Criminosas

Voltamos no shopping, minha mãe e eu, para comer uma comidinha com tempero bem brasileiro e depois da refeição vimos a segurança do shopping que nos ajudou no dia anterior a achar esse restaurante de quilo do qual gostamos muito.

Fomos ali falar com ela, só para agradecer e aproveitei para perguntar se havia lavatório naquele andar. Ela apontou para o fim do corredor.

Usei o banheiro e assim que abri a porta para sair a segurança entrou no box que eu usei para vistoriar. Achei muito estranho. Minha mãe disse que a seguranças fez o mesmo no box que ela usou.

Me senti a maior criminosa. O que será que aquela mulher segurança pensou, que eu ia colocar uma bomba dentro do banheiro? Ou jogar drogas lá?

Eu ando de pochete e fico pensando se foi isso que fez eles ficarem intrigados com a minha aparência. Quando eu era mocinha eu ouvi certa vez de que mulher que anda de pochete é traficante de drogas.

Estávamos a caminho da saida do shopping mas eu vi um vestido que me interessou numa vitrine. Entramos na loja e eu percebi que um outro segurança do shopping ficou de plantão bem na porta da loja nos observando. Ele só saiu depois que a minha mãe pagou por uma blusinha.

Eu acabei não levando o vestido. Estava irritada com aquela situação de ser vigiada e consideradas criminosa.

Não me lembro de ter passado por algo parecido antes. Enfim. Mais uma pérola para marcar essa viagem.

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Upgrade

Chegamos no hotel e o recepcionista disse que ia nos das um upgrade de quarto sem custo adicional.

Que furada.

Os quartos têm 18 metros quadrados. Eu tinha reservado um quarto com 2 camas de solteiro. O “upgrade” que nos deram é um quarto do mesmo tamanho mas com uma cama de casal e uma de solteiro. Se eu soubesse que seria isso, teria dito que não queria upgrade nenhum.

Isso gerou uma desigualdade, já que uma dorme numa cama pequenininha e outra dorme na cama grande. Como o quarto é do mesmo tamanho, a cama grande toma mais espaço e isso quer dizer que tem menos espaço pra gente se movimentar e abrir as malas.

Outra coisa que não está bom. É um quarto para 3 pessoas, mas só tem um gancho para as toalhas no banheiro. A gente usando toalha de praia, toalha de piscina e toalha de banho. Nada seca naquele banheiro, especialmente por causa da umidade com essa chuva que não pára.

Definitivamente não dei sorte nessa viagem. Tomara que as coisas melhorem quando for para Joinville visitar minha irmã.

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Sombras

Estou chocada.

Ontem fez sol em Balneário e fomos para a praia. Com dores na coluna, pensei que minha mãe aguentaria no máximo uma meia hora lá.

O hotel não tinha cadeiras de praia para emprestar. Chegamos na praia e queriam nos cobrar 15 reais por aluguel de cada cadeira. 30 contos para sentar por meia hora? Não pago. Sentamos num banco de praça.

Era quase meio dia, um horário ruim para ir na praia. Calor demais. Fomos embora rápido.

De tardezinha deixei minha mãe descansando no hotel e fui fazer uma caminhada. Eu adoro caminhar descalso com o pé na beira d’água.

O sol da cinco da tarde estava quente ainda mas bem mais ameno. Pensei, será perfeito para uma caminhada.

Para minha surpresa, cheguei na praia e lá não tinha sol, só sombra.

Os prédios gigantes de mais de 20 andares na beira mar impedem que o sol brilhe na praia. Fiquei chocada. Nunca tinha visto nada igual. No Rio de Janeiro, em Santos, em Recife, vi prédios altos na beira mar, mas eles não fazem sombra na praia. Em Camboriú o único sol na praia de tarde é o que consegue passar pelas frestas entre os prédios.

Já falei que fiquei chocada? CHOCADA!

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Imprevistos

Fica difícil planejar uma viagem quando as informações que a gente recebe não são verdadeiras.

Quando eu perguntei para minha mãe se ela precisava de assistência com cadeira de rodas no aeroporto, ela se ofendeu e disse que anda por aí tudo.

Planejei então a viagem inteira baseada nessa informação. Calculei que minha mãe seria capaz de caminhar, bem devagar, até 1 km de distância, antes de precisar sentar para descansar.

Reservei uns hotéis que ficavam razoavelmente perto de estação rodoviária, de praia, de shoppings e afins, calculando que poderíamos caminhar um pouquinho.

