Brasil

Deu na louca e comprei passagem. Será um bate-volta rápido só para ver a família.

Última vez que passei Natal com minha família no Brasil foi em 2004. E a última vez que vi minha família foi 2014. Faz oito anos que não vejo o rosto de ninguém. O tempo passa tão rápido.

Esse ano também será a primeira vez que passarei o réveillon dentro de um avião. Espero que as aeromoças comemorem a virada com espumante, confete e serpentina!!

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Hamburgo

Hamburgo é da cidade onde inventaram o hambúrguer, não é?

Hoje de tarde, caminhando pela cidade, tive a impressão de estar na Dinamarca.

Há vários lagos em Hamburgo e caminhando ao redor do menor deles, eu me lembrei dos lagos em Copenhague. Não é identico, mas bem parecido.

Um pouco mais tarde, eu estava numa galeria dando uma olhadinha nas lojas. Entrei por um lado e sai por uma porta do outro lado do prédio.

Assim que saí, até me esqueci que estava na Alemanha. Tinha um canal no meio da rua e de cada lado da água, lanchonetes e prédios iluminados.

Eu pensei, ué, estou em Aarhus? Igualzinho. Por um segundo eu me senti confusa e não sabia onde eu estava.

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Vício

A gente nunca deve dizer nunca.

Achei que nunca mais dançaria forró ou voltaria nessa doideira de viajar caçando festival de forró pela Europa afora.

Adivinha onde estou? Na Alemanha. Hoje começa o festival Hashtag Forró Hamburgo.

Nem sei se vou conseguir dançar grandes coisas. Enferrujada desde 2019.

Semana passada eu atravessei a ponte entre Dinamarca e Suécia para ir dançar um forró com os suecos e eu fiquei espantada que perdi vários passos e fiz coisa errada. Pensei que dançar seria como andar de bicicleta. Que a gente nunca esquece. Mas forró não é exatamente um passeio de bicicleta.

Então nesse fim de semana em Hamburgo, eu acho que será um festival de erros, mas não tô nem ai. Vim pra me divertir.

Uma coisa me surpreendeu no caminho para Hamburgo. São mais ou menos umas 5 horas de distância de Copenhague de trem. Essa é minha quinta viagem para Hamburgo mas a primeira que vez que vim de trem. Achei interessante que enquanto o trem estava dentro da Dinamarca não era necessário usar máscara e os anúncios pelo autofalante eram em três idiomas. Dinamarques, alemão e inglês.

Curiosamente, assim que cruzamos a fronteira, outra equipe tomou as redias do trem e fomos obrigados a colocar máscaras (mesmo depois de passar 3 horas juntos no vagão sem máscara!) e os anúncios daqui pra frente eram somente em alemão. O resto do povo que não entende que se ferre.

Definitivamente, os alemães não são nem um pouco corteses.

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Pompei & Olbia

Última vez que escrevi no blog eu tinha chegado em Pompéia. Choveu horrores. Achei que a arca de Noé iria atracar a qualquer momento. Por sorte, chovia torrencialmente de noite e durante o dia deu para fazer meus passeios.

Infelizmente estava muito nublado quando subi o Vesúvio. Não deu para ver muita coisa. Imagino que lá de cima dá para ter uma vista muito bonita do mar, Nápoles e ilhas. Eu só vi nuvem.

Depois de descer o morro, fui caçar algo pra comer e me sentei num restaurante onde eu era a única cliente. Nem sei como eles me serviram comida quente, pois no restaurante inteiro não tinha eletricidade, porque tinha rompido um cabo na rua. Mas isso eles só me disseram depois que eu tinha feito o meu pedido! Eu perguntei onde eu poderia lavar as mãos, e quando me indicaram o banheiro, me disseram que eu teria que usar a lanterna do meu celular. Acho que levantei uma sobrancelha quando ouvi isso. Fiquei imaginando os caras cozinhando meu risoto usando luz de velas! Enfim. Comi ali e de bucho cheio eu estava mais animada para começar minha caminhada nas ruínas de Pompéia.

Olha, passei duas horas e meia caminhando em Pompéia e não vi nem metade. Realmente, eles desenterraram uma cidade inteira! Aquilo é um mundo de grande. Dá para passar dias lá dentro. E tem esse lance da “casa do dia”. As casas mais preservadas só estão abertas ao público poucas vezes por semana.

