Esgotamento

Faltam 3 semanas e meia para eu terminar meu estudos. Mas tá foguetão.

Três dias atrás tive um colapso nervoso e não parava de chorar. Coitada, minha chefe ficou visivelmente preocupada.

A pressão que estou sentindo é tão grande que qualquer coisinha se torna numa tempestade em copo d’água. Naquele dia em que eu não parava de chorar, de manhã cedo, ao abrir a porta do meu apartamento para ir ao trabalho, a vizinha da frente estava no corredor colocando uma tranca em bicicletas.

É proibido deixar bicicletas no corredor, já que ali é a via de escape em caso de incêndio. Eu, muito educadamente, fui lembrá-la desse fato. Primeiro ela me ignorou. Eu tive que dizer “com licença” quatro vezes. Então fui até ela, e perguntei se ela entendia dinamarquês. Tem muito gringo no meu prédio. Normal perguntar. Se ela fosse gringa, eu usaria outro idioma. Muito rispidamente ela me respondeu que claro, eu é que sou uma estrangeira idiota.

Fiquei de cara.

E assim começou minha semana, segunda-feira de manhã.

Tenho tido sinais de esgotamento desde início de abril, mas a coisa chegou num ponto que já não sei mais o que fazer para sobreviver aos próximas 3 semanas. Alguns dizem que eu tenho que fazer atividades que me dão energia.

Esse povo não sabe o que é esgotamento. A gente entra num estado de apatia total. Eu não tenho vontade de fazer nada, de assistir nada. Até escutar música tem me irritado.

3 semanas mais… tô precisando de forças.

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Sufoco

Sabe aqueles hotéis em que a porta do quarto tranca sem precisar usar a chave, e se você fechar a porta e esquecer a chave dentro do quarto, lascou? Nesse caso é possível ir até a recepção, explicar o que aconteceu e problema resolvido.

Mas o que você faz quando a porta do seu apartamento tranca sem precisar usar a chave, são 13:49, suas visitas chegarão dentro de 11 minutos e você fica trancada para o lado de fora, segurando um pano de prato, e mais nada?

A princípio fiquei sem reação. Eu não esperava que a porta fosse trancar, pois eu só coloquei o pé para fora para ver se o portão principal estava aberto.

Mas como a porta da minha sacada estava escancarada para ventilar o apartamento, acho que foi uma jarrada de vento que fez com que minha porta fechasse me deixando numa situação bem complicada.

E agora? Terei que chamar um chaveiro de plantão e pagar uma fortuna? Vou ter que esperar minhas amigas chegarem para telefonar para o chaveiro? Pois meu celular está trancado dentro do apartamento.

Onde estão as cópias da minhas chaves?
Uma está no meu escritório, 20 km de distância, e eu sem documento, sem dinheiro, sem telefone. E minhas amigas para chegar a qualquer momento. Sem chances de ir buscar essa chave.

A outra chave está somente a 10 km de distância com Carsten, mas meu celular está trancado no apartamento e eu não sei de cor o número de telefone dele. Sem saber que número ligar, não dava nem para emprestar o celular de alguém e pedir para fazer uma ligação de emergência. Desvantagens da vida moderna, onde se usa celular para lembrar das coisas para você.
E eu também nem sabia se Carsten estava disponível num sábado de tarde para vir me socorrer.

Fui ao lado de fora do prédio para ver se eu conseguiria alcançar minha sacada usando a sacada da sala de festas que fica ao lado do meu apartamento. Infelizmente o vão era demasiado grande, e arriscar uma queda de 5 metros de altura não seria nada agradável.

Lindo, agora, além de estar trancada fora do apartamento, também estava trancada fora do prédio. Costuma ser um entra e sai nesse prédio, mas justamente nesse momento em que eu estou com pressa, não tem ninguém aqui. Aguardei vários minutos até que um morador apareceu e abriu o portão. Aproveitei para entrar junto.

De pé em frente a minha porta, tive uma ideia. Vou bater na porta da minha vizinha.

