Pinguça

E não passou nem três semanas e já estou de volta a Aarhus. Sim, novamente o que me traz à cidade é minha boa amiga. Vamos comemorar o aniversário dela.

Última vez bebemos horrores. Ela tinha uma garrafa de catuaba com açaí e eu tinha levado uma garrafa de Netuno, bebida de gengibre do sul da Bahia.

Dessa vez sei que me aguarda meia garrafa de netuno e uma garrafa inteira de um licor artesanal típico de Aarhus, feita de maracujá. Ainda não provei, mas se for docinha, aí lascou. Vamos tri-alegres para a festa brasileira de noite, hahaha.

Gente esse fim de semana pelo visto está sendo o fim de semana da bebedeira.

Ontem fui a uma degustação de vinhos da Serbia. Última vez que fui num evento assim, foram 4 vinhos franceses e eles serviam exatamente 150 ml no copo.

Dessa vez paguei um preço semelhante e incluía jantar. Fiquei realmente impressionada quando tinha oito vinhos no catálogo de degustação e mais um diferente para a hora da janta. E não era somente 150 ml não.

Eu que fico meio tonta com uma taça de vinho, imagina como eu estava no final desse evento. Especialmente pq só serviram comida no último vinho. Todos os outros foi no estômago vazio. Voltei me arrastando pra casa! Risos

Mas foi uma noite super agradável, até o instrutor de spinning do clube da empresa estava no evento. Ah, esse evento é no clube do vinho da minha empresa, então é um evento entre colegas, mas é possível trazer convidados que não trabalham na empresa, mas em compensação, o preço para não-membros é o dobro e aí já achei caro. Bom, mas valeu demais a experiência. Já estou contando as horas para a próxima.

Viagens

Acabei de voltar do festival de forró de Amsterdam. Ano passado tinha sido o melhor festival pra mim. Esse ano Amsterdam foi muito bom, mas não foi o melhor festival. Munique, em termos de organização, locais de festas, bandas, continua sendo o melhor que eu fui. Em termos de boas danças, diria que Amsterdam e Munique estão lado a lado. Muita gente que dança bem, dancei horrores em ambos festivais.

Agora estou aqui fazendo planos para os próximos festivais. Ano que vem eu fui em tantos, e eu sei que em alguns não vale a pena voltar. Colônia, Aachen, Berlim, Barcelona, Londres, Basel, Paris… esses festivais estão fora da minha lista. Não digo que nunca mais voltarei nesses festivais, mas há outros que eu gostaria de provar, como Bruxelas, Valência, Nice, Lille, Roma, São Petersburgo, Fuseta, Zurique, Weggis, Porto, Dublin, Praga… (é viagem que não acaba mais)

Mas vamos às viagens desse ano.

Meus planos eram de viajar bem menos, mas pelo visto, está difícil pisar no breque. Eu também tinha dito que iria menos pra Alemanha, e também não estou comprindo essa promessa.

A única promessa que compri foi de ir ao Brasil para dançar forró no meu país e comemorar meu niver num festival de forró brasileiro.

Viagens 2017

Ilha da Madeira, Portugal – Ano Novo
Berlin, Alemanha – Janeiro – Festival de forró Psiu!
Munique, Alemanha – Fevereiro – aniversário de um amigo forrozeiro
Gotemburgo, Fevereiro – Festival de kizomba
Londres, Março – Festival de Forró London
Basel, Suíça – Março – Festival de Forró 
Amsterdam, Holanda – Março – encontrar minha amiga do Acre que veio pra Europa
Oslo, Noruega – Abril – Festival de kizomba
Barcelona, Espanha – Abril – encontrar meu amigo forrozeiro para dançar lindyhop
Stavanger, Noruega – Maio – Festival de kizomba
Munique, Alemanha – Maio – Festival Munique dança forró (o melhor festival de todos!)
Berlim, Alemanha – Junho – Festival Tome Forró
Itaúnas, ES, Brasil – Julho – Festival de Forró Fenfit
Caraíva, BA, Brasil – Julho – Eventos de forró e natureza!
Amsterdam, Holanda – Setembro – Festival de forró
Belo Horizonte, MG, Brasil – Outubro – Festival de forró Rootstock
Rio de Janeiro, RJ, Brasil – Outubro – ainda não decidi, mas um forrozinho, né?
Freiburg, Alemanha – Dezembro – Festival de forró

