História das Marias

Ontem eu descobri algo novo sobre a enroladíssima história da família real. História essa que certamente vai para os futuros livros de história da Dinamarca.

Eu imagino que a história pode ser contada da seguinte maneira:

Era uma vez dois irmãos, Joachim e Frederik, filhos da raínha da Dinamarca. Frederico é o mais velho e o herdeiro do trono, Joaquim é o mais novo e é o, digamos, reserva.

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A diferença de idade entre os irmãos é de apenas 1 ano, mesmo assim o irmão mais novo, Joaquim, se casou 9 anos antes de Frederico.

Joaquim conheceu Alexandra numa festa em Hong Kong e com ela se casou em maio de 1995.

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Já Frederico demorou uma eternidade para encontrar a tampa para sua panela. Foi numa viagem para a Austrália em 2003 que ele conheceu Mary. E esse encontro é para ninguém botar defeito, pois pareceu até um conto de fadas: durante a paquera ela não sabia que ele era o príncipe herdeiro do trono dinamarquês.

Em maio de 2004 eles se casaram.

Uns meses mais tarde nesse mesmo ano, o irmão, Joaquim, anuncia que vai se separar de Alexandra. E o divórcio é definitivo em 2005. Nesse momento entra para a história da família real algo chamado divórcio.

Mas a enrolação mesmo começa 2 anos mais tarde.

Eis que em 2007 Joaquim encontra uma moça francesa e em maio de 2008 eles se casam. Não há nada de errado nisso. O problema é que a nova esposa de Joaquim é praticamente “igual” à esposa de Frederico. São realmente parecidíssimas (veja fotos abaixo) e tem mais:

Como se não bastasse que uma é a cara da outra, eu digo, a francesa de Joaquim se chama Marie. A australiada de Frederico, Mary. Traduzindo ambos os nomes para o português, o nome é o mesmo: Maria.
E ontem eu descobri mais um fato curioso nessa história. Ontem, 05 de fevereiro, foi o aniversário de Mary, e hoje é o aniversário de Marie. Fala sério? Isso é conhecidência demais.

Parecidas

A história da família real é a “novela” preferida de alguns dinamarquêses, que acompanham os babados diariamente. Várias pessoas me disseram que acham doentio isso, que Joaquim se separou logo em seguida que Frederico e Mary se conheceram, e que depois encontrou uma mulher “igual” à do irmão. Dá a impressão de que ele se apaixonou pela mulher do irmão.

Mas se é ciume, inveja, desejos ardentes ou coincidência, isso ninguém sabe, mas que essa história toda vai parar nos livros do futuro, disso eu não tenho dúvidas.

Jubileu de 40 anos

Sábado passado foi festa na Dinamarca. Uma festa que eu pensei que duraria um dia todo, mas pelos comentários que ouvi, a TV dinamarquesa só falava nisso por 3 dias consecutivos. Eu não comentei nada antes porque estava esperando que a festa terminasse para procurar por vídeos no youtube. (Estou meio decepcionada pq não achei muita coisa.)

Dia 14 de janeiro de 2012 foi jubileu da rainha da Dinamarca, que está no poder há 40 anos. Como os pais dela não tiveram filhos homem, eles mudaram as leis para que ela pudesse subir ao trono quando ele morresse.

O rei morreu com 72 anos, e essa é justamente a idade atual da rainha, que se chama Margrethe 2ª.

 

 

 

Quando o rei morreu, a esposa dele era viva (ela faleceu em 2000 com 90 anos), mas a lei da DK não aceita que o cônjuje suba ao poder. Somente sangue real pode sentar no trono. Aliás, não se pode nem chamar o marido da rainha de rei. Ele é chamado de príncipe real.

O falecimento do rei foi no dia 14 de janeiro de 1972, poucos meses antes de completar 25 anos no poder. Ele foi enterrado dia 24 – 10 dias depois da sua morte (o normal na DK é enterrar uma semana depois). Coitada da família real, não tem nem tempo de lamentar a morte do defunto, pois a sucessão é imediata. Margrethe 2ª tinha apenas 32 anos de idade quando foi coroada e estava casada fazia 5 anos.

