16 abril 2024

Ontem, 16 de abril, foi o aniversário da rainha. Como agora temos duas rainhas, devo esclarecer: rainha Margarida, que abdicou no dia 14 de janeiro.

Quando saí de casa de manhã, vi que nos ônibus da cidade tinham pendurado bandeirinhas dinamarquesas. Isso sempre indica que um dos membros da família real está de aniversário ou que o reino está comemorando alguma data especial. Confesso que quando vi as bandeirinhas, não me lembrei de imediato de que era o niver da rainha Margarida. Foi um colega de trabalho que me alertou.

Por uma triste coincidência, ontem também foi o dia em que um prédio histórico foi incendiado. O castelo da bolsa de valores (chamado Børsen) pegou fogo e a torre do castelo, que é praticamente um símbolo em todos os cartões postais de Copenhague, desabou.

Li que os bombeiros estão tendo dificuldades para conter as chamas porque em torno do prédio há muitos andaimes. Também li que tentaram salvar algumas das pinturas históricas, mas muita coisa se perdeu.

As pinturas salvas foram carregadas para o prédio vizinho, que é o Christiansborg (o castelo do parlamento). Achei interessante isso. Uns anos atrás eu fiz uma visita ao museu que fica no subsolo do Christiansborg e lembro ter lido que o castelo original pegou fogo 3 ou 4 vezes durante a história da Dinamarca. Todas as vezes que ele pegou fogo, tentavam salvar as pinturas, que eram então carregadas para o prédio da frente (uma igreja). Achei interessante que agora o Christiansborg é que vai acolher pinturas de outro prédio em chamas.

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Danúbio Azul

Em Paranaguá no Paraná, cidade onde eu cresci, tinha um restaurante em frente ao rio Itiberê que se chamava Danúbio Azul.

O Danúbio Azul era um restaurante popular para fazer festinha de aniversário, provavelmente por causa da pracinha privada bem em frente. Eu e minha família quase não íamos nesse restaurante, mesmo ele ficando bem perto da nossa casa, pois meu avô era dono de restaurante naquela época e a gente não ia no concorrente. Mas me lembro de ter ido ao Danúbio umas poucas vezes por causa de festinha de aniversário de amiguinhos da escola.

Danúbio Azul é um nome que fica na cabeça da gente.

Confesso que quando cheguei em Budapeste e vi que o meu quarto de hotel era de frente para o rio Danúbio, a primeira coisa que eu fui ver é se ele é azul mesmo.

Que nada. Verde.

Aliás, verde escuro e um pouco turvo.

Tia Cris e o Danúbio

Talvez seja dessa cor aqui na Hungria, pensei. Quem sabe mude de cor em outros países.

Quando continuei viagem para a Eslováquia e o trem foi acompanhando as curvas do Danúbio, fiquei de olho nesse rio. Assim que o trem chegou em Bratislava, a primeira coisa que fiz foi mancar até a beira do rio e ver sua cor.

Verde.

Bratislava

Será que é só na Áustria que esse rio é azul? Deve ser, pois afinal a famosa valsa do compositor Strauss se chama O Danúbio Azul e esse cara é de Viena na Áustria.

No dia seguinte tomei o ônibus e fui para Viena. Como eu estava com dificuldade para caminhar, eu peguei um desses ônibus turísticos de dois andares que rodam a cidade toda. Do andar de cima do ônibus eu pude avistar o rio quando passamos pela ponte.

Olha, não achei muito azul, não.

Ou 100 anos atrás esse rio era bem azul, ou Strauss pirou na batatinha na hora de batizar sua valsa.

Viena

Pra terminar uma imagem de Strauss, no parque do estado em Viena.

Strauss, stadtpark Viena
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Forró

Todo cardápio em Budapeste tem a palavra ‘forró’ (escrito exatamente assim, com acento agudo e tudo).

Não foi preciso abrir o dicionário para adivinhar o significado da palavra. Aparecia na seção de bebidas. Uma delas era chocolate quente a outra era chá quente. Então deduzi que forró significa quente.

Para uma pessoa como eu, que gosta muito de dançar forró, eu digo, se tocar um xote e você estiver dançando com aquela pessoa maravilhosa, pode ficar quente mesmo. Rsrsrs. Então faz sentido.

Falando em forró, dois meses antes dessa viagem eu comecei a seguir o grupo de forró de Budapeste. Eu vi que de vez em quando nos finais de semana eles fazem algum evento ou dançam no parque. Pensei que talvez eu tivesse sorte e poderia dançar com eles nos dias que eu estava aqui na cidade.

