Lei de Murphy

Toda viagem tem uma história para contar. Raramente uma viagem é perfeita e tudo é um mar de rosas. Nossa operação Itália, desde o momento que colocamos o dedo no gatilho e demos o sinal de largada, foi uma bomba atrás da outra. Impressionante.

  • Primeiro eu, 4 dias antes da viagem, me espatifei no asfalto e me quebrei toda.
  • Custaram a me dar o diagnóstico. Primeiro não tinha quebrado nada, depois mudaram de idéia e no dia seguinte telefonaram para dizer que o meu cotovelo está quebrado.
  • O meu prontuário não foi atualizado até hoje (faz um mês), o que está me causando um monte de transtorno com os seguros acidente.
  • Na chegada em Milão, eu aguardava a Lu, e a vejo saindo pelo portão do desembarque sem sua mala.
  • Descubro que a mala não foi a única complicação da viagem. A bruxa estava solta desde a conexão em Londres.
  • Aquela tarde inteirinha a Lu não conseguia escutar nada, por causa da pressão nos ouvidos causada no vôo até Milão.
    Como ela não conseguia ouvir nada, eu me ofereci para ajudar a ir falar com o pessoal de bagagem extraviada, mas um coronel da polícia lá não me deixou entrar no saguão – se bem que ele foi forçado a mudar de idéia pouco depois.
  • No nosso hotel a internet não funcionava de jeito maneira e nós queríamos saber onde estava a mala. Só conseguimos acessar a internet no computador da recepção do hotel, e foi aí que descobrimos que a mala ainda estava no aeroporto de Guarulhos e estava agendada para vir no próximo vôo.
  • No dia seguinte, nós fomos de Milão para Positano, e em função disso tínhamos que saber onde estava essa mala e nos certificar de que eles a entregariam em Positano e não em Milão. Claro que a internet também não funcionava direito e fomos forçadas a fazer várias ligações telefônicas para o serviço de bagagem para saber o andamento do caso.
  • Desesperador foi ver no sistema que ninguém colocou a mala no vôo de Guarulhos para a Itália e a mala ficou mais 24 horas em Guarulhos.
  • No terceiro dia de viagem vimos que a mala estava a caminho, mas a caminho de Milão!
  • Naquela tarde finalmente vimos que a bagagem estava agendada para ser colocada num vôo de Milão até Nápoles ainda no final daquela tarde. Estávamos torcendo para a mala chegar naquela noite ou na manhã seguinte. Mas nada.
  • Liga mil vezes para o serviço de bagagem e eles não querem confirmar onde a mala está. Depois de escutar a mesma ladainha por 4 dias, eu me irritei e rodei a baiana. A atendente ficou tão cansada de mim que ela até desligou o telefone na minha cara.
  • Naquela noite eu fui chorar as pitangas para a recepção do hotel, explicando que a maldita mala não tinha chegado e que no dia seguinte de manhã nós estávamos partindo para Roma. Eu tinha medo que eles viessem trazer a mala para Positano e nós já tivéssemos partido. Eu ainda comentei que se eles me dessem uma confirmação de que a mala estava no aeroporto de Nápoles, que eu iria até lá buscá-la.
  • Deus escreve certo por linhas tortas. Ainda bem que eu fui na portaria falar com a recepcionista e ela estava sabendo da minha história. Uns minutos mais tarde um cara do aeroporto ligou para o hotel para dizer que ia trazer a mala no dia seguinte, mas a recepcionista mandou ele esperar na linha para falar comigo. Eu, mais do que rápido, disse que eu não queria que ele trouxesse a mala. Pedi para ele deixar a mala lá, que eu ia buscá-la no aeroporto pessoalmente, no dia seguinte.

A partir desse momento a sorte começou a mudar..

  • O motorista que ia nos levar de volta para a estação de trem de Nápoles aceitou nos levar até o aeroporto, sem cobrar extra.
  • Na hora de pagar a conta do hotel, curiosamente, as ligações que nós tínhamos feito para o serviço de bagagem da British Airways não foram cobradas. Elas nem tinham sido registradas.
  • Quando chegamos no aeroporto a mala estava lá, e não tinha sido nem aberta nem danificada. A chave estava faltando, mas tia Lu tinha uma cópia!
  • Do aeroporto até a estação o transporte era fácil e barato, e ainda tivemos a oportunidade de vivenciar a cultura italiana de pegar transporte público.

Para comemorar essa mudança de energia nós tomamos uma espumante Moscato d’Asti.
Se eu tivesse que escolher uma música para ser tema dessa viagem a Positano, eu escolheria Oh Sole Mio, mas o destino escolheu outra música: Mamma, son tanto felice.

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