Os dina comemoram bodas de prata assim: alguém da família vem montar um portal em frente à porta da casa. Normalmente enfeitam a porta com galhos e flores. Muitas bandeirinhas dinamarquesas são espalhadas na frente da casa para indicar que é dia de festa. Uma banda vem tocar música de manhã bem cedo e vários convidados aparecem. Você que está de bodas, convida todos que apareceram, inclusive a banda, para tomar café da manhã. Dias depois a pessoa que montou o portal vem desmontá-lo e você a convida para um jantar.
Anteontem, 6:50 da manhã eu escutei música de banda de coreto, ainda pensei: alguém está fazendo bodas de prata aqui por perto.
No final da tarde chegamos em casa e tinha uma cesta com gulozeimas na frente da nossa porta. Achei que fosse um presente de uma das minhas antigas colegas. Ela costuma nos dar uma cesta com produtos natalinos, mas em julho? Estava meio cedo para isso.
Enquanto Carsten examina a cesta eu pergunto, foi a Litha que enviou? Ele responde, eu acho que isso não é para nós, mas o endereço e o meu nome estão corretos.
Dizia: Hele e Carsten, e o endereço embaixo que era o nosso. Hele e Carsten? O que vc anda aprontando, Carsten? Quem é Hele?
Lendo o cartão que veio junto na cesta, dizia: parabéns com o dia, 25 anos de casados.
Foi quando acendeu uma luzinha na minha cachola. Eu escutei música de manhã cedo, então realmente alguém na vizinhança faz bodas de prata hoje. Como eles conseguiram escrever o endereço errado, isso eu já não sei.
Peguei a cesta e perguntei ao meu vizinho, o que gosta de varrer a área só de cuequinha, se ele sabia quem estava de bodas. Ele falou que escutou a música de manhã e achava que o som veio de trás da casa dele.
Fui lá naquela rua e achei estranho que não tinha nenhuma casa com bandeirinha ou portal. Um cara todo tatuado apareceu numa das casas e eu perguntei se ele sabia quem estava de bodas e ele nem sequer tinha ouvido a música de manhã cedo. Pode isso?
Fui então na próxima rua. Tinha uma casa com uma bandeirona hasteada mas não tinha portal. Bati na porta assim mesmo, para perguntar, mas a única resposta que obtive foi o latido de um cachorrinho.
Fiquei pensando, vou na terceira rua? Vou nada. Voltei para casa.
No dia seguinte telefonei para a empresa que entregou a cesta e contei a história. A mulher custou a entender mas ela acabou encontrando o endereço correto da pessoa que deveria receber a cesta, me passou os dados e disse: eu posso enviar alguém para recolher a cesta e fazer a nova entrega ou você vai lá entregar? Eu disse, eu vou lá (e foi o melhor que eu fiz, pois isso foi no dia que Carsten estava em casa se degladiando com o teto e chão da cozinha e ele estava num tremendo “bom humor”. Definitivamente esse não era o dia de mandar alguém lá buscar cesta).
O endereço correto era justamente na terceira rua. Mesmo no dia seguinte, ainda tinha um monte de bandeirinhas espalhadas na frente da casa e um portal gigante.
Fiz uma pequena preparação mental: o que vou dizer? Imaginei que uma pessoa de uns cinquenta anos de idade abriria a porta e eu diria parabéns com as bodas, mas foi um adolescente que atendeu a porta e de repente eu nem sabia o que dizer. Depois de alguns segundos de silência acabei dizendo algo bobo como: mas vc não tem cara de que está fazendo bodas de prata! Ele obviamente responde, meus pais é que estão de bodas.
Eu falei que tinha recebido o presente deles por engano, e o rapaz respondeu que a empresa da cesta tinha telefonado e dito que eu iria passar lá para entregar. Problema resolvido, entreguei a cesta e fui me embora com a sensação de dever cumprido.
Adoro o seu blog! Tu escreve bem e parece ser bastante simpatica.
em que site você conheceu o seu gringo?
Olá Gabriella, fiquei muito contente em receber sua mensagem!
Eu conheci meu gringo num programa de chat chamado ICQ. É antigão mas ainda existe.