Pois não é que no dia que eles fizeram forró no parque, foi exatamente o dia que tive que ir pro hospital por causa do tornozelo? Definitivamente não tive sorte aqui em Budapeste. Não posso andar, não posso dançar, e não posso falar, pois eu não conheço o idioma e muito poucas pessoas falam inglês.

Por causa da dificuldade com o idioma, hoje no parque eu passei um sufoco. Para repousar bem o pé, eu passei os últimos dois dias dentro do quarto e só usando a cadeira de rodas para me locomover até o restaurante e o spa. Mas hoje, meu último dia na cidade, pensei em tentar me arrastar até o jardim lá fora. Tem um parque enorme na frente do hotel. Desci e me sentei no gramado.

De repente veio um cara de bicicleta vermelha, e veio com as mãos esticadas e apontando pro meu pé inchado. Veio falando um monte de coisa que eu não entendi. Entrei em pânico e comecei a gritar “não me toque!!”

Ele fez uma cara de indignação e foi embora.

Eu é que fiquei indignada. Como é que alguém que não me conhece, não fala meu idioma, quer me tocar assim? Cada doido nesse mundo.

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Cadeirante

48 horas em uma cadeira de rodas. Olha, ser cadeirante requer muita energia.

Eu peguei bem a manha de manobrar a cadeira, com exceção das curvas em velocidade. Vou dizer, andar de cadeira cansa bastante o braço e o pescoço. Tem que ter força no triceps. Não sei se uma cadeira de rodas pode ser feita sobre medida para o tamanho da pessoa, para não cansar tanto o pescoço?

Se você não me segue no FB ou no Insta, deve estar se perguntando o que aconteceu.

Eu estou em Budapeste na Hungria. Viajei sozinha mas calhou que minha amiga Teresa estava na cidade. No primeiro dia, ficamos de nos encontrar de tardezinha para ver uma exposição sobre o pintor Van Gogh e depois jantar num restaurante brasileiro. No meio da tarde, horas antes de dar o horário do nosso encontro, nossos caminhos se cruzaram por acaso. Eu estava na frente de uma ponte linda e do meu lado parou um ônibus de turismo. Olhei para dentro do ônibus, e quem vejo? Teresa!

Aliás, meu primeiro dia em Budapeste foi cheio de encontros brasileiros. Muito turista brasileiro aqui. Esbarrei num pessoal do Rio; conversei com um casal de Cascavel que tirou um monte de fotos minha, parecia até um book fotográfico. 

No meu segundo dia de viagem, achei que não encontraria Teresa. Ela tinha planos de ir para uma das cidades vizinhas daqui e eu fui ver a área do outro lado do rio (Budapeste é dividida pelo rio Danúbio, de um lado fica Peste, do outro, Buda).

Quando Teresa escreveu para me perguntar se eu queria ir comer um goulash juntas, eu disse que sim. Nos empanturramos de comida e vinho. Eu estava pronta para pegar um taxi e voltar para meu hotel, mas Teresa perguntou se eu queria caminhar um pouco. Estava uma noite muito agradável, então, apesar do cansaço, eu disse que sim. Estávamos muito perto daquela ponte linda e do castelo do Buda. Então fomos naquela direção.

Os prédios estavam todos iluminados. Lindo de ver. Eu pensei que poderíamos pegar o teleférico para subir o morro. Dizia que o preço era 2000 forints para subir e 4000 ida e volta. Eram nove e pouco da noite e o teleférico só funcionava até às dez. Pensei, pegamos só de ida e depois pra descer o santo ajuda.

Na hora de comprar o bilhete só de ida, a mulher no guiche se recusou a nos vender só ida, dizendo que tínhamos que comprar ida e volta. Eu, esquentadinha do jeito que sou, achei um absurdo que a placa dizia que dava para comprar só de ida, mas a mulher não queria vender. Foi aí, enquanto eu falava pra Teresa que ‘as escadas estão para aquele lado’ que meu pé se enfiou num buraco na calçada, fez creque, torceu feio e eu caí e não consegui mais me levantar.

Umas garotas asiáticas pararam para perguntar se precisávamos de ajuda e se ofereceram para telefonar para uma ambulância, mas eu estava com tanta dor, não conseguia pensar direito. Teresa muito preocupada, queria me levar para me sentar num banco, mas eu não conseguia colocar o peso no pé. Eu não conseguia dar nem um passo.

