todo nos EUA no Moviment Verde Amarelo, o que será que eles vão fazer com os ingressos já comprados? Será que vão revender? Ou vão torcer para alguma outra seleção? O que você faria se tivesse gastado a maior grana para ir à copa mas sua seleção não chegou nem nas oitavas de final?

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Gato por lebre

Aquela semaninha que pedi de férias passou muito rápido. E estava um calorão lá no Reino Unido. Muitas vezes eu entrava em lugares tipo loja ou supermercado só por causa do ar condicionado. Dormir quando está muito quente dentro do quarto não é fácil. Lembro de como era em Paranaguá e algumas vezes em São Paulo. Nem o ventilador ajudava. Foi assim no meu último dia, onde dormi num quartinho na cidade universitária de Cambridge.

Ouvi dizer que o mesmo calorão fez aqui na Dinamarca enquanto eu estava fora. E eu não sabia, então não pedi para ninguém vir aqui em casa dar água para minhas plantas da sacada. Confesso que isso tirou meu sossego durante a viagem. Eu achava que chegaria em casa e encontraria minhas plantas todas esturricadas, mas parece que caiu o maior toró no sábado passado e isso as salvou! Haleluia.

Agora estou em casa e de volta ao estresse do meu trabalho. Vou ter que pensar no que fazer para baixar esse estresse. Hoje me deram o númer0 de telefone de um psicólogo conectado com plano de saúde da empresa. Amanhã vou ligar lá para ver se pego umas dicas de como desconectar meu cérebro dos problemas. Tenho dormido muito mal e até sonhado com trabalho. Assim não dá, né.

Mas o que eu queria escrever nesse post não era nada disso. Na hora de ir embora do trabalho hoje, a colega sentada na janela do outro lado do escritório de repente disse: tem um monte de lebres lá fora.

Fui ver. Só vi duas lebres mas imediatamente lembrei de algo que aprendi semana passada quando estava visitando meu amigo em Bristol. Nós vimos uns coelhos soltos ao lado de um parque e eu achava que eram lebres. Meu amigo insistiu que eram coelhos e ele estava certo. Para tirar a dúvida eu fui pesquisar a diferença entre as duas espécies e uma delas é que lebres costumam ser solitárias.

Então quando vi duas lebres juntas, logo disse: deve ser época de acasalamento.

Claro que minha colega ignorou meu comentário. Assim é no meu trabalho. O povo me ignora.

Já eram quase 6 da tarde e eu tinha começado o trampo 7:38 da manhã, então fui guardando minhas coisas e parei na frente da janela mais uma vez. Foi aí que vi que eram 3 lebres! Uma rolando um montinho de areia toda cheia de charme e as outras duas se degladiando, correndo uma atrás da outra. Certamente eram dois machos compedindo pelos encantos da fêmea. kkkk

Foi interessante ver isso. Até então eu só tinha visto lebres solitárias no meio do matagal.

Agora, alguém aqui sabe por que a gente fala que comprou gato por lebre quando se é enganado?

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Haja coração

Não sei por que, quando escrevi “Haja coração” me lembrei do Galvão Bueno e suas narrações de futebol e fórmula um.

Eu acabei de chegar na Escócia, em Edimburgo. A ideia era passear e tentar me recuperar psicologicamente e fisicamente dos sintomas de estresse que tenho sentido nas últimas 5 semanas.

Era para eu viajar sexta adia 19 de junho, mas meu voo foi cancelado e tive que aceitar mudar a viagem para o dia 18 de junho, que é hoje.

Hoje também é o aniversário do Carsten. A última vez que estive aqui em Edimburgo, Carsten e eu ainda éramos casados. Viemos em dezembro para apreciar o festival do Hogmanay, que são três dias de festividades de ano novo com procissão de tochas, gente vestida de Kilt tocando gaita de fole, e muitos concertos e fogos de artifício. Isso foi em dezembro de 2015. Inverno e estava o maior frio.