Nesses 16 meses que moro aqui, nunca a encontrei, nunca a cumprimentei. Mas eu a escuto, já que ela faz bastante barulho, e eu de vez em quando retribuo o barulho em horas “oportunas”. Enfim, uma guerra fria entre nós. Mas bati na porta dela, explicando que eu sou a vizinha e que estou nessa situação. Perguntei na maior cara de pau se eu poderia tentar pular da sacada dela para a minha (aproveitando que minha porta da sacada estava aberta!).

Ela foi bem simpática e disse que podíamos tentar, mas antes de me deixar entrar, me perguntou se eu não tinha uma cópia da chave em algum lugar (querendo dizer, com alguém que mora aqui no condominio). Expliquei que não tinha. Ela me deixou entrar e então iniciou-se a aventura de tentar voltar para casa antes das minhas visitas chegarem.

Eis que entro no apartamento da vizinha e vejo outras 6 pessoas. Ela estava com visitas! E eu incomodando!

Um dos visitantes fez uma inspeção e avaliação da distância entre as sacadas e fez uma sugestão muito boa: colocar um banquinho do meu lado da sacada para amortecer minha queda. Do lado de cá, usamos uma escadinha para subir ao parapeito. Eu subi a escada, o cidadão segurando minha mão, e eu pulei para o meu lado.

Que alívio!

Agradeci muito. Entreguei o banquinho de volta e fui ver que horas eram. 14:01!
Por sorte, minhas amigas tinham escrito que estavam 10 minutos atrasadas.

Deu tempo certinho de terminar de lavar a louça e passar uma tarde maravilhosa em excelente companhia.

Daqui pra frente, só colocarei os pés pra fora de casa carregando o molho de chaves!!

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Um alô rápido

Vixe, faz tanto tempo que não passo por aqui que foi até difícil de me lembrar da senha para entrar.

Eu ainda estou na labuta dos estudos. Hoje é cinco de maio e tenho até dia doze para entregar meus trabalhos escritos da faculdade. Esse ano, porque eu estou tentando aquela doideira de fazer 5 módulos para terminar esses estudos de uma vez, eu tenho que entregar uma infinidade de trabalhos escritos.

Ontem consegui entregar o penúltimo. Ufa. Só falta um. É o mais complicadinho. Acho que terei que pedir um dia de folga do trabalho na semana que vem para terminar isso. Vamos ver.

Depois desse período super estressante, eu mereço umas semaninhas de folga antes de começar a revisar a matéria para as provas em junho.

Com covid em alta em vários países e essa infame guerra na Ucrânia (e um pressentimento de que a guerra vai se espalhar envolvendo o OTAN), eu não tenho feito muitos planos de viagem. Mas comprei passagem para fazer um bate-volta em Veneza. Por um fim de semana somente para espairecer. Espero que corra tudo bem.

E vocês? O que contam de novidade?

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Até setembro de 2022

Olá leitores fiéis e assíduos do blog…

Espero que o seu ano tenha começado com boas energias, saúde e tranquilidade.

Como vocês sabem, nos últimos 3 anos eu estive estudando bastante para um mestrado. Todo o meu tempo livre vai para os estudos e, como você deve imaginar, estou muito cansada.

Para me formar, tenho que completar 11 módulos. Porém, em 3 anos, apesar do empenho, eu só consegui completar 6 módulos.

Antes do ano letivo começar (começou em outubro), eu pensei seriamente no que deveria fazer. Se eu deveria dividir esses 5 módulos restantes em 24 meses (e terminar o curso final de 2023), se eu deveria pedir demissão do meu trabalho e me dedicar aos estudos, ou se, apesar de eu estar exausta, eu deveria aguentar meu trabalho por mais um tempo e fazer um esforço extra, estudando para terminar de vez esse curso no final de 2022.

Confesso que cheguei no meu limite. Já não tenho mais de onde tirar energia para trabalhar tempo integral e estudar o resto do tempo. Não tenho condições de levar essa situação por mais 24 meses.