No meu primeiro dia no Brasil convidei minha mãe para comer uma comidinha mineira no shopping. Lá eu também ia caçar uma loja de relógios para trocar a pulseira do meu que está quase rompendo.

Foi uma sorte ter ido a esse shopping. Enquanto procurávamos a loja de relógios (que fechou e demos com os burros n’água) eu percebi que minha mãe tem sérios problemas de mobilidade e não consegue caminhar nem 200 metros.

Ver aquilo me fez pensar que minha mãe não conseguiria caminhar do check-in no aeroporto até o portão de embarque no dia seguinte. Para quem conhece esses aeroportos grandes, sabe que lá dentro pode-se caminhar vários quilômetros até chegar no portão de embarque.

Já tinha passado o prazo para pedir assistência com cadeira de rodas. Normalmente se deve pedir com mais de 24 horas de antecedência, mas o nosso voo era em 20 horas. Como era uma emergência, eu liguei para a Latam e passei quase 40 minutos no telefone tentando conseguir assistência para minha mãe.

Foi muito estressante, mas no dia seguinte no aeroporto deu tudo certo e minha mãe ficou surpresa de como foi paparicada. Falou até que se soubesse que era assim, que quando precisou viajar para Belo Horizonte dois anos atrás também teria pedido assistência ao invés de ficar sofrendo.

O problema agora é que não tem nada para fazer em Camboriú além de ficar socada dentro de quarto de hotel. Com problema sério de mobilidade não dá pra gente caminhar até restaurantes, não dá para ir a um museu ou Aquário. Não dá para fazer nada, porque a coluna dói, a perna com a prótese dói. Não é fácil ser idoso com dores.

Se eu soubesse que as coisas estavam nesse ponto, eu não teria trazido minha mãe para Balneário Camboriú. Teria feito planos diferentes. Mas agora estamos aqui. E para piorar, chove sem parar. 5 dias de praia, dos quais foi chuva sem parar por 4 dias. É muita falta de sorte.

A única coisa boa é que nesse hotel tem uma piscina aquecida com a água bem quentinha. Isso ajuda um pouco.

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Shopping

Minha amiga de Singapura está aqui em Copenhague. Fui encontrá-la no shopping para jantar. Éramos 4 no total, comendo uma comidinha italiana.

Já tínhamos terminado a sobremesa e estávamos numa conversa animada quando a garçonete trouxe a conta sem que a gente tivesse pedido!

Enquanto analisávamos a conta para decidir se íamos dividir a conta por igual ou se cada um pagaria sua parte, começou a tocar no autofalante um anúncio de emergência.

Não dava para escutar direito por causa da música alta dentro do restaurante. O anúncio era em dinamarquês e em seguida falava em inglês. E assim foi repetindo a mesma mensagem inúmeras vezes.

Quando desligaram a música aí deu para ouvir direito e o povo começou a sair do restaurante.

Era um anúncio para evacuar o shopping imediatamente e não era para usar elevador.

Estávamos um pouco confusos. Enquanto os meus companheiros pegavam suas jaquetas e mochilas, eu paguei a conta.

Descemos de escada rolante e no andar de baixo tinha bastante fumaça. Não tinha cheiro de queimado. Tinha um cheiro adocicado que me lembrava cheiro de fumaça de extintores de incêndio.

Descemos mais um andar para encontrar a saída de emergência.

Lá fora havia vários carros do bombeiro e pessoas esperando para poder entrar no shopping novamente. Eu imagino que várias daquelas pessoas estavam no cinema e tiveram que sair no meio do filme.

Por sorte nós já tínhamos terminado de jantar e conseguimos pagar a conta antes de abandonar o lugar. Teria sido tão chato se tivéssemos que abandonar o prédio no meio da refeição.

No lado de fora do shopping estava bem frio. Ontem foi o primeiro dia de neve do ano.

Soo Hwee me reembolsou o valor da conta em espécie. Fazia muito tempo que eu não via dinheiro dinamarquês. Aqui ninguém usa dinheiro, só cartão.

Então o amigo da Soo Hwee diz assim: quando mandaram evacuar eu estava preocupado que era pelo mesmo motivo de 4 anos atrás.

Eu, que nunca acompanho o noticiário, não estava entendendo do que ele estava falando e perguntei: o que aconteceu nesse shopping 4 anos atrás.

Ele disse: tiroteio.

Daí eu com muita naturalidde falei: se fosse tiroteio não teriam mandado evacuar. Teriam mandado ficar no mesmo lugar e se abaixar.