Vi muitos táxis passando e pedi para Teresa pegar um para me levar para o meu hotel. Eu não queria ir para um pronto socorro, porque estava cansada demais e eu sei que em hospital demora horas e horas (ainda mais de noite no feriado de sexta-feira santa). Também tinha esperança que o problema era somente uma torção e que no dia seguinte, após repouso, estaria melhor. Me despedi de Teresa, porque ela estava em outro hotel longe do meu e porque eu não queria estragar ainda mais o passeio dela. Ela iria embora no dia seguinte, enquanto eu ficaria o resto da semana pros lados de cá.

Quando entrei no taxi, cheguei a perguntar se ele conhecia algum hospital mas achei estranho que o taxista disse que não conhecia. Voltei pro hotel, como eu não conseguia andar, me arrumaram uma cadeira de rodas e gelo para o tornozelo.

O pessoal da recepção estava muito preocupado, achando que eu tinha quebrado o pé e mandaram o time médico me telefonar. Quando a mulher disse que o preço inicial para chamar uma ambulância era 650 euros, eu quase cai de costas.

Minutos mais tarde liga a recepção dizendo que poderiam chamar a ambulância normal e que daí não custaria nada. Eu disse que queria descansar um pouco antes de me decidir e se eu me sentisse pior, que eu entraria em contato com eles. 

Quando acordei de manhã vi que não havia nenhuma melhora. Muito inchado, pé meio dormente, não dava para mover o pé nem colocar peso nele. Fiquei com medo de que estivesse quebrado.

Liguei para meu seguro saúde viagem (que tenho há uns dez anos e nunca precisei usar antes), e eles me mandaram tomar um táxi e ir para o hospital universitário. Chegando lá, ninguém falava inglês. Pra piorar, parecia que ninguém queria me atender. A primeira coisa que perguntaram não foi qual o problema, mas qual era meu endereço.

Usando tradutor no telefone para comunicar, descobri que os hospitais em Budapeste têm jurisdição e só podem atender quem mora na região deles. O meu hotel estava fora da jurisdição desse hospital. Então volta ligar para meu seguro e explicar. Me mandaram então para o hospital militar. Lá me atenderam, mas também foi essa palhaçada de perguntar o endereço do hotel várias vezes para checar a jurisdição.

Cinco horas mais tarde, raio X de 4 partes do corpo, disse o médico de plantão que nada estava quebrado, mas que poderia levar 4 a 6 semanas para eu voltar a andar. Me recomendou comprar ma bota ortopédica, mas como tudo está fechado por causa do feriado da páscoa, somente daqui 3 dias que vou poder comprar. Nem muletas não me deram. Se não fosse a cadeira de rodas do hotel, não sei o que seria de mim.

Pude observar as dificuldades de um cadeirante. De repente as comidas do buffet do café da manhã estavam altas demais para eu alcançar. As pessoas se metem na frente da cadeira. Colocam umas lixeiras enormes na frente do botão do elevador e fica difícil chegar perto o suficiente com a cadeira para apertar o botão. Foram várias dificuldades até agora. Mas algumas pessoas ficam mais atenciosas. Fazem questão de te dar bom dia, perguntam se podem ajudar. Foi uma experiência interessante.

Eu poderia ter cancelado todo o resto da viagem e voltar para casa, mas eu estou tão precisada de sair daquele meu apartamento e da Dinamarca. Mesmo socada no hotel aqui é melhor do que ficar socada no meu apartamento. Então vou continuar viagem (mas avaliando de um dia pro outro, como estou me sentindo).

Na terça eu continuo viagem. Vou de trem para a Bratislava na Slovakia. São duas horinhas de viagem daqui. Passo um dia lá e depois sigo de ônibus para Viena na Áustria (60 minutos de viagem). Tudo muito perto. Visitar três países em 10 dias, viajando baratinho de trem e ônibus. Por que não? Eu já tinha planejado e pago todo esse passeio. Só que o plano era fazer caminhadas e mais caminhadas. Agora não consigo andar nem meio metro, não vou poder aproveitar tanto quanto eu queria. Mas vamos ver no que vai dar. 

Pelo menos no momento meu quarto de hotel tem uma bela vista do rio Danúbio. Aproveito para descansar.

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Com jeito vai

Ontem, acordei com uma marchinha de carnaval tocando sem parar na minha cabeça.