Por isso, decidi que vou fazer um esforço agora e terminar esse curso de uma vez. Em função disso, eu não tenho tempo para mais nada. O blog está em pausa até setembro de 2022.

Se precisar falar comigo, me manda um email ou mensagem de Facebook Messenger.

Talvez eu venha aqui uma vez ou outra compartilhar alguma novidade, mas a verdade é que não tenho tido energia para isso.

Para quem gosta de escrever (e receber) cartas…

Você conhece o App que se chama “Slowly”? Eu o descobri nas minhas férias de julho e continuo usando, se bem que só respondo a cartas uma ou duas vezes na semana no máximo.

Estou me correspondendo com uma senhora que mora na Suíça, perto da fronteira com a Itália. Gosto de ler as histórias dela e dos passeios que ela faz com seus cachorros.

Também estou me correspondendo com uma japonesa, mais ou menos da minha idade. Ela mora perto de Tóquio e ela escreve cartas pra mim em francês!

Eu tenho umas 25 pessoas na minha lista de contatos do Slowly, mas a verdade é que depois de algumas cartas, a maioria das conversas morrem. A pessoa nunca mais responde. Talvez eu seja muito chata nas minhas cartas, hahahaha.

Também encontrei algumas mulheres que levaram golpe pelo Slowly. Uma que mora em Singapura teve que vender a casa dela e ir morar com a sogra, porque perdeu muito dinheiro num golpe dado por alguém do Slowly. Mas imagina a ingenuidade para mandar dinheiro para alguém que você nem conhece? Enfim. Ela disse que foram vários casos em Singapura e que a polícia está investigando.

Algo que é legal no Slowly, é que dá para colecionar selos, também há essa oportunidade. Eu já juntei uns 120 selos. Esse é o link para a minha coleção: link

É isso, gente. Me desejem boa sorte nos meus estudos. Fiquem bem!

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Peregrinação

Hoje foi um daqueles dias…

De manhã cedo, me apressei em me arrumar. Tomei uma caneca e meia de chocolate quente, e tomei o banho mais rápido da história da humanidade.

Sai apressada de casa as 7:55 porque sabia que saindo nesse horário só chegaria no escritório 9:10. Ou seja, eu estava atrasada.

Chego na estação, vejo dois trens parados. Um em cada plataforma, mas não via o povo entrando em nenhum trem. Todo mundo estava com uma cara de dúvida, se entreolhando.

No painel da estação dizia: os trens serão substituídos por ônibus hoje.

Acho que esse era o motivo dos pontos de interrogação na cara de todo mundo. Havia dois trens parados mas nenhum ônibus.

Uns minutos mais tarde chegou o tal do ônibus, mas não tinha lugar para todos. Eu dei sorte, no entanto. Consegui entrar nele e me apressei a mandar um torpedo pra minha chefe dizendo que me atrasaria.

Calculei que chegaria meia hora atrasada no escritório, mas como eu gosto de exagerar, acabei escrevendo que eu estava torcendo para chegar lá antes da nossa reunião das dez da manhã. Exagerada!

O motorista informou que o ônibus nos levaria para a segunda parada dali. Eu tenho umas 22 paradas até o meu trabalho. Se ia de busão as duas primeiras e iria de trem o restante, então eu não chegaria tão atrasada assim. Imaginei que estaria lá 9:30.

Durante o percurso até segunda parada, que é uma estação no meio de uma floresta, o cidadão ao meu lado resolve ligar para a companhia de trem, e muito civilizadamente ele diz que a situação é a seguinte:

Vocês só colocaram um ônibus, e não tem lugar para todo mundo. Hoje vocês terão muitos clientes insatisfeitos. Teriam como colocar mais uns ônibus para ajudar aqueles que precisam chegar no seu trabalho?

Quando chegamos na estação da floresta, o trem já estava nos esperando, que alegria! Mas, porém, todavia… Assim que o ônibus abrir a porta para descermos, o trem foi embora. Pode isso?

Desolados, caminhando para a plataforma, vimos no painel que o próximo tem vai para na plataforma do lado de cá. Fomos todos pra lá. O trem chega daqui a 6 minutos. Beleza.