Ele ficou pensativo e deu a entender que aquilo que eu falei fazia sentido.

Só então me lembrei do que passei em São Paulo uma vez, no shopping D. Eu estava dentro de uma loja quando de repente o povo começou a correr desesperado no corredor. Alguns entraram na loja dizendo que tinha um cara atirando. Fecharam a porta da loja e ficamos todos ali abaixados esperando alguém dar notícia de que os seguranças tinham prendido o cara armado.

Acho que inconscientemente meu cérebro lembrou esse episódio no shopping D e por isso eu disse o que eu disse. Que engraçado como o cérebro da gente funciona.

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Luz

Acordei de manhã e descobri que esqueci a luz do banheiro acesa a noite toda.

Se eu ainda morasse com meus avós, eu certamente teria ouvido a frase: Tá pensando que somos sócios da Copel?

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Pausa

Esse ano até que eu consegui atualizar o blog com frequência. Mas o inverno está chegando e a motivação está lá embaixo.

Nem me animei para contar como foi minha viagem para Berlim durante meu aniversário. Voltei pra casa cheia de fotos, pois viajei com uma amiga e fizemos bastante coisa. Mas e ânimo para escrever?

Acho que preciso de uma pausa do blog.

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Inspiração

https://youtu.be/cnyqUUmr1Q0?si=Ygp5IzMURCyEC0-E

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Níver

Normalmente no meu aniversário eu recebo um monte de mensagens de parabéns. Tem vezes que são tantas mensagens que eu não dou conta de responder todas no mesmo dia.

É legal saber que as pessoas pensam em mim.

Esse ano, no entanto, recebi bem menos mensagens. Umas sete pessoas, que sempre me escreviam, se esqueceram.

Imagino que a vida deve estar tumultuada para essas pessoas. Ou isso, ou eu não fui uma pessoa memorável esse ano.

Na Dinamarca dizem que se fizer sol no dia do seu aniversário é porque você foi bonzinho durante o ano.

Pois imagine. Passei meu aniversário em Berlim. Tanto no dia anterior como no dia posterior ao meu aniversário, fez sol. Mas no dia 12 mesmo, caiu uma chuva sem fim.

O que será que o universo está tentando me dizer?

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Planos

Meu aniversário está chegando e tenho alguns planos para comemorar.

Sentada aqui fazendo tais planos, fiquei pensando, mas o que eu fiz ano passado para comemorar meu dia?

Ano passado eu estava curtindo um solzinho e festival de forró em Nice, no sul da França. Teve até festinha surpresa num restaurante brasileiro. Foi bem legal.

E em 2023, o que eu fiz? Tive que consultar o blog para lembrar. Em 2023 eu passei meu aniversário todinho dentro dum avião a caminho do Japão.

Já faz dois anos. Eu nem lembrava mais. Aquela viagem parece um passado distante, mas nem é.

Daí bateu curiosidade de ver o que fiz em 2022, mas eu não escrevi nada no blog. Eu provavelmente estava aguardando anciosamente os resultados do meu curso de mestrado para saber se eu tinha completado o curso.

Esse ano eu não vou deixar passar em branco, mas só vou contar na semana que vem. Até lá.

Feliz dia das crianças. ☺️

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Próximo livro

No dia 4 de junho eu escrevi que tinha dado o braço a torcer e tinha comprado o livro do Chris Broad, Abroad in Japan.

Hoje dia 4 de outubro eu terminei de ler. Gostei muito.

Agora que o inverno está chegando, vou precisar de um novo livro para passar o tempo, mas não sei que livro comprar.

A verdade é que no meu Kindle tenho um monte de livros lidos pela metade. Na minha estante também tenho alguns.

Eu raramente releio um livro. Na verdade eu poderia dar, doar, jogar um monte de livros que guardo por motivo sentimental. Imagina que eu ainda tenho uma cópia do “Pequeno Príncipe”. As páginas estão amareladas de tão velhinho.

Você leu algum livro recentemente que gostou?

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Passaporte

Fui ontem na embaixada renovar meu passaporte. Gente, mas o novo modelo do passaporte brasileiro está lindo demais.

Abri a última página e dei de cara com uma imagem do jardim botânico de Curitiba, uma cuia de chimarrão, uma imagem de Anita Garibaldi. Pensei, nossa, o Sul está bem representado.  Fiquei intrigada e resolvi olhar todas as 32 páginas do passaporte com uma lupa para poder ler as letrinhas bem pequenas explicando cada imagem.