18 viagens. Bem menos que ano passado, mas meu ideal ainda é diminuir para menos de 10. Vamos ver como será ano que vem. Se bem que eu já tenho três viagens programadas para 2018! Eu não tomo jeito, rsrs.

 

Na estica

Estou no trem a caminho da casa para visitar o Carsten. Interessante ver o povo aqui, muita gente de terno e gravata, sapatos engraxados, numa estica. Pacotes de presentes, bouquet de flores, salto alto, vestidos apertados.

Ao meu lado, um pacote tão grande que imagino seja um quadro.

Pelo visto tem casamento agora nessa direção. Casamento cedo. No Brasil se casa normalmente de tardezinha, não ?

Salsera

Eu não contei essa pra vocês ainda, mas semana passada, na quarta-feira, eu me reuni com os latinos aqui da minha empresa para um almoço e no retorno para o escritório, um jovem espanhol me perguntou se eu queria fazer aulas de salsa com ele, mas eu tinha que responder praticamente na bucha porque as aulas começavam já naquela noite!

Perguntei então se era salsa cubana, porque eu não sou muito fã de salsa americana (cross body), e também perguntei se seria iniciantes (que eu não queria, pois não tenho muita paciência pra dançar com uns caras duros que demoram séculos para aprender um passo básico). Ele me assegurou que era aula de intermediários.

Quando eu vi que o endereço do local não era muito longe, pensei comigo mesmo, por que não? Eu não gosto muito de salsa, mas aprender uns passos não faria mal e não estava caro. Além do mais, eu estou precisando conhecer gente nova.

Cheguei lá, a aula é dentro do prédio da piscina local. Aqui tem esses clubes de piscina da prefeitura, e esse é até bem chique, tem spa, massagem, saunas, banho turco, e um monte de coisas. 

Na aula somos somente 3 pares, mas esse povo “intermediário” não sabe nem distinguir a perna direita da esquerda. Peloamordedeus. Mesmo assim está sendo bom aprender uns passos, rir um pouco, sair de casa. 

E eu que nunca pensei que dançaria salsa, pois eu não tenho saco para esse tipo de música. Agora, uma bachata, kizomba, lindyhop, blues… essas outras danças eu gosto e adoro a música!

Falando em swing lindyhop, hoje de noite tem uma festa lá na escola onde eu fiz umas poucas aulas particulares, só para aprender uns passos, e eu vou, e ainda por cima vou ser voluntária na portaria por uma hora, cobrando as entradas, para entrar de graça e ganhar um drink! hahaha

DHL Staffet

Para quem não conhece a sigla DHL, é um serviço de entregas rápidas aqui na Europa, é algo como o Sedex brasileiro ou o Fedex americano. 

Staffet quer dizer estafeta (em português luso), que é aquele bastão que se passa adiante nas corridas de revezamento.

O DHL é o patrocinador da maior corrida de revezamento do mundo, que ocorre aqui na Dinamarca, e esse ano me convenceram a participar. (Esse ano estão me convencendo a participar de um monte de coisas doidas!)

A corrida é para funcionários das empresas, tanto públicas quanto privadas, e os funcionários podem se organizar em grupos de 5 pessoas, para correr os 25 km do percurso, cada competidor corre 5 km e entrega o bastão para o próximo.