De Pompéia eu voltei para Nápolis para pegar um avião até a Sardenha onde eu encontrei um grupo da Grã Bretanha para fazer várias trilhas.

Cheguei na noite anterior ao encontro, para evitar imprevistos, e passeio a noite na cidade de Olbia. Quando cheguei, estava tendo um campeonato mundial de jet ski. Primeiro fiquei impressionada pois eu não sabia que existia tal coisa. Depois, ao ouvir o som dos motores, fiquei boquiaberta. Parecia que eu estava escutando uma corrida de Fórmula 1. Muito louco. Jet ski turbinados!

Percebi que durante essa viagem, por várias vezes eu me lembrei de F1 e do Ayrton Senna. Já no início da viagem, quando eu estava a caminho do Lago di Como, meu trem passou por uma estação chamada Monza. Fiquei pensando “de onde eu conheço esse nome”, até que caiu a ficha.

Depois esse som dos jet skis em Olbia e uma conversa que tive com um taxista onde discutimos o infeliz do alemão. Um bastardo, mas não dá para falar mal dele depois que ele virou um vegetal. Enfim, uma viagem que me fez lembrar muito a última vez que assisti uma corrida de Fórmula 1 na TV. Provavelmente você vai adivinhar exatamente qual foi o último dia que eu assisti F1. Digo um nome só: Ímola.

Em Olbia, eu tive tempo de dar uma caminhada breve pela cidade antes de escurecer. Vi umas barraquinhas vendendo artesanato e uma outra onde se podia fazer tatuagem de henna.

Confesso que me senti atraída pelas tatuagens nas mãos. Cheguei a cogitar fazer uma, mas daí me lembrei do que minha colega Helle me contou. Ela disse que uma vez fez uma tatuagem de henna no tornozelo. Ela levantou o vestido e me mostrou uma tatuagem meio borrada. Dai ela me disse que a tatuagem de henna era para desaparecer depois de umas duas semanas. Faz vinte anos isso e ela ainda tem aquela tatuagem de henna no tornozelo!

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Raios

Ontem, antes de sair para aquela caminhada da gruta até o farol na ilha de Capri, o velhinho, dono da pousada onde eu estava hospedada, me disse assim: olha, amanhã o mar não estará bom para entrar na gruta ou fazer passeio de barco.

Olhei a previsão do tempo e não vi nada que me deixasse preocupada. Não sei se esse homem tem uma ligação especial com São Pedro, só sei que ele estava certo e o website que eu consultei, não.

Marquei um passeio de barco antes de ir embora. Saí de mala e cuia, pois eu pegaria a balsa para Sorrento logo após o passeio.

O dia estava meio nublado e não tinha vento. No barco somente dois casais americanos que estavam de lua de mel e a tia Cris, junto com o navegador. Não tinha vento, no entanto o mar estava bem agitado. Dava pra sentir as ondas grandes, pois estávamos num barquinho pequeno, dessas embarcações que eles chamam de ‘gozzo caprese’.

O povo dessa região da Itália é muito supersticioso. Quando o barco estava prestes a passar pelo buraco no rochedo, o navegador disse que os casais deveriam se beijar ao passar por baixo do arco para trazer boa sorte no amor. Aí ele olhou pra mim e disse: você pode me beijar. Eu ri.

Eu não sou uma pessoa supersticiosa, mas pelo sim pelo não, assim que o barco entrou debaixo do rochedo, os casais estavam se beijando, olhei para o marujo e ele fez um biquinho. Acho que ele estava só de brincadeira, mas eu tasquei um selinho nele. Vou deixar uma oportunidade dessas passar?

Faltavam somente uns dez minutos para o passeio acabar, começou a chover e eu vi uns raios caindo no mar atrás de nós. Me assustei. Então reparei que as outras embarcações mais rápidas começaram a acelerar para chegar no porto. E nós no teco-teco, tentando não sair voando quando vinha onda grande. Eu segurava minha bagagem para que nada caísse no mar.

Eu queria emoção e aventura? Tome emoção e aventura!