Eu gostei muito da cidade e disse para mim mesma que se viesse aqui novamente seria durante o verão. Então aqui estou eu, mas cadê o verão? Na Dinamarca fará 30 graus nesse fim de semana enquanto aqui está em torno de 16 graus e a previsão é de muita chuva.

Não dei sorte.

Mas amanhã chegam minhas amigas e quem sabe a energia muda.

E eu estou precisada de uma mudança de energia.

Se você acompanha o blog, sabe essa doença chamada câncer tem levado vários dos meus amigos.

Quando cheguei no hotel em Edimburgo e fui checar meus e-mails tinha um a mensagem da Hanne dizendo Adeus.

Descobriram que ela tem câncer no cérebro e que tem poucos dias de vida. Ela se despediu com uma mensagem muito emotiva e eu chorei demais. Até agora estou tentando digerir a informação. Tenho muitas boas memórias da Hanne. Fizemos muitas caminhadas juntas, trocamos livros, ela ia na minha casa dar água para minhas plantas quando eu estava viajando, e quando trabalhávamos juntas era sempre muito agradável. Ela me deu uma caneca de presente que diz “você é minha pessoa preferida”.

Eita, as lágrimas escorrendo. Haja coração.

Falando em haja coração, Galvão e futebol. Parece que Escócia e Brasil vão jogar nessa copa na terça ou na quarta. Ainda bem que não estarei mais aqui em Edimburgo. Esse povo daqui é pior que a torcida do Corinthians – hooligans! Eu vi isso num amistoso Escócia-Dinamarca que teve em Copenhague ano passado. A torcida escocesa vem com força total. Nada comparado com a torcida brasileira que é pacífica e aparece para festejar com tambor e tamborim.

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Ontem

Ontem, sexta-feira 12 de junho de 2026 o blog completou 15 anos. Sabe o que eu fiz nesse dia? Tentei sobreviver. Muitos sintomas de estresse no corpo por causa do trabalho. Até cancelei planos de jantar com umas amigas e comemorar que uma delas mora na Dinamarca há 40 anos. Eu realmente não estava bem.

De noite, sem mais nem menos, me veio na cabeça um pensamento que me incomodou. Por 14 anos eu tive um seguidor no blog, de Paranaguá, a cidade onde eu cresci. E de repente ele sumiu.

Primeiro achei que ele cansou do blog, o que é normal. Até eu me canso do blog, kkkk.

Daí lembrei que ano passado foi a primeira vez em 14 anos que no meu aniversário ele não enviou um email de parabéns. E ele também não respondeu o email que enviei para ele no seu aniversário. Isso é incomum. Será que algo mais grave aconteceu?

Será que ele tive problemas com sua esposa? Em Novembro de 2011, quando eu estava a caminho do Brasil, perguntei se ele queria encontrar para tomar um café. Achei que não teria mal nenhum. Fazia meses que ele me acompanhava diariamente no blog e deixava muitos comentários engraçados, então achei que seria legal encontrar e bater papo. Mas ele recusou categoricamente dizendo que a esposa dele me odeia e que não poderia me encontrar. Que causaria muitos problemas para ele.

Fiquei chocada. Gente, é um convite para um café num lugar público, não estou oferecendo serviços de cafetina. Aí fiquei matutando, mas por que a mulher dele me odeia. Nem conheço a guria. Não era do meu círculo de amizades (que falemos a verdade, era bem restrito, pois eu tinha uma tendência a me dedicar de corpo e alma a duas a três amigas e não fazia mais amizades com ninguém).

Depois que fiquei sabendo dessa história do ódio da esposa dele entendi porque ele nunca usou seu nome verdadeiro quando deixava comentários no blog. Ele escolhia apelidos muito loucos. Cada semana era um apelido diferente.

Imagina, que apesar da sua companheira me detestar, ele me acompanhou na surdina por quatrorze anos. Bastante tempo.

Essa eram as coisas que passavam na minha cabeça para tentar explicar que ele sumiu, mas ontem meus pensamento tomaram um rumo mais macabro.

