Príncipe Henrik

Dinamarca está de luto hoje. Bom, pelo menos a família real está de luto. Morreu ontem de noite o marido da rainha, o príncipe Henrik.

Pelo que entendi, ele já estava hospitalizado desde o final de janeiro, mas ele morreu no castelo Fredensborg com a família. Com 83 anos, sofria de demência e estava com infecção pulmonar.

A questão agora é quem vai tocar a produção de vinho. Principe Henrik era francês e tinha uma vinícula. Será que será vendida?

Royal Run

Quer vir à Dinamarca e correr na rua junto com o príncipe Frederik, futuro rei?

Ano que vem, 21 de maio de 2018, ele fará 50 anos e para comemorar, convida todos para correr com ele nas ruas da Dinamarca.

Será um dia todo de corrida. Ou uma milha (1,6 km) ou 10 km.

Ele correrá nas cinco maiores cidades do reino: Aalborg, Aarhus, Esbjerg, Odense, Copenhague.

Nas primeiras quatro cidades ele correrá uma milha com os habitantes.

Já quando chegar na capital, correrá 10 km e todos estão convidados.

Dia 21 de maio será uma segunda feira mas é feriado de pentecostes na Dinamarca. Eu imagino que essa corrida vai entrar pra história. Vamos torcer para que faça bom tempo!

O príncipe e eu

Durante uma atividade da minha empresa no centro de Copenhague, nosso grupo estava fazendo um foto-safari. É uma atividade, onde nos dividem em vários grupos, e cada grupo deve tirar 5 fotos. Há regras; por exemplo todos os membros do grupo devem aparecer em todas as fotos, ou perde-se pontos, mas ganha-se pontos se as fotos incluírem coisas especiais, como no caso:

  • um soldado segurando rifle
  • uma pessoa famosa
  • um animal selvagem
  • um castelo no plano de fundo
  • todos os membros do grupo dentro de um chafariz
  • todos os membros do grupo sobre uma bicicleta
  • todos segurando uma bebida

Tinha mais coisas doidas, mas isso é o que eu me lembro.

Eu adoro esse tipo de atividade, e foi pena que eu estava me recuperando da cirurgia, e não pude participar, pois eu não conseguia andar sem sentir dor, e não teria como andar pela cidade com o grupo, caçando lugares para tirar foto.

Mas eu fiquei de encontrar todo mundo na frente do castelo Amalienborg, que é onde a rainha mora. De lá, da doca do castelo, nós pegaríamos um barco para um passeio.

Quando passei pela praça do castelo, vi que a bandeira estava hasteada, e isso quer dizer que a rainha estava em casa.

Em seguida, quando cruzei a rua e estava me aproximando do jardim do castelo, onde tem a doca e um chafariz, eu vi o pessoal do meu grupo todo ouriçado, tirando fotos. Pensei que ele estivessem tirando foto dentro do chafariz, mas me enganei.

O que aconteceu foi o seguinte:

Esse grupo imprimiu uma imagem do príncipe da Dinamarca para ganhar pontos tirando uma foto com alguém famoso. As regras do jogo não especificavam se a pessoa famosa deveria estar presente em carne e osso, ou não.

Depois quando eles chegaram no jardim do castelo para aguardar a chegada dos outros, para tomarmos o barco, sabe quem eles encontram, com os filhos pequenos, passeando no jardim, na frente do chafariz? Sim, ele mesmo, o príncipe.

Sem nenhum segurança, andando tranquilamente com as crianças, só usando um boné e óculos escuros para não ser reconhecido facilmente.

Então entendi tudo. Eles estavam tentando tirar uma foto sorrateira, mas nunca iria funcionar, pois a regra do jogo dizia que todos os membros do grupo deveriam aparecer na foto.

Eu tenho certeza de que se eles tivessem abordado o príncipe e pedido para tirar uma foto, que ele teria concordado – pois ele é muito simpático, mas ninguém quis importunar porque ele estava com as crianças.

Então eles só tiraram fotos do príncipe de longe e me mostraram… a melhor foto, onde realmente dá para reconhecer que é o príncipe Frederik, é a foto abaixo que me mandaram por Instagram.

Ei, mas espera aí, eu estou reconhecendo aquela mulher atrás do príncipe, chegando na praça. Sou eu!!

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História das Marias

Ontem eu descobri algo novo sobre a enroladíssima história da família real. História essa que certamente vai para os futuros livros de história da Dinamarca.

