Aeroporto 

Tomando um chá violento de cadeira aqui no aeroporto de Stavanger. Quatro horas de espera pelo novo vôo. Pelo menos pagaram meu jantar e no aeroporto tinha uns sofá cama, onde me instalei e proclamei: daqui não saio, daqui ninguém me tira. 

Deitei, assisti filme no Netflix, chorei que borrou toda a maquiagem. Uma coisa pavorosa. Mas eu estava bem confortável e feliz. Maldita hora que a bexiga apertou e tive que procurar um banheiro. Perdi meu lugar. 

Enfezei e resolvi passar para a ala dos voos internacionais. Ali não tinha sofazão, mas tinha um canto agradável com tabuleiro de xadrez. Foi onde me sentei para escrever o post anterior. Agora estou aguardando o embarque. Pelo menos o avião já estacionou. Que canseira. 

Sofá onde me acomodei e cantinho do xadrez. 

Pedra 

As coisas melhoraram um pouco. Dancei bastante na festa de sábado e domingo amanheceu ensolarado. 

Peguei a balsa e fui de Stavanger para Tau, depois o ônibus até o pé da montanha onde fica a preikerstolen. 

Já os primeiros 50 metros de escalada acabaram comigo. Taquicardia, falta de ar, suadouro. Gente, estou fora de forma. 

E ao meu redor tinha velhinho de bengala, criança e até cachorro subindo o morro. Pensei comigo: se esse cachorro fru-fru consegue subir, eu também consigo! E fui. 

É uma escalada de duas horas. Fiz em uma hora e vinte, pq eu estava preocupada com o tempo. Meu vôo de retorno era 6 da tarde e para voltar a tempo eu teria que começar a descida 12:45. Acho que foi essa afobação que me cansou tanto. 

Faltando uns 45 minutos de escalada, o tempo virou. Foi rápido. Começou de repente a chover torrencialmente e fiquei enxarcada. 

Chegando na pedra, a vista não estava boa por causa da chuva e das nuvens. E vinha o vento, que frio. Passei frio demais. Mas fiquei lá em cima por quase uma hora pq parecia que ia clarear um pouco. Mas foi pouco e resolvi começar a descida 12:30 porque as pedras estavam escorregadias e achei que ia demorar mais pra descer. 

Eis que durante a descida eu encontrei meus amigos fazendo a subida! Foi legal. 

Desci. Muita gente escorregando e caindo perto de mim, e eu estava toda satisfeita que minha escalada tinha sido perfeita. Quase perfeita. Levei um escorregão e tombasso nos últimos metros! Me esfolei, mas não faz mal. É souvenir da viagem! 

E foi entrar no ônibus que o sol apareceu. Realmente a sorte não estava do meu lado nessa viagem. 

Chegando no aeroporto, vôo cancelado. Estou aqui faz 4 horas aguardando novo vôo. 

Sem sorte 

Gente, troquei um calor gostoso em Copenhague para vir para frio e chuva aqui na Noruega. Não deu nem para fazer a escalada na pedra púlpito. Nem no festival de dança estou dando sorte. Não dancei nada ontem. Vamos ver se hoje de noite a sorte muda. 

Temp 

Copenhague, um calorão gostoso (tenha em mente que o povo aqui começa a derreter nos 22 graus) e eu, ao invés de curtir da minha sacada, estou arrastando roupas de inverno e um casacão. O povo está me olhando como se eu fosse louca. 

Ainda não pirei na batatinha. Simplesmente escolhi o fim de semana errado para ir escalar a pedra púlpito (preikerstolen) nos fiordes da Noruega. 

Despedida

Realmente, Barcelona é a cidade preferida da galera para ir fazer despedida de solteiro. 

No post anterior comentei de dois grupos que vi no aeroporto. Pois naquele mesmo dia, vi mais dois. Dois grupos de mulheres no centro da cidade. 

O primeiro grupo, estava portando óculos Pink e eu cheguei a achar que era o mesmo grupo do aeroporto, mas me enganei. Essas moças no centro eram francesas. No meio da praça elas enrolaram um lençol e começaram a chamar o povo que estava sentando na escadaria para fazer um cabo de guerra! 

