Mudança

No post Sobrevivendo eu estava comentando que, depois de dividir apartamento com dois rapazes, morar com duas moças também não é uma coisa fenomenal. Na verdade, morar com elas está sendo ainda pior.

Com os meninos não tinha ninguém pegando no meu pé, tentando me controlar, nem fazendo barulho constante. As moças falam alto, têm muitos dias de folga ou começam a trabalhar depois das 10 da manhã e podem, por isso, ficar acordadas até tarde fazendo barulho. Meu quarto é logo atrás da televisão, e é inacreditável a altura do som no meu quarto, mesmo o volume da tv não estando tão alto. E a televisão fica ligada quase que o dia todo até altas horas da noite.

A mania de limpeza é outra coisa louca. Ter o apartamento limpo é uma coisa, ser neurótica por limpeza e querer limpar tudo mais de duas vezes por semana, é doentio.

Sem falar que querem controlar minha vida. Se eu quiser que uma amiga venha pernoitar, eu tenho que pedir permissão. Se eu for passar o fim de semana fora, querem saber se estarei fora. Me sinto como adolescente novamente, que tinha que dar satisfação da minha vida para meus avós o tempo todo.

Tudo isso fez com que eu ficasse bem cansada dessas moças e me empurrou para fazer uma loucura.

Literalmente, da noite pro dia, eu encontrei um outro apartamento localizado nessa mesma região onde tenho morado, porque é pertíssimo do trabalho. Telefonei de manhã, na hora do almoço fui ver o apartamento, no dia seguinte o contrato estava pronto, e uma semana depois está tudo pronto para mudança. Recebo as chaves daqui a dois dias.

O apartamento não é perfeito, e é super, híper, mega caro, mas aceitei, para que eu possa morar sozinha e ter paz. Eu não sirvo para compartilhar apartamento.

Meu contrato será de um ano no mínimo e nesse ano vou ter que fazer umas economias e reavaliar meus gastos. Vamos ver como tudo vai se ajeitar. Para mim, no momento, o importante é ter paz.

E enquanto isso, Carsten e eu colocamos a casa à venda. Já foram tiradas as fotos, e o técnico vem fazer a inspeção obligatória no mesmo horário em que eu pego as chaves do meu novo cafofo.

Acho que tudo vai entrar nos eixos… de uma forma ou de outra. Cruze os dedos por mim!

Naquela Noite

Um forrózinho finlandês para vocês. O título da música quer dizer “Naquela noite”. A letra é bem legal. Quando eu tiver tempo eu traduzo.

Sinä Yönä

Haaveissaan tahtoo poika oppia tanssimaan
Kanssa tytön jolla maailma jo hallussaan
He kulkevat näitä samoja katuja
Jolla ei kysytä ei nimeä, ei tarinaa

Pojan uniin tytön kuva kantaa
Vaikkei oppinut vielä askeltakaan
Heidän tiet, ne ei koskaan kohtaa
Kun maailma heitä omiaan teitä kuljettaa

Sinä yönä kun juhannusruusut puhkeaa kukkaan
On katseesi onnellinen ja täynnä elämää
Sinä yönä kun juhannusruusut puhkeaa kukkaan
Tartu käteeni tiedän aamu vie sut pois

Jo kaukaa tunnistit ne kauniit kasvot
Ne jotka muistat vielä vuosien takaa
Hänen hymynsä sinun mielesi valaisee
Mut aika se jatkaa omaa kulkuaan

Veden pintaa pitkin illan sävelet kaiku kuljettaa
Kesä yö on täynnä taikaa
Nouset ylös, otat ensimmäisen askeleen
Soi yössä soitto kahden kitaran

Sinä yönä kun juhannusruusut…

Sobrevivendo

Dizem que quem é vivo sempre aparece. Eu continuo aqui. Muitas novidades na minha vida, muita coisa nova, mas nem tudo dá para compartilhar no blog. 

Nós últimos 3 meses eu me mudei duas vezes. Em janeiro eu aluguei um quarto em um apartamento que compartilhava com dois rapazes de 24 anos. Um era estudante e o outro, estava trabalhando. Mas eles eram super bons amigos desde a infância, conversavam bastante juntos, gostavam de fazer coisas no meio da noite, como lavar roupa ou colocar a lava-louça para funcionar. Eu já não consegui entrar para o “time”, especialmente pq eu tento ir dormir cedo para acordar as 6 da manhã. 