Advinha onde o trem parou? Do outro lado, na outra plataforma, quando todo mundo estava do lado de cá. O maquinista é cego?

Corremos a atravessar a passagem subterrânea para o outro lado da floresta onde o diabo do trem estava parado. Pelo menos esse esperou a gente chegar lá.

Com essas caminhadas no frio, começou a me dar vontade de fazer xixi. Todo aquele nescau de manhã. Aff.

Pensei, tudo bem, eu aguento até chegar no escritório. Daqui a 45 minutos estarei lá.

Uns vinte minutos mais tarde, quando ainda faltavam umas 10 paradas para mim, começou a apertar a vontade de ir ao banheiro, e para ajudar, o maquinista disse que tinha uma fila de trens na nossa frente, que iríamos atrasar.

Ficamos parados uns 15 minutos no meio do nada, e eu não conseguia mais nem pensar direito de tanta vontade de fazer xixi.

Quando esse trem finalmente se mexeu, eu saltei na próxima parada e fui procurar um banheiro. Paguei 5 coroas para usar um banheiro público. Que alívio.

Depois disso foi só pegar outro trem ir seguir meu caminho para o escritório.

Quando a reunião começou as dez horas, eu tinha acabado de chegar na estação e ainda teria uns 12 minutos de caminhada.

Por sorte eu pude acompanhar o início da reunião pelo celular e informei que estava atrasada.

Mais de 2 horas pra chegar no trampo. Que aventura.

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Sarna

Acho que fui caçar sarna pra me coçar.

Quando eu morava em casa, durante o inverno, sempre colocava umas comidinhas para os passarinhos, para dar uma força e aumentar as chances deles sobreviverem o frio e escassez de alimento.

Sem falar que é uma satisfação ver os passarinhos virem comer e beber no seu jardim.

A gente ouve, no entanto, que não de deve dar comida para os passarinhos, porque, apensar da intenção ser boa, isso acaba atraindo ratos.

Eu nunca vi rato no meu quintal. Tinha visto, no entanto, camundongo do campo, porém isso não me importunava.

Depois do divórcio, eu me mudei para um apartamento na cidade onde fiquei por 4 anos e naquela área industrial, passarinho era coisa rara. Mas esse ano me mudei para um pardieiro, e aqui, perto da natureza, tem muita vida. Passarinho e esquilos de montão.

Uns dias atrás comprei umas sementinhas de girassol e ração de passarinho e coloquei uma porção na sacada para dar uma força para os passarinhos. Achei estranho que em dois dias toda a comidinha já tinha desaparecido. Imaginei que os passarinhos estivessem famintos, mas confesso que também passou pela minha cabeça que talvez algum rato tivesse aparecido por alí.

Hoje, sábado, coloquei um pouco mais de ração e estou aqui tentando fazer meu trabalho da universidade. Vejo uns passarinhos grandes rodeando a sacada. Beleza.

Um momento mais tarde, vejo algo se escondendo debaixo das folhas de uma planta. Achei que fosse um pardal, mas de repente aquele bichinho saiu da moita e veio em direção ao pratinho coma comida. Aquele bichinho não era um bichinho, mas um rato marrom bem gordo. Meu, aquele rato é do tamanho de um esquilo. Enorme!

Eu bati no vidro da janela e ele saiu correndo. Achei que não voltaria tão cedo, mas não deu nem cinco minutos, e ele estava de volta. Persistente!

Fui obrigada a tirar o prato da comidinha de passarinho dali.

Passados uns dez minutos, vi esse rato passeando pra cima e pra baixo na sacada, como se à procura de mais comida.

Ô meu Deus, fui arrumar sarna… Minha preocupação é a seguinte: como já está frio, eu desliguei minha geladeira e coloquei as coisas na sacada dentro de uma bolsa térmica. Pra que pagar eletricidade se é frio o suficiente na sacada? Faço isso há 3 anos. Lá no quinto andar onde eu morava antes, não tinha nem passarinho, quanto mais rato. Mas aqui? Só me falta agora eu ter atraído um rato que possa ter a magnífica ideia de roer a bolsa térmica e achar minhas comidinhas. Se bem que naquela bolsa só tem um restinho de pimenta malagueta, meio vidro de maionese, e algumas laranjas. Minha geladeira estava sempre vazia. Eu não faço comida em casa.