Eu imagino que a história pode ser contada da seguinte maneira:

Era uma vez dois irmãos, Joachim e Frederik, filhos da raínha da Dinamarca. Frederico é o mais velho e o herdeiro do trono, Joaquim é o mais novo e é o, digamos, reserva.

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A diferença de idade entre os irmãos é de apenas 1 ano, mesmo assim o irmão mais novo, Joaquim, se casou 9 anos antes de Frederico.

Joaquim conheceu Alexandra numa festa em Hong Kong e com ela se casou em maio de 1995.

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Já Frederico demorou uma eternidade para encontrar a tampa para sua panela. Foi numa viagem para a Austrália em 2003 que ele conheceu Mary. E esse encontro é para ninguém botar defeito, pois pareceu até um conto de fadas: durante a paquera ela não sabia que ele era o príncipe herdeiro do trono dinamarquês.

Em maio de 2004 eles se casaram.

Uns meses mais tarde nesse mesmo ano, o irmão, Joaquim, anuncia que vai se separar de Alexandra. E o divórcio é definitivo em 2005. Nesse momento entra para a história da família real algo chamado divórcio.

Mas a enrolação mesmo começa 2 anos mais tarde.

Eis que em 2007 Joaquim encontra uma moça francesa e em maio de 2008 eles se casam. Não há nada de errado nisso. O problema é que a nova esposa de Joaquim é praticamente “igual” à esposa de Frederico. São realmente parecidíssimas (veja fotos abaixo) e tem mais:

Como se não bastasse que uma é a cara da outra, eu digo, a francesa de Joaquim se chama Marie. A australiada de Frederico, Mary. Traduzindo ambos os nomes para o português, o nome é o mesmo: Maria.
E ontem eu descobri mais um fato curioso nessa história. Ontem, 05 de fevereiro, foi o aniversário de Mary, e hoje é o aniversário de Marie. Fala sério? Isso é conhecidência demais.

Parecidas

A história da família real é a “novela” preferida de alguns dinamarquêses, que acompanham os babados diariamente. Várias pessoas me disseram que acham doentio isso, que Joaquim se separou logo em seguida que Frederico e Mary se conheceram, e que depois encontrou uma mulher “igual” à do irmão. Dá a impressão de que ele se apaixonou pela mulher do irmão.

Mas se é ciume, inveja, desejos ardentes ou coincidência, isso ninguém sabe, mas que essa história toda vai parar nos livros do futuro, disso eu não tenho dúvidas.

Magnata

Você se lembra dessa moça aqui?

E o velhinho simpático atrás dela, você conhece?

Pois é, segunda-feira passada foi o aniversário de 72 anos dela, a rainha da Dinamarca, mas um outro acontecimento roubou a atenção toda.

O velhinho atrás dela é amigo da família real há muitos anos. A amizade vem desde a época que o pai dele vivia. Dias antes do aniversário da rainha informaram que ele não participaria da comemoração porque estava muito fraco.

Coisa rara. Com 98 anos anos ele estava com ótima saúde, lúcido e todos os dias da semana ia para a empresa da família e por ser o acionário majoritário da empresa, ele ainda era consultado para decisões que teriam maior impacto.

Eis que no dia do aniversário, já de manhã, informaram que o velhinho faleceu. A Dinamarca inteira só fala nisso desde segunda-feira até ontem, sábado, quando foi o enterro.

A rainha que adora cores vibrantes, no dia do aniversário foi na sacada do castelo para acenar para o povo, como ela sempre faz em datas comemorativas, mas dessa vez ela estava usando um casaco preto.

A mídia especulou se ela vestiu preto em respeito à morte do amigo. É claro que o pessoal de relações públicas da família real nega de pé junto e diz que a escolha da roupa foi aleatória.

Mas por que falam tanto nesse velhinho? Você não o reconheceu?

Ele é um verdadeiro magnata e, aqui na DK, muito conhecido por suas doações, projetos filantrópicos e afins. Até o dia de sua morte, ele era considerado o homem mais rico da Dinamarca.

A empresa da família dele, foi fundada por seu pai, mas ele a gerenciou por mais de 50 anos, foi até o ano passado a maior empresa da Dinamarca – não em tamanho mas em renda. Esse ano a empresa dele foi ultrapassada pela empresa onde eu trabalho!

Eu dei uma vasculhada nos sites brasileiros e fiquei um pouco desapontada ao ver que a mídia brasileira nem comentou a morte do nosso velhinho carismático. Só achei uma nota pequena num jornal de economia. Será que o Jornal Nacional não comentou a morte dele?

