Palavrão

Eu sou fã de piada picante. Ary Toledo e a falecida Dercy Golçalves, na minha opinião, são os melhores. Nem sei se tem algum comediante no momento tão bom quanto eles. Alguém sabe?

Eu não me importo com palavrão, quando bem colocado. Eu mesmo falo muito palavrão, principalmente nas minhas brincadeiras e piadinhas. E não importa o idioma. Depois que aprendi uns palavrões em dinamarquês, já os incorporei no meu dia-a-dia. O povo fica assombrado comigo.

Mas palavrão na Dinamarca não funciona do mesmo jeito que no Brasil. Brasileiro gosta de usar palavrão para humilhar os outros, para tentar resolver conflito com agressão, para usar em briga verbal. Aqui eles gostam de humilhar os outros com comentários inteligentes. Quando tem conflito por aqui, é complicado demais. O povo usa de sarcasmo e uma ironia tão sagaz, que os comentários são bem mais poderosos e destruidores do que o pior dos palavrões.

Quer um exemplo? Fui ao supermercado com minha boa amiga. Duas brazucas se divertindo no final de semana. Chegamos no caixa, o rapaz estava perguntando para o cliente da frente se ele queria o selinho da promoção – ganha-se um selinho para cada 10 coroas de compra e junta-se tudo numa cartela e quando chegar a 50 selinhos vc concorre a prêmios. O cliente recusou.

Esses selinhos aqui eles chamam de “marca”, porque vc vai marcando na cartela. Quando chegou a nossa vez, eu perguntei se as marcas eram as mesmas da promoção do supermercado Foetex (nós estávamos no supermercado Bilka, mas ambos são da mesma cooperativa). O rapaz disse que sim, e perguntou: então você quer as marcas?. Em tom de brincadeira eu disse, claro que sim, a gente adora uma marca (no sentido de adoro uma promoção). Sabe qual foi a resposta dele? Gosta de marca roxa também?

Ele arruinou o meu comentário bem-humorado, transformado o que eu disse em algo negativo. Eu perdi até o rebolado, meu sorriso murchou e fiquei com raiva. Eu não sabia nem o que dizer, pois eu queria dar uma resposta para acabar com ele de vez, mas nada veio a minha cabeça. Só respondi que não, o que deu muito prazer a ele, prazer em estragar a nossa diversão. Se fosse um brasileiro teria entrado na brincadeira, falando dos prêmios, talvez perguntando se eu já tinha conseguido preencher muitas cartelas, sei lá.

Fiquei realmente furiosa com o comentário dele, principalmente porque eu não consegui dizer nada. Eu deveria ter dito: a única pessoa que gosta de marca roxa é a tua mãe. Isso teria colocado o infeliz no seu devido lugar e o teria pego de surpresa, pois os dinamarqueses não estão acostumados com respostas grosseiras assim. Aí sim, eu teria saído de lá satisfeita. Pelo visto eu preciso melhorar o meu estoque de respostas rápidas.

E você o que você teria dito numa situação dessas?

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11 Responses to Palavrão

  1. Manoela diz:

    Nossa que pessoa agradável.
    Não tenho problema com palavrão (claro que tudo tem hora e lugar). Mas nunca fui muito de falar, agora me policio ainda mais.
    Poxa, mas tem momentos que só um palavrão p/ aliviar, haha. E com essa pessoa agradável seria um bom uso!! 😉

    • Cris diz:

      Eu entendo que você tem que se policiar quanto aos palavrões e vc faz bem. Criança pode não entender no momento, mas lembra de tudo mais tarde.

      Gostei da frase: tem coisas que só um palavrão para aliviar. É verdade.
      Parece até a letra de uma música infantil que eu gosto muito. Diz assim: “A gente grita porque tem coisas que só um grito consegue dizer. Entenderam o porquê?”

  2. Manoela diz:

    É a música da sereia, não é? 🙂
    Por exemplo: uma topada do dedo mindinho do pé no móvel… só um palavrão p/ salvar!!

    • Cris diz:

      Uh, essa do mindinho só de imaginar já doeu.

    • Aroldo Pé de Repolho diz:

      Por exemplo: uma topada do dedo mindinho do pé no móvel… só um palavrão p/ salvar!!

      Exemplo com Amor no Coração: uma topada do dedo mindinho do pé no móvel…
      leva o dedo do pé até a tua face e pergunta p/ ele se é isso mesmo que ele deseja na vida, sabemos qe a separação é um fator complicado num relacionamento, ainda mais se faz parte da nossa vida desde fetinho, mas fazer o que, se o dedo não falar nada, arranque-o, mande-o embora.

      Viu com amor no coração ninguem sofre. hehehehe

    • Cris diz:

      A música está no mesmo CD da sereia, mas é a faixa 9: Porque sim, não é resposta.
      http://www.youtube.com/watch?v=J4wq6MPcumY

  3. lu diz:

    Cris… vc ficou sem palavras?? não creio..
    Mas tia Lu, falaria:marca roxa sim, igual a aquela que posso deixar no seu olho.

    beijos,

    Se cuida..

  4. Aroldo Pé de Repolho diz:

    Gosta de marca roxa também?
    Marca Roxa na Dinamarca quer dizer promoção relâmpago.
    ooohhh!!! o que vcs andam comendo p/ ter uma imaginação tão fértil hein? hehehe

    A Tia Cris gosta de palavrão, essa é novidade hein, sempre focada nos botões, e agora focada em palavrões, hehehehe

    Fique na proteção de Jah, senão Jah era

    • Cris diz:

      Eu gosto de pensar com meus botões. Se bem que ultimamente ando numa onda de pensar alto. Infelizmente isso não é bom para mim. Já percebi que por aqui o que vale é aquela velha história de filme americano: tudo o que disser pode e será usado contra você.

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