Enfim. Acho que não poderei colocar comida de passarinho na sacada por um tempo.

Também pesquisei sobre o rato marrom (ou rato norueguês – Rattus norvegicus) e descobri que a gente pode pegar hantavírus se respirar pó de fezes de rato ou entrar em contato com a saliva deles. Aff. Eu toquei naquele prato com ração e nem me lembro se lavei a mão direito depois. E agora fico lembrando que durante o verão eu limpei cocozinho da sacada, achando que eram somente fezes de esquilo e de passarinho, mas agora me preocupo que há uma possibilidade de que sejam fezes de ratos também. Há essa possibilidade de que eu andei colocando minha saúde em perigo. As vezes é melhor nem saber. Como dizem em inglês: “ignorance is bliss”.

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Tingida

Engraçado, nos últimos 5 anos muita, mas muita gente tem me perguntado qual é a minha idade. Eu achava que se deve perguntar a idade de uma mulher, mas aparentemente ninguém está nem aí para esse tipo de etiqueta.

O outra pergunta que tenho recebido frequentemente é: Cris, você não pinta o cabelo? Por que eu pintaria? Eu só tenho aqueles dois fiapos brancos que achei uns anos atrás. Aliás, tem dias que eu nem consigo achar esses dois bandidos. Acho que eles se escondem entre minhas madeixas. E o mais interessante é que eu respondo sinceramente, e as pessoas não se dão por satisfeitas, e querem confirmação. Sempre vem aquela perguntinha extra: “Sério? Mesmo? De verdade?”

Vou mentir pra que? É tão inimaginável que uma pessoa de 44 anos não tenha cabelo branco e não precise usar óculos para leitura?

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Abre e fecha

Às vezes a Dinamarca me irrita.

Toma decisão, troca de decisão, retoma decisão.
Gasta um dinheirão na primeira decisão, depois gasta ainda mais para consertar a decisão. Aff.

Uns 10 anos atrás, tomaram a belíssima decisão de fechar um monte de hospitais pequenos e criar alguns hiper-hospitais, que segundo eles, estavam localizados em lugares estratégicos para facilitar acesso.

Lembro que, há exatos 10 anos, eu caí no trabalho e minha chefe estava com medo que eu tivesse quebrado o dedão e queria que eu fosse ao hospital tirar uma chapa. Ela me fez ligar para o Carsten, que coitado, teve que largar tudo no trabalho dele para me buscar e me levar ao hospital. Fomos no hospital do Herlev, que é um desses hiper-H e tinha pronto-socorro aperto a ambulantes.

Depois de quase duas horas de espera, vimos que poderia levar mais umas 4 horas para chegar minha vez, já que meu caso não era urgente. Resolvemos ir para casa.

De noite, a dor no dedão estava pior. Resolvemos então voltar ao hospital, mas dessa vez, fomos num hospital lá pertinho da casa (10 minutos de carro). Chegamos lá, não tinha praticamente ninguém. Fui atendida em menos de quinze minutos. Se eu soubesse antes, teria ido direto nesse hospital ao invés de ir num dos híper-H.

Eu imagino que manter hospitais que não têm pacientes deve ser um custo tremendo, e até um desperdício de verba. Mas a ideia de fechar vários hospitais pequenos e só manter os híper-H, também não é uma ideia genial. E a prova disso sou eu.

Há 5 anos, eu novamente precisei de um hospital. Ainda morávamos no mesmo lugar, mas agora tínhamos que dirigir por quase 30 minutos para chegar no hospital mais próximo, pois aquele que ficava pertinho de nós tinha fechado.

Eu me lembro que comecei a ter dores no meio da noite, mas eu estava com a maior preguiça de ter que dirigir por 30 minutos. E isso de carro! Se tivesse que ir de ônibus, demoraria mais de uma hora!