Ainda bem que foi um lugar temporário, mas em compensação a localização era ótima. Do outro lado da rua, literalmente, fica a empresa onde eu trabalho. Eu tinha que andar 7 minutos para chegar no escritório. Fantástico!

Quando o contrato estava para acabar, calhou de eu encontrar dois outros lugares, todos pertinho desse lugar que eu estava morando. Acabei escolhendo morar com duas moças. Uma dinamarquêsa quase da minha idade que trabalha para a rainha da Dinamarca, e a outra, um a moça sueca de 22 anos, que trabalha em loja de roupas acho. 

Eu achava que seria mais tranquilo morar com mulheres e que o padrão de limpeza também seria um pouco melhor, e é, mas há outras coisas que não funcionam como um mar de rosas. 

Mas hoje eu não vou chorar as pitangas para vocês. Os detalhes eu conto outro dia que eu tiver tempo para aparecer aqui no blog. 

Madeira – primeiras impressões

Cinco horas de vôo de Copenhague até Funchal… e foi o avião pousar que começou a chover.

No saguão do aeroporto nos aguardava um taxista, segurando uma placa dizendo Sr. Rodrigues. Bom, não é a primeira vez que me chamam de senhor, então tudo bem.

Assim que eu me identifico como “Sr” Rodrigues, o homem desabou a falar. Ele achava que estavam fazendo uma brincadeira com ele, pois o sobrenome dele também é Rodrigues e em 27 anos trabalhando como taxista na Madeira, ele nunca antes tinha ido buscar alguém com o nome Rodrigues. Então ele puxa a manga da blusa para mostrar uma tatuagem enorme no seu antebraço que dizia: Rodrigues

Vai gostar do seu sobrenome assim, lá na conchinchina!
E ainda por cima, além de termos o mesmo sobrenome, descobri que ele tinha o mesmo nome do meu pai! José Rodrigues.

Dentro do taxi, esse homem não parava de falar. Nos deu muitas dicas. Uma delas era ir do nosso hotel até uma vila de pescadores e de lá pega o trem confersível para o cabo Girão.

Enquanto estávamos no taxi, caiu um toró, mas um toró. Era o dilúvio, daqueles que não dá para ver nem um palmo na sua frente. Mas foi uma tempestade de verão. Depois de 5 minutos, a chuva sumiu e não voltou a chover por uma semana, só para contrariar a previsão do tempo, que dizia que ia chover todo dia!

Chegando no hotel, ficamos embasbacados com o tamanho do quarto. 72 metros quadrados. Dois banheiros, sala, cozinha, quarto, escritório, varanda. Caramba!

A sacada dava de frente tanto para um jardim bem bacana quanto para o mar. Isso sim é que foi uma viagem de luxo!

Ano novo 

Um alô rápido da ilha da Madeira, onde vim passar o Natal e ano novo. 

A previsão era de chuva todos os dias, mas chuva só vi quando o avião pousou. Aliás aquilo não era nem chuva, era um dilúvio. Mas depois disso, apesar da previsão do tempo dizer chuva, só fez sol. Peguei até uma corzinha! 

A viagem está sendo fantástica, tanto para proporcionar novas experiências como para descanso. 

Os fogos de artifício na virada foram maravilhosos e valeu a viagem. 

Não deu para ver nem fazer tudo o que eu queria, mas não faz mal. Fica assim um motivo para eu um dia voltar. 

Hoje é meu último dia na ilha e estou aproveitando para descansar e tostar no sol de biquini, antes de voltar para a gélida Dinamarca, onde neve e cinco graus negativos me aguardam. 
Quando eu voltar, eu conto os detalhes da viagem, para inspirar vocês a um dia virem para cá. 

Fim de um ano louco

Quando eu comecei a dançar forró eu precisava de alguma coisa boa na minha vida. Sempre gostei de dançar, mas jamais pensei que me entregaria de corpo e alma para a dança.

