Imprevistos

Fica difícil planejar uma viagem quando as informações que a gente recebe não são verdadeiras.

Quando eu perguntei para minha mãe se ela precisava de assistência com cadeira de rodas no aeroporto, ela se ofendeu e disse que anda por aí tudo.

Planejei então a viagem inteira baseada nessa informação. Calculei que minha mãe seria capaz de caminhar, bem devagar, até 1 km de distância, antes de precisar sentar para descansar.

Reservei uns hotéis que ficavam razoavelmente perto de estação rodoviária, de praia, de shoppings e afins, calculando que poderíamos caminhar um pouquinho.

No meu primeiro dia no Brasil convidei minha mãe para comer uma comidinha mineira no shopping. Lá eu também ia caçar uma loja de relógios para trocar a pulseira do meu que está quase rompendo.

Foi uma sorte ter ido a esse shopping. Enquanto procurávamos a loja de relógios (que fechou e demos com os burros n’água) eu percebi que minha mãe tem sérios problemas de mobilidade e não consegue caminhar nem 200 metros.

Ver aquilo me fez pensar que minha mãe não conseguiria caminhar do check-in no aeroporto até o portão de embarque no dia seguinte. Para quem conhece esses aeroportos grandes, sabe que lá dentro pode-se caminhar vários quilômetros até chegar no portão de embarque.

Já tinha passado o prazo para pedir assistência com cadeira de rodas. Normalmente se deve pedir com mais de 24 horas de antecedência, mas o nosso voo era em 20 horas. Como era uma emergência, eu liguei para a Latam e passei quase 40 minutos no telefone tentando conseguir assistência para minha mãe.

Foi muito estressante, mas no dia seguinte no aeroporto deu tudo certo e minha mãe ficou surpresa de como foi paparicada. Falou até que se soubesse que era assim, que quando precisou viajar para Belo Horizonte dois anos atrás também teria pedido assistência ao invés de ficar sofrendo.

O problema agora é que não tem nada para fazer em Camboriú além de ficar socada dentro de quarto de hotel. Com problema sério de mobilidade não dá pra gente caminhar até restaurantes, não dá para ir a um museu ou Aquário. Não dá para fazer nada, porque a coluna dói, a perna com a prótese dói. Não é fácil ser idoso com dores.

Se eu soubesse que as coisas estavam nesse ponto, eu não teria trazido minha mãe para Balneário Camboriú. Teria feito planos diferentes. Mas agora estamos aqui. E para piorar, chove sem parar. 5 dias de praia, dos quais foi chuva sem parar por 4 dias. É muita falta de sorte.

A única coisa boa é que nesse hotel tem uma piscina aquecida com a água bem quentinha. Isso ajuda um pouco.

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