Blues

Um amigo meu, forrozeiro de Hamburgo (Alemanha), está passando uma temporada trabalhando na Dinamarca e fomos nós dois pro centro de Copenhague tomar uns drinks.

Eu queria ir ao meu bar predileto, mas estava um frio, mas um frio de matar. Para escapar do vento, acabamos entrando no primeiro bar que vimos.

Não havia muitas opções de coquetéis, mas tudo bem. Uma piña colada quebra um galho.

E conversa vai, conversa vem, de repente começa show com música ao vivo – um banquinho e um violão – numa terça-feira! Eu não esperava. Que surpresa boa, que ótimo repertório e voz maravilhosa. Gostamos particularmente da seleção de blues que o artista tocou.

Durante a pausa, meu amigo foi lá conversar com o cara. Para minha surpresa, ele volta segurando dois CDs e me deu um de presente. Fiquei tão contente.

O músico, Boyan Hristov, veio até nossa mesa conversar um pouco. Gente finíssima, muito simpático. Nos contou um pouco da sua vida, que tinha acabado de passar meses viajando num navio cruzeiro pela América do Sul – trabalhando, tocando para os viajantes.

Pena que tive que ir embora antes do show acabar. Mesmo assim fiquei muito contente de ter tido essa oportunidade.

Aqui na Internet consegui encontrar alguns vídeos. E aqui vai uma demonstração do talento do rapaz. Espero que gostem.

 

Novo hobbie

Estava eu à procura de inspiração para um novo hobby para praticar em 2018, porque quero parar de passar tanto tempo checando Facebook, e quero dar uma pausa nessas viagens para dançar forró e kizomba. Sério, minha conta bancária precisa de uma trégua.

Coloquei no Google: novos hobbies para ano novo
Dois sites no topo dos resultados. Um dizia 7 ideias de hobbies, o outro, 12.

Fui primeiro nas 7 ideias. Que decepção. Era tudo: tricô, crochê, bordado, pintura, costura. Peloamordedeus. Me perdoe quem curte essas coisas manuais, mas eu detesto tudo isso. Não tenho paciência nem pra fazer um remendo ou colocar um botão. Mas eu deveria ter adivinhado. O site se chama Martha Stewart. Esses sites assim são como aquelas revistas femininas que eu também detesto (desde adolescente isso, eita personalidade forte, ou então há algo de errado comigo!)

O outro site, no entanto, apesar de citar tricotar, bordar e crochê como sugestões, foi bem mais interessante e chamou mais minha atenção, pois além de indicar atividades que me interessam, indicava também livros sobre essas atividades com títulos bem-humorados. Atividades que me chamaram a atenção:

  • meditação
  • yoga
  • se aventurar 
  • aprender a cozinhar pratos sofisticados
  • aprender a fazer coquetéis sofisticados 

São boas idéias. Achei que faltou no entanto a sugestão de virar halterofilista, bodybuilder, que é o que tem passado pela minha cabeça. 

Brincadeira, mas tenho pensado seriamente em entrar em boa forma física. Ando muito fracote. Mas vamos ver o que eu vou inventar nesse ano que vai começar…

Qualquer coisa que me ajude a parar de ficar caçando forró, serve.

Tanja

Acabei de almoçar com uma dinamarquesa que morou mais de dez anos em Porto Alegre. Honestamente, ela fala português melhor do que eu. 

Na hora da sobremesa, eu disse que ia pegar uma mimosa; ela disse que ia pegar uma bergamota. 

Ela não conhecia mimosa. Eu não conhecia bergamota. Mas estávamos falando da mesma fruta: tangerina.

Eu sei que em diferentes partes do Brasil a gente dá nomes diferentes às coisas, mas Porto Alegre e Curitiba ficam relativamente próximas, então achei interessante que havia tal diferença no nome.

Uma pesquisa rápida, e a gente encontra ainda mais opções de nomes para a tangerina: mexerica, poncã / ponkan, laranja-cravo, tanja (no Piauí e Maranhão).

Adoro essas histórias!  

Morte Súbita

Morte Súbita (Sudden Death) é o nome de um filme de 1995 que gosto muito, com Van Damme. Não sei porque lembrei disso agora.