No Brasil, aquela época que eu morava pra bandas daí, a gente dançava tudo com dois passos pra cá, dois passos pra lá, e tava bom demais. Mas as danças todas evoluíram bastante, e agora estão cheias de passos complicados, voltinhas, piruetas e afins.

Eu tinha feito uma promessa para mim mesma, de que eu devotaria um ano inteiro para a dança, viajando para dançar com gente que dança bem, para eu conhecer gente nova e melhorar a minha dança.

Em 52 semanas (um ano) participei de 23 eventos grandes de dança. São eventos que duram pelo menos 3 dias. E isso sem contar os eventos menores aqui em Copenhague.

Gastei horrores, mas foi uma questão de prioridade. Ao invés de ir a um restaurante, cinema, ou comprar uma coisa pra mim, eu decidi que gastaria meu dinheiro com experiências novas e me divertiria.

Chega daquela vida de ficar só socada dentro de casa. Chega de ficar chateada por estar doente e ter que passar por operações. Chega de sentir pena de mim mesma pq talvez eu tenha feito escolhas erradas na minha vida e demorei tempo demais até tomar uma decisão para mudar.

Essas foram as viagens e eventos grandes dos quais eu participei nesse período:

  1. Lisboa (Portugal) – Festival de forró O Baião Vai 2015
  2. Edimburgo (Escócia) – Festival Hogmanay
  3. Copenhague (Dinamarca) – Festival de kizomba Royal Copenhagen
  4. Oslo (Noruega) – Evento de forró
  5. Berlim (Alemanha) – Festival de forró Psiu! 2016
  6. Londres (Inglaterra) – Festival de forró Forró London 2016
  7. Oslo (Noruega) – Evento de forró “esquenta Ai Que Bom!”
  8. Paris (França) – Festival de forró Ai Que Bom! 2016
  9. Hamburgo (Alemanha) – Evento de forró
  10. Copenhague (Dinamarca) – Festival do Forró Copenhague
  11. Berlim (Alemanha) – Aniversário do Tome Forró Berlim
  12. Estocolmo (Suécia) – Festival de forró Alegria do Norte 2016
  13. Copenhague (Dinamarca) – Festival de kizomba
  14. Barcelona (Espanha) – Festival de forró Pisa na Fulô 2016
  15. Copenhague (Dinamarca) – Evento de forró com Calango Trio
  16. Amsterdã (Holanda) – Festival de forró Amsterdam 2016
  17. Colônia (Alemanha) – Festival de forró de Colônia 2016
  18. Berlim (Alemanha) – Evento do Tome Forró com os 3 do Nordeste
  19. Berlim (Alemanha) – Evento de forró com os Conterrâneos
  20. Aachen (Alemanha) – Festival de forró de Aachen 2016
  21. Aarhus (Dinamarca) – Evento de kizomba e forró
  22. Hamburgo (Alemanha) – Evento de forró com os Luso Baião
  23. Copenhague (Dinamarca) – Evento de forró com Zeu Azevedo
  24. Lisboa (Portugal) – Festival de forró O Baião Vai 2016
  25. Ilha da Madeira (Portugal) – Festividades de fim de ano

Percebi que viajo bastante para a Alemanhã. Talvez no ano que vem eu precise de novos ares. Quem sabe ir mais para a França. Tem muito forró por lá. E participar de uns festivais no Brasil. Talvez Nata Forrozeira, Fenfit, Rootstock. Veremos.

Esse ano vai acabar com uma viagem para a ilha da Madeira para passear, aproveitar a natureza e ver os fogos de artifício, que são uns dos mais bonitos do mundo. Estão no Guinness Book of Records.

O ano também vai encerrar uma grande etapa da minha vida. Não só vou reavaliar se eu vou continuar dançando forró, mas também é o fim do meu casamento. Um relacionamento de 16 anos. É um ciclo que se fecha.

Começar um casamento / relacionamento não acontece de uma hora pra outra, então para terminá-lo, também não é assim de supetão. Temos que colocar a casa em ordem antes de vendê-la. Estou procurando por um apartamento perto do meu trabalho, das minhas amigas e das atividades sociais da cidade.

Viver no campo foi muito bom, no período que eu estava precisando de paz e silêncio. Agora estou na fase de querer ver vida, luzes, sons.