Olha, agendei a balsa para Sorrento na hora certa. Entrei na balsa e começou a chover pra valer. Mas a sorte estava do meu lado. Em meia hora chegamos em Sorrento, e lá não estava chovendo. Nem um pingo. Aproveitei para dar uma olhada na cidade e gostei muito. Talvez um dia eu volte lá para explorar melhor.

De lá peguei o trem da Circumvesuviana para vir para Pompei. Aqui, porém, não sei se terei a mesma sorte. A previsão para amanhã é de chuva torrencial e eu tenho planos de subir o Vesúvio. Será que vai dar certo?

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Laura, Laura & Paula

Quando se viaja sozinha, a melhor parte são as interações com as pessoas.

As boas interações, claro.

Engraçado como as vezes as pessoas aparecem do nada no momento quando a gente mais precisa.

Ontem eu fui vizitar a Gruta Azul na ilha de Capri. Depois de cozinhar por uma hora debaixo de sol escaldante na fila, para ficar meia hora no barco esperando a vez de entrar e passar somente 5 minutos lá dentro, eu resolvi caminhar os 5 km da gruta até o farol.

Grotta Azzurra

Eu estava meio preocupada que não tinha absolutamente ninguém naquela trilha. Cheguei a cruzar caminho com um animal selvagem que passou a dois metros de mim, bem rápido e parecia uma raposa despenteada.

A primeira metade da trilha passou por várias ruínas de fortes ou pequenos castelos. Parei num que estava num rochedo e justamente ali estava um casal de italianos.

La embaixo vi gente nadando na água verdinha e com surpresa perguntei em voz alta como aquele povo chegou lá embaixo do rochedo. O casal me escutou e me indicaram o caminho.

Nadei lá embaixo

Lá embaixo, fiquei com vontade de entrar na água, o que é coisa rara pra mim. Mas assim que um dos carinhas que estava nadando me viu, ele veio puxar papo. Esses italianos forçam muito a barra quando querem paquerar. Eu não me senti bem.

A primeira coisa que ele perguntou foi se eu estava sozinha. Eu disse que sim, mas vendo a cara dele, rapidamente eu disse que meu grupo estava em cima do morro.

Ele disse que poderia me fazer companhia enquanto eu nadava e que me emprestaria seus óculos de nadar.

Não me senti confortável de entrar na água ali onde só tinha aquele cara. Ele era um guri novo, de uns vinte e poucos anos, bonitinho até. Mas não. Minha segurança em primeiro lugar.

Sem dizer nada, dei as costas e estava subindo as rochas meio desolada quando vejo 3 mulheres descendo e pergunto se elas vão nadar ali. Sim!

Laura, Laura e Paula. Três mosqueteiras! Elas me salvaram. Uma de Milão, uma de Parma e outra de Bolonha. Tinham se conhecido num evento de Yoga e estavam viajando juntas. Super simpáticas, batemos um bom papo.

Nadamos por uma meia horinha. O italianozinho veio bater papo. Percebo que ele perguntou para elas se estávamos juntas e elas me deduraram, dizendo que tínhamos acabado de nos encontrar! Fala sério! Amigos homens mentem até a morte para te defender, enquanto amigas mulheres te jogam na fogueira?

Depois da aventura de nadar ali, elas me convidaram para caminhar com elas até o farol e eu topei na hora. Porém, vi que ela estavam indo na direção oposta que eu estava seguindo. Elas estavam naquela trilha que tinha esses castelinhos, mas a partir daquele ponto, eu ia seguir a trilha prateada (sentiero d’argento) que é uma trilha mais hardcore no meio do rochedo olhando o mar.

Andei no rochedo desde a ponta lá no fundo

Fiquei muito na dúvida se eu deveria dar prioridade para amizade e companhia ao invés de aventura, mas meu coração me disse que o dia era para aventura!

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Oscar

No meio do caminho, subindo o morro, tinha uma placa dizendo:

Auditorium Oscar Niemeyer

Até aqui, num cantinho da Itália esse homem fez suas obras?

Você acha que a arquitetura desse auditório lembra de algumas das obras dele em Curitiba ou outro canto do Brasil?

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Adormecido

Gosto de entrar em igrejas quando estou viajando. Já vi de tudo. Igreja bem bonita, igreja feia, fria, escura e sem alma.

Nas igrejas protestantes nunca tem imagem de santo e raramente tem imagem de alguém crucificado.