No dia 15 de dezembro foi a festa de natal da minha empresa. Vc sabe o povo aqui bebe demais. Demais. E algumas vezes se metem em encrencas. Normalmente a gente ouve boatos de encontros românticos que acontencem, e casamentos que se desfazem logo após essas festas.

Na segunda-feira seguinte, no entanto, as fofocas eram diferentes. Muito mais macabras. Chegou um email para meu departamento, dizendo o marido de uma das nossas antigas colegas morreu e que a colega estava no trabalho na sexta quando a notícia da tragédia chegou.

Todos ficamos curiosos. Eu fiquei sabendo dos acontecimentos em parcelas. Um dia alguém conta uma coisa, no outro dia alguém me mostra o artigo num jornal.

O marido dela, de 43 anos de idade, foi encontrado 9:51 da manhã, naquela sexta-feira, flutuando no mar, no porto de Nordhavn, na parte norte de Copenhague – onde eu morava antigamente.

Como o corpo foi encontrado dessa maneira, saiu uma nota num jornal online, mas não entraram em detalhes. Mencionam que a polícia vai investigar como se tivesse sido um acidente.

Uma morte assim, súbita, aguça a curiosidade da gente. E dias antes do natal. Uma tragédia para essa família.

Ouvi comentários de que o cara era irlandês. O casal tinha dois filhos e tinham se mudado recentemente para um desses apartamentos de luxo na área beira-mar de Copenhague, acho que no porto do sul, Sydhavn ou Amager, não lembro exatamente.

A gente se pergunta o que pode ter acontecido. Será que ele bebeu demais numa dessas festas de natal e caiu na água e se afogou? Mas quem tem coragem de perguntar para a colega se o marido dela dormiu em casa ou já estava desaparecido.

Será que ele se envolveu com alguma gang e foi assassinado? Será que foi suicídio? Tem muito suicida na Dinamarca, principalmente nessa época de inverno. Suicidas normalmente tiram os sapatos, e algumas vezes tiram a roupa toda, antes de pular na água. Quem tem coragem de perguntar detalhes sobre como o corpo foi encontrado?

Será que foi um acidente, num pulo na água, veio uma corrente forte e o carregou?

Li certa vez que ao se afogar o corpo vai para o fundo da água. Somente mais tarde é que flutua. Será que o cara estava desaparecido fazia dias?

Tantas perguntas. Tanta curiosidade. E nenhuma informação. Há certas coisas que a gente nunca vem a saber. Talvez essa seja uma delas.

Uma coisa é certa. Ninguém consegue imaginar a dor que essa família está passando. Perder alguém assim, de supetão, de uma maneira tão inexplicável, não deve ser nada fácil.

O enterro será dia 28. Fizemos uma vaquinha para comprar flores. É pouca coisa, mas é de coração.

Madeira – parte final

Passear por Funchal é agradável. jardins, calçadão à beira mar, centrinho com lojas, mercado. Numa doca vimos ancorado o galeão que passou por nós num dos dias anteriores. A decoração de natal da cidade é bonita, bem feita. Muita gente tocando música na calçada. Até mesmo nas docas tinha música de natal tocando nos alto-falantes, O clima era bem natalino, bem descontraído.

Eu queria ver o jardim botânico da Ilha da Madeira. Dizem ser lindo. Mas por causa dos incêndios que devastaram a ilha uns meses antes (havia um piromaníaco à solta, foi muito triste), o bondinho que subia até lá, estava desativado. No entanto o bondinho que subia até o JardimTropical estava funcionando. Foi um passeio incrível. Havia de tudo, jardim japonês, chinês, cascatas, castelo, passarinhos (engaiolados, coitados).

De lá, numa das ruas laterais, pudemos ver os famosos carrinhos de cestos. Ao invés de descer de bondinho, dá para descer a ladeira nesses carrinhos, puxados por dois homens vestidos à caráter. Parecia bem divertido, mas tinha uma cara de ser daquelas armadilhas para turistas que custa os olhos da cara.

De noite, passeando por Funchal, vimos uma que havia uma corrida. Nos disseram que era de 7 km, com direito a ganhar medalha de participação e tudo. Para quem gosta de correr, fica a dica.

A última coisa que vimos na cidade foram os fogos de artifício. Pensamos em ir até o centro de Funchal e ficar no meio da multidão. Também pensamos em ir num dos navios e ver os fogos do mar, mas nosso hotel nos ofereceu uma outra opção, completamente gratuita: pegar o ônibus do hotel, que nos levaria até a base naval, que fica no topo de um morro, e de lá ver os fogos.