Minha mente me perguntou, e se ele morreu? A gente nunca quer pensar o pior, mas a vida não é infinita e a gente nunca sabe quando o fim chegará. Ele tem mais de 50 anos. A gente não espera que nossos amigos morram nos seus 50, mas a verdade é que o cancer levou amigos meus que mal tinham chegado nos seus 40 anos.

Resolvi dar uma de stalker e escrevi no nome dele no Google. Eu só lembrava o primeiro e último nome. Mas foi o suficiente. Santo Google me mostrou que em Paranaguá, na rua Prof Cleto, tem uma empresa de produtos gráficos registrado no nome dele. Apareceu o nome completo do meu seguidor e o nome da empresa. Aí não tive dúvida. Vi que a empresa está registrada desde setembro de 2015. Foi aí que vi o quão pouco eu conhecia meu seguidor. Ele raramente contava algo pessoal. Eu nem sabia que ele tinha aberto sua própria empresa e ainda registrada no seu endereço de infância. Eu pensava que ele tinha se mudado para perto do campo da aviação. É, a gente conhece muito pouco as pessoas.

Fui no Facebook e Instagram para ver se dava sorte de encontrá-lo, mas nada. No entanto achei o irmão dele e dei uma olhada nas fotos. Nenhuma foto do meu seguidor. Achei estranho. Será que os irmãos não se falam? Tantas perguntas. Em seguida olhei o perfil da prima dele (com quem eu tinha amizade na adolescência, apesar de naquela época eu não saber que os dois eram primos) e resolvi escrever para ela e perguntar se ela tinha notícias do primo. Contei uma lorota que tinha sonhado com ele e queria ter notícias.

Até agora não chegou uma resposta. Vamos ver se o Universo vai me deixar descobrir o que aconteceu.

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Cancelamento

Muita gente que conheço estão viajando pra lá e pra cá. Uma foi Taiwan, a outra foi Paris, Lisboa e vai para Islândia. Uma terceira foi Portugal, Noruega e Alemanha. Uma quarta foi Edimburgo, Berlim e Barcelona. A maioria já fez umas três viagens internacionais esse ano (que inveja!!) e eu aqui, não consigo me decidir para ir a lugar nenhum. Nem férias de verão não pedi ainda porque não sei o que fazer nem para onde ir. Pedir férias para ficar em casa eu não faço. Fiz isso durante o covid e não foi nada legal.

Por um lado a instabilidade do mundo com as guerras, por outro lado a falta de vontade de viajar sozinha. Tudo isso tem influenciado minha indecisão. Nossa Cris, porque você não convida amigas para viajar. Porque é raro elas tirarem férias no mesmo período do ano, ou elas querem ir para outros lugares que não me interessam, ou elas não tem grana para viajar. É raro dar certo viajar com amigas e muitas vezes eu tenho que abdicar de fazer o que gosto para não entrar em conflito durante a viagem.

Eu só marquei uma viagem esse ano, para final de junho, onde vou encontrar 4 a 5 conhecidos. Marquei a viagem, mas estava receosa que meu voo pudesse ser cancelado de última hora com toda essa história de falta de combustível de avião.

Eu viajo daqui 2 semanas. Sabe o que aconteceu ontem? O voo foi cancelado!

A empresa aérea ofereceu trocar minha passagem de graça se eu aceitar viajar um dia antes. Isso quer dizer que eu tenho que pedir mais um dia de folga no trabalho e pagar mais uma noite de estadia em Edimburgo, uma cidade caríssima. Eita falta de sorte. Melhor não reclamar porque pode ainda piorar. Já pensou se meu voo de retorno também é cancelado? Não quero nem pensar!

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Uma semana

Falta uma semana para o blog completar 15 anos. Acho que esse foi o hobby que durou mais tempo na minha vida.

Eu andei pesquisando em como baixar o blog do WordPress e arquivar no meu computador, para que mais tarde, quando eu parar de pagar o webhotel, eu ainda possa ver os posts antigos e matar a saudade, principalmente dos comentários bem humorados dos leitores (se bem que faz tempo que não recebo nenhum).

Vou pesquisar com calma. Eu paguei tanto o domínio quanto o webhotel por mais um ano. Então tenho tempo.