O passaporte mostra imagens dos diversos biomas brasileiros. Bioma mata atlântica, Bioma pantanal, Bioma pampas e assim vai.

Claro que o Bioma com o qual eu me conecto mais é o do Sul do país, onde tinha uma imagem de Pinheiro araucária e uma gralha azul.

Agora, quando cheguei na página 16 e vi a imagem de um sanfoneiro de forró… Gente, nem preciso dizer: Adorei esse passaporte!

Mas também, ô passaportezinho caro. 1080 coroas. Mais caro do que o passaporte dinamarquês que custa 860 coroas, com validade de 10 anos. Sem falar que também tive gasto para tirar foto. Ainda bem que é de dez em dez anos.

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Ajuste

Estou na fase de ajuste. Passei semanas me preparando psicologicamente para o caso de uma demissão, mas a demissão não veio. Agora tenho que me ajustar de volta à rotina de trabalho (com certos ajustes, porque teve uma reorganização que mudou muita gente de gerente e tal).

Como a empresa no momento da demissão libera você imediatamente e te retira todo acesso à empresa, eu tinha feito muitos planos baseado nisso, liberação imediata.

Para quem foi despedido, a empresa pagará salário até fevereiro (no mínimo). Eu receberia até abril, por causa do meu tempo de serviço na empresa (eles somam os anos que trabalhei lá na década passada com os anos que estou trabalhando pra eles agora e pagam um benefício maior). Seria um benefício enorme ganhar seis a sete meses de salário sem ter que trabalhar.

Tem gente que aproveita para achar outro emprego rápido, para ganhar salário dobrado por um período.

Eu daria prioridade para descansar. Por isso estava me programando fazer uma mala, comprar passagem para o Brasil, ficar aí por alguns meses. Depois ficaria uns meses em algum outro lugar do mundo. Descansando e fugindo do inverno que está chegando aqui.

Cheguei a cogitar se deveria entregar o apartamento onde estou para não precisar pagar aluguel num apartamento vazio.

Como são milhares de funcionários que serão despedidos no total, eu achei que não escaparia, mas o meu departamento despediu muito pouca gente. Muito pouca gente mesmo. O que vai gerar um problema a partir de janeiro.

O nosso novo diretor não vai mais deixar a gente trabalhar de home office. Só que no escritório não tem mesas suficientes para todos os funcionários. É por isso que a gente faz rotação para ir ao escritório, simplesmente não tem mesa pra todos. Esse era outro motivo pelo qual eu achava que 30% de nós seríamos demitidos. Mas não foi assim. Só quero ver como vão resolver essa questão de falta de lugar.

Bom, agora é bola pra frente. Tenho que fazer novos planos, pois aquele sonho de não fazer nada por vários meses com salário pago não se concretizou.

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Não foi dessa vez

Eu estava preparada para receber uma carta de demissão.

Tinha feito planos para tirar uns meses sabáticos e viajar para o Brasil.

Já estava sonhando em passar uns meses no país tropical, fazendo bom proveito do meu seguro desemprego que pago há 20 anos mas nunca precisei usar.

Não foi dessa vez. Ninguém do meu grupo foi demitido.

No entanto colegas de outros grupos mandaram um email de despedida. Muito triste.

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Me engana que eu gosto

Uma antiga colega me convidou para participar de uma caminhada organizada pela associação anti depressão.

Quase todo ano eu faço uma caminhada com ela. Quando veio o convite, nem li a descrição do evento e aceitei na hora.

O grupinho se encontrou na frente da Dansekapellet, atravessamos o cemitério Bispebjerg, e chegamos no Utterlevs Mose, que é uma área bonita para fazer caminhadas.

No entanto, assim que chegamos no Mose, a líder nos encaminhou para um albergue onde tinha um povo aprendendo a fazer fogueira.

Ela então começou a explicar que aquele evento não era de caminhada mas de alguns exercícios na natureza. O primeiro exercício era sentir o corpo e a respiração.

Imediatamente Hanne e eu nos entreolhamos.

Não sou nem um pouco fã de meditação e mindfulness, mas aguentei firme e forte, para não ser indelicada.

Ainda bem que o tempo passou rápido. Estou a caminho de casa já.

Próxima vez que Hanne enviar um evento, vou ler com atenção para não cair numa dessas novamente.

Não foi uma experiência ruim. Teria sido infinitamente melhor se tivéssemos feito a caminhada, no entanto. Quem sabe na próxima vez.

Atravessando o cemitério do Bispebjerg me fez lembrar o Sandro. Que Deus o tenha.

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