Achando os Festivais

A melhor maneira de encontrar e se manter atualizado sobre os festivais e eventos de forró é via Facebook, seguindo dos grupos dedicados à divulgação dos eventos locais.

O mesmo para os festivais de Kizomba, se bem que tem um site muito completo para Kizomba chamado Kizomba World.

Não há tantos festivais de forró no mundo quanto de kizomba, salsa e tango, mas há mais que suficientes para arrasar sua conta bancária e te manter entretido quase todas as semanas do ano.

No momento, o melhor website listando os festivais de forró europeus (e os principais brasileiros, nos EUA, Canadá, Japão e Austrália) é o site do grupo Forrozin de Freiburg, Alemanha. Eles são também bastante democráticos. Se vc tem informações ou correções para o site, é só deixar um comentário no pé da página.

Viagens 2018

Dança… coisinha que vicia.

Comecei o ano prometendo que ia encontrar outros hobbies e atividades que não fossem dança, mas assim que a gente volta pra casa de um festival, com aquela energia boa no corpo, dá-lhe vasculhar Facebook procurando os próximos festivais.

Meus planos esse ano eram de ir somente para festivais e cidades que eu ainda não conhecia. Londres e Berlim não estavam nos meus planos, mas quando a gente escuta quantos amigos estão indo, que tem promoção no preço disso ou daquilo, a gente não aguenta! A carne é fraca!

Minha lista já está engatilhada, cheia de planos.

  1. Hamburgo, Alemanha – Ano Novo – Forró de São Silvestre
  2. Berlim, Alemanha – Janeiro – Psiu! festival de forró
  3. Gotemburgo, Suécia – Fevereiro – Festival de Kizomba (cancelei)
  4. Londres, Inglaterra – Março – Festival Forró London
  5. Praga, República Tcheca – Março – Festival de Forró Fica no Coração
  6. Porto, Portugal – Abril – Festival de forró Douro
  7. Dublin, Irlanda – Abril – Festival de forró de Dublin
  8. Bruxelas, Bélgica – Junho – Festival de forró Ai Que Bom! (cancelei)
  9. Zurique, Suíça – Setembro – Festival de forró Rootstock Europa

A viagem para Gotemburgo eu acabei cancelando e vendi meu ingresso para o festival. Eu percebi que estou cansada e o fato de nenhum dos meus conhecidos irem para Gotemburgo esse ano, me desmotivou.

Calhou que cancelei Bruxelas também, pois estava dando tudo errado com hotel, aeroporto, previsão do tempo.

Em maio não quero fazer nada.  Pensei em voltar ao festival de Munique, pois ano passado foi fenomenal, mas será duas semanas após Dublin e vai ficar muito corrido. Também ouvi dizer que os ingressos de Munique venderam todos e esgotaram após 3 minutos do início da venda. É inacreditável. Ano passado esgotou em 8 minutos. Se eles anunciam que vai vender dia tal, 8 da noite, dez pras oito tem que estar online no site, e assim que o relógio mudar para 20:00, é clicar no link e ser rápido digitando o formulário de registro.

Confesso que fiquei tentada em fazer uns festivais de forró de verão como Pé na Terra em Portugal, o novo festival em Atenas na Grécia, o Forró Mania em Portugal, mas desanimei quando vi preço de passagem ou vídeos de prévias edições desses festivais, onde vi o povo dançando no sol. Eu não posso pegar sol forte. Então, não vai rolar. Paciência.

Vou me programar para festivais no fim do verão, que não estará tão quente e eu poderei aproveitar mais, sem a preocupação de me proteger do sol forte.

Brasil esse ano, não vai rolar. A não ser que me dê uma louca e eu vá fazer Itaúnas no Reveillon. Veremos.

Viagens 2017

Acabei de voltar do festival de forró de Amsterdã. Ano passado tinha sido o melhor festival pra mim. Esse ano Amsterdã foi muito bom, mas não foi o melhor festival.