Eu pensei na possibilidade em mudar a cara do blog completamente, começar algo novo, talvez com posts em inglês. O negócio é que eu gosto de escrever sobre acontecimentos na minha vida, e obviamente esse tipo de conteúdo só é interessante para mim mesma. rsrs

Nem minha família nem minhas amigas entram no blog (e o engraçado foi que comecei o blog por causa deles, para tentar manter contato). Bom, minha mãe, que mora longe, poderia me acompanhar pelo blog para me conhecer melhor e saber o que eu ando fazendo, mas ela acha que o meu blog é escrito para meus amigos. Acho que ela pensa que meu blog é uma chatisse. rsrs. Então ela não entra aqui.

Eu tive vários seguidores. Por muitos anos a minha antiga mentora e boa amiga Luciane me seguiu. Aí um dia apareceu a Gabriela, uma leitora que me achou por acaso e me seguiu por quase uma década! Nem minha irmã não me seguiu por tanto tempo. Mas agora todo mundo anda muito ocupado. Uma tem filho, marido, trabalho e casa. Quem tem tempo de ler blog sobre a vida dos outros? A outra achou o norueguês dos sonhos dela e se casou! E sumiu para curtir a vida. Tá certa ela.

E eu parei um pouco de escrever no blog, porque a vida meio que de supetão deu uma reviravolta e não foi para melhor. Perimenopausa. Assustador. Nunca imaginei que viria com tantos sintomas causando tantos problemas. Mas ainda não sei se vou falar nisso no blog. É um assunto que vem cheio de repúdio por falta de conhecimento. Em inglês a gente diz “stigma”, mas eu não achei uma palavra em português com o mesmo significado.

Enfim… vou tocando como dá, até o dia 12 de junho chegar. Eu prometi para mim mesma tomar uma decisão definitiva sobre o blog.

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Elefantes

Nessa jornada de ler no blog o que fiz nesse último ano, vi um post onde eu falava que tinha terminado de ler o livro escrito pela Françoise, Um elefante na minha cozinha, e que estava pensando em comprar o livro do Lawrence, o falecido marido dela. Um dos livros dele se chama The Elephant Whisperer e conta a história da manada em mais detalhes.

Aliás ele conta muitas coisas em mais detalhe. Aprendi bastante coisa sobre a cultura Zulu e da África do Sul lendo o livro dele.

Confesso que demorei para adquirir o livro do Lawrence, mas comprei e terminei de ler uns dias atrás.

Olha, chorei e ri um bocado com os dois livros. As histórias dos dois filhotes de elefante que tentaram salvar foi muito emocionante. Passei suspense lendo de como bandidos entraram em Thula Thula. Chorei demais com os últimos dias do Max, o cachorrinho mais valente da história.

Na verdade, a história toda é muito emocionante. Pense, um dia o teu telefone toca e te oferecem uma manada de elefantes de graça. Mas você tem que aceitar agora! Foi assim em setembro de 1999.

E não foi fácil. Os elefantes tinham sido taxados de rebeldes e realmente eram, mas foi só muito tempo depois que Lawrence e Françoise descobriram a verdadeira causa do trauma. Aqueles elefantes tinham sido maltratados a vida inteira. Ainda bem que eles foram parar em Thula Thula, onde finalmente tiveram uma boa vida e tranquila.

E assim terminei de ler o meu quarto livro sobre histórias de safári

Início de 2019, em antecipação para minha viagem de safári, eu li um livro chamado “O que quer que faça, não corra”, escrito por Peter Allison, um guia de safári em Botswana. Lembro que achei bem interessante as histórias dele, dos encontros com os leões e elefantes, de uma noite no meio do nada sendo devorado pelos mosquitos, de ter que empurrar a canoa e sentir que estava pisando num crocodilo. São histórias que ficam na mente da gente, e ainda mais quando no final do livro tem um monte de fotos para provar que ele não estava mentindo.