As pessoas que sabem que Carsten e eu resolvemos nos separar têm me perguntado se eu estou bem. Sim, eu estou bem. Demorei 8 anos para tomar essa decisão, e agora não volto atrás. É o melhor para mim, e um dia Carsten vai ver que também será o melhor para ele.

Estamos terminando tudo com muita amizade e respeito. Nada de brigas, nada de discórdia. Talvez um pouco de tristeza, porque não é uma decisão fácil, mas assim é a vida. Mas dias melhores virão.

Boas festas de fim de ano para todos e até o ano que vem, com novas histórias, novas descobertas e se Deus quiser, muitas alegrias.

CEO

Sexta foi a festa de natal da minha empresa. Não foi tão animada quanto a do ano passado, mas tudo bem. Eu sou uma chata para esse tipo de coisa. A música tem que ser boa, ou eu acho que tudo foi horrível. Mesmo eu não tendo gostado da noite, vi algo que achei muito bacana. Mas deixa eu explicar a situação toda para vc entender.

O manda-chuva da nossa empresa é um cara bem ambicioso e assim que entrou na empresa no verão de 2015, a primeira decisão dele foi cortar 18% dos empregos e acabar com os contratos de cooperação com outras indústrias farmacêuticas, assumindo assim todos os riscos, mas também os ganhos (se houver algum).

Ele vem de uma outra indústria farmacêutica, onde eu trabalhei por muitos anos, e onde os chefões não se misturam com a plebe. Para quem vem do Brasil, não há nada de anormal nisso, mas na Dinamarca, todos são iguais. Ninguém deve achar que é melhor que ninguém, nem mesmos os chefes. Mas as coisas não funcionam assim lá naquela empresa.

No entanto o nosso manda-chuva sempre me impressiona. Mesmo vindo da outra empresa e sendo um cara híper ambicioso, ele sempre mostra que é parte da nossa empresa e que ele é como qualquer um. Todos os dias ele come na nossa cantina, junto com todo mundo. Pega o pratinho dele, pega a comida no buffet, se senta nas mesas ou na bancada e come o almoço dele com os colegas. Já o vi até lá fora, no pátio, num dia de verão, comendo seu almoço e tomando um solzinho.

Pois bem… na festa de natal eu achei muito, mas muito interessante vê-lo se misturando com a galera. Eu o vi dançando no meio da pista por várias vezes. E vc acha que ele só estava dançando com membros da diretoria? Não, não, não. Dançando com gente bem abaixo do patamar dele.. aliás, ele dançou até com uma moça que veio em uma das reuniões que eu estava presidindo. Fiquei até admirada, vê-los dançando, em altos papos!

Eu já não teria coragem de tirar o presidente da empresa para dançar. Eu sou toda esquisita quando se trata de gente famosa ou poderosa. Mas é assim, as pessoas são diferentes. Mesmo assim achei genial vê-lo se divertindo com a plebe!

Ilegal

Voltei ontem de Berlim e vim direto do aeroporto para o trabalho. Estou eu saindo do elevador e toca meu telefone. O identificador de chamada mostrou um número que eu não conhecia.

Alô
Você que é a dona de um Astra, placa tal?
Sim
Ele está estacionado no hotel Tivoli?
Onde?
No subsolo to Tivoli.
Qual é a placa do carro? E a cor?
(ele confirmou, e era o meu carro)
O seu carro está estacionado tão perto do meu, que eu não posso abrir a porta para entrar no carro.
Não sou eu que estou usando o carro hoje. Mas o seu carro tem dois lados. E o outro lado? Vc não pode entrar por ele?
Sim, eu posso, mas a questão é que estacionar tão perto pode causar danos no meu carro.
O meu carro causou danos no seu carro? Vc pode checar?
Não, acho que não, mas é a questão de estacionar assim tão perto.
Então me desculpei e ele desligou.

Carsten estava usando o carro ontem e coincidentemente ele tirou uma foto do estacionamento, pq o cara que me ligou estava estacionado fora da área demarcada e tomando espaço de quase 2 carros. Carsten estacionou bem colado de propósito, mas tb pq não tinha outra maneira de estacionar. E a culpa é do cara que me ligou.