Nosso velhinho se chama Maersk Mc-Kinney Möller. Esse nome gringo parece até de escocês, mas ele é dina.

A AP Möller-Maersk, a firma dele, é muito conhecida. Você certamente já viu um container, ou um navio ou caminhão com o nome da empresa.

O enterrro dele deve ter sido uma coisa doutro mundo. Vi que colocaram a bandeira da DK sobre o caixão, o que é uma grande honra. Claro que as celebridades apareceram em massa num enterro desses. Até a rainha foi.

Eu fiquei triste ao escutar a notícia. Ninguém vive para sempre, eu sei, mas vi uma vez uma matéria, onde ele mostrava o sapato que gostava de usar. Era um sapato muito caro mas que ele tinha há muitos anos. Era realmente coisa de qualidade. Achei ele tão simpático e querido na entrevista.

A sepultura da família num cemitério aqui no centro está mais bem cuidado que o meu jardim. Lugar realmente idílico e que passa uma paz só de olhar.

Crônica

O marido de uma das minhas amigas escreveu uma crônica bem bacana sobre um acontecimento recente, e porque eu achei genial, pedi permissão para compartilhar a história aqui no blog.

Como só escutei a história uma vez e ainda em inglês, eu espero que eu consiga retratar bem os acontecimentos:

Ele, um americano vivendo na Dinamarca há mais de 20 anos, professor na universidade aqui há mais de dez anos. O reitor da universidade o nomeia para receber a Cruz de Cavaleiro da Ordem de Dannebrog.

Esses nomes pomposos, coisa de país com monarquia. Vc pergunta que nome é esse, eu digo, é algo que parece com a Ordem da Távola Redonda.

A cruz parece uma medalha e muito poucas pessoas recebem essa condecoração. Quem a recebe tem a chance de uma entrevista particular com a rainha. Fiquei também sabendo que quando se morre, não se pode nem ser enterrado com a cruz ou passar para os filhos como recordação, mas deve-se devolvê-la. Nunca vi disso. Então não é dado, é emprestado? Bom, deixa isso prá lá.

Ele não queria aceitar a condecoração, uma, por ser estrangeiro e outra, por ser judeu. Achava que não seria adequado aceitar uma condecoração de um país cristão. Então ele perguntou a minha amiga, sua esposa, sua opinião. Ela disse: Olha, você é estrangeiro aqui nesse país, e se a Dinamarca quer te dar alguma coisa, você aceita!

Ele resolveu seguir o conselho que lhe foi dado. No dia que a cruz chegou, chegou também um convite oficial para a entrevista com a rainha. Dizia o convite que ele deveria usar a sua melhor roupa para o encontro com a realeza.

O terno, blusa e gravata estavam em ordem, pois minha amiga os tinha comprado não fazia muito tempo. Os sapatos, ele pensou em usar um par que tinha comprado há muitos anos para uma ocasião especial e que só tinha usado uma vez.

Foi ao sótão para buscar os sapatos e reparou que o couro estava ainda muito bem. Nem parecia que tinha ficado num sótão sofrendo com calor e frio intenso por vários anos.

Na hora de sair de casa, chamou um táxi. Normalmente ele só anda de bicicleta, mas dessa vez não queria se sujar.

Chegando no castelo, ao descer do carro, notou que os sapatos estavam meio estranhos. Caminhando mais um pouco reparou que a sola começou a se despedaçar. Pensou em voltar para casa para trocar os sapatos, mas agora já não havia mais tempo para isso.

Na entrada, ajeitaram a cruz no terno dele dizendo que não era para colocar na lapela do terno, pois não era uma medalha de natação. Depois de pregar a cruz devidamente, o fotógrafo real tirou sua foto.

Foi então encaminhado para uma sala de espera, onde várias outras pessoas também aguardavam pela audiência com a rainha.

Ele ficou sentadinho quietinho. Pelo chão havia um rastro de pedaços de borracha que iam em direção ao seu assento.

Um cidadão vestido em traje oficial ou farda, estava caminhando pelo salão e se deparou com um pedação de sola de sapato. Simplesmente pegou a espada ou cajado e deu uma cutucada no borrachão, que rolou salão afora foi parar num canto da sala.

Meu amigo ficava imóvel, de cabeça baixa, torcendo para que ninguém percebesse que o rastro de sola de sapato ia diretamente para ele.

Enquanto estava esperando por sua vez, se lembrou que ele costumava ter pesadelos onde ele perdia os sapatos. Definitivamente hoje parecia que o sonho estava virando realidade.