Muita gente participa só pelo social, para se divertir, pois nem todo mundo consegue correr 5 km em menos de 20 minutos. Eu, por exemplo, tive que caminhar a maior parte do percurso, ou meu coração ia se jogar pela boca. Mesmo assim fiz em 42 minutos, 8 min/km, não está tão mal. Meu tempo é o que aparece numa das fotos como “tur 4”.

Se eu não me engano a corrida DHL Staffet, como é chamada na DK, ocorre em 5 cidades. Ano passado foram 206 mil pessoas correndo.

Só em Copenhague são 120 a 150 mil. Eles dividem o povo em 5 dias de corrida e aqui corremos no parque Faelled. São 5 mil grupos por dia. O meu grupo tinha número 1356, eu fui a corredora número 4, e corremos na segunda-feira dia 28.

Terrível correr na grama e sobre um tapete que eles colocam lá. Teve uma hora que eu estava tão cansada, que tive vontade de jogar tudo pro ar, e detalhe, eu não tinha ainda nem passado a faixa de 1 km. Mas eu terminei o percurso todo. No dia seguinte não senti dor no corpo, mas hoje, dois dias depois, estou com dor em cantos do corpo que e nem sabia que existia!

Mas valeu a experiência. Minha empresa correu com 420 colegas. Mas tinha empresa lá que tinha mais de 3000 corredores participando. Era um mar de gente com a mesma cor de camiseta.

Ano que vem, se me convidarem, não sei se vou participar. Esse ano tive sorte de principiante, até com o tempo dei sorte, fez sol e calor. Quem sabe ano que vem me inscrevo nos grupos que fazem 5 km de caminhada ao invés de correr. Pareceu animado. Enquanto a gente se matava para correr de um lado, do outro lado da rua a gente via o povo vindo caminhando em grupo, tranquilamente, escutando uma musiquinha, batendo papo… muito mais light!

 

Pescador

Escolhi esse título e imediatamente me lembrei de duas músicas de forró que se chamam Pescador e que são muito boas. Mas a história de hj não tem nada a ver com forró.

Estou revendo as postagens antigas e limpando um pouco, especialmente aquelas que tem link par algum vídeo de YouTube que não existe mais, até que achei a história de dezembro de 2012, falando dos pescadores que pescam usando aves.

História de pescador

Eu nem me lembrava que tinha postado isso, mas agora entendo porque eu reconheci essa atividade num dos quadros que tenho aqui em casa.

Curiosamente, o quadro que tenho sobre o piano é do nascer do sol, as montanhas, o rio, e bem pequenino no meio tem um barquinho de pescador, e outro dia eu estava olhando essa foto com mais calma, e reparei que sobre o barquinho tinha as aves junto com o pescador. Imediatamente eu reconheci a prática de pesca, mas somente porque eu tinha publicado no blog. Viu, tia Cris trazendo mais informação para vocês, kkkk

Uma Limpa

Chegou a hora de fazer uma limpa geral no blog. Uns tempos atrás, quando o blog estava quase abandonado às moscas, eu achei até que ia chutar o pau da barraca, e deletar tudo, mas aparentemente eu estou de volta à ativa, com várias histórias.

No entanto para liberar espaço para novas fotos e histórias, preciso começar a limpar as histórias antigas. Esse processo também será bom caso algum dia o Carsten não possa mais ser o host do meu website e eu tenha que achar uma empresa de webhost e tenha o que pagar. Normalmente o preço varia de acordo com o tamanho do site, e eu tenho gigas demais com as fotos todas, não só no blog, mas em Cris.dk também.

Sei que tem leitores aqui que me acompanham desde a primeiríssima postagem, por isso estou avisando. Mas meu primeiro passo será deletar aquelas postagens com mensagens sem muita importância. As histórias mais elaboradas vou manter.

Se acaso tiver algum post pelo qual vc tem um carinho todo especial, me avise. Já pensou se eu deleto justamente esse?

Meus posts preferidos são os das histórias, como o do dia que o fogão novo foi entregue na minha casa antiga, e teve que ser trocado três vezes. Kkkk

E vc, lembra de algum post especial?