Agora vem a parte boa. Como o cara conseguiu o número do meu telefone a partir da placa do carro? Essa informação só se consegue com a polícia. O que indica que o cara tem conexões. Mas eu também tenho! E eu sei que é ilegal fornecer esse tipo de informação. Hoje eu vou descobrir qual departamento da polícia – e quem exatamente – liberou o meu número de telefone e vou registrar uma reclamação.

Recordação

Volte das férias de verão no início da semana e voltei ao trabalho na quinta-feira.
Estava eu na cantina do meu trabalho, quando vejo um morenão bonito me encarando. Então eu perguntei se ele era brasileiro e ele disse que não, e me perguntou se eu me lembrava dele.

Fiquei surpreendida com a pergunta. Eu costumo ser boa para me lembrar de um rosto, principalmente um rosto bonito, mas dele eu confesso que não me lembrava.

Olha a memória desse cara. Ele se lembra de mim da época que eu trabalhava na Novozymes. Isso faz uns 10 anos. Aparentemente eu ia buscar amostras de enzimas no laboratório onde ele trabalhava.

Fiquei depois pensando, como é possível eu não me lembrar… mas de repente, quando escutei o nome dele (Modesto), eu me lembrei. Esse homem se lembra de mim, mas eu só fui no laboratório dele umas duas vezes. Caramba, isso é que é memória boa.

Coisa fantástica nessa vida. É impressionante como as pessoas que passam na vida da gente, ou deixam muitas marcas e lembranças ou passam despercebidas.

Surpreendente

Na postagem antiga eu estava sofrendo por antecipação, antes mesmo de ir para Barcelona. Devo dizer que essa última viagem mudou a minha opinião sobre a cidade. Dessa vez fiquei só na região da Barceloneta e foi muito bacana. Bem diferente.

Comi muito bem, dancei bastante forró, e vi muita gente nua na praia, que é mixta.

Estava um calor infernal, mas foi bom. De dia não dava para ir a lugar nenhum, mas de noite dava para andar só usando uma regatinha e passear no calçadão. De alguma forma me lembrou a cidade de Santos.

Não sei se volto a Barcelona para o forró, pois achei muito mal organizado, mas quem sabe um dia volto para passear no calçadão da Barceloneta.

Barcelona

Por causa do forró estou quebrando todas as minhas promessas. Em 2008 eu fui a Barcelona com várias amigas. Passamos uma semana lá, e depois disso, eu jurei que não voltaria naquela cidade.

Não me entenda mal. A cidade é muito bonita. Há muita coisa interessante para ver. O clima é gostoso, as pessoas me trataram bem, e até encontramos uma churrascaria brasileira. Os problemas foram a comida e a falta de segurança da cidade.

Não sei que tipos de temperos ou aditivos eles usam na comida, mas tudo pesava no estômago. Depois de três dias na cidade eu já não aguentava mais. Tinha fome mas não tinha vontade de comer nada, porque sabia que iria doer no estômago. Acabamos comendo em McDonalds e fast foods de shopping centers para tentar encontrar uma comida que não pesasse.

Quanto à segurança. Como tem batedor de carteira nessa cidade. Nas outras capitais da Europa, a gente pode fazer caminhadas tranquilas pela cidade, mas em Barcelona isso não é possível. Uma caminhada de 100 metros é um estresse. Deve-se ter olhos nas costas para não ser roubado. Todos os gringos que eu conheço tiveram algo roubado durante uma viagem para Barcelona e acabaram passando parte da viagem na delegacia de polícia, tentando falar espanhol, e fazendo boletim de ocorrência.

Meu conselho para quem vai a Barcelona: para evitar ser roubado, o melhor é ser um pouco neurótico e achar que todo mundo é batedor de carteira.

Mas o forró… eu viajo daqui a uma semana, para participar do festival em Barcelona. Confesso que já estou meio ansiosa, pensando se vou passar pelo mesmo sofrimento com a comida, como da última vez.

Veremos.

Sofrimento

Fui ao dentista. Nem preciso dizer mais nada.

Coitadinho, o meu dentista está todo sozinho naquele consultório. Ele não dá sorte encontrando dentistas auxiliares. De alguma maneira ele sempre contrata mulher e elas vivem em licença maternidade.