Foi uma luta de puxa pra cá e puxa pra lá. Cheguei a achar que todo mundo ia rolar no chão, mas não acabou nessa tragédia. O povo se divertiu e foram embora. 

E eu continuei lá, aproveitando o sol. Minutos mais tarde, chega um novo grupo de despedida de solteiro, moças espanholas, conversando bem alto, fazendo algazarra. A noiva estava com uma peruca afro que tinha no topo uma cestinha de basquetebol. Eu achei que elas iam fazer alguma brincadeira com aquela cestinha, acertar a bola, por exemplo, mas não aconteceu nada. Acho que elas já tinham brincado demais da conta e estavam cansadas. Foram ali somente para tomar um refresco. 

Achei fenomenal isso. A última vez que eu tinha visto despedida de solteiro desse jeito foi numa viagem para a Suécia, onde a noiva e suas amigas estavam parando estranhos na rua para fazer um jogo de adivinhação. Eram très perguntas sobre a noiva, e só olhando para a cara dela, a gente tinha que adivinhar. Eu lembro que achei a brincadeira bem bolada e bem-humorada. 

Pelo visto, é uma tradição viajar para Barcelona para fazer festa de despedida de solteiro. 

No Brasil a gente tem dessas coisas? Eu nem sei. 

Crazy Barça 

Acabei de aterrissar em Barcelona. Vim visitar um forrozeiro amigo meu, dançar e descansar. 

Aparentemente Barcelona é o lugar para vir fazer despedida de solteiro. No aeroporto vi vários. 

Caras vestidos de uniforme de futebol e o noivo vestido de “coelhinha” mascote do time. Esse cara está aqui no ônibus comigo, a caminho da praça Catalunha. Toda vez que eu olho oras orelhas de coelho que ele está usando, eu caio na risada. 

No saguão do aeroporto tinha tb um grupo de moças, todas usando uns óculos enormes cor-de-rosa, fru-fru de cabelo pink, bolsas brilhosa e a noiva estava de véu, para diferenciar. 

Vamos ver o que mais a cidade me reserva. 

E pensar que eu estou aqui de novo (última vez foi setembro, festival de forró pisa na fulô). E eu que, há uns 10 anos atrás, tinha jurado que não voltaria mais aqui. 

Realmente, a gente nunca deve dizer que dessa água não beberei! 

Mudança

No post Sobrevivendo eu estava comentando que, depois de dividir apartamento com dois rapazes, morar com duas moças também não é uma coisa fenomenal. Na verdade, morar com elas está sendo ainda pior.

Com os meninos não tinha ninguém pegando no meu pé, tentando me controlar, nem fazendo barulho constante. As moças falam alto, têm muitos dias de folga ou começam a trabalhar depois das 10 da manhã e podem, por isso, ficar acordadas até tarde fazendo barulho. Meu quarto é logo atrás da televisão, e é inacreditável a altura do som no meu quarto, mesmo o volume da tv não estando tão alto. E a televisão fica ligada quase que o dia todo até altas horas da noite.

A mania de limpeza é outra coisa louca. Ter o apartamento limpo é uma coisa, ser neurótica por limpeza e querer limpar tudo mais de duas vezes por semana, é doentio.

Sem falar que querem controlar minha vida. Se eu quiser que uma amiga venha pernoitar, eu tenho que pedir permissão. Se eu for passar o fim de semana fora, querem saber se estarei fora. Me sinto como adolescente novamente, que tinha que dar satisfação da minha vida para meus avós o tempo todo.

Tudo isso fez com que eu ficasse bem cansada dessas moças e me empurrou para fazer uma loucura.

Literalmente, da noite pro dia, eu encontrei um outro apartamento localizado nessa mesma região onde tenho morado, porque é pertíssimo do trabalho. Telefonei de manhã, na hora do almoço fui ver o apartamento, no dia seguinte o contrato estava pronto, e uma semana depois está tudo pronto para mudança. Recebo as chaves daqui a dois dias.

O apartamento não é perfeito, e é super, híper, mega caro, mas aceitei, para que eu possa morar sozinha e ter paz. Eu não sirvo para compartilhar apartamento.