Enfim… toda essa história para dizer que acabei de ler que a Dinamarca resolveu que vai abrir 20 pequenos hospitais, o que eles chamam de “hospital na proximidade” para que os cidadãos tenham tratamento mais perto de casa.

Fala sério? Então por que fecharam os hospitais uma década atrás?
Aposto que os 20 “hospitais na proximidade” que vão abrir agora são exatamente os mesmos que fecharam naquela época. E provavelmente uma dinheirama será empenhada para reformar esses hospitais, atualizar equipamento, contratar funcionários… enfim.

Toma decisão, muda decisão. Uma palhaçada.

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Puff

Caramba… minha empresa não pára de demitir gente.

Ano passado foi aquele massacre, oitocentas e poucas pessoas, e o meu departamento foi dizimado. Até hoje a gente não se recuperou do baque. E hoje veio novo baque.

Normalmente empresas despedem os funcionários de base. Eu costumo reparar que os chefões, aquele povo com salários exorbitantes, esses costumam ter as costas quentes e nunca são despedidos.

“Nunca” até hoje…

Meu, minha empresa mandou vários chefões embora de supetão. Veio a notícia hoje de manhã. Eu contei mais de 10 nomes, mas como foi descrito por departamento, chegou uma hora que eu perdi a conta.

E não foi chefia no nível da minha chefe que foi mandada embora. Foram chefes acima na hierarquia da empresa. Até a chefe da minha chefe se foi. Fiquei de cara!

A questão agora é: vai melhorar alguma coisa, ou tudo isso foi só para cortar custos? Veremos.

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Peste negra

Para comemorar meu aniversário, Carsten me convidou para um evento do museu Frilandsmuseum. Aparentemente, todo ano, para comemorar o Halloween, eles oferecem um passeio assustador.

Normalmente eu não sou fã de levar susto. Nem filme de terror eu não assisto. Mas aceitei, porque o tema era sobre a peste negra, e achei que seria interessante.

Foto do website do natmus

O passeio foi de noite. Isso é comum por aqui. Existe um negócio chamado “museu de noite” (natmus) e vários museus oferecem exposições e tours noturnos.

Eu não sei se comentei sobre o Frilandsmuseum antes. Faz muito tempo que não vou lá e definitivamente, nunca tinha ido lá de noite. Realmente, é assustador entrar naquelas casas de 1800 de noite, tudo escuro, teto baixinho, chão de pedras.

Não era permitido tirar fotos. Pena, porque os caras foram realmente muito criativos, vestidos com roupas antigas, máscara, e tentavam nos assustar. O que achei mais criativo foi a decoração que colocaram num moinho de vento antigo. Numa das hélices, penduraram pelo pescoço um boneco do tamanho de uma pessoa, dando a impressão de que alguém tinha sido enforcado lá no alto. Bem bolado.

Foto do website do Frilandsmuseum

Foi bem legal o tour, mas fiquei meio decepcionada porque não tomei nenhum susto. Como eu estava apreensiva que tomaria muitos sustos, eu estava sendo precavida de não ser a primeira a entrar nos lugares. Mesmo assim. As vezes a gente se assusta só em ouvir os outros gritarem e pularem de susto Mas eu não fui afetada. Só fiquei com medo uma única vez. Quando um dos caras vestidos de capa preta e com aquelas máscaras que os médicos da peste negra usavam, sabe, aquela máscara bicuda? Ele chegou bem perto de mim e apressou o passo, como se fosse me pegar.

Depois de passar por várias casas com gente “morrendo”, tossindo, almas penadas e afins, de repente nos levaram por uma trilha, e lá, na frente de uma casa mais moderna, tinha um cidadão sorridente nos aguardando com canecas de chocolate quente. Era o fim do passeio. Com direito a chocolate quente! Gostei.

Foi um passeio diferente. Ouvi dizer que ano passado o tour do Halloween deles estava muito mais assustador. Acho que esse ano eles deram um maneirada.