Foi o melhor que fizemos. Foi inesquecível. Fogos sincronizados dos dois lados da ilha. Não é à toa que os fogos de Funchal entraram para os livros dos récordes.

Na virada do ano anterior vimos os fogos em Edimburgo, no festival Hogmanay. Foram lindos.
Na entrada de 2017 vimos em Funchal. Fenomenal.

Acho que daqui pra frente vou começar a caçar lugar para ver fogos, como Londres, Sidney, Rio.

Conclusão: acabei não fazendo nenhuma das caminhadas nas Levadas da ilha, nem vendo o jardim botânico que eu tanto queria. São motivos para voltar um dia com bastante tempo e disposição, e quem sabe a companhia de alguém aventureiro.

Madeira – parte 3

Depois da maratona do dia anterior para chegar na Camara dos Lobos, passamos o dia no hotel descansando, aproveitando a bela vista da sacada do quarto, indo ao spa do hotel: massagem, piscina.

No hotel resolvi puxar conversa com o rapaz que tinha um falcão. Todos os dias de manhã ele estava ali e isso me intrigava. Ele me explicou que o falcão era um modo de manter os passarinhos irritantes, como pombos, fora da área de hotel. Achei interessante a tática.

Esse hotel foi uma boa pedida. Meio longe do centro, mas num local muito bonito, com jardins bem cuidados e com plantas catalogadas e bem identificadas, incluindo uma área dedicada a orquídeas, onde as borboletas faziam a festa.

Durante a noite, alguma flor noturna, espalhava seu perfume por toda a área da piscina e jardins. Eu tinha que passar por ali todas as noites, só para me deliciar.

Depois de descansar bastante, num dos dias seguintes tomamos coragem de ir até o centro de Funchal. Ficamos pensando se iríamos caminhar ou tomar o ônibus do hotel. Lembro que o tal do José Rodrigues tinha dito que levaria 20 minutos até a vila de pescadores, e demorou 3 horas. Ele também tinha dito que do hotel até Funchal levaria 10 minutos andando, pertinho. Ahã. Fomos andando. 10 minutos, né? Eram 45 minutos de caminhada, morro acima. Jesus. Mas foi bom para fazer um pouco de exercício.

A cidade é bonitinha. Visitamos o mercado central. Frutas e verduras lindas, mas os preços são especiais para turistas. Me deram, sem brincadeira, uns 5 maracujás diferentes para provar. Tinha uns ali dos quais eu nunca tinha ouvido falar, e olha que eu adoro maracujá. Me empolguei e pedi uns 6 para trazer para casa. Quando ele me passou o preço, quase tive um treco. 20 euros. Com 20 euros dá para comprar muitos quilos de maracujá em outros lugares. Mas tudo bem. Estou viajando.

Aproveitei e comprei um panetone para matar a saudade, e uma garrafa de licor Beirão, para fazer o coquetel Caipirão no hotel. Realmente nos apaixonamos por esse drink. Melhor que Caipirinha.

Madeira – parte 2

Dia seguinte à chegada, depois do café da manhã, fomos fazer um reconhecimento do local e andar até a vila de pescadores indicada pelo José Rodrigues.

Ele tinha dito que era pertinho, uns 20 minutos caminhando. Eu acho que esse homem nunca andou a pé na vida dele. Deve demorar 20 minutos de táxi. Depois de caminharmos por mais de 90 minutos, resolvi perguntar se estávamos longe, e nos informaram que estávamos na metade do caminho.

Como fazia um sol divino, temperatura agradável, resolvemos continuar a caminhada beira mar e se chegássemos lá, era lucro.

Valeu muito a pena. Vimos grutas, despenhadeiros, um navio tipo galeão, e muitas coisas interessantes no meio do caminho, como a flora local.

A vila de pescadores, Camara dos Lobos, é um lugarzinho super pequeno, bem turístico, porém agradável. Enquanto aguardávamos o horário do trenzinho que subiria o morro e nos levaria até o alto do Cabo Girão, resolvemos provar os coquetéis locais: Nikita, Caipirão, Poncha.