♬ Menina, vai, com jeito vai
Senão um dia a casa cai

Se alguém lhe convidar
Pra tomar banho em Paquetá
Pra um piquenique na Barra da Tijuca
Ou pra fazer um programa no Juá ♬

Quando eu era mais nova acontecia com muita frequência: eu abria os olhos de manhã e já tinha uma música tocando sem parar na minha cabeça. Então sei bem que ela vai continuar tocando na cabeça incessantemente até de noite (e às vezes no dia seguinte continua) ou até que eu escute a bendita música no rádio, na fita cassete, na vitrola, no CD…. ou nos tempos modernos, no Spotify e SoundCloud.

O problema é que algumas vezes toca um ritmo na minha cabeça, mas eu não lembro a letra da música. Por isso pode ficar difícil identificar o nome da música e achar em qual disco ela está. Mas ontem eu estava cantarolando a letra. Procurei por menina vai, com jeito vai mas o spotify não encontrou nada. Foi o Santo Google que me ajudou e me disse que a música se chama “Vai com jeito” da Emilinha Borba.

Aí sim, achei no Spotify. Começou a tocar mas estava muito mais lenta do que na minha cabeça. Então não era essa versão que meu cérebro lembra e essa versão não vai funcionar. E dá-lhe escutar tudo quanto “vai com jeito” que apareceu na minha frente. Até que achei um pout-pourri de marchinhas e aí sim, estava no ritmo certo!

Escutei várias vezes em alto som e dancei um pouco no meio da minha cozinha, me imaginando numa grande roda de carnaval de salão, para garantir que meu cérebro se dê por satisfeito e deixe essa música pra lá.

Funcionou bem!

Ainda bem que eu moro sozinha. Já imaginou ter que explicar para alguém que mora contigo, mas que não conhece esse teu “lado musical”, o porquê de você, seis e quinze da manhã, estar bem doida pulando carnaval no meio da cozinha com o som no último para tentar se livrar de uma música que não pára de repetir na cabeça?

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Animação

Na festa de natal da empresa no ano passado eu ganhei num bingo duas entradas para o cinema. Já estamos em março e eu até agora não usei essas entradas.

De vez em quando dou uma olhada no que está em cartaz no cinema, mas até agora nada fisgou meu interesse.

A história é diferente, no entanto, quando fico fuçando no Insta ou Facebook. Sempre aparece um monte desses vídeos curtos, e por falta de algo melhor pra fazer, eu passo um tempão vendo essas bobagens.

Como eu adoro desenho animado, quando aparece vídeo curto de desenho, eu sempre assisto várias vezes seguidas.

Um dos vídeos que aparece com frequência pra mim é de um filme que se chama Migration. Não sei como o título foi traduzido para o português. Se entendi bem, é a história de uma família de patos que vai migrar pela primeira vez durante o inverno.

Das cenas que aparece pra mim, minha favorita é a da patinha dizendo para seu irmão que ele precisa de um abraço. Adoro! Posso assistir dez vezes seguidas que não me canso desse vídeo.

Mas eu gosto dele em inglês. Outro dia apareceu pra mim uma versão em português, mas achei estranho. Gosto dela dizer:

You look mad. You need a hug!

You feel better? Then it has not kicked in yet.

Como eu não vi o filme, não sei exatamente o que se passou antes ou depois dessa cena. Imagino que é algo bem emocional.

Estou morrendo de vontade de ver esse desenho, ele está nos cinemas no momento, porém só com dublagem em dinamarquês. Sem condições. Estou achando isso bem estranho. Normalmente na DK sempre tem uma sessão com som original em inglês. Pense, ano passado eu fui ver o filme da Barbie e pude escolher uma sessão em inglês.

Chato isso. Eu, com dois bilhetes gratuitos pro cinema na mão, doida para ver o filme da migração, e nenhum cinema apresentando o bendito em inglês? Poooxa.

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Encarecimento

Você conhece a expressão “o barato sai caro”? Algumas vezes a gente quer economizar mas o tiro acaba saindo pela culatra. Foi o que aconteceu comigo semana passada.

Nas minhas viagens eu costumo trazer somente uma malinha de mão, porém desde 2016 não tenho sorte com as malas que compro ou ganho de presente. Ou a rodinha arrebenta, ou o zíper quebra, ou abre um furo e entra água na mala. Tem sido assim pra mim. Mesmo uma mala cara que eu ganhei da empresa onde eu trabalhava – achei que seria de boa qualidade, mas o zíper estourou na primeira viagem.

