Estamos reformando a cozinha e o que era para ser algo simples acabou virando um problemão. Lei de Murphy.
Nossa cozinha era dos anos 80. Azulejos marrons, armários escuros, mesa verde-musgo. Não dava nem gosto de entrar na cozinha para fazer o jantar. Não é à toa que a pizzaria local é nessa melhor amiga.
Trocar cozinha é algo caro. Eu queria trocar apenas as portas dos armários por algo clarinho e trocar a mesa verde por algo mais suave para os olhos. Mas Carsten queria trocar tudo, porque ele dizia que esses armários estavam engordurados demais após tantos anos de uso e as gavetas do nosso sistema nem abriam direito.
Fui obrigada a concordar com o moço e resolvemos que iríamos trocar tudo esse ano. Mas começaríamos a ver isso em agosto e teríamos vários meses para economizar dinheiro para esse projeto.
Mas eis que no final de abril, uma das minhas colegas me diz assim: as cozinhas Vordingborg estão dando 50% de desconto até a semana que vem.
E essa foi a nossa deixa: saímos correndo para o showroom deles, o rapaz nos mostrou os mil detalhes modernos que existem agora, encontramos algo que nos agradou e resolvemos agendar para fazer o desenho final.
Essa brincadeira toda levou quase 8 horas. Três horas no primeiro dia e um pouco mais de 4 horas para fazer o desenho final e tomar as decisões. E todas essas decisões foram tomadas no calor do momento, porque só tínhamos 7 dias para assinar o contrato, ou não receberíamos os 50% de desconto.
Digo que, mesmo com esse descontão, ficou caro. Bem mais caro do que eu pensei que ficaria, e nós não tínhamos o dinheiro todo.
A cozinha tinha que ser paga no início de julho, e ainda bem que conseguimos levantar o dinheiro sem ter que apelar para um empréstimo de banco. Beleza, tudo dando certo.
O combinado é que eles entregarão os armários no dia 2 de agosto e um montador virá instalar tudo no dia 15 de agosto. Vários dias de espera, no caso de algum módulo chegar com defeito ou se estiver faltando algo.
Eles nos perguntaram se precisaríamos de ajuda para desmontar a cozinha antiga, mas como conhecemos os precinhos “camaradas” da Dinamarca, resolvemos fazer nós mesmos que é para economizar, pois o dinheiro todo foi para pagar os armários. E retirar armário é moleza.
Tudo bem, comecei meus planos. Como não estamos de férias ainda, planejei que usaríamos os finais de semana para desmontar a cozinha. O plano era o seguinte:
1 fds para desmontar
1 fds para pintar o teto
1 fds para pintar as paredes
1 fds para trocar o radiador e para nivelar o chão colocando táboas extra.
E novamente, Lei de Murphy.
Carsten ficou doente, lá se foi o primeiro fim de semana. Então eu peguei o resfriado dele. E lá se foi o segundo final de semana.
Foi somente no final de semana passado que nós começamos a desmontar a cozinha, já com duas semanas de atraso. De cara, retirando o primeiro armário grande, eu vi que tanto o teto quanto a parede dariam mais trabalho do que antecipado. Havia diferença de cor no teto e desnível no papel de parede, bem num lugar onde ficará visível coma futura cozinha. A única maneira de consertar isso era retirando o papel todo e colocando novo.
(Pros lados de cá o acabamento das casas não é o mesmo que no Brasil, onde provavelmente teria massa corrida e pintaria direto na parede.)
Demorou 14 horas para arrancar o papel de parede, 3 pessoas ajudando. Eu, Carsten e a esposa do pai do Carsten. E ainda não terminamos, pois faltam os cantinhos perto do teto.
Ontem, quarta, Carsten tirou um dia de folga e o pai dele veio dar uma mão. Arrancaram os azulejos, lixaram o cimento todo, aquela cola que se usa para colocar os azulejos. Tudo aquilo tinha que ser retirado para preparar a parede para receber o papel de parede.
O pó fininho se espalhou pela casa toda. Um horror.
Quando eles retiraram o resto dos armários, foi quando tudo tomou um novo rumo e o projeto cozinha virou super projeto cozinha.