Chegou sua vez. Abriram a porta para ele entrar. Ele cumprimentou a rainha fazendo uma brincadeira: Sei que Sua Majestade está acostumada a entender dinamarquês falado com sotaque. (Meu amigo, como a maioria dos americanos que conheço aqui, fala dinamarquês com sotaque bem carregado e ele fez uma referência ao marido da rainha, que é francês e também carrega no sotaque na hora de falar o dinamarquês).

Então ele disse que estava muito grato que o reino da Dinamarca financia as pesquisas dele com herbicidas e de como o projeto é importante para a agricultura do país.

No final da conversa ele felicita a rainha pelo jubileu de 40 anos de reinado que estava por vir.

Na despedida ele não sabia como proceder, pois na hora de entrar na sala da rainha as portas tinham sido abertas para ele, mas agora ele não sabia se alguém abriria a porta para ele sair. Não sabendo o que fazer, ele perguntou para a rainha mesmo:

– Eu é que tenho que abrir aporta?
Ela disse que sim.
– E onde fica a porta?
Ali para a direita.

Ele abriu a porta e foi embora e ficou torcendo para que a rainha não notasse o rastro de borracha que ainda estava se espalhando pelo chão.

No final, disse que o dia correu tão bem que não estava achando incômodo andar sem as solas do sapato.

Junto com essa crônica estava a foto dele com a cruz pendurada no peito. Minha amiga me pergunta quanto eu acho que a foto custou. Como tudo na DK é caríssimo, eu arrisquei umas 200 coroas (70 reais). Ela disse que custou 900 coroas (300 reais), porque é o fotógrafo real. E tem mais, não é nem permitido scanear e colocar em algum site da internet. Só porque é o fotógrafo real.

Fotógrafo real, que nada. De onde eu venho isso tem outro nome.

Pega ladrão!

Pública

Sabe o que eu me esqueci de dizer no artigo sobre a família real? Que aqueles que irão para o trono fazem um esforço para ter uma vida pública “normal”.

O Frederik, futuro rei, fez serviço militar como qualquer cidadão do sexo masculino e ele serviu as três forças armadas: exército, marinha e aeronáutica. Ele é oficial nas três. Quanto tempo isso demorou, isso eu já não sei.

O filhinho dele frequenta a escola pública dinamarquesa. Aqui existem algumas poucas escolas particulares, mas o casal resolveu colocar i filho na escola pública para mostrar para o povo que eles têm confiança no ensino público dinamarquês. Isso é obviamente jogo de política, porque certamente o menino recebe aulas particulares em casa. E claro que a escola pública que ele frequenta é no bairro mais nobre da cidade, onde o ensino certamente é diferente de escolar do bairro onde moram muitos imigrantes. A foto ao lado é do primeiro dia que o menino foi para a escola. Essas fotos oficiais da família real. Quem é o estilista desse povo? Calça marrom e jaqueta azul? São meus olhos ou essa combinação não fica bem?

Como eu prometi antes num comentário, uma hora que eu tiver tempo vou escrever sobre o sistema escolar aqui. No momento o meu trabalho anda me consumindo, mas acho que é fase.

Jubileu de 40 anos

Sábado passado foi festa na Dinamarca. Uma festa que eu pensei que duraria um dia todo, mas pelos comentários que ouvi, a TV dinamarquesa só falava nisso por 3 dias consecutivos. Eu não comentei nada antes porque estava esperando que a festa terminasse para procurar por vídeos no youtube. (Estou meio decepcionada pq não achei muita coisa.)

Dia 14 de janeiro de 2012 foi jubileu da rainha da Dinamarca, que está no poder há 40 anos. Como os pais dela não tiveram filhos homem, eles mudaram as leis para que ela pudesse subir ao trono quando ele morresse.

O rei morreu com 72 anos, e essa é justamente a idade atual da rainha, que se chama Margrethe 2ª.

 

 

 

Quando o rei morreu, a esposa dele era viva (ela faleceu em 2000 com 90 anos), mas a lei da DK não aceita que o cônjuje suba ao poder. Somente sangue real pode sentar no trono. Aliás, não se pode nem chamar o marido da rainha de rei. Ele é chamado de príncipe real.