A páscoa se aproxima, eu vou passar uns dias fora e não tenho mala. Então comecei a caçar uma.

No centro comercial perto do meu cafofo só tem uma loja vendendo malas e o preço começa em torno de 600 coroas (aprox 400 reais). Isso eu acho muito caro para uma malinha pequena de mão. Não pago.

Fui então caçar o mesmo modelo de mala que eu comprei em 2016 por 160 coroas. Era uma mala barata de lona, mas com bastante espaço e super leve (1,5 kg). O único problema foi que a borracha da rodinha estourou depois de poucas viagens. Mas eu dei um jeito de retirar a borracha e depois disso, apesar de fazer mó barulhão quando eu arrastava essa mala, ela durou até dezembro 2023, quando abriu um rombo na lona e tive que jogar a mala fora. Como durou bastante, pensei que valeria a pena comprar outra mala desse mesmo modelo. Quem sabe a próxima mala dure até 2032!

Então paguei 48 coroas e gastei 80 minutos para ir de trem à Copenhague até o supermercado Bilka (onde comprei a mala da última vez). Cheguei lá e não tinha o modelo de mala que eu queria. Que decepção. A mais barata que eles tinham custava 500 e eu achei caro. E também achei as malas pesadas. A mala mais leve que tinham pesava 2.6 kg. Para quem só pode levar 8 kg de bagagem de mão, o peso da mala é muito importante.

Voltei pra casa de mão abanando e paguei mais 48 de trem.

Em casa, fui na internet caçar essa bendita mala e achei na loja do Bilka online. Ela agora custa 299 coroas. Caramba, quase 100% de aumento em 8 anos. Eu digo, meu salário não foi reajustado na mesma proporção em 8 anos.

Durante a compra online, havia a opção de ir buscar na loja, mas por 39 coroas eles entregavam em casa. Paguei pela entrega, pois ficava mais em conta do que pegar trem novamente.

A mala chegou dois dias depois. Abri o pacote e a primeira coisa que chequei foram as rodinhas. Percebi que trocaram o modelo de rodinha (comparado com o de 2016). A rodinha agora não é mais de borracha, é de plástico. Percebi então um pequeno problema. Uma rodinha gira livremente com bastante velocidade, mas a outra está meio travada. Já estou vendo tudo. Na hora de arrastar a mala, essa rodinha vai emperrar e dar problema.

Eu que queria economizar e evitar pagar 600 coroas numa mala cara, acabei pagando 434 (trem, trem, mala, entrega) por uma mala com defeito.

Estou muito na dúvida se vou lá na loja reclamar da rodinha. Além do tempo para ir lá e pagar 48 coroas de transporte por trecho (o que fará o preço investido na mala subir de 434 para 530 coroas), eu suspeito que a viagem até lá será uma perda de tempo.

Não está fácil encontrar esse modelo de mala. Corro o risco de chegar lá e não ter mala do mesmo modelo para fazer a troca. Daí eles vão oferecer reembolsar o dinheiro e eu terei que escolher entre ficar com essa mala defeituosa ou receber 299 de volta e desembolsar mais 500 coroas para comprar uma das malas caras. Ô vida.

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Primavera

Ontem, primeiro de março, uma colega disse: começou a primavera.

Quase 23 anos de Dinamarca e eu não consigo me acostumar com essa idéia de que o povo aqui considera o mês inteiro de março como primavera.

Pra mim, primavera começa quando tem o equinócio, ou seja, entre os dias 20 e 21 de março. Então ainda tem chão pela frente até a primavera chegar. Isso pra mim. Mas se eu falar isso em voz alta, podem me crucificar.

No fundo eu entendo o desespero deles de querer que a primavera chegue logo. Daqui a pouco começam a aparecer algumas flores como crocus e narcisos e isso dá certo ânimo depois de um longo período de inverno. Em março o sol também volta a aparecer. Se bem que o dia hoje não parecia nada de primavera. Havia um nevoeiro pesado no ar o dia inteiro. Parecia até coisa de filme de suspense. Eu nem animei pra sair de casa.

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Casinha

Eu tenho uma pergunta: criança pequena ainda chama cachorro de totó?

Pra mim, totó é apelido de cachorro.

Imagine o nó que deu no meu cérebro, quando numa das minhas caminhadas me deparei com essa casinha de totó…

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Arsênico

Sou obrigada a perguntar. Por aí também andam na neura de reduzir arsênico no arroz?

