Quarta-feira. Fui de bicicleta para o trabalho. Na volta para casa, como de costume, passei pelo antigo aeroporto nazista, que tem uma área verde enorme entre as pistas de pouso. Se você acompanha o blog sabe que ali já vi vários animais selvagens.
Naquele dia vi um pássaro muito grande sobrevoando área. Mas não era tão grande quanto a águia que vi uma vez. Esse era grande, marrom, e tinha uns desenhos interessantes na parte inferior da asa. O que será que era. Algum tipo de falcão, pensei.
Mais pra frente tem o lago. Eu vou pedalando ao redor dele, até chegar numa ruazinha que faz a conexão com a rodovia principal. Ali tenho que parar e avaliar o trânsito antes de atravessar. Vejo parado bem na esquina um ônibus, duas ambulâncias, várias pessoas de pé observando ou aguardando.
Resolvi não parar para olhar e aproveitei que o acidente estava bloqueando o trânsito, e atravessei.
Do outro lado dava para ver melhor o que aconteceu. Julgando pelo nível de destruição, um carro vermelho bateu com tudo na traseira do ônibus. Como que aquilo aconteceu? Será que o motorista estava destraído olhando celular? Pensei em parar para observar, pensei em pegar meu celular e tirar uma foto, aí pensei bem, pra que isso? Vou continuar meu caminho, porque eu tenho que subir um morro. E fui subindo devagar, na marcha lenta.
Nos quinze minutos de subida, passaram por mim mais duas ambulâncias e dois carros de polícia.
Gente, então aquele acidente foi mais feio do que pensei?
Passei por duas senhorinhas que tinham vindo até o portão de suas casas para ver o que aconteceul. Imagino que a batida fez um barulhão e isso aguça a curiosidade. Relatei o que vi, e que mais duas ambulâncias passaram por mim minutos antes delas me pararem.
Continuei meu caminho. Uns 25 minutos mais tarde, estou na reta final antes de chegar na minha casa, e passam por mim, à todo vapor, dois caminhões do corpo de bombeiros. Fiquei pensando se poderia ser para socorrer o acidente que vi, mas acho que não. Deve ser outra coisa. Aquele acidente não tinha cara de que ia pegar fogo.
No final do morro minhas pernas não aguentavam mais. Saltei da bicicleta e vim até em casa empurrando ela. Um calor de rachar o cocoruco. E meu apartamento pega sol a tarde toda. 32 graus aqui dentro e nem um ventinho para ajudar a ventilar o apartamento. Aff.
Fui pesquisar na internet para ver se alguém tinha escrito algo sobre o acidente.
Nada.
No dia seguinte, fiz o mesmo. Havia uma nota bem singela sobre o acontecido. Ali é uma parada de ônibus. O ônibus foi parar para pegar um passageiro quando carro bateu na traseira do ônibus. Disse a nota que o motorista era uma mulher. Disse que ninguém se feriu mas que levaram o motorista do ônibus para o hospital para fazer um check up.
Fico imaginando se houve sensura nessa nota. Não disse qual o motivo da batida. A motorista do carro vermelho estava distraída? Faltou freio? O ônibus fez uma parada brusca? Se ninguém se machucou, por que foram até o local 4 a 5 ambulâncias e dois carros de polícia? Está muito estranha essa nota.
Na quinta eu fui de bicicleta para o trabalho novamente. O carro vermelho, todo estourado, estava lá no acostamento, de certo aguardando algum guincho. Achei que quando eu saísse do trabalho o carro já teria sido levado, mas 7 da noite quando passei por aquele cruzamento novamente, o carro ainda estava lá. Novamente pensei em tirar uma foto, mas aí pensei bem, pra mó de quê?