O falecimento do rei foi no dia 14 de janeiro de 1972, poucos meses antes de completar 25 anos no poder. Ele foi enterrado dia 24 – 10 dias depois da sua morte (o normal na DK é enterrar uma semana depois). Coitada da família real, não tem nem tempo de lamentar a morte do defunto, pois a sucessão é imediata. Margrethe 2ª tinha apenas 32 anos de idade quando foi coroada e estava casada fazia 5 anos.

Dia do jubileu, a agenda da rainha estava lotada. Coitada. Afinal ela é uma velhinha de 72 anos de idade. A programação foi festa aqui, festa ali, entrevista lá e discursos de montão. E tudo isso com o pessoal da TV filmando o tempo todo. Nos dois dias anteriores ao jubileu, a tv mostrou trocentos documentários sobre a família real.

No sábado de manhã, Margrethe 2ª foi colocar flores no túmulo do pai.

Em seguida foi levada de carruagem até a prefeitura, junto com o marido, para acenar ao povo. Os súditos de bandeirinhas na mão cantaram uma música, acho que é o hino nacional, mas não tenho certeza, e depois gritaram o tradicional: vida longa à rainha, hurra, hurra, hurra. Nesse link aqui dá para ver o vídeo do momento que a carruagem saiu do castelo Amalienborg, morada da rainha, e foi em direção ao castelo da prefeitura.  De noite foi o jantar de gala e concertos com orquestra. E haja pique para aguentar a tudo isso com sorriso e acenando.

No domingo mostram a família real na igreja de manhã e de tarde no parlamento para discursos e jantar com os parlamentares. Então no dia seguinte, segunda-feira, é manchete em todos os jornais que alguns membros do parlamento não se levantaram quando a rainha entrou no auditório, e que outros entraram de propósito atrasados para evitar ter que se levantar para a rainha. Pode isso?

A foto ao lado é dela, andando de trenó puxado por cachorros na Groenlândia. A Groenlândia pertence ao reino da Dinamarca mas eles querem independência. A rainha disse simplesmente que não haveria problema algum em se emancipar da Dinamarca, mas que a DK não enviaria mais a verba de auxílio que envia todo mês para apoiar a precária economia groenlandesa. De repente eles não estavam mais interessados em emancipação.(Recentemente eles acharam petróleo por lá. Talvez isso vire o jogo.)

Mas vamos às fofocas…

A rainha ou rei na DK não tem poder. Quem governa é o parlamento. Mas a família real trabalha bastante para manter as relações diplomáticas com outros países e isso já é grande coisa, pois libera o parlamento e o primeiro ministro (que agora é uma mulher, pela primeira vez na história da DK) para fazer aquelas palhaçadas típicas que todo político faz.

Mas os súditos dinamarqueses adoram a família real. É a novela em horário nobre deles. Acompanham a vida da realeza minuto à minuto. No meu trabalho, certa vez, eu disse que a família real era só para decoração e gastar dinheiro público, por deus, tinha gente me fulminando com o olhar.

 

A foto acima é da família real. Se traçarmos uma linha bem no centro dessa foto, eu diria que do lado esquerdo estão o orgulho da Dinamarca, e do outro lado… bom, deixa pra lá.

No centro da foto, a rainha e seu marido. Ela tem 72 anos e continua muito bem de saúde e lúcida. Ela vai longe. A mãe dela morreu com 90 anos. No entanto a rainha fuma demais. Os guias turísticos fazem brincadeira quando passam na frente do castelo dela. São 4 palácios nesse castelo e justamente o dela tem uma chaminé a mais que os outros. Eles dizem que a chaminé a mais é porque ela fuma tanto.

Toda véspera de ano novo ela faz um discurso para os súditos. Coisa de política, eu não assisto e ainda bem o Carsten também não liga para isso. Mas o povo gruda na tv para assistir ao discurso de ano novo da rainha. Mas tudo isso é gravado com antecedência. Ela nunca tinha dado uma entrevista ao vivo. A primeira entrevista ao vivo foi sábado passado para comemorar os 40 anos de jubileu.

No palácio só se fala francês, pois o marido dela é francês, um cara muito inteligente que fala até coreano, mas ele nunca aprendeu a falar dinamarquês e o povo não perdoa. Os súditos o odeiam. OK, odiar é uma palavra muito forte, digamos que o povo acha que o príncipe real é uma piada. O nome do cara é Henrik e ele de certa forma é um exibicionista. Isso já dava para ver na expressão do rosto dele no dia que ele chegou na DK para o noivado em 1966. Acredito que ele se sente desmasculinizado por não ser chamado de rei. Ano passado ele conseguiu com o parlamento que fosse para plebiscito o pedido de que o marido da rainha seria chamado de rei. Ouvi dizer que é a segunda vez que ele tenta isso. Adivinhe qual foi a resposta pública? Exatamente. Henrik continua sendo Henrik, príncipe real.