Quando voltei daquela viagem fantástica, comprei um livro chamado “101 contos no parque Kruger”. O autor coletou histórias de pessoas que visitaram o parque e passaram por situações inusitadas, perigosas, engraçadas, editou e publicou as histórias. Muitas delas com foto para provar. Faz 7 anos que li o livro mas lembro bem de várias histórias.

E agora minha mente vai também lembrar dessas histórias fascinantes em Thula Thula, contada por Françoise e Lawrence.

Quem sabe um dia eu animo de fazer um novo safari.

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Camadas

Depois de publicar o artigo abaixo sobre as recorrentes visitas de bots ao blog, eu fiquei lá lendo e lendo, e cheguei até a publicação do dia 30 de maio de 2025. Foi o dia do enterro do Sandro. Aí pensei, mas hoje é dia 30 de maio. Nossa, já passou um ano.

Lembrei então de algo que a irmã de Sandro me disse naquele dia. Ela falou que o pai deles tinha morrido recentemente, mas que a família decidiu não informar Sandro, porque ele estava muito doente em fase terminal e não queriam deixar ele ainda mais triste.

Nós brasileiros temos todos um pouco de espiritismo na nossa cultura. Aí a gente comentou que talvez o Sandro e o pai se encontrassem no céu. A irmã do Sandro brincou, que Sandro ia perguntar para o pai “O que você está fazendo aqui?”.

Engraçado como a gente pensa essas coisas, de que vai se encontrar na vida após a morte. Eu pensava assim também. Mas recentemente me recomendaram ler o livro psicografado “Nosso Lar”. Estou ainda nos capítulos iniciais, mas já entendi que na vida além túmulo, a gente não encontra necessariamente as pessoas com quem convivemos aqui. Pelo que entendi, há camadas no céu. Os espíritos vão para diferentes lugares dependendo do seu grau de evolução. Então é possível que Sandro e seu pai não se encontrem.

Eu também me perguntava se Sandro e Simone se encontrariam. Simone é minha amiga que morreu de câncer há 6 anos. Eles foram namorados e tiveram grandes desentendimentos durante o relacionamento. Eu ficava imaginando se os dois se encontrariam e se entenderiam. Mas agora que estou lendo o livro, já não tenho esperanças de que isso vá acontecer.

O jeito é continuar lendo para entender um pouco mais desse nosso mundo do qual entendemos tão pouco.

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Inquietante

De vez em quando dou uma olhada nas estatísticas do blog para ver se alguém que conheço fez uma visita. Agora eu uso um plug-in gratuito e não tenho como diferenciar bots de pessoas. Como tenho muito poucos leitores, eu normalmente procuro pela bandeira do Brasil na lista de visitantes.

De vez em quando aparece algum perdido no blog. Acho que o blog aparece como resultado em alguma pesquisa no Google, a pessoa clica, chega aqui e vê que não era nada do que estava procurando, aí some novamente. Vejo sempre várias dessas visitas curtas de menos de 15 segundos.

Eu lembro quando comecei o blog em 2011. Meus visitantes deixavam várias mensagens diariamente e tinha bastante trânsito no blog. Claro que aquilo atraia muitos spammers. Teve uma época que eu estava recebendo mais de mil mensagens de spam por mês. Eu, um blog com 2 leitores. Rsrsrs. Lembro também que naquela época a maioria dos endereços de IP eram da China.

Agora as coisas estão mudadas. A maioria dos endereços de IP são dos EUA e tem um da Califórnia que tem me preocupado. São sempre os mesmos 3 endereços de IP e a duração da visita são longas e muitas páginas são “visitadas”.

Só nesse mês teve vários dias que 20 a 30 páginas foram abertas. Isso é comum nos dias que eu abro o blog e fico relendo coisas do passado e matando a saudade dos velhos tempos. Mas esse mês estive tão ocupada que praticamente não abri o blog.

Trânsito nesses últimos 30 dias

Essas visitas de várias páginas não são de leitores do blog. Eu acho que é algum bot. Aí fico me perguntado se alguém anda copiando o blog. Daí me pergunto, pra mó de quê?