Falsificado

Gente do céu, mas esses chineses falsificam de tudo mesmo.

Esse mês eu estou fazendo Bikram Hot Yoga e o suadouro é uma coisa de louco. Para quem não conhece, essa forma de yoga é praticada numa sala aquecida a 40 – 41 graus com umidade entre 40% e 60%, por 90 minutos, mas é indicado entrar na sala e se aclimatar 10 a 15 minutos antes, e depois da prática, ficamos ali deitados um pouco fazendo um Savasana (corpo morto) para que o corpo descanse um pouco. Então são quase duas horas de suadouro intenso, e a gente perde muitos minerais.

Eu não sou fã desses produtos como Gatorade, então me indicaram duas coisas. Água com limão e sal, ou tomar água de coco, que naturalmente contem eletrólitos. No próprio estúdio de yoga eles vendem água de coco em caixinha, mas por um preço exorbitante, claro. 25 coroas por 200 ml.

Vi uma menina com uma embalagem de 1 litro de água de coco, e ela me disse que comprou no quiosque tailandês na rua das prostitutas, e pagou 30 coroas. Não achei caro, mas também não consegui encontrar esse bendito quiosque.
Fui então no japonês e achei uma caixinha de 200 ml por 10 coroas. Vim toda contente para casa.

Ontem, depois do meu exercício, resolvi provar a água de coco e que decepção. Primeiro achei que o negócio estava adocicado demais, e tinha gosto de coco, mas não necessariamente de água de coco.
Foi aí que olhei a tradução: Produto da China. Ingredientes: água, açúcar, leite de coco 2%.
Fala sério! E os meus eletrólitos!?

Nesse dia comprei também uma caixinha de caldo de cana. Agora estou até com medo de provar. Deve ser feita com água de chuva, açúcar e mato selvagem. Jesus.

Nota: provei o caldo de cana, ou melhor, suco de cana. Esse mundo está todo virado. Suco de cana sem açúcar e água de coco doce. Nunca mais caio nessa cilada!

Aarhus

Passei o fim de semana em Aarhus, na Jutlândia, visitando minha amiga.

O modo mais rápido e barato de chegar lá é indo de “carona”, pelo sistema GoMore.

Dessa vez dei sorte, tanto com o ponto de encontro para a carona, quanto com o tipo de gente que veio no carro. Imagina que o motorista mora em new york, estava aqui só a passeio e contou que conheceu a mulher dele participando de um programa de televisão, onde eles fazem testes psicológicos, acham a sua metade da laranja, se vc aceitar, vc se casa com a pessoa e a conhece somente no dia do casamento. Tudo isso televisionado como big brother, e te enviam para uma viagem de lua de mel de uma semana, e as câmeras te acompanhando o tempo todo. Entretenimento puro essa história.

Ainda para apimentar mais a viagem, o rapaz sentado no lugar do passageiro da frente se interessou pela garota sentada ao meu lado, e na saída no porto, ele me perguntou se eu achava que ele deveria escrever pra ela. Eu disse claro! Vc não tem nada a perder.

Cheguei de noite, fui direto pruma festa de kizomba, e dancei até altas horas. De lá o pessoal foi ainda festar mais na cidade, mas eu fui dormir na casa da minha amiga. Detalhe, minha amiga foi festar e eu fui achar o apartamento dela sozinha. Risos

Sábado tínhamos tantos planos, mas acabou que ficamos dentro de casa conversando, bebendo umas biritas que eu trouxe do sul da Bahia, e treinando uns passos de forró. Ficamos bebinhas.