Descobrimos que os antigos moradores tinham feito tudo nas coxas: o teto tinha vários defeitos e faltavam táboas no chão. Fiquei chocada. Para instalar a cozinha nova tem que ter um piso sem desnível. Mas que chão? A cozinha antiga estava montada sobre umas táboas soltas e um baita buracão no chão. Agora entendo porque sempre entrava um vento frio na cozinha.
Tivemos então que arrancar tudo, todas as táboas do teto e piso. Puxando a primeira táboa do teto, caiu tudo de uma vez só sobre nossas cabeças. Tinha sido colado com cuspe, só pode. Sob o teto nós descobrimos um ninho de rato e instalações elétricas ilegais. Agora estamos com medo que a casa toda tenha sido feita assim, com esse tipo de instalação ilegal e isso é um problemão. O nosso seguro não paga por danos se houver instalação ilegal na casa.
Hoje fomos comprar novas táboas para teto e chão, e comprar o papel de parede e toda a parafernalha extra que se tem que usar. E quem disse que nós conseguimos encontrar um chão que nos agradasse? Vamos ter que rodar outras lojas até encontrar algo, e o tempo está contra nós. Temos que terminar tudo até dia primeiro de agosto.
Hoje estou um caco. Como se não bastasse essas atividades inesperadas da renovação da cozinha, o nosso carro resolveu dar chilique. Apareceu uma rachadura gigante no pára-brisas do carro. Tão grande que não dá para consertar e teremos que trocar o vidro. Isso vai custar uma boa grana, grana que não temos, pois acabamos de comprar uma geladeira e ainda temos que comprar o chão da cozinha.
Não sabemos ao certo o que fazer, pois o nosso carro vai ser aposentado ano que vem. A última vez que teve vistoria, fomos informados que o carro será recolhido em abril 2014. Por que usar dinheiro para consertar um carro que será recolhido? Será que vale a pena? Ou será melhor comprarmos um carro velhinho agora e quem sabe daqui uns anos trocar por algo melhor? Que falta de sorte. James bem que poderia ter escolhido um momento mais oportuno para dar piripaque.
Ok, então a programação agora é a seguinte:
1 – nesse fds eu vou terminar de retirar o papel de parede enquanto Carsten conserta o buraco no chão e coloca mais isolamento
2 – vamos instalar o teto novo e consertar as instalações elétricas irregulares
3 – vamos lixar a parede e se der tempo vou começar a colocar o novo papel de parede. Se não der tempo, isso eu vou fazendo devagar durante a semana e eu vou ter que pintar também. Imagino que vai uns dois a três dias para isso (pois eu pintei a lavanderia toda em 2 dias). O ruim é que eu tenho que fazer isso quando volto pra casa do trabalho e já estou pra lá de cansada.
4 – No último final de semana do mês tem que colocar o novo chão e o novo radiador. Se ainda tiver algum imprevisto, esse será o momento para consertar.
Vamos ver no que vai dar. E enquanto isso estamos morando numa verdadeira zona de guerra, tudo da cozinha está espalhado pela casa, estamos lavando louça na pia do banheiro e tentando usar pratos e talheres de plástico. Inconveniente, no entanto estamos enconomizando uma grana fazendo tudo nós mesmos, porque se tivéssemos pagando para fazer todo esse trabalho, custaria em torno de 15 a 20 mil reais. Os preços do primeiro mundo.
Em compensação, quando a cozinha chegar, nós não precisaremos levantar nem um dedo, pois já pagamos para ela ser instalada e aí será só comemoração e as nossas merecidas férias de verão começarão!
Eu conto mais detalhes quando o projeto estiver terminado.
E a saga do carro… espero que se resolva da melhor maneira possível, sem ter que fazer empréstimo em banco.







Descobri que os funcionários da minha empresa recebem 20% de desconto para trocar pára-brisa na oficina aqui na frente do prédio. Vai ficar por um preço bem mais camarada do que eu temia. Já agendei e segunda-feira esse problema estará morto e enterrado!
Quando finalizar posta uma foto da cozinha, hehehehe
nesse fim de semana se fizer sol, vo na minha casa pintar o telhado e o portão, hehehhe
Ops, na sua casa futura?
sim, o telhado já está ok, no portão só passei uma de mão de fundo branco (um tipo de zarcão) , ainda falta pintar o tal portão