O próximo casal é o da esquerda (lado da rainha). O rapaz é o filho mais velho, o que vai subir ao trono -Frederik, príncipe da coroa. O povo o adora, sem comentar que ele um tipo bonitão. Tem 43 anos e se casou em 2004 com uma australiana. (Ninguém dessa família real se casou com dinamarques. Os dinamarqueses aparentemente não são material para se casar.) O nome dela é Mary, e se conheceram na Austrália em 2000, quando teve as Olimpíadas em Sidney. Se entendi as fofocas na época, eles se encontraram num bar e ela não sabia quem ele era – que era um príncipe. Deve ter sido um choque ao saber que estava se envolvendo com um príncipe no cavalo branco. O povo considera a história deles como um verdadeiro conto de fadas. O príncipe com a plebeu (já que ela não é da aristocracia). Mary aprendeu a falar dinamarquês, com sotaque, mas fala bem. (Eu acho que ela foi forçada a aprender o idioma, pois eles viram o erro que fizeram com o Henrik.) O povo adora a Mary e ela é o exemplo típico daquilo que os dinamarqueses consideram bonito: cabelo castanho e liso, olhos castanhos e pele branca.

A regra na família real é: se casou tem que imediatamente fazer pelo menos dois filhos, para assegurar a sucessão no trono. E assim foi feito. Mas então resolveram fazer um terceiro filho e vieram gêmeos. Se fosse uma cidadã comum, que tem que tomar conta de filho, casa, marido, trabalho, provavelmente estaria indo à loucura, mas na família real, ela deve ter três babás para cada filho.

O próximo casal é o da direita: Príncipe Joachim de 42 anos, o filho mais novo da rainha (o que não vai ao trono a não ser que o primogênito morra) e sua segunda esposa. Sim, tem divórcio na história da família real dinamarquesa.

O primeiro casamento do Joachim foi em 1995 com Alexandra, uma moça que ele conheceu em Hong Kong numa festa. Ele a pediu em casamento em segredo e pelo que entendi demorou quase dois anos para a família real tornar essa notícia de conhecimento público. Alexandra teve que renunciar a um bocado de coisas: religião, cidadania britântica, carreira em marketing, e assim vai.

Como de costume, depois do casamento ela vira princesa Alexandra e bum! dois filhos. O casamento durou até 2004 (exatamente o ano que o irmão dele se casou com Mary). Quando o divórcio saiu em 2005, logo em seguida, dois meses depois, Alexandra foi vista com um rapaz que era 14 anos mais novo que ela, e se casaram em 2007.

Eu não sei se ela arrancou muito dinheiro da família real no divórcio (que aliás não é dinheiro real, mas o suado dinheirinho de altíssimos impostos que pagamos!), só sei ela conseguiu sair com um título de Alexandra Christina, Condessa de Frederiksborg. Não sei se ela levou os dois filhos consigo.

Acredite se quiser, não demorou muito o Joachim conseguiu encontrar uma mulher na França que é igual e tem a mesma cara da Mary (esposa do irmão). Até o nome dela é praticamente o mesmo: Marie. O povo acha isso doentio. Em 2007 eles ficaram noivos e se casaram em 2008. E aí começa a mesma história dos dois filhos. O segundo está para nascer. Marie não participou nem das festividades do jubileu de 40 anos da rainha porque o barrigão está para explodir a qualquer momento. (Compare essa foto aqui com a foto acima da Mary com os gêmeos e me diz se elas não são iguais!)

Sei que esse é um artigo hiper longo, mas espero que vc tenha gostado de algo. Essa história certamente vai parar nos livros de história que os seus filhos, sobrinhos e netos um dia vão estudar.

A família reunida na sacada do castelo Amalienborg.

Nota: Todas as fotos eu “emprestei” de sites dinamarqueses.

Coloquei também uns links de vídeos antigos que achei no youtube. Se vc viu o vídeo casamento, repare no babador do padre. Parece até aquelas fotos de padres da idade média que se vê nos livros de história. Acredite, ainda nos dias de hoje se usa o mesmo babador. Isso pode ser visto no vídeo do enterro da mãe da rainha, que foi em 2000. À propósito, no enterro da mãe, o padre se esquece do que ia dizer e a própria rainha o ajuda (aos 2:10).