Aqui na Itália só achei igreja católica até agora e todas têm imagem de santo e várias tem o cara crucificado no altar.

Mas hoje de manhã entrei numa igreja que me surpreendeu. Não tinha ninguém crucificado. No altar tinha uma imagem que mais parecia a bela adormecida.

Igreja em Ravello
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Greve

Meu último dia em Monterosso. A previsão do tempo era de bastante chuva, o que era perfeito, pois eu estava louca para passar um dia inteiro no meu quarto de hotel com as pernas pro ar e descansar das longas caminhadas dos dias anteriores.

Onze e meia da manhã recebo um torpedo da companhia de trem, dizendo que o meu trem de Roma para Nápoles no dia seguinte tinha sido cancelado por causa de uma greve nacional de trem.

Meu, não acredito. Tantos dias para fazerem greve, vão fazer isso justamente no dia que eu preciso cruzar o país de norte a sul?

No Google descobri que a greve era porque durante a checagem de passagens, um passageiro sem bilhete aqui em Nápoles bateu no funcionário da companhia de trem. Um absurdo. O acordo era parar tudo das nove da manhã até cinco da tarde.

Corri, descendo o morro de Monterosso até a estação e perguntei o que eles poderiam fazer por mim. Das 3 opções, a melhor seria sair 5 da manhã de Monterosso, usando o trem lento que ia direto até Nápoles. Oito horas de viagem. Aceitei.

No dia seguinte, acordei 4 da manhã e desci o morro na escuridão carregando duas mochilas e usando a luz do celular para me guiar, porque não tinha luz em boa parte da trilha. Desci com muito medo, mas desci. No final das contas deu tudo certo e cheguei em Nápoles bem mais cedo do que eu tinha planejado.

Aliás, o trem passou por Pisa e eu vi por um breve momento a torre inclinada. Um dia eu deveria visitar Pisa!

Mas estou em Nápoles…

Eu achava que Nápoles era uma cidade violenta que não tinha atrativos, mas me enganei. Estou admirada com a arquitetura e os encantos da cidade.

Uma galeria muito parecida com a famosa galeria em Milão

De alguma forma aqui me lembra São Paulo, o bairro da Sé. Muita gente morando na rua, dormindo nos cantos, lavando parabrisas no farol, pedindo esmola.

Hoje eu passei pelo mesmo cara pedindo esmola 3 vezes. A primeira vez nove e pouco da manhã e a última cinco e pouco da tarde. Meu, de pé ali o dia todo. Trabalho árduo pedir esmola.

Mas tenho tentado deixar a mente aberta e ver o lado positivo da cidade. Em frente ao castelo do Ovo (que nome doido para dar para um castelo!) tomei uma caipirinha (ruim, mas tomei).

Castelo do Ovo

Hoje de manhã, meu segundo dia na cidade, depois de um toró que parou literalmente minutos antes deu eu sair de casa, fiz um passeio guiado com um grupo de solteiros e aprendi bastante coisa sobre a história da cidade. Deu vontade até de ficar mais tempo e explorar a cidade melhor, mas amanhã de manhã vou para meu próximo destino na costa Amalfi.

Grupo: na frente a guia napolitana, a loira atrás uma guria americana, tia Cris, e um cara da Austrália.
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Dedo duro

Eu encontrei aquele casal do chapéu cinza tantas vezes que confesso, achei que iria encontrá-los novamente no terceiro dia.

Achei isso, especialmente porque durante nossa curta conversa, quando eu mencionei que eu estava pensando em caminhar até Levanto (a vila do outro lado do morro de Monterosso) ele respondeu que não era possível andar até lá.

Eu imediatamente respondi “você tem certeza? Eu acabei de passar pela entrada de uma trilha que tinha placa dizendo Levanto, só não sei quanto tempo caminhando até lá”.

Eles ficaram quietos e pensativos com o meu comentário. Como parecia que eles estavam fazendo várias trilhas, achei que os encontraria na caminhada para Levanto. Já que a trilha começava literalmente ao lado do meu hotel, eu resolvi meter a cara, sem nem pesquisar quanto tempo levaria para chegar lá.