Meu contrato será de um ano no mínimo e nesse ano vou ter que fazer umas economias e reavaliar meus gastos. Vamos ver como tudo vai se ajeitar. Para mim, no momento, o importante é ter paz.

E enquanto isso, Carsten e eu colocamos a casa à venda. Já foram tiradas as fotos, e o técnico vem fazer a inspeção obligatória no mesmo horário em que eu pego as chaves do meu novo cafofo.

Acho que tudo vai entrar nos eixos… de uma forma ou de outra. Cruze os dedos por mim!

Naquela Noite

Um forrózinho finlandês para vocês. O título da música quer dizer “Naquela noite”. A letra é bem legal. Quando eu tiver tempo eu traduzo.

Sinä Yönä

Haaveissaan tahtoo poika oppia tanssimaan
Kanssa tytön jolla maailma jo hallussaan
He kulkevat näitä samoja katuja
Jolla ei kysytä ei nimeä, ei tarinaa

Pojan uniin tytön kuva kantaa
Vaikkei oppinut vielä askeltakaan
Heidän tiet, ne ei koskaan kohtaa
Kun maailma heitä omiaan teitä kuljettaa

Sinä yönä kun juhannusruusut puhkeaa kukkaan
On katseesi onnellinen ja täynnä elämää
Sinä yönä kun juhannusruusut puhkeaa kukkaan
Tartu käteeni tiedän aamu vie sut pois

Jo kaukaa tunnistit ne kauniit kasvot
Ne jotka muistat vielä vuosien takaa
Hänen hymynsä sinun mielesi valaisee
Mut aika se jatkaa omaa kulkuaan

Veden pintaa pitkin illan sävelet kaiku kuljettaa
Kesä yö on täynnä taikaa
Nouset ylös, otat ensimmäisen askeleen
Soi yössä soitto kahden kitaran

Sinä yönä kun juhannusruusut…

Sobrevivendo

Dizem que quem é vivo sempre aparece. Eu continuo aqui. Muitas novidades na minha vida, muita coisa nova, mas nem tudo dá para compartilhar no blog. 

Nós últimos 3 meses eu me mudei duas vezes. Em janeiro eu aluguei um quarto em um apartamento que compartilhava com dois rapazes de 24 anos. Um era estudante e o outro, estava trabalhando. Mas eles eram super bons amigos desde a infância, conversavam bastante juntos, gostavam de fazer coisas no meio da noite, como lavar roupa ou colocar a lava-louça para funcionar. Eu já não consegui entrar para o “time”, especialmente pq eu tento ir dormir cedo para acordar as 6 da manhã. 

Ainda bem que foi um lugar temporário, mas em compensação a localização era ótima. Do outro lado da rua, literalmente, fica a empresa onde eu trabalho. Eu tinha que andar 7 minutos para chegar no escritório. Fantástico!

Quando o contrato estava para acabar, calhou de eu encontrar dois outros lugares, todos pertinho desse lugar que eu estava morando. Acabei escolhendo morar com duas moças. Uma dinamarquêsa quase da minha idade que trabalha para a rainha da Dinamarca, e a outra, um a moça sueca de 22 anos, que trabalha em loja de roupas acho. 

Eu achava que seria mais tranquilo morar com mulheres e que o padrão de limpeza também seria um pouco melhor, e é, mas há outras coisas que não funcionam como um mar de rosas. 

Mas hoje eu não vou chorar as pitangas para vocês. Os detalhes eu conto outro dia que eu tiver tempo para aparecer aqui no blog. 

Madeira – primeiras impressões

Cinco horas de vôo de Copenhague até Funchal… e foi o avião pousar que começou a chover.

No saguão do aeroporto nos aguardava um taxista, segurando uma placa dizendo Sr. Rodrigues. Bom, não é a primeira vez que me chamam de senhor, então tudo bem.