Escutando o rádio de manhã, alguém alertando a Dinamarca para tomar cuidado com arroz, que faz mal, que pode causar câncer. Recomendam deixar o arroz de molho por várias horas e jogar a água fora ou cozinhar com bastante água (como macarrão) e jogar a água fora para diminuir a concentração de arsênico.

Eu fiquei pensando: que exagero. Os dinamarqueses comem arroz uma vez a cada lua cheia. O negócio deles é comer batata. Se aqui fosse como no Brasil, onde se come arroz duas vezes por dia, ou no Japão, onde se come arroz nas três refeições do dia, aí eu entenderia a histeria.

Ou a histérica sou eu, e eu deveria estar mais preocupada? Afinal, eu sou fã de arroz e como com bastante frequência. Mas sabe quando que vão me convencer a deixar arroz de molho?

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Zoo

Saí do trabalho 4 da tarde. O sol estava me chamando. Como de costume, resolvi voltar para casa caminhando. Só metade do caminho, pois o caminho todo são 12 km, demora demais, e no momento ainda está escurecendo lá pelas 18h.

Se você passou pelo blog em junho de 2023, deve ter visto minha postagem sobre a área do Flyvestation, que eu atravesso na caminhada pra casa. Naquele dia eu estava com tempo e fui lendo as placas. Li que, se tivesse sorte, era possível ver veados selvagens. Eu lembro que pensei que precisaria de um milagre para ver veados naquela área, mas naquele dia, só pra pagar minha língua, eu vi três!

Depois disso achei que nunca mais veria nenhum, mas hoje foi meu dia de sorte. Adivinha quantos eu vi?

Nessa área normalmente a gente só vê dois bichos: cachorro passeando na coleira e as vaquinhas do cara que tem uma fazenda na beira do lago. Vê também passarinho, mas isso não conta, ou conta?

Naquele dia que estava tudo coberto de neve, tive sorte, e eu vi uns patos e uma raposa durante minha caminhada.

Hoje, no entanto, eu vi tanto bicho, que acho que dava pra montar um zoológico.

Sem exagerar, eu vi 8 veados, um cavalo vestido de Bob Marley, uma raposa (será que é a mesma da última caminhada?), e pouco antes de começar a escurecer, eu escutei uns relinchos. Do nada apareceram dois cavalos soltos, passeando livremente, sem ninguém montado neles. Era um cavalo branco e outro preto. Pena que estava muito longe e escuro e não consegui tirar foto. Fiquei imaginando se eles estavam perdidos.

Dessa vez eu consegui surrupiar uma foto da raposa, pois ela parou no meio da ciclovia para me encarar! Ela estava meio longe, tive que colocar o zoom no máximo, mas dá pra ter uma noção.

Já o “Bob Marley”, eu tive que esperar ele passar por mim para tirar a foto, porque a guria montada nele era muito mal encarada. Fiquei com medo dela. rsrs

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Progredindo

Fui visitar Helle. Eu estava preparada para o pior, mas as coisas estão progredindo. Devagar, mas progredindo.

Helle saiu daquele hospital horrível e foi para a clínica de reabilitação. Por sorte ela conseguiu exatamente a clínica que queria, a que fica pertinho de sua casa.

Helle tem seu próprio quarto lá.

Bati na porta, disseram pode entrar. A primeira coisa que vi assim que abri a porta foi uma bolinha de pêlo saltitante que se mostrou muito contente em me ver. Molly estava no quarto. Realmente aquela cadelinha é muito querida e é boa companhia para Helle.

Helle ainda não tem conexão com o pé esquerdo. Ela sente a gente tocar no pé, mas não tem coneção entre o cérebro e o pé, então ela não consegue mexer o pé ou colocar peso nele. Mas Helle não está em cadeira de rodas, como eu tinha imaginado. Ela está conseguindo ir ao banheiro sozinha usando um andador. Isso é uma grande evolução comparado com 7 dias atrás. Eu estou torcendo para que essa conexão pé-cérebro volte em breve.

Semana que vem Helle poderá voltar para casa e continuar a reabilitação de casa. Fiquei muito contente em ouvir isso.

Outra boa notícia é que Helle e Christian vão se casar. Se entendi direito, será em breve, algo simples, para garantir que quando Helle morrer, Christian possa ficar morando na casa que os dois compartilham. Coisas buracráticas da Dinamarca. Não falaremos disso.