Uma da manhã resolvemos dar uma volta. Numa rua na beira do canal há muitos barzinhos para dançar e beber. Entra num, dança um pouco, vai noutro. Acho que entramos nuns cinco. Rsrs

Domingo fomos dar uma espiada no jardim botânico. Estava tendo uma corrida de minicarros malucos, a Red Bull Soapbox Race, que percorre o mundo. Estava engraçado demais. Uns carrinhos feitos em casa, o povo fantasiado, descendo a rampa a toda velocidade e tentando terminar o percurso. Cada batida. Nego voando para fora do carrinho, divertido demais.

corrida red bull

Foi um ótimo fim de semana.

Agora estou na balsa no caminho de volta. A mulher da carona da volta chegou atrasada e quase perdemos a balsa. Por uma coincidência enorme, o rapaz que veio no carro na sexta, o que se apaixonaou pela menina, também está pegando carona no mesmo carro que eu para o retorno e me disse que mandou uma mensagem para a garota! Genial

Daqui a pouco chego em casa, estou morta, mas não tanto quanto o povo do meu lado aqui na balsa…

Submergiu

Ontem fui a uma degustação de vinhos com o povo do trabalho e está todo mundo comentando de uma história louca que ocorreu aqui em Copenhague. Não, ninguém estava bêbado ainda. Essa história doida eu escutei assim que cheguei. Estávamos todos sóbrios, juro! rs

Como eu não assisto TV nem leio jornal, justamente porque só se fala em notícia ruim, eu fiquei boquiaberta ouvindo os relatos. Detalhe, quem me contou leu a notícia no jornal da Turquia, então eu fui procurar em português e achei, mas não com todos os detalhes que ouvi ontem.

Imagina um cidadão que construiu ele mesmo 3 submarinos para uso particular. Onde esse homem estaciona esses submarinos, eu adoraria saber. 

Ouvi também que ele está metido na construção de um foguete.

Mas a história é que ele está preso, acusado de matar uma mulher no submarino dele. Mas até agora não encontraram o corpo dela.

As teorias são muitas, pelo menos do povo ontem, de que ela tenha fugido e está curtindo a vida na Tailândia, ou sabe-se lá. 

Cada doido nesse mundo. Quem precisa de 3 submarinos privativos? E aí, gata, quer dar uma voltinha no meu submarino?

Notícia em português

Lembranças

Tive um sonho essa noite que me fez pensar.

Sonhei que era o dia do aniversário da minha mãe, eu tinha passado o dia todo com ela, mas me esquecido de dar parabéns porque não lembrava da data.

Fiquei pensando em como, apenas 20 anos atrás, eu me lembrava de todos os aniversários da família e de amigos, dos números de telefones todos, dos endereços, nos nomes dos meus médicos e de muitas outras coisas.

Hoje em dia não me lembro nem do meu próprio número de telefone. É Sério. Toda vez que tenho que lembrar o número do meu telefone do trabalho, eu tenho que olhar minhas anotações.

Se perguntarem o nome do meu médico, não sei. Nem do dentista.

Essa coisa de colocar no Outlook ou no celular todos os lembretes de aniversário, endereços, telefones, nomes, faz com que a vida da gente fique mais fácil, mas um dia o tiro pode sair pela culatra quando a tecnologia não estiver ali à mão.

Se acontecer um acidente comigo, eu não sei nem o número do Carsten de cor, nem de nenhuma amiga. Endereço, não sei nem o da minha família. Com dificuldade lembro o nome da cidade onde moram, mas endereço, nenhum. Lembro sim, do meu endereço de infância, Avenida Coronel José Lobo. Lembro até que em meados dos anos 80, o número era 122, depois mudou para 130. Lembro do número de telefone, na época que os números de Paranaguá começavam com 422. Engraçado isso.

Tenho até tido dificuldade de lembrar de nomes. Um rosto eu não esqueço, mas nome…aí lascou. 

Forró no Brasil – Itaúnas, chegada

Pela primeira vez, meu objetivo com a viagem ao Brasil não foi visitar nem família nem amigos, mas ir dançar forró e descobrir a diferença entre dançar aqui na Europa e aí no Brasil.