Assim que eu me identifico como “Sr” Rodrigues, o homem desabou a falar. Ele achava que estavam fazendo uma brincadeira com ele, pois o sobrenome dele também é Rodrigues e em 27 anos trabalhando como taxista na Madeira, ele nunca antes tinha ido buscar alguém com o nome Rodrigues. Então ele puxa a manga da blusa para mostrar uma tatuagem enorme no seu antebraço que dizia: Rodrigues

Vai gostar do seu sobrenome assim, lá na conchinchina!
E ainda por cima, além de termos o mesmo sobrenome, descobri que ele tinha o mesmo nome do meu pai! José Rodrigues.

Dentro do taxi, esse homem não parava de falar. Nos deu muitas dicas. Uma delas era ir do nosso hotel até uma vila de pescadores e de lá pega o trem confersível para o cabo Girão.

Enquanto estávamos no taxi, caiu um toró, mas um toró. Era o dilúvio, daqueles que não dá para ver nem um palmo na sua frente. Mas foi uma tempestade de verão. Depois de 5 minutos, a chuva sumiu e não voltou a chover por uma semana, só para contrariar a previsão do tempo, que dizia que ia chover todo dia!

Chegando no hotel, ficamos embasbacados com o tamanho do quarto. 72 metros quadrados. Dois banheiros, sala, cozinha, quarto, escritório, varanda. Caramba!

A sacada dava de frente tanto para um jardim bem bacana quanto para o mar. Isso sim é que foi uma viagem de luxo!

Ano novo 

Um alô rápido da ilha da Madeira, onde vim passar o Natal e ano novo. 

A previsão era de chuva todos os dias, mas chuva só vi quando o avião pousou. Aliás aquilo não era nem chuva, era um dilúvio. Mas depois disso, apesar da previsão do tempo dizer chuva, só fez sol. Peguei até uma corzinha! 

A viagem está sendo fantástica, tanto para proporcionar novas experiências como para descanso. 

Os fogos de artifício na virada foram maravilhosos e valeu a viagem. 

Não deu para ver nem fazer tudo o que eu queria, mas não faz mal. Fica assim um motivo para eu um dia voltar. 

Hoje é meu último dia na ilha e estou aproveitando para descansar e tostar no sol de biquini, antes de voltar para a gélida Dinamarca, onde neve e cinco graus negativos me aguardam. 
Quando eu voltar, eu conto os detalhes da viagem, para inspirar vocês a um dia virem para cá. 

Fim de um ano louco

Quando eu comecei a dançar forró eu precisava de alguma coisa boa na minha vida. Sempre gostei de dançar, mas jamais pensei que me entregaria de corpo e alma para a dança.

No Brasil, aquela época que eu morava pra bandas daí, a gente dançava tudo com dois passos pra cá, dois passos pra lá, e tava bom demais. Mas as danças todas evoluíram bastante, e agora estão cheias de passos complicados, voltinhas, piruetas e afins.

Eu tinha feito uma promessa para mim mesma, de que eu devotaria um ano inteiro para a dança, viajando para dançar com gente que dança bem, para eu conhecer gente nova e melhorar a minha dança.

Em 52 semanas (um ano) participei de 23 eventos grandes de dança. São eventos que duram pelo menos 3 dias. E isso sem contar os eventos menores aqui em Copenhague.

Gastei horrores, mas foi uma questão de prioridade. Ao invés de ir a um restaurante, cinema, ou comprar uma coisa pra mim, eu decidi que gastaria meu dinheiro com experiências novas e me divertiria.

Chega daquela vida de ficar só socada dentro de casa. Chega de ficar chateada por estar doente e ter que passar por operações. Chega de sentir pena de mim mesma pq talvez eu tenha feito escolhas erradas na minha vida e demorei tempo demais até tomar uma decisão para mudar.