Levei uma hora só para subir meio quilômetro de morro. Lá de cima, as placas diziam 1.35 para Levanto. Achei que era 1,5 km. Beleza. Dá para encarar.

Eu achava que estava quase chegando, quando passei por uma placa que me desanimou. Na placa havia a foto do rochedo e percebi que eu não tinha caminando nem um terço da trilha ainda. Caraca, a placa dizendo 1.35 indicava quantas horas de caminhada!

Cheguei em Levanto morta. Morta nas pernas e morta de sede, pois eu não estava preparada para 3 horas de caminhada debaixo de sol escaldante. Mas valeu muito a pena. Foi a melhor trilha até agora. Eu gosto muito dessas caminhadas onde dá para ver o mar o tempo todo.

Levanto

Levanto é conhecida por ter uma praia bem legal. Faz parte da Riviera italiana. Mas eu estava tão cansada, que não me animei a entrar no mar.

Fui procurar um lugar para comer e ao escutar música brasileira, foi ali que parei. Demorou 10 minutos para trazer a bebida e quase meia hora para trazer uma salada, mas eu estava de bom humor. E eu tinha um livro infantil escrito em italiano para me ajudar a passar o tempo. Rsrs

Como eu não estava animada para entrar no mar, procurei a estação de trem para voltar para o outro lado do morro. Estava no trem junto com uns dois ou três casais, em frente a porta de saída, escuto o cara que confere os bilhetes vindo em nossa direção e gritando “coloquem a máscara” (na Itália ainda insistem em usar máscara em transporte publico). Assim que o cobrador gritou isso, um dos casais na minha frente, que, julgando pela maneira que a guria estava vestida, tinha a maior pinta de serem brasileiros, saíram de fininho na direção oposta e subiram as escadas.

O cobrador checou os bilhetes do casal ao meu lado e eu escuto o rapaz italiano dedurando, dizendo ao cobrador que um casal aqui saiu de fininho e subiu as escadas. O cobrador agradeceu e acelerou o passo em direção para onde o casal foi.

Eu entendo o que ele fez. Dá raiva a gente fazer tudo certinho e ver gente abusando e tirando vantagem do sistema. Mas não sei o quanto é nobre e gratificante dedurar assim. Eu não teria feito o mesmo.

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Vernazza

Engraçado que quando a gente quer encontrar alguém “ao acaso”, raramente a gente consegue encontrar, mas quem a gente não quer ver, aí sim a gente tromba com eles.

Durante minha caminhada, onde o casal me parou para dizer que tínhamos cruzado caminho três vezes naquele dia, pouco depois eu encontrei outro casal que achei gente boa pra caramba. Guria do Japão, cara da Índia, os dois morando na Alemanha. Disseram que no dia seguinte viriam para Monterosso, a vila onde estou hospedada, e ficamos de nos encontrar ao acaso.

Saí de manhã empolgada achando que ia encontrá-los na vila (o que não aconteceu), mas adivinha com quem eu trombei logo que saí do hotel?

Exato, o casal do chapéu cinza com quem cruzei caminho três vezes no dia anterior. Acabamos batendo um papo rápido. Eles disseram que são da Califórnia nos EUA (eu fiquei pensando porque eles acharam que precisavam dizer que Califórnia fica nos EUA, tem outra Califórnia nesse mundo?) e eles me indicaram visitar uma vila chamada Portovenere. O trem não chega lá, tinha que pegar a barca.

Apesar de eu ter que esperar 2 horas pela próxima barca, usar 45 minutos pra chegar lá, e eu só ter ficado em Portovenere por uma hora, achei que valeu a pena.

Cheguei a ver uns brasileiros vestidos bem elegantes escalando as pedras escorregadias. Daí descobri que tinha um casamento de brasileiro que ia começar na igreja das ruinas. O povo que gosta de complicar a vida. Queria ter ficado para ver a noiva de salto alto subindo aquelas pedras!

Igreja nas ruinas em Portovenere

Fiquei pouco tempo na vila porque estava ameaçando chover e eu queria fazer uma trilha pela qual já tinha pagado a entrada. Mas quando cheguei do outro lado do morro, onde a trilha começa, estava um sol de rachar cocoruco.

Fiz a trilha no sentido de Monterosso a Vernazza e o dia terminou com essa vista:

Vernazza
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Três vezes

Passei o dia rodando os cinco vilarejos conhecidos como Cinque Terre.