Munique na Alemanha, em termos de organização, locais de festas, bandas, continua sendo o melhor que eu fui na Europa. Em termos de boas danças, diria que o páreo entre Amsterdã e Munique está empatado. Muita gente que dança bem nesses lugares, dancei horrores em ambos festivais.

Agora estou aqui em casa fazendo planos para os próximos festivais. Isso sempre acontece, não somente comigo, mas com muitos forrozeiros. A gente volta de um festival com a energia lá em cima, e já começa a fazer planos para novos festivais. É como um vício, que a gente quer sentir aquela euforia novamente, e em breve. Haja dinheiro e saúde pra tantas viagens e festivais.

Em 2016 fui em tantos festivais e eventos, que nem eu acredito que viajei tanto assim para dançar.

Esse ano, 2017, eu tinha planos de viajar bem menos, mas pelo visto, está difícil pisar no breque. Eu também tinha dito que iria menos pra Alemanha, e também não estou cumprindo essa promessa.

A única promessa que cumpri foi de ir ao Brasil para dançar forró no meu país e comemorar meu niver num festival de forró brasileiro.

Viagens 2017

  1. Ilha da Madeira, Portugal – Ano Novo
  2. Berlim, Alemanha – Janeiro – Festival de forró Psiu!
  3. Munique, Alemanha – Fevereiro – aniversário de um amigo forrozeiro
  4. Gotemburgo, Suécia –  Fevereiro – Festival de kizomba
  5. Londres, Inglaterra – Março – Festival de Forró London
  6. Basel, Suíça – Março – Festival de Forró Just Dance
  7. Amsterdã, Holanda – Março – encontrar minha amiga do Acre que veio pra Europa
  8. Oslo, Noruega – Abril – Festival de kizomba
  9. Barcelona, Espanha – Abril – encontrar meu amigo forrozeiro para dançar lindyhop
  10. Stavanger, Noruega – Maio – Festival de kizomba
  11. Munique, Alemanha – Maio – Festival Munique Dança Forró
  12. Berlim, Alemanha – Junho – Aniversário do grupo Tome Forró
  13. Itaúnas, ES, Brasil – Julho – Festival de Forró FENFIT
  14. Caraíva, BA, Brasil – Julho – Eventos de forró e natureza!
  15. Amsterdã, Holanda – Setembro – Festival de forró
  16. Belo Horizonte, MG, Brasil – Outubro – Festival de forró Rootstock
  17. Rio de Janeiro, RJ, Brasil – Outubro – forrozinho no clube democráticos e voo de asa delta
  18. Freiburg, Alemanha – Dezembro – Festival de forró
  19. Lisboa, Portugal – festival o Baião em Lisboa.
  20. Hamburgo, Alemanha – forró de São Silvestre, na virada do ano.

20 viagens. Bem menos que ano passado, mas meu ideal ainda é diminuir para menos de 10. Vamos ver como será ano que vem. Se bem que eu já tenho três viagens programadas para 2018! Eu não tomo jeito, rsrs.

Forró no Brasil – Itaúnas e Caraíva

Todo mundo supõe que por você ser brasileiro(a), que vc dançava forró no Brasil.

Gente, eu cresci no sul do país. Lá a gente dança uns fandango, vanerão, e olhe lá. Quando o forró começou a se popularizar nas universidades, eu já tinha deixado o Brasil há anos! Aprendi a dançar aqui em Copenhague e vou aprimorando minha técnica em cada viagem, nos workshops e dançando com os forrozeiros que encontro – tanto homens quanto mulheres, pois há muitas mulheres que conduzem bem.

Eu nunca tinha dançado forró antes no Brasil, e toda vez que dançava com brasileiros aqui na Europa, eu passava vergonha, porque esse povo dança muito, e eu ainda estava aprendendo.

Então resolvi que tinha chegado a hora de descobrir o que é dançar forró no Brasil. Todos esse gringos aí já tinham viajado pra Itaúnas mil vezes, e eu  nem sabia o que era isso.