Mas não era nada disso que eu ia dizer. Hoje eu sofri demais na cadeira, mesmo não tendo cárie nenhuma. É a limpeza que mata a gente aqui. Eles não usam o jato de bicarbonato, como no Brazil, porque isso acaba com o esmalte do dente. Eles usam uma sonda de ultra-som, que é muito eficiente, mas dói demais. Quando a sonda toca a gengiva, é uma verdadeira carnificina. Assim não tem quem aguente.

A única coisa boa disso é o preço. Há 9 anos que o preço da limpeza é o mesmo. Honestamente, eu não sei como o meu dentista consegue essa façanha, quando tudo mais custa os olhos da cara.

Ouriçada

Nesse fim de semana tem festival de kizomba – uma dança proveniente de Angola, e que eu gosto de dançar de vez em quando.

Estava eu saindo de casa para ir para a festa, em torno das 9 da noite, e nesse horário está escurecendo. Entrei no carro, e pensei: melhor pegar o navegador GPS porque eu não conheço o caminho para o local. Cadê o negócio? Não está no carro. E cadê meu telefone? Putz, esqueci dentro de casa.

Saio do carro e enquanto estou destrancando a porta de casa, eu vejo um bicho me encarando. Já estava meio escuro, e de longe parecia uma ratazana. Fiquei com medo, e chamei o Carsten, que estava dentro de casa, para ele vir bem devagar até a porta, sem fazer barulho.

O bicho continuava lá, me encarando.

Carsten coloca a cabeça para fora de casa, e não estava bem certo se era um rato.

De repente o bicho vira, e dá uma caminhadinha e nós, embasbacados, pudemos ver que não se tratava de um rato, mas de um ouriço (hedgehog). Eu nunca tinha visto um antes na minha vida, assim ao vivo, somente em foto e em filme. Carsten disse que fazia uns 20 anos que ele não via um ouriço.

E eu, vendo as fotos, sempre achei que era um bichinho pequeno, mas esse tinha uns 25 a 30 centímetros. E parece ser um bicho bem dócil. Ficou lá olhando bem no olho da gente por uns dois minutos.

Carsten foi buscar a câmera fotográfica, mas bem nessa hora o bicho resolveu se embrenhar na folhagem. Pena.

Pensamos em dar alguma comida, mas nos lembramos que se for para dar algo, é ração para gato. Tem gente que põe leite para os ouriços (pois eles são mamíferos), mas isso faz com que o bicho fique doente e pode até matar. Então não se deve dar leite. E acabamos não dando nada, pois não temos ração de gato em casa.

Fui embora para Copenhague para dançar kizomba super contente, por ter visto pela primeira vez um ouriço selvagem no meu jardim. Será que vou ter outra oportunidade dessas?

Melhor que isso, somente a lua cheia, enorme e dourada, que estava iluminando o céu durante todo meu percurso até o centro da cidade.

Tricotando 

Acho que fazer tricô está na moda aqui. Muita gente, somente mulheres, obviamente, sentada no trem e tricotando uma nova peça de vestimenta. 

Tem gente que chega ao cúmulo de trazer o material para tricotar para as reuniões de departamento da empresa e sentam lá, com as mãos à obra. 

Será que elas prestam atenção no que está sendo dito? Ou será que ficam contando quantos pontos deram para a direita, e quantos pontos faltam para a esquerda? 

Achados e perdidos

Ontem eu postei sobre um telefone que foi esquecido dentro do banheiro do meu trabaho.

Como eu imaginei que o telefone ainda estaria no mesmo lugar, e eu não queria ver nenhum objeto perdido, eu resolvi ir até o banheiro do outro lado do prédio. Mas vai ter carma assim na Conchinchina. Entro no lavabo e a primeira coisa que vejo é uma garrafinha de água na pia e dentro da lixeira, um copo descartável que foi usado para café.

Mas o que é isso? O povo está pensando em passar horas dentro do banheiro e leva bebida junto? Sem comentários.
E nem venha com a desculpa de que levaram a garrafinha para enchê-la na pia, pois essa desculpa não cola, já que a água do banheiro é sempre morna.

Estou até com medo de ir ao banheiro novamente. O que mais será que eu vou encontrar por lá? Uma camisinha usada, talvez, que nem encontraram numa sala de reuniões da minha antiga empresa! Verdade!