Infelizmente a expectativa é que Helle tenha uns 4 a 7 anos de vida após essa cirurgia. Não conseguiram retirar todo o tumor durante a cirurgia e ela me explicou que não recomendam radioterapia no seu caso, porque o tumor está numa área vital do cérebro. A radiação pode matar partes importantes do cérebro e debilitar Helle ainda mais. Inevitavelmente, esse tumor vai crescer novamente. O questão é se será um crescimento lento ou não.

Os planos de Helle são de aproveitar o máximo seu tempo restante de vida. Está certa ela! Em seu lugar, eu faria o mesmo.

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Brunch

Hoje de manhã fui encontrar uma amiga brasileira lá no centro de Copenhague para comer um brunch. Ainda bem que eu tinha combinado esse encontro. Isso me forçou a sair da toca. Estava um dia lindo ensolarado e se eu tivesse ficado em casa, teria perdido o dia todo no Netflix (se bem que no momento estou achando todos os programas no Netflix uma chatice, rsrs).

A cidade estava abarrotada de gente. Acho que o sol fez todo mundo sair de casa.

Considero Copenhague uma cidade muito bonita. Quando atravessei a ponte dos lagos, tirei umas fotos. Eu gosto muito de caminhar por ali. Engraçado é que de 2001 até 2005 eu morava umas 3 quadras de distância desses lagos, porém eu nunca ia lá. Naquela época eu quase não saia do apartamento. Só ficava grudada na frente do computador dia e noite. Agora que estou mais velha e dou mais prioridade para pegar ar fresco e luz do sol, se eu morasse perto dos lagos, provavelmente iria caminhar ao redor deles com bastante frequência.

Mas voltando ao brunch…

Eu e Elise chegamos no restaurante exatamente no mesmo instante. Ela chegou de um lado da rua e eu do outro. Se tivesse combinado, não teria dado tão certo.

Elise é nissei e tem a típica fisionomia japonesa: olhos puxados, cabelo preto e liso, baixinha. Aqui no estrangeiro, nunca ninguém espera que da boca dela sairá português fluente.

Ela foi a Portugal recentemente, e me contou que o povo ficava confuso ao ouvir uma “japonesa” falando português tupiniquim. Eu imagino!

Elise queria saber como foi minha viagem ao Japão e se eu tive coragem de provar as comidas exóticas. Coisas como “natto”. Eu provei natto sim. Mas também foi uma vez e nunca mais. Aquela baba parecendo jiló, sem condições. Mas provei.

Foi bom conversar com ela, porque como ela vai ao Japão com frequência visitar a família (a família dela acabou voltando para o Japão, depois de sofrer um bocado com o processo de imigração no Brasil) ela conhece bem os lugares que eu mencionei e conhece os babados que eu contei, como o episódio em Hiroshima do youtuber lamber os sushi e colocá-los de volta na esteira para os outrors fregueses comprar.

O restaurante no qual fomos se chama Sidecar e até que foi decente. Serviram uma comidinha boa, mas fiquei indignada que a beirada do meu prato estava quebrada em dois lugares. Essa é a primeira vez que me servem comida num prato quebrado. Elise disse que isso acontece com ela com frequência na Dinamarca. No Brasil está assim também, restaurante servindo em prato quebrado?

Outra coisa que não curti nesse restaurante, é que a reserva é válida por somente 90 minutos. Na maioria dos restaurantes que servem buffet de brunch, a reserva é válida por 2 horas. 90 minutos achei pouco. Eu ainda estava comendo quando o garçom veio dizer que a reserva tinha acabado e eles precisavam da mesa daqui a 15 minutos!

Fora isso foi um dia muito bom.

Como eu estava em Copenhague, que é metade do caminho até Roskilde, depois do brunch, ao invés de voltar pra casa, eu peguei o trem regional e fui visitar a Helle…

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Acompanhamento

Dez dias se passaram pós cirurgia. Helle me mandou uma foto dos pontos no cocoruco. Nos filmes e seriados a gente sempre vê que quem fez cirurgia no cérebro têm o cabelo todo raspado e eles enfaixam a cabeça toda. Assim não foi com Helle. O cabelo está quase todo lá, só rasparam um zigue-zague no meio onde fizeram o corte. Muito estranho.

Ela ainda não consegue sentir nem movimentar a perna esquerda. Fico pensando se minha amiga vai ficar o resto da vida numa cadeira de rodas. Logo ela que adora fazer longas caminhadas com sua cachorrinha e ir pra academia e exercitar por horas.