Dia do jubileu, a agenda da rainha estava lotada. Coitada. Afinal ela é uma velhinha de 72 anos de idade. A programação foi festa aqui, festa ali, entrevista lá e discursos de montão. E tudo isso com o pessoal da TV filmando o tempo todo. Nos dois dias anteriores ao jubileu, a tv mostrou trocentos documentários sobre a família real.

No sábado de manhã, Margrethe 2ª foi colocar flores no túmulo do pai.

Em seguida foi levada de carruagem até a prefeitura, junto com o marido, para acenar ao povo. Os súditos de bandeirinhas na mão cantaram uma música, acho que é o hino nacional, mas não tenho certeza, e depois gritaram o tradicional: vida longa à rainha, hurra, hurra, hurra. Nesse link aqui dá para ver o vídeo do momento que a carruagem saiu do castelo Amalienborg, morada da rainha, e foi em direção ao castelo da prefeitura.  De noite foi o jantar de gala e concertos com orquestra. E haja pique para aguentar a tudo isso com sorriso e acenando.

No domingo mostram a família real na igreja de manhã e de tarde no parlamento para discursos e jantar com os parlamentares. Então no dia seguinte, segunda-feira, é manchete em todos os jornais que alguns membros do parlamento não se levantaram quando a rainha entrou no auditório, e que outros entraram de propósito atrasados para evitar ter que se levantar para a rainha. Pode isso?

A foto ao lado é dela, andando de trenó puxado por cachorros na Groenlândia. A Groenlândia pertence ao reino da Dinamarca mas eles querem independência. A rainha disse simplesmente que não haveria problema algum em se emancipar da Dinamarca, mas que a DK não enviaria mais a verba de auxílio que envia todo mês para apoiar a precária economia groenlandesa. De repente eles não estavam mais interessados em emancipação.(Recentemente eles acharam petróleo por lá. Talvez isso vire o jogo.)

Mas vamos às fofocas…

A rainha ou rei na DK não tem poder. Quem governa é o parlamento. Mas a família real trabalha bastante para manter as relações diplomáticas com outros países e isso já é grande coisa, pois libera o parlamento e o primeiro ministro (que agora é uma mulher, pela primeira vez na história da DK) para fazer aquelas palhaçadas típicas que todo político faz.

Mas os súditos dinamarqueses adoram a família real. É a novela em horário nobre deles. Acompanham a vida da realeza minuto à minuto. No meu trabalho, certa vez, eu disse que a família real era só para decoração e gastar dinheiro público, por deus, tinha gente me fulminando com o olhar.

 

A foto acima é da família real. Se traçarmos uma linha bem no centro dessa foto, eu diria que do lado esquerdo estão o orgulho da Dinamarca, e do outro lado… bom, deixa pra lá.

No centro da foto, a rainha e seu marido. Ela tem 72 anos e continua muito bem de saúde e lúcida. Ela vai longe. A mãe dela morreu com 90 anos. No entanto a rainha fuma demais. Os guias turísticos fazem brincadeira quando passam na frente do castelo dela. São 4 palácios nesse castelo e justamente o dela tem uma chaminé a mais que os outros. Eles dizem que a chaminé a mais é porque ela fuma tanto.

Toda véspera de ano novo ela faz um discurso para os súditos. Coisa de política, eu não assisto e ainda bem o Carsten também não liga para isso. Mas o povo gruda na tv para assistir ao discurso de ano novo da rainha. Mas tudo isso é gravado com antecedência. Ela nunca tinha dado uma entrevista ao vivo. A primeira entrevista ao vivo foi sábado passado para comemorar os 40 anos de jubileu.

No palácio só se fala francês, pois o marido dela é francês, um cara muito inteligente que fala até coreano, mas ele nunca aprendeu a falar dinamarquês e o povo não perdoa. Os súditos o odeiam. OK, odiar é uma palavra muito forte, digamos que o povo acha que o príncipe real é uma piada. O nome do cara é Henrik e ele de certa forma é um exibicionista. Isso já dava para ver na expressão do rosto dele no dia que ele chegou na DK para o noivado em 1966. Acredito que ele se sente desmasculinizado por não ser chamado de rei. Ano passado ele conseguiu com o parlamento que fosse para plebiscito o pedido de que o marido da rainha seria chamado de rei. Ouvi dizer que é a segunda vez que ele tenta isso. Adivinhe qual foi a resposta pública? Exatamente. Henrik continua sendo Henrik, príncipe real.