Em janeiro 2017 comprei tanto o meu bilhete para Itaúnas que seria em julho, e também comprei para o Rootstock que será em outubro.

Meu objetivo com a viagem ao Brasil não é visitar nem família nem amigos, mas dançar forró e descobrir a diferença entre dançar aqui na Europa e aí no Brasil.

Destino: vila de Itaúnas no Espírito Santo, onde ocorre maior festival do forró do mundo, o FENFIT (Festival Nacional de Forró de Itaúnas), que está na sua 17ª edição. São praticamente 8 dias de festival, e na vila, o forró rola, literalmente, 24 horas por dia. Tem que escolher qual evento de forró vai perder para poder dormir, comer, tomar banho, ir à praia, etc.

Funciona assim: O festival ocorre no Bar do Forró, com show das bandas concorrentes do Fenfit e de pelo menos 3 bandas famosas/conhecidas. Vai das 10 da noite até 6 da manhã.

Seis da manhã o povo vai andando do Bar do Forró para a Padaria, que é um boteco onde o forró continua das seis da manhã até de noite (ou com música ao vivo ou com DJ). Ali é o point da galera, pois fica bem na saída de que vai pra praia. Tem que passar quase que obrigatoriamente por ali. É um lugar para ver e ser visto.

Lá por umas 5 da tarde começa o forró no Café Brasil e vai até 11 da noite. Já por aí dá pra ver que não dá pra fazer tudo. Os eventos se intercalam. Fora isso tem outros eventos de forró avulsos durante o dia, como aulas de forró no Café Brasil, aula com instrumentos, show ao vivo em algumas pousadas de noite ou no Buraco do Tatu, que é o concorrente do Bar do Forró (detalhe, as duas casas são vizinhas, e se a música não estiver alta o suficiente, dá para escutar o show um do outro. Loucura).

Detalhes sobre a vila de Itaúnas: Chegar lá é aventura. Os últimos 20 km de Conceição da Barrá até Itaúnas são de estrada de terra, muito buraco e muita lama, caso esteja chovendo. Demora uma hora para atravessar esses 20 km e a van chocalha bastante.

Em Itaúnas não tem nada, lá é um lugar para descansar, passear pelas dunas e pela praia, fazer atividades no rio, para os aventureiros, fazer atividades na restinga ou fazer um passeio até a praia da Costa Dourada no sul da Bahia (15 km de distância).

Mas, porém, todavia, durante o Fenfit, a vila recebe milhares de pessoas. Tanta gente vai pra lá, que me orientaram a levar tudo que eu precisava, desde remédios até produtos de higiene, porque nos dias finais do evento, às vezes acaba remédio na farmácia, produtos no mercadinho e até comida em restaurantes.

A vila em si não é muito bonita. As ruas todas de areia batida (ou no caso do dia que cheguei e uns dois dias em seguida, de poças de água e lama). Levei mala de rodinha, mas sofri. Aconselho viajar de mochilão pra lá.

Tudo é muito simples. Não tem supermercado, não tem hospital. Se precisar, tem que voltar os 20 km de terra e ir para Conceição da Barra. Em Itaúnas tem dois mercadinhos e duas farmácias bem básicas, e só. E uma igrejinha, caso precise de um momento de reflexão, mas acredito que até lá dentro dá para ouvir o forró, porque toca forró em todos os cantos da vila.

 

 

Eu fui para o Brasil porque queria dançar com brasileiros, mas a verdade é que encontrei tanta gente da Europa lá, que dancei mais com o povo que eu já conhecia, e eram com essas pessoas que eu passava o dia e conversava.

Claro que também conheci muitos brasileiros. Fiz aulas particulares de forró. Mas nem tudo foi um mar de rosas.