Eu tento falar de coisas que não estão diretamente ligadas à doença e perguntei se a estavam tratando bem no hospital e se a comida era boa. Enquanto ela estava no Rigshospital, desse que sim, porém semana passada ela foi transferida para um hospital na cidade de Roskilde e lá não é nada bom.

As enfermeiras brigam umas com as outras na frente dos pacientes, tratam os estudandes de enfermagem mal, e desprezam os pacientes.

Helle não consegue se levantar por causa da perna. Quando ela chama para ir ao banheiro, leva mais de meia hora até uma enfermeira aparecer. Helle precisa de um fisioterapeuta e até agora nenhum veio fazer consulta. Descaso total. Tem uma enfermeira que vem da Albânia, essa trata Helle bem, e Helle comentou que parece que o clima entre as enfermeiras não parece bom. A resposta foi: Tem enfermeira aqui que mais parece guarda de penitenciária.

Ontem no telefone Helle comentou de umas complicações. Eu não entendi tudo, pois é um vocabulário em dinamarquês que eu não conheço, mas entendi que talvez ela precisará de nova cirurgia. Helle falou com muito pesar que ela acha que não vai sobreviver.

Que aperto que me deu no coração.

Quando ela estava no Rigshospital, eu queria ir visitá-la, mas ela tinha dito antes da cirurgia que não queria visitas. Eu respeitei e não fui.

Porém descobri que alguns colegas antigos foram visitá-la. Puxa vida. Se eu soubesse, também teria ido. Agora que ela está em Roskilde, fica mais difícil. São duas horas pra ir e duas pra voltar.

Pelo que entendi, nessa semana ela será transferida para um centro de reabilitação. Parece que ela pediu para ir num que fica perto da casa dela – assim dará para ela ver a Molly, a cachorrinha mais adorável da Dinamarca 🙂 – mas não dá para saber com certeza. Helle pode parar em qualquer parte da Dinamarca onde tem vaga.

Eu estou na torcida para que dê tudo certo e vou tentar achar alguém que possa me dar uma carona até Roskilde.

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Fofoca

Nossa, que hoje eu fiquei sabendo do maior babado. Não sei nem se coloco esse artigo na categoria de Cá entre nós ou em Família Real.

Olha só pro cê vê…

Uma amiga do meu trabalho antigo, a Joyce, também arrumou emprego na empresa onde estou agora. Recentemente ela passou uns meses afastada por causa de estresse mas hoje eu a vi e combinamos de matar a saudade e colocar o papo em dia durante a pausa do almoço.

Joyce também conhece a Helle e ficou sabendo por alto do que se passou. Conversamos um pouco sobre isso, mas depois o conversê tomou outro rumo.

Originalmente da Holanda, Joyce estava me contando que lá eles têm uma celebração chamada Dia do Rei (eu nem sabia que na Holanda tem monarquia – olha meu nível de desinformação!) e que ela está planejando de ir até Amsterdã ver a celebração. Um assunto puxa o outro, eu pergunto se ela foi até o centro de Copenhague no outro dia dar tchau pra Rainha Margrethe e ver a coroação do Frederico. Ela não foi porque não se considera dinamarquesa (ué, eu também não, mas eu era fã da rainha Margarida).

De repente tocamos no assunto do caso que o Frederico teve com a Mexicana e eu comentei que achava que a Mary não merecia uma coisa dessas. Então para não ser tão cri-cri, eu acrescentei que na verdade a gente nunca sabe o que se passa com um casal entre quatro paredes.

Foi aí que minha amiga soltou uma bomba.

Joyce tem um amigo que é jardineiro na “casa” do Frederico e Mary, e ele disse que a Mary o trata mal e que ela é uma baita esnobe metida a besta.

Fiquei boba. Nunca imaginei.

Sempre fico admirada como algumas pessoas conseguem mostrar uma fachada em público e serem algo completamente diferente quando as câmeras estão desligadas.

Nada disso afeta a minha vida, mesmo assim eu não sei o que pensar.

Eu tenho um carinho pela rainha Margarida, especialmente porque eu ouvi coisas boas a seu respeito. E eu achava que teria o mesmo carinho pelo rei Frederico, mas depois de ouvir da traição, eu não consegui deixar passar. Porém agora, sabendo que a rainha Mary é na realidade uma víbora, não sei o que pensar. Cheguei a ficar com pena do Frederico, coitado.

Aff, isso parece aquelas coisas de novela, mas na verdade essa é uma história real (real em ambos os sentidos!).

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