Pegamos o último trenzinho do dia. Somente eu e Carsten éramos os passageiros. A vista do Cabo Girão é realmente muito bonita, pena que indo com o trenzinho, só nos dão 15 minutos lá em cima. Então foi correria. Eu prefiro fazer as coisas com mais tempo. Próxima vez, ou aluga um carro, ou vai de táxi. Carro parece ser a melhor opção, pois a ilha é grande, há muita coisa para ver, e quem quer fazer as caminhadas nas Levadas (que são várias e umas longe das outras), seria uma boa maneira de se locomover e economizar, pois os preços dos passeios com agências são híper caros.

Madeira – parte 1

E assim foi a viagem para a Ilha da Madeira…

Cinco horas de vôo de Copenhague até Funchal. No saguão do aeroporto nos aguardava um taxista, segurando uma placa dizendo Sr. Rodrigues. Bom, não é a primeira vez que me chamam de senhor, então tudo bem.

Assim que eu me identifico como “Sr” Rodrigues, o homem desabou a falar. Ele achava que estavam fazendo uma brincadeira com ele, pois o sobrenome dele também é Rodrigues e em 27 anos trabalhando como taxista na Madeira, ele nunca antes tinha ido buscar alguém com o nome Rodrigues. Então ele puxa a manga da blusa para mostrar uma tatuagem enorme no seu antebraço que dizia: Rodrigues
Linda tatuagem.
E ainda por cima, além de termos o mesmo sobrenome, descobri que ele tinha o mesmo nome do meu pai! José Rodrigues.

Dentro do taxi, esse homem não parava de falar. Nos deu muitas dicas. Uma delas era ir do nosso hotel até uma vila de pescadores e de lá pegar o trenzinho para o cabo Girão. Disse que do hotel até a vila seria uns 20 minutos de caminhada.

Enquanto estávamos no taxi, caiu um toró, mas um toró, daqueles que não dá para ver nem um palmo na sua frente. Foi uma tempestade de verão. Depois de 5 minutos, a chuva sumiu e não voltou a chover por uma semana, só para contrariar a previsão do tempo, que dizia que ia chover todos os dias. Sorte nossa! Carsten viajou comigo.

 

Ceia e Vivino

O doido do Carsten pediu para eu fazer um pudim de leite para sobremesa da ceia de Natal.

Está no fogo, mas acho que pudim brasileiro não tem nada a ver com ceia de Natal dinamarquêsa (carne de porco, batata caramelizada, repolho roxo, molho negro). Normalmente o povo come ris à l’amande (arroz doce com amêndoas, feito sem açúcar e com creme de leite, servido com molho quente de cerejas) como sobremesa.

Vamos ver no que vai dar. Se ficar ruim, ainda temos salada de frutas que sobrou de ontem (outra coisa que Carsten me convenceu a fazer – acho que ele estava com saudade de sobremesas brasileiras).

Enquanto estamos passando horas na cozinha, escutando Nirvana, um vinhozinho para acompanhar.

Pergunto a ele se ele já postou uma avaliação do vinho no app Vivino…

Para quem não conhece, Vivino é um aplicativo desenvolvido por um dinamarquês e onde se compartilha informações sobre vinhos.

Na Dinamarca, entre todos os milhares de usuários, eu sou número 162, somente com 129 avaliações. A maioria do povo tem mais de 600 avaliações. Como consegui essa façanha, não tenho nenhuma ideia. Não sou nenhuma especialista em vinhos nem sommelier.

Carsten é número 6235. Ah se inveja matasse rsrs.

E o pudim ficou pronto… Sem lactose, pq vc sabe, tia Cris aqui é complicada. Rs

 

Natal

Festas de fim de ano… Nessas horas é que a gente vê o quanto somos queridos e como estamos cercados de bons amigos e pessoas maravilhosas.

Esse é o primeiro Natal que passo “sozinha” e perdi a conta de quantas pessoas me convidaram para passar as festas com elas e queriam se certificar de que eu estaria bem.

Fiquei muito feliz.

Meu Natal está sendo muito tranquilo. Vim visitar Carsten. Estamos comendo horrores. Compramos muita comida.

Entre uma refeição e outra, dá-lhe filme e séries de Netflix. Lucifer, Troll Hunters, Back to the Future…

Está sendo bom. Eu estava precisando descansar. E também foi bom vir e conversar sobre a casa que estamos tentando vender. A casa do vizinho vendeu em três meses e a nossa está à venda há quase 9 meses e nada. Estranho. Bom, veremos o que o ano novo nos reserva.