Meu primeiro destino era a vila de Itaúnas no Espírito Santo, onde ocorre maior festival do forró do mundo, o FENFIT (Festival Nacional de Forró de Itaúnas), que está na sua 17ª edição. São praticamente 8 dias de festival, e na vila, o forró rola, literalmente, 24 horas por dia. Tem que escolher qual evento de forró vai perder para poder dormir, comer, tomar banho, ir à praia, etc.

Deixa eu explicar como funciona. O festival ocorre no Bar do Forró, com show das bandas concorrentes do Fenfit e de pelo menos 3 bandas famosas/conhecidas. Vai das 10 da noite até 6 da manhã.

Seis da manhã o povo vai andando do Bar do Forró para a Padaria, que é um boteco onde o forró continua das seis até de noite (ou com música ao vivo ou com DJ). Ali é o point da galera pois fica bem na saída de que vai pra praia. Tem que passar quase que obrigatoriamente por ali. É um lugar para ver e ser visto.

Lá por umas 5 da tarde começa o forró no Café Brasil e vai até 11 da noite. Já por aí dá pra ver que não dá pra fazer tudo. Os eventos se intercalam. Fora isso tem outros eventos de forró avulsos durante o dia, como aulas de forró no Café Brasil, aula com instrumentos, show ao vivo em algumas pousadas de noite ou no Buraco do Tatu, que é o concorrente do Bar do Forró (detalhe, as duas casas são vizinhas, e se a música não estiver alta o suficiente, dá para escutar o show um do outro. Loucura).

A minha chegada foi mais ou menos assim: Cheguei em Guarulhos e já tomei o avião para Vitória, onde passei um dia descansando e caminhando pela praia. No dia seguinte, quando encontrei os forrozeiros que iam comigo na van para Itaúnas, ouvi dizer que estava rolando o maior forró em Vitória e que o povo já fez um esquenta lá mesmo. Pena, perdi, mas eu estava demasiado cansada da viagem e com jetlag.

De Vitória até Itaúnas foram cinco horas de viagem, sendo que uma hora foi só para percorrer os 20 km de estrada de chão antes de chegar na vila. Tinha chovido muito, tinha muito buraco e poças enormes de água. A van chocalhou tanto que eu cheguei a pensar que na próxima vez vou tomar um remédio para enjoo. Pensei, coitados dos instrumentos dos músicos, vindo nessa buraqueira. Mas acho que o que garante a preservação da vila e da natureza ali, é esse difícil acesso.

Em Itaúnas não tem nada, lá é um lugar para descansar, passear pelas dunas e pela praia, fazer atividades no rio, para os aventureiros, fazer atividades na restinga ou fazer um passeio até a praia da Costa Dourada no sul da Bahia (15 km de distância).

Mas, porém, todavia, durante o Fenfit, a vila recebe milhares de pessoas. Tanta gente que me orientaram a levar tudo que eu precisava, desde remédios até produtos de higiene, porque nos dias finais do evento, às vezes acaba remédio na farmácia, produtos no mercadinho e até comida em restaurantes.

A vila em si não é muito bonita. As ruas todas de areia batida (ou no caso do dia que cheguei e uns dois dias em seguida, de poças de água e lama). Levei mala de rodinha, mas sofri. Aconselho viajar de mochilão pra lá.

Tudo é muito simples. Não tem supermercado, não tem hospital. Se precisar, tem que voltar os 20 km de terra e ir para Conceição da Barra. Em Itaúnas tem dois mercadinhos e duas farmácias bem básicas, e só. E uma igrejinha, caso precise de um momento de reflexão, mas acredito que até lá dentro dá para ouvir o forró, porque toca forró em todos os cantos da vila.

Cheguei na sexta dia 14, e confesso que estava desanimada, com toda aquela chuva, aquela lama, o fato de estar sozinha e pior, me sentindo sozinha. O festival começaria oficialmente no dia seguinte, mas já na sexta dava pra ir dançar no Café Brasil. Eu acabei que não fui a lugar algum.