Essas foram as viagens e eventos grandes dos quais eu participei nesse período:

  1. Lisboa (Portugal) – Festival de forró O Baião Vai 2015
  2. Edimburgo (Escócia) – Festival Hogmanay
  3. Copenhague (Dinamarca) – Festival de kizomba Royal Copenhagen
  4. Oslo (Noruega) – Evento de forró
  5. Berlim (Alemanha) – Festival de forró Psiu! 2016
  6. Londres (Inglaterra) – Festival de forró Forró London 2016
  7. Oslo (Noruega) – Evento de forró “esquenta Ai Que Bom!”
  8. Paris (França) – Festival de forró Ai Que Bom! 2016
  9. Hamburgo (Alemanha) – Evento de forró
  10. Copenhague (Dinamarca) – Festival do Forró Copenhague
  11. Berlim (Alemanha) – Aniversário do Tome Forró Berlim
  12. Estocolmo (Suécia) – Festival de forró Alegria do Norte 2016
  13. Copenhague (Dinamarca) – Festival de kizomba
  14. Barcelona (Espanha) – Festival de forró Pisa na Fulô 2016
  15. Copenhague (Dinamarca) – Evento de forró com Calango Trio
  16. Amsterdã (Holanda) – Festival de forró Amsterdam 2016
  17. Colônia (Alemanha) – Festival de forró de Colônia 2016
  18. Berlim (Alemanha) – Evento do Tome Forró com os 3 do Nordeste
  19. Berlim (Alemanha) – Evento de forró com os Conterrâneos
  20. Aachen (Alemanha) – Festival de forró de Aachen 2016
  21. Aarhus (Dinamarca) – Evento de kizomba e forró
  22. Hamburgo (Alemanha) – Evento de forró com os Luso Baião
  23. Copenhague (Dinamarca) – Evento de forró com Zeu Azevedo
  24. Lisboa (Portugal) – Festival de forró O Baião Vai 2016
  25. Ilha da Madeira (Portugal) – Festividades de fim de ano

Percebi que viajo bastante para a Alemanhã. Talvez no ano que vem eu precise de novos ares. Quem sabe ir mais para a França. Tem muito forró por lá. E participar de uns festivais no Brasil. Talvez Nata Forrozeira, Fenfit, Rootstock. Veremos.

Esse ano vai acabar com uma viagem para a ilha da Madeira para passear, aproveitar a natureza e ver os fogos de artifício, que são uns dos mais bonitos do mundo. Estão no Guinness Book of Records.

O ano também vai encerrar uma grande etapa da minha vida. Não só vou reavaliar se eu vou continuar dançando forró, mas também é o fim do meu casamento. Um relacionamento de 16 anos. É um ciclo que se fecha.

Começar um casamento / relacionamento não acontece de uma hora pra outra, então para terminá-lo, também não é assim de supetão. Temos que colocar a casa em ordem antes de vendê-la. Estou procurando por um apartamento perto do meu trabalho, das minhas amigas e das atividades sociais da cidade.

Viver no campo foi muito bom, no período que eu estava precisando de paz e silêncio. Agora estou na fase de querer ver vida, luzes, sons.

As pessoas que sabem que Carsten e eu resolvemos nos separar têm me perguntado se eu estou bem. Sim, eu estou bem. Demorei 8 anos para tomar essa decisão, e agora não volto atrás. É o melhor para mim, e um dia Carsten vai ver que também será o melhor para ele.

Estamos terminando tudo com muita amizade e respeito. Nada de brigas, nada de discórdia. Talvez um pouco de tristeza, porque não é uma decisão fácil, mas assim é a vida. Mas dias melhores virão.

Boas festas de fim de ano para todos e até o ano que vem, com novas histórias, novas descobertas e se Deus quiser, muitas alegrias.

CEO

Sexta foi a festa de natal da minha empresa. Não foi tão animada quanto a do ano passado, mas tudo bem. Eu sou uma chata para esse tipo de coisa. A música tem que ser boa, ou eu acho que tudo foi horrível. Mesmo eu não tendo gostado da noite, vi algo que achei muito bacana. Mas deixa eu explicar a situação toda para vc entender.

O manda-chuva da nossa empresa é um cara bem ambicioso e assim que entrou na empresa no verão de 2015, a primeira decisão dele foi cortar 18% dos empregos e acabar com os contratos de cooperação com outras indústrias farmacêuticas, assumindo assim todos os riscos, mas também os ganhos (se houver algum).

Ele vem de uma outra indústria farmacêutica, onde eu trabalhei por muitos anos, e onde os chefões não se misturam com a plebe. Para quem vem do Brasil, não há nada de anormal nisso, mas na Dinamarca, todos são iguais. Ninguém deve achar que é melhor que ninguém, nem mesmos os chefes. Mas as coisas não funcionam assim lá naquela empresa.