Boas festas

Fim de ano, fim de Cris.dk

Eu resolvi que vou desativar o site Cris.dk. Durante mais de 10 anos eu me diverti bastante escrevendo nele, aprendendo sobre web design, css, java, html, e um monte de outras coisinhas.

Com as mudanças na minha vida, percebi que manter o site não é mais uma prioridade e nem tenho vontade de fazê-lo. A maioria das informações lá se tornaram redundantes. Então vou desativá-lo mas a princípio manter o domínio cris.dk para o blog. Obviamente manterei um backup do site, caso algum dia eu volte a me interessar por ter um website.

Esse blog eu manterei ativo por algum tempo até que eu decida melhor. Vou fazer uma coisa de cada vez para não ser muito drástica.

O endereço do blog continuará o mesmo. Mas no futuro poderá ser acessado simplesmente escrevendo cris.dk

Boas festas para todos e boas entradas em 2018!

Inventando moda

Quem mora sozinho conhece aqueles dias em que se está gripado, não se tem nada na geladeira, uma preguiça enorme de sair de casa para ir ao mercadinho (mesmo porque tem um monte de neve lá fora!)… Quando a fome aperta, sabe o que a gente faz nesse dias? A gente inventa moda!

Um pãozinho agora ia bem.. não tenho. Pensei, vou então fazer uma tapioca, mas não tenho nem mistura, nem polvilho. Aí pensei: se polvilho é fécula de mandioca, será que dá pra fazer uma “tapioca” com fécula de batata?

Olha, não ficou ruim, não! rsrsrs

Baião

A caminho do festival de forró Baião in Lisboa.

Já começou bem. No avião, o atendente pergunta o que quero beber com o jantar e eu digo que gostaria de provar o vinho branco deles da região do Douro. E um pouco d’água.

Digo que quero aproveitar a ocasião e provar um vinho da região.

No que ele responde: “Não quer provar o tinto também? Eu gosto mais do tinto.”

Dizendo assim com tanta simpatia, quem resiste. Vamos provar o tinto também!

Eu, e três copos na minha frente. Nem tem espaço pra tudo isso na mesinha desses aviões.

Friburgo

Tirei uma tarde para passear pelo centro antigo (em alemão: Altstadt) de Friburgo em Brisgóvia (em alemão: Freiburg im Breisgau). Fazia um frio fenomenal, oito graus abaixo de zero, mas o sol lindo e céu azul.

É necessário mencionar de qual Friburgo se está falando, porque há uma outra cidade na Suíça que também se chama Friburgo e não fica muito longe da Friburgo alemã. Então para não haver dúvida.

Achei a cidade muito bonitinha, mas é super pequena. Um dia ali é mais que suficiente.

Quanto mais andava pela cidade, mais eu percebia que já viajei demais. Tudo que eu via me lembrava de outras cidades que eu já tinha visitado.

A igreja principal de Friburgo me lembrou demais a igreja de Limburgo am der Lahn. Mesma arquitetura, só a cor que é diferente.

Outras igrejas que vi tinham as torres de metal e me lembraram igrejas que vi em Münster.

 

Até aí tudo bem, tanto Limburgo quanto Münster são cidades alemãs, então está tudo certo. Estilo de arquitetura nacional.

De repente meu olho bate numa torre com um relógio e aquilo me fez lembrar da Suíça! Só faltava uma fonte com estátua para completar, mas foi eu olhar pra trás, que vi a fonte na pracinha. E para dar um toque ainda mais suíço à paisagem, passou um bonde bem naquela hora, e um bonde do estilo suíço também (em Friburgo vi dois estilos de bonde, um suíço e outro que eu não tinha visto antes em nenhum outro lugar).

 

Um pouco mais tarde passo por uma ruazinha com o córrego ao lado. Aquilo me fez lembrar a cidade francesa de Annecy. E o fato de ver tantas bicicletas encostadas na grade, me lembrou de Amsterdã e de Copenhague, as cidades das bicicletas.

Acho que a única coisa que achei típica de Friburgo e que não tinha realmente visto em outro lugar foi o antigo sistema de valas para a drenagem de água. Essas valas estão por toda parte na cidade antiga e têm uns 800 anos de idade. Não tirei nenhuma foto, mas é só procurar no google.