Esses são os IPs que me preocupam

66.249.77.3

66.249.77.2

66.249.77.1

Você, leitor do blog, o que acha disso?

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Estreito

Essa vida é tão engraçada. Quando eu estava disponível para viagens, ninguém entrava em contato me convidando para viajar (salvo algumas exceções). Agora que eu estou na minha, aguardando saber no que vai dar o fechamento do estreito de Ormuz e as consequências para a Europa, aí chove gente perguntando se eu quero viajar. Ficam até mandando links para companhia de viagens.

No momento eu não me vejo viajando para nenhum lugar longe, e correr o risco de ficar lá sem poder voltar pra casa por falta de combustível de avião ou por causa fechamento de espaço aéreo (que foi o que aconteceu com um monte de gente que ficou presa em Dubai sem poder voltar pra casa quando a guerra no Irã eclodiu).

E os convites estão bem tentadores: Cambodia, Bali, Filipinas. Eu animo viajar pra Ásia e conhecer lugares novos. Quem sabe até dá para incluir uma parada em Singapura para eu ver minha amiga novamente. Mas com os preços nas alturas e a instabilidade, eu acho muito arriscado.

Pedi para o Gemini fazer uma avaliação da situação e me dar um prognóstico. Choquei quando li que mesmo que a guerra terminasse hoje, estima-se que os preços das passagens de avião só voltarão a normalizar em meados de 2027.

Ontem foi feriado aqui na Dinamarca. Encontrei Teresa para fazer um passeio na floresta e a gente estava discutindo que nenhuma de nós tinha sonhado numa situação dessas, de não ter vôo para levar a gente embora da Dinamarca por falta de combustível. Eu sempre pensei que se a guerra chegar aqui na DK, que eu ia juntar meus banos de bunda (como dizia meu avô) e ia embora de volta para o Brasil. Mas e se não tiver vôo? Aí lascou tudo.

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Direções

Estava dando uma olhada no Wanikani, que uso para aprender Kanji e algo me chamou a atenção.

東西南北 – todas as direções

Olhando os kanji, começa leste, oeste, sul, norte.

Achei muito estranho que começa com o leste e termina com o norte. No Brasil, se perguntar as direções, a gente responde: norte, sul, leste, oeste. Sempre nessa ordem, não é?

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Ô Irene

Ontem finalmente saí da toca. Uma amiga convidou para ir numa festa brasileira e ia ter samba ao vivo.

Três semanas atrás eu tinha bilhete para uma feijoada com samba mas acabei não saindo de casa. Mas dessa vez eu tomei uma cafeína e fui, porque eu tinha combinado com a menina e não ia deixar ela esperando.

Música é muito importante para mim. Se eu não gostar da música, afeta demais meu humor. Por isso que não vou dançar salsa, porque não gosto da música. Cheguei e a qualidade do som estava muito ruim e estava tocando umas música muito esdrúxulas. Imediatamente me arrependi de ter saído de casa. Daí olhei ao redor e vi um povo nada a ver. Uns caras com maior pinta de gringo que não sabia nem remexer direito. Depois vieram me informar que a nova geração, os brasileiros jovens, não sabem remexer. Fiquei chocada.

Eu falei para minha amiga que ia embora rapidão, mas ela me convenceu a ficar até começar o samba ao vivo. Foi bom que ela me convenceu, porque depois de escutar umas músicas que gosto, meu humor melhorou muito. rsrs Até voltei para casa cantarolando Ô Irene, Ô Irene.

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Dia das mães

Gente, é tão mais difícil lembrar do dias das mães aqui na Dinamarca. Não é como no Brasil que os shoppings estão cheios de corações vermelhos e propaganda chamando as pessoas para comprar um presente para sua mãe.

Teve um ano que eu realmente esqueci completamente e de repente veio uma mensagem da minha mãe perguntando se sou filha de chocadeira. kkkk. Para mim, dia das mães é só um dia na semana, mas para minha mãe é um dia importante e eu tenho que lembrar. Então coloquei um lembrete na agenda e todo ano vem um alerta. Depois disso não me esqueci mais.

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