Foi legal, mas pena que o passeio é mais uma encenação para assustar. Não aprendi nada novo sobre a peste negra. Já que o evento é num museu, eu tinha expectativa que opasseio teria um lado educacional também. Enfim. Nada é perfeito.

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Covid?

Dor de garganta sexta e sábado

Nariz entupido, muita tosse, e catarro esverdeado desde domingo até hoje.

Eu estava vindo normal pro trabalho porque a Dinamarca tinha anunciado que a partir do início de outubro classifica covid como uma doença como qualquer outra. Então se eu costumava vir resfriada trabalhar, foi o que fiz dessa vez.

Mas hoje tudo mudou. Ontem, aparentemente, saiu no noticiário que os médicos daqui voltaram a recomendar que se faça o teste do covid se tiver sintomas.

Hoje minha chefe me chamou para um canto e calmamente me pediu para parar de infectar os outros e ir fazer um teste. Estou eu aqui na fila pra ser testada. Não sei porque eles marcam horário, se chega aqui tem que ficar na fila de qualquer forma.

Só quero ver o resultado…

ATUALIZAÇÃO

Quando chegou minha vez, perguntaram se eu queria fazer o teste que sai o resultado rápido ou o teste que é mais confiável. Acabei concordando que iria fazer os dois.

O resultado do teste rápido eles mandam por mensagem de celular até uma hora depois que você fez o teste.

Passou uma hora, duas horas, três horas e esse resultado não chegou. Não sabia se ficava preocupada. Acho que cara escreveu errado o meu número.

Cheguei a pensar que teria que ligar para o meu médico para saber esse resultado, mas descobri que dá para instalar um app. E foi isso que fiz.

Dá pra entender o resultado abaixo? Agora tô torcendo que o resultado do segundo teste amanhã seja igual.

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Decidi!!

Gente, vocês não sabem a luta que está sendo transferir esses 0,66 dias de férias. Nenhum sistema da empresa aceita esse número quebrado.

Tive que falar com o povo dos recursos humanos da empresa. Me prometeram que vão transferir certinho. Só quero ver!

Mas o mais importante é que eu decidi o que vou fazer com todos aqueles dias de férias que estão me obrigando a tirar.

Vou sumir do mapa por 2 semanas!!! Vou pra ilha da Madeira.

Não sei se vocês se lembram, mas eu estive lá para o natal de 2016 e fiquei até a virada para 2017. Os fogos de artifício lá na noite de reveillon são maravilhosos!

Dessa vez, no entanto, não ficarei para o ano novo. Alojamento é caro demais nessa época. Ficarei até o dia do natal daí volto pro meu cafofo.

Eu lembro que em 2016 eu viajei com o Carsten para a ilha da Madeira. Eu e ele tínhamos acabado de nos divorciar, mas como tínhamos pagado híper caro na viagem, resolvemos viajar juntos como amigos. Infelizmente viajar com o Carsten significa caminhar muito no primeiro dia e ficar de molho no hotel o restante da viagem porque ou ele está ou com dor no corpo ou com dor de cabeça. Então naquela viagem eu acabei não fazendo as caminhadas que queria.

Há umas 200 trilhas na ilha. Essas trilhas se chamam “Levadas” e são ao longo dos aquedutos antigos que transportavam água do lado da ilha onde chove bastante para o outro lado, que é desértico.

Dessa vez estou resolvida: vou levar minha bota de caminhar e muito pique!!! Só não vou levar a máquina fotográfica, porque é muito peso.

E tem mais….

Calhou que a data da minha viagem para a ilha vai coincidir com a da minha amiga Rejane. Ela estará na ilha com o namorado dela no mesmo período que eu. Quem sabe dê pra gente se encontrar lá e fazer alguma coisa juntos! Só não ficaremos no mesmo hotel, porque eles são chique demais e eu sou uma muquirana mão de vaca que vai ficar num airbnb bem baratinho! hahaha

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Férias forçadas

Esse artigo vai especialmente para aqueles que reclamam e dizem que eu estou de férias o tempo todo!