No dia seguinte fui fazer um reconhecimento do lugar, mas confesso que aquela lama em todas as ruas dificultava a locomoção.

Acabei não indo até as dunas e praia por causa da chuva. Depois de comer um prato feito (que era a coisa mais barata, pois tudo lá estava imensamente caro, e as porções eram para duas pessoas no mínimo e custava de 50 reais pra cima) fui fazer minha aula particular de forró. Claro, aproveitei para fazer uma aula com um professor local, para aprender uns passos novos e corrigir erros.

Acabei que comprei um pacote de 4 horas de aulas, e fiz aulas em 3 dias consecutivos. Não farei mais esse erro, porque nos dias de sol, eu tinha que voltar mais cedo da praia para ir para a aula. Sem falar no cansaço de subir e descer duna para chegar na praia. Já começava a aula me sentindo morta.

As coisas começaram a melhorar quando o sol apareceu e depois disso foi a semana inteira de sol. As ruas secaram, ficou bem melhor para andar. Comecei a encontrar o pessoal. Tinha muito forrozeiro da Europa em Itaúnas. Muita gente conhecida, me senti praticamente em casa. E obviamente, conheci gente nova.

Depois disso não me senti mais sozinha. Estava até muito contente por tem momentos só para mim, de poder fazer tudo o que eu queria na hora que eu queria.

Na Padaria, vi uma menina vendendo quadros e ímã de geladeira com frases extraídas das letras de forrós famosos. Achei um que me serviu muito bem: “Se avexe não, amanha pode acontecer tudo, inclusive nada”.

Eu vou continar a narração sobre minhas aventuras em Itaúnas nos próximos posts. Abaixo coloco as poucas fotos que tirei lá. E peço desculpas, pois não levei câmera, e as fotografias que tirei com o celular ficaram todas sem foco, embaçadas. Uma pena. Mais um motivo para voltar um dia para Itaúnas, rsrs.

Aniversariantes

Mês de agosto e curiosamente os meus dois leitores fiéis fazem aniversário nesse mês. Eu não me esqueci do seu aniversário, não. Meu email é que está me dando dor de cabeça. Mas espero que você tenha tido um dia maravilhoso, daqueles com bolo de chocolate, brigadeiro, coxinha, empadinha e outras delícias que só os aniversários brasileiros oferecem. Só não vale soprar velinha sobre o bolo e contaminar tudo com saliva e bactéria. Não sei quem inventou essa moda louca e que ainda não foi extinguida.

Eu sei que há outros leitores no blog, que lêem tudo sorrateiramente, outros aparecem de vez em quando para matar a saudade, e uma vez ou outra deixam um comentário aqui mesmo no blog ou mandam via Whatsapp ou por Facebook (ou pessoalmente, como já me aconteceu). Gente, honestamente, eu não sei como vocês ainda aguentam ler esse blog, as mesas histórias, férias e mais férias, drama fritando uma tapioca, forró… haja paciência. Risos

Àqueles que permaneceram comigo todos esses anos, meu muito obrigada. 

Auuuuuuuu

“Mistérios da meia-noite”

Essa danada dessa lua cheia não está me deixando dormir. Esse fenômeno começou uns 5 a 6 anos atrás, ou pelo menos essa foi a época que eu percebi os dias que não conseguia dormir coincidiam com a lua cheia. Acho que estou virando lobisomem, auuuuu.

A lua está tão clara hoje que eu nem preciso de luz em casa, é só abrir a cortina. E quando ela subiu, em torno das dez da noite, estava linda, bem dourada laranjada. Ah, nesse ponto eu sou muito sortuda, de um lado da sala eu vejo o pôr do sol bem lindo, com diversas cores, e do outro vejo a lua.

Só quero ver como vai ser meu dia amanhã, se vou ter que trocar meu almoço por uma soneca na salinha do silêncio no meu escritório. Rsrs