O pessoal que viaja para a Ásia sempre fala de Durian, uma fruta muito fedida. Pelas fotos na internet, por fora, a casca parece um pouco com jaca, e por dentro, a polpa é amarela. Tem gente que diz que tem gosto neutro.
Quando ouvi falar a primeira vez, fiquei curiosa.
No verão do ano passado, eu vi durian para vender aqui na Dinamarca, num festival da Tailândia. Mas um pedacinho de fruta custava mais que duas refeições. Então não comprei para provar.
Olha, ainda bem que não comprei. Vou descrever a enrascada na qual me enfiei por causa de durian em Singapura.
Eu estava a caminho das praias numa ilha chamada Sentosa. Fica somente 15 minutos de distância do meu hotel, mas tinha que baldear do metrô para um trem. A estação do trem ficava no terceiro andar do shopping center VivoCity.
Engraçado que em Singapura muitas estações de metrô ou trêm ficam dentro de shopping.
E passando pelas lojas, dei de cara com uma que dizia “Mundo dos doces”. A primeira coisa que meus olhos viram foram biscoitos amanteigados dinamarqueses. Aquilo me fez parar. Não acreditei que dava pra comprar biscoitos dinamarqueses em Singapura.
Fiquei chateada, porque antes de sair de Copenhague, eu comprei uma caixa desses biscoitos só para dar de presente para a minha amiga Soo Hwee. Eu achava que seria um presente legal, que desses biscoitos ela não acharia em Singapura. Nossa, como eu estava enganada.
Resolvi explorar aquela loja, porque tinha doce de muitos lugares do mundo sendo vendidos ali. Foi aí que vi chocolates com recheio de creme de durian.
Não resisti. Comprei um pacote só para provar.
Ao sair da loja, eu pensei, vou abrir o pacote e provar um chocolatinho.
Burrada, e burrada das grandes.
Na minha ignorância, eu achava que depois que a fruta fosse processada e estivesse dentro do chocolate, que não teria cheiro forte. Rasguei o pacote na parte de cima, um furinho pequeno de 1 cm, e tomei um susto.
O fedor que subiu me baqueou. Imediatamente fechei o pacote, mas o fedor continuava a se espalhar. E eu estava dentro de um shopping lotado de gente. Que sufoco.
Achei uma sacola plástica dentro da mochila, coloquei o pacote do chocolate dentro da sacola para ver se ajudava a conter o cheiro, mas não.
Então coloquei esse embrulho dentro da minha bolsa de praia, e isso dentro da mochila. Ou seja, embrulhado em quatro sacolas, mesmo assim exalava o fedor de dentro da minha mochila.
Eu tive que abandonar a idéia de ir pra praia e tive que voltar para o hotel.
Dentro do metrô, eu estava muito preocupada, pois como eu mencionei no blog uns dias atrás, é proibido carregar durian no transporte público. Agora eu sei o porquê. A fedentina impregna tudo e não dissipa.
Ainda bem que eram somente dois pontos até o meu hotel. Mas olha como o destino mata a gente de susto.
Eu desembarquei do metrô, e dentro da estação, dei de cara com polícia e cachorros fazendo ronda.
Aquele fedor de Durian saindo da mochila, não tinha como enganar cachorro.
Mas por sorte ninguém me parou e não falaram nada. Ufa.
Fui pro hotel, tirei três chocolatinhos de dentro do pacote para provar, e o resto eu embrulhei em três ou quatro sacolas plásticas e fechei dentro da geladeira. Pelo menos a geladeira não deixava o fedor de durian se espalhar pelo quarto.
Fui pra sacada, ao ar livre, para tentar provar aquele chocolate.
Olha, é muito difícil comer algo que fede tanto. Coloca na boca, parece que solta um gás.
Depois no estômago aquilo fica pesando, e subindo cheiro de durian para a boca por horas.
O durian me deu muitos gases e dor de barriga. Fui ler mais tarde, e descobri que tem gente que passa mal e vomita. Pelo menos isso não aconteceu comigo.
Gente, e eu nem comi a fruta. Foi só um chocolatinho com um tiquinho de nada de durian dentro.
Foi feia a coisa. E o diabo daquele pacote tinha uns 25 chocolates dentro.
Nos dias restantes da viagem, eu consegui comer uns 8 chocolates. Eu achava que depois de provar algumas vezes, que o corpo teria mais facilidade de aceitar o cheiro e o alto teor de fibra.
Não foi por falta de tentativa. Mas não teve jeito. O estômago fica pesado. Dá dor de barriga e muitos gases.
No dia de ir embora, eu tinha que me livrar daqueles chocolates escondidos na geladeira.
Saí do hotel, e joguei na primeira lixeira pública que vi. Foi com dó que eu joguei. Sou muito contra desperdício de comida. Mas não tinha condições.
Que sofrimento.
Ainda bem que nessa viagem também teve coisa boa que eu provei.
Se você acompanha o blog, sabe que eu adoro Yakult, e por mais de 20 anos eu aguardava que algum dia Yakult seria vendido nos supermercados da Dinamarca. Agora acha em duas redes de supermercado. Caro pra dedéu, então não dá pra comprar sempre. Por isso, quando eu viajo, eu sempre tento comprar Yakult, se o preço for mais em conta do que aqui.
Achei uns Yakult bem diferentes em Singapura. Com gosto de uva, maçã verde, e laranja. Meio estranho, mas gostei.
Aí no Brasil também tem Yakult com gosto de frutas?