No entanto o nosso manda-chuva sempre me impressiona. Mesmo vindo da outra empresa e sendo um cara híper ambicioso, ele sempre mostra que é parte da nossa empresa e que ele é como qualquer um. Todos os dias ele come na nossa cantina, junto com todo mundo. Pega o pratinho dele, pega a comida no buffet, se senta nas mesas ou na bancada e come o almoço dele com os colegas. Já o vi até lá fora, no pátio, num dia de verão, comendo seu almoço e tomando um solzinho.

Pois bem… na festa de natal eu achei muito, mas muito interessante vê-lo se misturando com a galera. Eu o vi dançando no meio da pista por várias vezes. E vc acha que ele só estava dançando com membros da diretoria? Não, não, não. Dançando com gente bem abaixo do patamar dele.. aliás, ele dançou até com uma moça que veio em uma das reuniões que eu estava presidindo. Fiquei até admirada, vê-los dançando, em altos papos!

Eu já não teria coragem de tirar o presidente da empresa para dançar. Eu sou toda esquisita quando se trata de gente famosa ou poderosa. Mas é assim, as pessoas são diferentes. Mesmo assim achei genial vê-lo se divertindo com a plebe!

Ilegal

Voltei ontem de Berlim e vim direto do aeroporto para o trabalho. Estou eu saindo do elevador e toca meu telefone. O identificador de chamada mostrou um número que eu não conhecia.

Alô
Você que é a dona de um Astra, placa tal?
Sim
Ele está estacionado no hotel Tivoli?
Onde?
No subsolo to Tivoli.
Qual é a placa do carro? E a cor?
(ele confirmou, e era o meu carro)
O seu carro está estacionado tão perto do meu, que eu não posso abrir a porta para entrar no carro.
Não sou eu que estou usando o carro hoje. Mas o seu carro tem dois lados. E o outro lado? Vc não pode entrar por ele?
Sim, eu posso, mas a questão é que estacionar tão perto pode causar danos no meu carro.
O meu carro causou danos no seu carro? Vc pode checar?
Não, acho que não, mas é a questão de estacionar assim tão perto.
Então me desculpei e ele desligou.

Carsten estava usando o carro ontem e coincidentemente ele tirou uma foto do estacionamento, pq o cara que me ligou estava estacionado fora da área demarcada e tomando espaço de quase 2 carros. Carsten estacionou bem colado de propósito, mas tb pq não tinha outra maneira de estacionar. E a culpa é do cara que me ligou.

Agora vem a parte boa. Como o cara conseguiu o número do meu telefone a partir da placa do carro? Essa informação só se consegue com a polícia. O que indica que o cara tem conexões. Mas eu também tenho! E eu sei que é ilegal fornecer esse tipo de informação. Hoje eu vou descobrir qual departamento da polícia – e quem exatamente – liberou o meu número de telefone e vou registrar uma reclamação.

Recordação

Volte das férias de verão no início da semana e voltei ao trabalho na quinta-feira.
Estava eu na cantina do meu trabalho, quando vejo um morenão bonito me encarando. Então eu perguntei se ele era brasileiro e ele disse que não, e me perguntou se eu me lembrava dele.

Fiquei surpreendida com a pergunta. Eu costumo ser boa para me lembrar de um rosto, principalmente um rosto bonito, mas dele eu confesso que não me lembrava.

Olha a memória desse cara. Ele se lembra de mim da época que eu trabalhava na Novozymes. Isso faz uns 10 anos. Aparentemente eu ia buscar amostras de enzimas no laboratório onde ele trabalhava.

Fiquei depois pensando, como é possível eu não me lembrar… mas de repente, quando escutei o nome dele (Modesto), eu me lembrei. Esse homem se lembra de mim, mas eu só fui no laboratório dele umas duas vezes. Caramba, isso é que é memória boa.

Coisa fantástica nessa vida. É impressionante como as pessoas que passam na vida da gente, ou deixam muitas marcas e lembranças ou passam despercebidas.