Achei que estava um clima de pegação. Muitos rapazes abusando da proximidade da dança, muita gente tentando te beijar, sem que vc tivesse dado abertura para esse tipo de comportamento. E o cidadão se ofendia se vc dissesse não. Os brasileiros estão muito mal acostumados. A paquera está fácil demais pra eles.

Eu cheguei a conclusão de que Itaúnas é um lugar paradisíaco. O Fenfit é ótimo para ver boas bandas, mas eu achei que danço mais na Europa, e com menos gente (falando francamente) se esfregando em mim e abusando do meu corpitcho.

Ouvi uns meses depois, quando estava em BH no Rootstock, que o clima em Itaúnas em 2017 estava estranho. Que estava esse clima de carnaval, de pegação. Que não costuma ser assim. Bom, não sei se eu iria novamente para comprovar se há diferença. Acho que Itaúnas pra mim será do tipo “been there, done that”.

Terminando o Fenfit, fui para Caraíva, no sul da Bahia. Um paraíso, ótimo lugar para descansar e onde o forró continua. Não é festival, mas eventos simples de forró durante a noite. Chegar em Caraíva é uma aventura ainda maior que chegar em Itaúnas. São 50 km de estrada de terra, e demora 2 horas pra percorrer isso.

Para chegar em Caraíva, tem que atravessar o rio de canoa. E em Caraíva, todas as ruas são de areia fofa. Mala de rodinhas será um tormento. Mochilão, ou pagar 30 reais na carroça de burro para eles levarem tua mala pra tua pousada.

Levar para Caraíva:
– um bom repelente, pois tem muito mosquito até mesmo no inverno, por causa do mangue
– chinelo de dedo para andar na areia fofa das ruas e evitar pegar bicho geográfico no pé
– dinheiro, pois não tem banco para sacar dinheiro e em muitos lugares não aceita cartão pois a conexão internet é precária. Tudo é caro lá.

Caraíva é um lugar que eu gostaria de visitar novamente. Aquela prainha, onde o mar encontra o rio, encontrar a galera, bater aquele papo, fazer caminhadas, descer o rio de boia… tantas atividades, tanta coisa boa… Recomendo.

 

 

Fim de um ano louco

Quando eu comecei a dançar forró eu precisava de alguma coisa boa na minha vida. Sempre gostei de dançar, mas jamais pensei que me entregaria de corpo e alma para a dança.

No Brasil, aquela época que eu morava pra bandas daí, a gente dançava tudo com dois passos pra cá, dois passos pra lá, e tava bom demais. Mas as danças todas evoluíram bastante, e agora estão cheias de passos complicados, voltinhas, piruetas e afins.

Eu tinha feito uma promessa para mim mesma, de que eu devotaria um ano inteiro para a dança, viajando para dançar com gente que dança bem, para eu conhecer gente nova e melhorar a minha dança.

Em 52 semanas (um ano) participei de 23 eventos de dança, sem contar os eventos menores daqui de Copenhague.

Gastei horrores, mas foi uma questão de prioridade. Ao invés de ir a um restaurante, cinema, ou comprar uma coisa pra mim, eu decidi que gastaria meu dinheiro com experiências novas e me divertiria.

Chega daquela vida de ficar só socada dentro de casa. Chega de ficar chateada por estar doente. Chega de sentir pena de mim mesma pq talvez eu tenha feito escolhas erradas na minha vida e demorei tempo demais até tomar uma decisão para mudar. Nós somos responsáveis pelas nossas escolhas, inclusive a escolha de ser feliz.