Ia de trem de estação em estação, dava uma olhada rápida na vila e já ia pra outra.

Na verdade eu estava esperando o sol baixar um pouco para fazer a trilha a pé entre a vila de Corniglia e Vernazza.

Mesmo em torno das 4 da tarde, o sol estava matando.

Quando estava terminando a trilha, um cara de chapéu cinza me falou assim: essa é a terceira vez que cruzamos caminho.

Ele e sua acompanhante estavam começando a trilha, mas indo na direção oposta.

E eles ainda falaram assim: você está na vila Monterosso, né?

Caraca. Nego que a gente nem conhece sabe onde estou hospedada e por onde andei? Logo eu, que achava que passaria despercebida, já que estava vestida bem fuleira.

Impressionante eles terem me reconhecido após uma trilha onde eu estava suada, descabelada e empoeirada.

E o pior é que eu me lembrei do cara. Ou melhor, me lembrei do chapéu dele. Lembro que pensei que eu tinha um chapéu parecido em casa! Rsrs

A tursita que tirou minha foto, nem pra tirar com foco ela se esforçou!
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Cozze

Eu aprendi que em italiano mexilhões se chamam “cozze”. Sempre achei esse nome meio estranho e me dá vontade de rir.

Quando cheguei numa área chamada Cinque Terre, me disseram que eu tinha que provar um prato típico daqui que são Cozze recheadas.

Fiquei intrigada, como rechear mexilhões. Enfim, provei. Não achei grandes coisas, mas provei. Vinha recheado com uma massa feita de pão, ervas e queijo e servida com molho de tomate.

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25 dias na Itália

Finalmente consegui tirar férias e anteontem começou a minha jornada.

25 dias, 10 cidades diferentes.

Choveu muito pouco esse verão, então imaginava que eu daria muita sorte e teria sol o tempo praticamente todo durante a viagem, mas, porém, todavia, não está sendo assim.

Aliás, até agora, nada está saindo da maneira como eu imaginei.

Acho que tenho mais do que reclamar do que vangloriar, mas assim é. Nem sempre dá para ser feliz.

Essa é a terceira viagem desse ano.

Em maio fiz uma curta viagem de 3 dias para Veneza, na Itália.

Logo após minhas provas da faculdade, em junho, passei uma semana numa ilha no sul da Espanha. A ilha se chama Malhorca.

Eu dei a maior sorte nessas duas viagens (com pouquíssimas exceções, onde passei muita raiva).

Na hora de escolher para onde ir durante minhas férias para fugir da Dinamarca e do frio, eu estava muito na dúvida do que escolher. Pensei em visitar Budapeste, pois eu nunca estive na Hungria.

Mas depois pensei melhor. Normalmente eu dou muita sorte nas minhas viagens na Itália e depois que descobri que meu avô biológico era italiano, eu passei a dar preferência para Itália.

Bom, a viagem está só começando. Hoje é dia 3. Espero que a sorte mude!

Vou mantendo vocês atualizados!

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Mudos

A cantina da empresa está sob reforma. Tenho a impressão de que essa cantina tá sempre em reforma. Ano passado reformaram a cozinha, esse ano, estão trocando o telhado.

Durante os meses de reforma, ninguém entra na cantina. Servem a comida em barraquinhas, como as barraquinhas de cachorro quente ou de hamburger que se vê por aí. Meses e meses comendo comida desse tipo, porque eles só servem coisas que podem ser facilmente distribuídas em potinhos de papelão.

Ontem fui lá pegar um típico “fish and chips” – bom, meio-típico, porque o típico peixe frito com batatinha frita que se come na Inglaterra é normalmente servido embalado numa folha de jornal – o que eu acho bem pouco sanitário. Aqui veio numa caixinha de papelão.

Me sentei numa mesa grande no jardim, onde já estavam dois ou três funcionários comendo. Sentados juntos. Lado a lado. Mudos.

O povo daqui é estranho. Se eles não te conhecem, não puxam papo. E acham mal-educado se alguém desconhecido puxar papo e “interferir” na sua paz e tranquilidade.

É por isso que é tão difícil fazer novas amizades aqui. Se não se fala com estranhos, como conhecer gente nova?

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