 

 

Outra coisa que gostei foi o street art. Vi vários muros pintados, decorados. Bem bonitos.

E para terminar meu passeio, olhei no mapa uma área verde, com dois lagos, achei que seria um parque e que seria uma ótima maneira de terminar meu passeio. Andei pra caramba para chegar lá. Minhas pernas já estavam congeladas depois de andar por quase 4 horas. Chegando lá, cadê o parque? Era um cemitério!!
Bom, como já estou morta, aqui é o lugar certo para visitar, pensei. Entrei.

Que cemitério bonito. Como o pessoal cuida das covas. Fazem jardim, plantam flores. Tinha até decoração de natal nas maioria das tumbas. Acabei caminhando bastante nesse cemitério. Valeu a pena. Em matéria de decoração das tumbas, esse foi um dos cemitérios mais bonitos que já vi – até mais bonito que os cemitérios famosos de Paris, como o Montparnasse e Père Lachaise.

Coincidências

Fim de semana passado fui para Friburgo na Alemanha para um festival de forró. Achei a cidade muito bonitinha e dessa vez até tirei algumas fotos e vou publicá-las no próximo post. A história de hoje será sobre as muitas coincidências que aconteceram durante a viagem.

Entrei no avião pela porta traseira, e para minha surpresa, o meu assento era o primeiro no qual bati o olho.

Eu estava com uma fome de leão, e como estava na última fileira, achava que seria a primeira a ser servida, porém quando o atendimento foi iniciado, os comissários levaram o carrinho lá para o meião, ou seja, eu seria uma das últimas a ser atendida.

Quando finalmente chegaram na minha fila, atenderam a moça ao meu lado e me esqueceram. Estavam a caminho do meião novamente, quando a menina do meu lado disse: ei, ela aqui também quer fazer um pedido (e quase que eu não consigo pedir o meu mini-calzone, porque o avião iria pousar em 20 minutos e demora 15 minutos para aquecer o negócio).

Achei bem legal da parte da moça me ajudar, pois eu já tinha desistido.

Lá em Friburgo, fazendo um passeio pela cidade, encontrei uns forrozeiros espanhóis conhecidos. Passaram na minha frente, olhando para uma vitrine de doces. Eu cheguei a dizer Hola, mas eles nem escutaram. Também, nós estávamos todos empacotados dos pés à cabeça, pois estava fazendo oito graus abaixo de zero.

Deixei por isso mesmo.

Mais tarde na festa, eu tinha chegado mais cedo e estava me preparando, quando os mesmos espanhóis chegam para bater papo, e descobrimos que tínhamos acabado de comprar sanduíches para o jantar na mesma lojinha e que não nos encontramos por questão de segundos. Provavelmente eu até passei por eles no meio da rua e não reconheci, já que eu estava tão atordoada com o frio, que não via nada.

Dancei horrores e no dia seguinte resolvi pegar o ônibus de volta para o aeroporto com quase 4 horas de antecedência, para evitar estresse caso caísse neve e tivesse trânsito. Enquanto sento no ponto e aguardo, quem chega? Quem, quem, quem? Exatamente, os mesmos espanhóis. Iam pegar o mesmo ônibus, e o vôo deles era no mesmo horário do meu. Tivemos todos a mesma idéia de ir mais cedo.

Fomos então jogando conversa fora. Logo eu, que gosto de ficar em silêncio, mas foi bom praticar um pouco o meu portunhol.

Quando finalmente é hora de voltar para casa, estou já sentadinha no meu assento no avião, e chega a menina que vai se sentar ao meu lado. Ela olha pra mim e começa a rir. Sabe quem é? Acredite ou não, a mesma menina que se sentou ao meu lado na ida para Friburgo!!! A mesmíssima pessoa e sentada novamente ao meu lado! Olha que coincidência louca.

Aí não tem jeito, tem que puxar conversa. Conversa vai, conversa vem, descubro que ela mora na Dinamarca há 9 anos, mas ela é originalmente da Suíça. Eu aproveito e comento que eu sempre vou pra Suíça, pois tenho amigos em Biel. E aí vem a coincidência final. Adivinha de que cidade suíça ela é? Exatamente!

Ô mundo pequeno esse!