Essas foram as viagens e eventos grandes dos quais eu participei:

  1. Lisboa (Portugal) – Dezembro 2015 – Festival O Baião Vai
  2. Edimburgo (Escócia) – Ano Novo – Festival Hogmanay
  3. Copenhague (Dinamarca) – Janeiro – Festival de kizomba Royal Copenhagen
  4. Oslo (Noruega) – Janeiro – Evento de forró
  5. Berlim (Alemanha) – Janeiro – Festival de forró Psiu! 2016
  6. Londres (Inglaterra) – Fevereiro – Festival de forró Forró London 2016
  7. Oslo (Noruega) – Março – Evento de forró “esquenta Ai Que Bom!”
  8. Paris (França) – Março – Festival de forró Ai Que Bom! 2016
  9. Hamburgo (Alemanha) – Abril – Evento de forró
  10. Copenhague (Dinamarca) – Abril – Festival do Forró Copenhague
  11. Berlim (Alemanha) – Junho – Aniversário do Tome Forró Berlim
  12. Estocolmo (Suécia) – Julho – Festival de forró Alegria do Norte 2016
  13. Copenhague (Dinamarca) – Agosto – Festival de kizomba
  14. Barcelona (Espanha) – Setembro – Festival de forró Pisa na Fulô 2016
  15. Copenhague (Dinamarca) – Setembro – Evento de forró com Calango Trio
  16. Amsterdã (Holanda) – Setembro – Festival de forró Amsterdam 2016
  17. Colônia (Alemanha) – Outubro – Festival de forró de Colônia 2016
  18. Berlim (Alemanha) – Outubro – Evento do Tome Forró com os 3 do Nordeste
  19. Berlim (Alemanha) – Outubro – Evento de forró com os Conterrâneos
  20. Aachen (Alemanha) – Novembro – Festival de forró de Aachen 2016
  21. Aarhus (Dinamarca) – Novembro – Evento de kizomba e forró
  22. Hamburgo (Alemanha) – Novembro – Evento de forró com os Luso Baião
  23. Copenhague (Dinamarca) – Dezembro – Evento de forró com Zeu Azevedo
  24. Lisboa (Portugal) – Dezembro – Festival de forró O Baião in Lisboa 2016
  25. Ilha da Madeira (Portugal) – Festividades de fim de ano

Percebi que viajo bastante para a Alemanha. Talvez no ano que vem eu precise de novos ares. Quem sabe ir mais para a França. Tem muito forró por lá. E participar de uns festivais no Brasil. Talvez Nata Forrozeira, Fenfit, Rootstock. Veremos.

Esse ano vai acabar com uma viagem para a ilha da Madeira para passear, aproveitar a natureza e ver os fogos de artifício, que são uns dos mais bonitos do mundo. Estão no Guinness Book of Records.

O ano também vai encerrar uma grande etapa da minha vida. Não só vou reavaliar se eu vou continuar dançando forró, mas também é o fim do meu casamento. Um relacionamento de 16 anos. É um ciclo que se fecha.

Começar um casamento / relacionamento não acontece de uma hora pra outra, então para terminá-lo, também não é assim de supetão. Temos que colocar a casa em ordem antes de vendê-la. Estou procurando por um apartamento perto do meu trabalho, das minhas amigas e das atividades sociais da cidade.

Viver no campo foi muito bom, no período que eu estava precisando de paz e silêncio. Agora estou na fase de querer ver vida, luzes, sons.

As pessoas que sabem que Carsten e eu resolvemos nos separar têm me perguntado se eu estou bem. Sim, eu estou bem. Demorei 8 anos para tomar essa decisão, e agora não volto atrás. É o melhor para mim, e um dia Carsten vai ver que também será o melhor para ele.

Estamos terminando tudo com muita amizade e respeito. Nada de brigas, nada de discórdia. Talvez um pouco de tristeza, porque não é uma decisão fácil, mas assim é a vida. Dias melhores virão.

Boas festas de fim de ano para todos e até o ano que vem, com novas histórias, novas descobertas e se Deus quiser, muitas alegrias.

Festival Forró Copenhague

Quando eu falo que danço forró, eu normalmente me deparo com 3 reações:

  • dos dinamarqueses que não sabem o que é
  • dos brasileiros que acham que forró é só safadeza, coisa de pobre e música de baixo nível
  • de forrozeiros europeus que estão acostumados a dançar há mais de 5 anos e que sabem que forró pé-de-serra são músicas de alta qualidade, e a comunidade do forró é muito respeitadora e o povo vai para dançar

Claro que há toda uma história do forró, mas as coisas evoluem.

