No terceiro dia a gente descansa, porque ninguém é de ferro. A idéia era ficar em Geiranger por um dia todo para aproveitar as belezas do local, mas bem nesse dia que escohi ficar aqui amanheceu nublado, fazendo friozinho de 12 graus e a cidade estava pra lá de lotada.
Saímos do hotel depois do meio-dia, isso porque a camareira já tinha batido na nossa porta duas vezes perguntando se podia arrumar o quarto.
Chegando no centrinho, este estava movimentadíssimo. Havia 3 navios de cruzeiro atracados e uma multidão tinha tomado a cidade. Tinha fila para tirar foto com a estátua gigante do duende.
Resolvemos fazer o passeio de barco para tirar fotos das quedas d’água e ver o fiorde por um outro ângulo. Bonito o lugar, mesmo em tempo nublado. O que mais me impressionou foi a história das fazendas abandonadas. Uma delas, ao lado da queda Sete Irmãs, foi abandonada há 100 anos porque uma rocha da montanha ameaçava cair sobre a casa, mas a rocha continua lá. A narração do barco disse que os moradores das fazendas altas amarravam as crianças com cordas para evitar que elas caíssem do despenhadeiro. Já imaginou?
Fazendo turismo a gente sempre encontra uns tipos estranhos. Um cidadão resolveu levar o cachorro para o passeio de barco, e segurou o bicho por uma hora e meia. Eu não sei como
é permitido. E quem tem alergia a pêlo cachorro, como faz? Interessante foi ver que esse cachorro deixava a ponta da língua de fora, como se fosse uma criança marota. Tentei várias vezes tirar uma foto, mas toda vez que mirava no cão, o homem me olhava de cara feia. Até que me posicionei bem atrás deles e roubei a foto, mesmo assim o cara me pegou no flagrante.
Saindo do barco começou a chover e com chuva não rola ficar fazendo passeio a mirantes. Voltamos para o hotel e foi a minha sorte, pois assim que cheguei no hotel, começou um pesadelo.
Eu estava trocando de calça quando vi um bicho com a cabeça dentro da minha pele e só o corpo e patas do lado de fora. Meu estômago até embrulhou um pouco. Na hora eu reconheci o perigo. Era um carrapato que transmite a bactéria borrelia.
Eu nunca tinha visto um antes com meus próprios olhos, mas aqui na Dinamarca eles alertam para o perigo, pois borrelia pode causar paralisia. Entrei em pânico. Onze anos morando na Dinamarca nunca fui mordida por um carrapato, 3 dias na Noruega e volto premiada?
Ainda bem que o bicho estava num lugar visível, no meio da perna, acima do joelho. Eu li que eles andam o corpo até achar um lugar apropriado onde eles possam sugar sangue por 3 a 7 dias. Gostam de lugares como atrás da orelha, debaixo das axilas, escondidos embaixo do escroto. Como disse, tive sorte, pois vi o bicho logo e ele ainda não tinha começado a sugar sangue. Carsten conseguiu puxar ele fora com a pinça. Aparentemente ele saiu inteiro. A maioria dos sites com instruções de como retirar o bicho também dá dicas do que fazer se por acaso a cabeça ou a mandíbula do bicho ficar dentro da pele. Só de pensar é revoltante.
Ainda perturbadissima fui até a recepção para perguntar se eu deveria procurar um médico de plantão. O rapaz tentou me acalmar e me explicou que se eu retirei o bicho e ainda não tinha sugado sangue, que agora era ficar alerta nas próximas 3 a 6 semanas para ver se aparecem sintomas de borreliose (doença de Lyme). O jeito então é aguardar e torcer para que tenha sido apenas um susto.
Nem preciso dizer que fiz um esforço descomunal para não deixar esse episódio estragar uma viagem que estava sendo magnífica.
Olá Cris,
Não sei porque aqui, em todos os concursos se fala muito em doença do LYME, talvez por ser chique doença Européia e Americana. Mas pelo que sei o carrapato deve ficar 24 horas sugando , para transmitir a doença. O que não foi o seu caso, fica fria… e curta esta paisagem magnífica.. não deixe de postar as fotos, estou curtindo tb seu passeio…se cuida, beijos.
Oi Lu, muito obrigada pela sua mensagem. Depois desse dia eu li e reli tudo quanto que é site sobre a transmissão da borrélia e do vírus TBE (meningoencefalite), que também é transmitida pelo mesmo carrapato. E é isso que me preocupa. O vírus fica na saliva do bicho e é transmitido na hora, enquanto as epiroquetas da borrélia ficam no estômago, e como vc disse, só transmitida após 24 horas de sucção.
Nas próximas seis semanas continuarei checando meu corpo. Se aparecer inflamação migrans, aí corro para o médico. Mas Deus há de me ajudar.
Fiquei também um pouco neurótica e ando com medo de andar no jardim, mas isso também vai passar.
hum, to me controlando para não postar besteira no blog, carrapatinho hein, nem esperou chegar na orelha foi no joelho mesmo. hehehehe
Uma vez fui para Minas Gerais (fazenda), sempre tinha um monte de carrapato escalando o meu corpo sensual e escultural, mas não chegaram a fazer nada, hehehe
Então tem carrapato assim em Minas? Juro que antes de me mudar para cá eu pensava que carrapato era bicho que só dava em gado, cavalo, cachorro.
Nenhum comentário sobre o infeliz com o cachorro no barco? Não acredito.
deixa o dog em paz, no mar de lá (Valadares – Paranaguá – Paraná – Brasil) cachorro defeca na cara dos banhista e ninguem fala nada, hehehe
Falando em cachorro defecando em banhista, ultimamente tenho visto o pessoal lever cachorro para praia. Eu pensei que fosse proibido por causa do bicho geográfico.
Caramba!!!
Mas agora está tudo bem??
Acho que o cara do cachorro pensou que você fosse repórter e fosse denunciá-lo. :p
Bem pensando essa teoria do dono do cachorro. Eu não tinha pensado nisso.
Quanto ao tudo bem, é difícil saber, já que a maioria dos sintomas aparecem meses depois. Eu acho que doença de Lyme não peguei, só me preocupa TBE. Tenho mantido um diário, onde escrevi que dia fui picada, depois uns dias mais tarde eu tive dores no pescoço, que pode ser um sintoma. Se aparecer mais algum, aí eu corro para o médico.
Mas se apareceu esse sintoma você não deveria ter corrido p/ o médico???
Você costuma ter dor no pescoço? Não tem nenhum exame que possa fazer que detecte se foi infectada ou não?