Minha amiga de Singapura está aqui em Copenhague. Fui encontrá-la no shopping para jantar. Éramos 4 no total, comendo uma comidinha italiana.
Já tínhamos terminado a sobremesa e estávamos numa conversa animada quando a garçonete trouxe a conta sem que a gente tivesse pedido!
Enquanto analisávamos a conta para decidir se íamos dividir a conta por igual ou se cada um pagaria sua parte, começou a tocar no autofalante um anúncio de emergência.
Não dava para escutar direito por causa da música alta dentro do restaurante. O anúncio era em dinamarquês e em seguida falava em inglês. E assim foi repetindo a mesma mensagem inúmeras vezes.
Quando desligaram a música aí deu para ouvir direito e o povo começou a sair do restaurante.
Era um anúncio para evacuar o shopping imediatamente e não era para usar elevador.
Estávamos um pouco confusos. Enquanto os meus companheiros pegavam suas jaquetas e mochilas, eu paguei a conta.
Descemos de escada rolante e no andar de baixo tinha bastante fumaça. Não tinha cheiro de queimado. Tinha um cheiro adocicado que me lembrava cheiro de fumaça de extintores de incêndio.
Descemos mais um andar para encontrar a saída de emergência.
Lá fora havia vários carros do bombeiro e pessoas esperando para poder entrar no shopping novamente. Eu imagino que várias daquelas pessoas estavam no cinema e tiveram que sair no meio do filme.
Por sorte nós já tínhamos terminado de jantar e conseguimos pagar a conta antes de abandonar o lugar. Teria sido tão chato se tivéssemos que abandonar o prédio no meio da refeição.
No lado de fora do shopping estava bem frio. Ontem foi o primeiro dia de neve do ano.
Soo Hwee me reembolsou o valor da conta em espécie. Fazia muito tempo que eu não via dinheiro dinamarquês. Aqui ninguém usa dinheiro, só cartão.
Então o amigo da Soo Hwee diz assim: quando mandaram evacuar eu estava preocupado que era pelo mesmo motivo de 4 anos atrás.
Eu, que nunca acompanho o noticiário, não estava entendendo do que ele estava falando e perguntei: o que aconteceu nesse shopping 4 anos atrás.
Ele disse: tiroteio.
Daí eu com muita naturalidde falei: se fosse tiroteio não teriam mandado evacuar. Teriam mandado ficar no mesmo lugar e se abaixar.
Ele ficou pensativo e deu a entender que aquilo que eu falei fazia sentido.
Só então me lembrei do que passei em São Paulo uma vez, no shopping D. Eu estava dentro de uma loja quando de repente o povo começou a correr desesperado no corredor. Alguns entraram na loja dizendo que tinha um cara atirando. Fecharam a porta da loja e ficamos todos ali abaixados esperando alguém dar notícia de que os seguranças tinham prendido o cara armado.
Acho que inconscientemente meu cérebro lembrou esse episódio no shopping D e por isso eu disse o que eu disse. Que engraçado como o cérebro da gente funciona.