13116122_1107097632686771_808947367431888781_oEu nunca pensei que uma dança mudaria tanto a minha vida.

Em seis meses minha dança melhorou bastante e eu não só danço e vou nos festivais, mas também faço parte do grupo de organização de um festival na Europa.

Claro que o nosso festival não foi tão grande como o de Paris ou Stuttgart, mas também não foi tão pequeno assim. Ficamos muito contentes de ver tanta gente. Vieram 21 nacionalidades.

Segue abaixo alguns vídeos das festas durante o nosso festival.

Vídeo do esquenta festival, gravado no barzinho onde a gente normalmente dança

 

Festa de sábado

 

Vídeo de agradecimento, com imagens da festa de domingo

Trio

Sabe aquela fofoca boa que eu prometi do festival de forró de Paris? Pois é, eu fiquei me enrolando para escrever, e até que foi bom, pois agora há pouco algo aconteceu que tornou a história muito mais atrativa e eu estou contentíssima.

Eu não sei se vocês gostam de forró pé de serra, mas eu gosto muito, e gosto demais das músicas do Trio Dona Zefa.

bichoDepois que eu já tinha comprado o passaporte para participar do festival, foi que anunciaram que tanto o grupo Bicho de Pé (que eu tb adoro) e o Trio Dona Zefa tocariam nas festas. Eu fiquei radiante!

Os dois shows do Bicho de Pé foram animadíssimos. Dancei demais e até dancei uma com o sanfoneiro deles, rapaz simpático com óculos da armação branca. Ele falou assim, antes do show, só sei dançar dois pra lá e dois pra cá. E eu disse: é o forró das antigas. Está bom demais.

No último dia, foi a vez do Trio Dona Zefa. Eu tinha chegado cedo nessa noite e estava arrastando as chinelas com um menino brasileiro quando eu reconheci o vocalista entrando. Lembro que eu pensei, nossa, mas eles estão entrando assim pelas portas da frente? E depois não pensei mais nisso.

Depois da dança, eu parei num cantinho para descansar, e de repente vejo o vocalista na minha frente, bem pertinho. Eu disse: Oi, tudo bem?. Ele disse: Tudo. Me deu dois beijinhos, perguntou meu nome e disse: Prazer, Danilo.

Achei muito simpático e isso animou o meu dia. Digo, minha noite.

Depois é dança pra cá, dança pra lá. E quando eu não estava dançando, ou eu estava na frente do palco, ou num cantinho ali do lado, cantando junto, no embalo das canções. Foi então, no meio de uma música, que o Danilo fez um aceno para mim lá do palco. Eu acho que eu fiz cara de susto, porque ele ficou com uma expressão estranha no rosto, mas é que eu fiquei assustada que lá de cima ele estava me vendo. Eu sempre achei, que com aquele monte de luz sobre eles, que não dava para ver nada. Mas me enganei. Do palco dá para acompanhar a movimentação toda.
Puxa vida. Teria sido tão legal se eu tivesse retribuído o aceno.

Depois do show eles estavam autografando CDs. Fui tentar comprar um CD para guardar de recordação, mas já tinha vendido tudo. Paciência. Ao invés do CD, vou guardar de recordação as experiências dessa noite, porque o show deles foi fenomenal. Dancei muito. E depois do show até perguntei para o sanfoneiro deles, o Tom, se ele só tocava forró ou se dançava também.

Acho que ele não escutou direito o que eu falei e de repente ele também me deu dois beijinhos e disse: Tom. E eu repeti a pergunta, porém ele respondeu que não sabia dançar. Pena né.

E uns dias se passaram, até que o Trio compartilhou um vídeo do show no Facebook e eu mandei uma mensagem dizendo que o show tinha sido maravilhoso e foi pena que os CDs tinham se esgotado rápido, pq eu queria ter trazido um pra casa. E brinquei perguntando se eles não mandavam um CD para mim na Dinamarca.