Ontem eu descobri que tenho 11,66 dias de férias restantes que tenho que tirar até final de 2021.

Desses 11,66 dias, eu só posso transferir 5 dias para o ano que vem. O resto eu sou obrigada a tirar até o final do ano, ou eu perco os dias de férias.

Confesso que fiquei um pouco atribulada com essa notícia.

Não sei o que farei.
Eu continuo sem ânimo. Não tenho vontade de tirar férias, não tenho vontade de ir a lugar nenhum, e não tenho vontade de tirar férias para ficar sozinha isolada dentro de casa durante o inverno.

Uma leitora do blog que vai para a Noruega me convidou para dar um pulinho em Oslo, e eu fiquei bem animada, chequei vôo, hospedagem, aí fui checar como estava minha carga de trabalho, e descobri que a data da viagem coincide com os dias que eu tenho que entregar um projeto no trabalho. Que falta de sorte! A única coisa que me motivou, e o trabalho não me deixa curtir isso.

Pensei em perguntar se eu poderia receber dinheiro ao invés de tirar as férias, mas me contaram que eu precisaria de autorização especial para isso. Que a empresa normalmetne não paga. Aff

Também tenho que descobrir porque raios todo mundo acabou com um número quebrado de férias. Como é que se usa 0,66 dias de férias?

E agora, José?

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Jantarzinho

Sábado. Alguém do grupo de “Franceses em Copenhague” compartilhou que uma francesa que mora pras bandas de cá há 4 anos gravou um disco mês passado e ia fazer um concerto não muito longe da minha casa.

Como eu não tinha nada pra fazer, chequei no Spotify o estilo de música que ela canta. Gostei da voz dela, comprei o ingresso e fui.

Gostei bastante do show, apesar da maioria das letras das músicas dela serem bem deprimentes e tristes. Tive um sentimento de que é uma pessoa que guarda muito sofrimento e insatisfação com tudo e com todos. Eu entendo bem isso.

Normalmente eu prefiro escutar umas músicas animadas, mas mesmo as letras dela serem tristonhas, eu comprei o CD dela para guardar de lembrança. Quem sabe um dia eu escute do CD e me lembre das histórias que a cantora contou pra plateia.

Após o show era possível falar com a banda, e tal. Mas como só tinha ônibus de uma em uma hora para voltar pra minha casa, eu comprei o CD bem rápido, nem pedi para autografar, e saí correndo para o ponto do ônibus.

Estava uma tarde bem bonita e o busão me largou na frente do supermercado.

Me deu uma vontade louca de entrar no mercado, comprar uma carne (que faz tempo que não como) e preparar um jantarzinho aconchegante (outra coisa que não faço há meses!).

Comprei daqueles bifes que vem com o osso e um vasinho de rosas vermelhas.

Normalmente eu faria a comida e comeria de pé na cozinha, mas resolvi ir pra sacada. Meti duas calças, três blusas, meia grossa, e umas velas na mesa para me ajudar a ficar quentinha. Não tinha vento, mas já está fazendo frio na Dinamarca.

Comi meu bifão e fiz um macarrão com uns tomates murchos que eu tinha em casa.

Abri uma garrafa de vinho que o Carsten me deu de presente e esse foi o meu jantar. Parece bobagem, mas esse jantar me encheu de alegria. Talvez tenha sido o vinho!

Acho que comecei bem a minha semana de alforria!

Para quem interessar, o nome da cantora é Magali Michaut.

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Última semana de alforria

Gente, minhas aulas do mestrado recomeçarão na sexta-feira, dia 1º de outubro.

Meti na cabeça que chegou a hora de terminar esse curso de uma vez.

Fiz um esforço e terminei de pagar os últimos módulos. Agora só falta arrumar energia para estudar por horas e horas após uma dura jornada de trabalho e 2,5 horas de transporte público.

Não sei onde vou arrumar essa energia, mas vou deixar para chorar as pitangas na sexta-feira, no dia 1º de outubro. Até lá, vou aproveitar a última semana de “alforria” e fazer um monte de atividades.

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