O próximo casal é o da esquerda (lado da rainha). O rapaz é o filho mais velho, o que vai subir ao trono -Frederik, príncipe da coroa. O povo o adora, sem comentar que ele um tipo bonitão. Tem 43 anos e se casou em 2004 com uma australiana. (Ninguém dessa família real se casou com dinamarques. Os dinamarqueses aparentemente não são material para se casar.) O nome dela é Mary, e se conheceram na Austrália em 2000, quando teve as Olimpíadas em Sidney. Se entendi as fofocas na época, eles se encontraram num bar e ela não sabia quem ele era – que era um príncipe. Deve ter sido um choque ao saber que estava se envolvendo com um príncipe no cavalo branco. O povo considera a história deles como um verdadeiro conto de fadas. O príncipe com a plebeu (já que ela não é da aristocracia). Mary aprendeu a falar dinamarquês, com sotaque, mas fala bem. (Eu acho que ela foi forçada a aprender o idioma, pois eles viram o erro que fizeram com o Henrik.) O povo adora a Mary e ela é o exemplo típico daquilo que os dinamarqueses consideram bonito: cabelo castanho e liso, olhos castanhos e pele branca.

A regra na família real é: se casou tem que imediatamente fazer pelo menos dois filhos, para assegurar a sucessão no trono. E assim foi feito. Mas então resolveram fazer um terceiro filho e vieram gêmeos. Se fosse uma cidadã comum, que tem que tomar conta de filho, casa, marido, trabalho, provavelmente estaria indo à loucura, mas na família real, ela deve ter três babás para cada filho.

O próximo casal é o da direita: Príncipe Joachim de 42 anos, o filho mais novo da rainha (o que não vai ao trono a não ser que o primogênito morra) e sua segunda esposa. Sim, tem divórcio na história da família real dinamarquesa.

O primeiro casamento do Joachim foi em 1995 com Alexandra, uma moça que ele conheceu em Hong Kong numa festa. Ele a pediu em casamento em segredo e pelo que entendi demorou quase dois anos para a família real tornar essa notícia de conhecimento público. Alexandra teve que renunciar a um bocado de coisas: religião, cidadania britântica, carreira em marketing, e assim vai.

Como de costume, depois do casamento ela vira princesa Alexandra e bum! dois filhos. O casamento durou até 2004 (exatamente o ano que o irmão dele se casou com Mary). Quando o divórcio saiu em 2005, logo em seguida, dois meses depois, Alexandra foi vista com um rapaz que era 14 anos mais novo que ela, e se casaram em 2007.

Eu não sei se ela arrancou muito dinheiro da família real no divórcio (que aliás não é dinheiro real, mas o suado dinheirinho de altíssimos impostos que pagamos!), só sei ela conseguiu sair com um título de Alexandra Christina, Condessa de Frederiksborg. Não sei se ela levou os dois filhos consigo.

Acredite se quiser, não demorou muito o Joachim conseguiu encontrar uma mulher na França que é igual e tem a mesma cara da Mary (esposa do irmão). Até o nome dela é praticamente o mesmo: Marie. O povo acha isso doentio. Em 2007 eles ficaram noivos e se casaram em 2008. E aí começa a mesma história dos dois filhos. O segundo está para nascer. Marie não participou nem das festividades do jubileu de 40 anos da rainha porque o barrigão está para explodir a qualquer momento. (Compare essa foto aqui com a foto acima da Mary com os gêmeos e me diz se elas não são iguais!)

Sei que esse é um artigo hiper longo, mas espero que vc tenha gostado de algo. Essa história certamente vai parar nos livros de história que os seus filhos, sobrinhos e netos um dia vão estudar.

A família reunida na sacada do castelo Amalienborg.

Nota: Todas as fotos eu “emprestei” de sites dinamarqueses.

Coloquei também uns links de vídeos antigos que achei no youtube. Se vc viu o vídeo casamento, repare no babador do padre. Parece até aquelas fotos de padres da idade média que se vê nos livros de história. Acredite, ainda nos dias de hoje se usa o mesmo babador. Isso pode ser visto no vídeo do enterro da mãe da rainha, que foi em 2000. À propósito, no enterro da mãe, o padre se esquece do que ia dizer e a própria rainha o ajuda (aos 2:10).