Eis que hoje, 12 dias mais tarde, eu recebo uma mensagem do Trio Dona Zefa dizendo para eu mandar meu endereço para o produtor deles, que eles vão me mandar um CD de presente! Achei fantástico! Alegrou o meu dia e até o meu coração está radiante. Não pq eles vão me dar um CD de presente, mas pela simpatia deles usarem o tempo deles para me escrever uma mensagem particular. Foi realmente muito querido da parte deles.

E eu que pensei que essa história não acabaria com final feliz, por causa da minha cara de susto, mas me enganei. O final foi muito melhor do que o imaginado. Essa é uma lembrança que vou guardar comigo por muitos anos. E tudo graças ao forró. #Se não fosse o forró o que seria de mim, Deus meu… o que seria de mim?#

E o forró continua

E eu continuo na minha maratona de forró. Não que eu esteja dançando bem, mas eu acho que é animado.

De vez em quando eu danço com uns caras que fazem passos e piruetas que eu não consigo acompanhar, mas tudo bem. O que vale é a experiência. Quem sabe uma hora dessas eu consiga acompanhar esses passos loucos que eles fazem, que mais parece coisa de gafieira ou de jiu-jitso do que forró.

Forrozeira

Há uns anos atrás eu escrevi no blog sobre os meus hobbies, de como eu me interesso por algo, me dedico a isso de corpo e alma, e depois mudo para algo novo.

Nos últimos dois a três anos eu tenho me dedicado ao aprendizado de línguas, mas agora acho que chegou o momento de me dedicar a algo diferente: dança.
Foi no final do mês de agosto de 2015 que eu descobri que o forró finalmente chegou na Dinamarca. Forró chegou na Europa há mais ou menos 10 anos, mas nos países lá pra baixo, como França, Alemanha, Portugal.

Aqui na DK ele só chegou no ano passado e há muito pouca gente que sabe dançar. Na verdade, a maioria do povo que dança forró em Copenhague são estrangeiros: uns brazucas, um espanhol, um búlgaro, uma francesa, e assim por diante.
Mesmo a comunidade de forró de Copenhague sendo pequena, o pessoal é muito gente boa e nos encontramos frequentemente.
E foi assim que eu descobri que na Europa toda há festivais de forró, onde gente de inúmeros países se reúne para fazer workshops e compartilhar experiências.

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O primeiro festival que participei foi há duas semanas em Lisboa, Portugal, de 11 a 13 de dezembro de 2015. Foi ótimo e os portugas dançam muito bem. Fiquei impressionada com a qualidade do festival. Mas é algo bem puxado, uma verdadeira maratona. Aulas das 11 da manhã e festa até 4 da matina, por 3 dias consecutivos, e às vezes até mais.

Conheci muita gente em Lisboa. Gente da Alemanha, Paris, Suíça, e agora estamos mantendo contato.

Meu próximo festival será no final de janeiro em Berlim. Dessa vez eu não irei sozinha (viajei completamente só para Portugal) mas vamos num grupinho, representando Copenhague. Acho que será bacana.

Depois de passar quase 14 anos sem dançar, eu tinha me esquecido de como eu gosto de um arrasta-pé!
Estou tão contente de voltar a dançar, que resolvi checar uns outros estilos novos de dança, como a Kizomba. Mas o post de hoje é sobre forró pé-de-serra..

Manterei vocês atualizados da minha nova vida de forrozeira, que promete ser agitada. Minha próxima parada será Oslo na Noruega, para um workshop meados de janeiro. Em seguida o festival Psiu! de Berlim. Depois será um festival por mês: Forró London em fevereiro e o Ai Que Bom, de Paris nas férias da páscoa. E tome forró!
Abaixo uma foto minha tirada no Club Mambo, onde me aventurei a dançar bachata com um conhecido brazuca.

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