Sem resposta

Novo chefão no meu trabalho. Parece que todos os chefes estão zarpando e entrando gente nova o tempo todo.

Reunidos para o discurso de boas-vindas do homem, um pessoal ao meu lado estava conversando animadamente, e eu só ouvindo.

O cara pergunta: vocês moram em apartamento?

Olha, se alguém me perguntasse “você mora em apartamento”, em menos de um segundo eu responderia: “sim eu moro” ou “moro, sim”, e talvez eu prolongaria a resposta dizendo “faz dois anos”. Não importa. Para esse tipo de pergunta, qualquer das minhas respostas incluiria a palavra “sim” ou a palavra “não” e eu não precisaria pensar para responder uma pergunta simples dessas.

Mas ao escutar a resposta da menina, eu comecei a pensar se tem alguma coisa errada comigo.

Ela demorou uns 4 a 5 segundos pensando antes de responder. Pra mim, aquela pausa foi uma eternidade. E a resposta dela começou assim: Ano passado nós nos mudamos do bairro Osterbro…

E foi aí que ela me perdeu. Um turbilhão de pensamentos começou a girar na minha cabeça, desde “Precisa mesmo pensar por 5 segundos para responder essa pergunta?” “Meu, ninguém te perguntou de onde você se mudou, vai contar a vida toda agora?” “Gente, tem algo errado comigo pois eu responderia essa pergunta na bucha?”…

Enfim… pensei tanto que não descobri se afinal elas moram em apartamento ou não.

Mudança

Vou fazer minhas malas para ir morar na Ilha da Madeira!
Brincadeira. Vou não. Ainda não.

O artigo de hoje é sobre gostos. Pois nesses dias eu estava pensando sobre como as coisas mudam, sobretudo, como nossos gostos mudam. Gosto pra estilos musicais, estilo de roupa, estilo de vida, e claro, gosto de comida. Incrível como o paladar muda com o tempo.

Lembro de quando era criança, escutava o povo dizer: quando a gente fica mais velho, os gostos vão mudando. E o pior é que tenho que dar razão a esse povo.

Quando pequena eu detestava abobrinha, manga, pimentão, fígado.
Adorava brócolis, rabada, dobradinha.

Brócolis ainda é a verdura que eu mais gosto. Curiosamente, eu passei a gostar muito de abobrinha.

Pimentão não vai de jeito nenhum. Todo mundo diz que “mas é tão docinho!”. Só se for na boca de vocês, porque na minha, é muito amargo. Não vai de jeito nenhum! E na Dinamarca eles colocam isso em tudo. Estou sempre tirando pedacinhos de pimentão de saladas, cuscuz, sanduíches, ensopados. Aff.
Mas engraçado, é que o tempero chamado páprica, que é feito de pimentões, esse eu consigo comer e até gosto.

Fígado nunca mais tive coragem de provar, confesso. Aqui na Dinamarca, de vez em quando, provo um pedacinho de um prato nacional feito com fígado de porco com bacon. Um pedacinho dá para encarar. Dizem que fígado tem muito ferro, que é bom pra saúde. Como aqui não se come feijão, outra fonte de ferro, então um pedacinho de fígado uma vez ao ano não vai me matar.

Manga eu passei a gostar e lembro exatamente o dia em que isso aconteceu. Quando eu tinha 15 anos, visitando uma coleguinha da escola. Lembro que a mãe dela me ofereceu suco de manga, e para não ser mal-educada, eu aceitei. E fiquei muito surpresa ao perceber que eu gostei.
Agora, aquele monte de fiapo, não é a coisa mais fácil de comer. Ainda bem que fizeram umas mudanças genéticas na fruta, e tiraram aquela fiaparada. (fiaparada? existe essa palavra?)

Bom, o fato é que desde então, manga entrou pra minha vida.

Agora, rabada e dobradinha, só indo ao Brasil pra comer, porque aqui não acha pra vender. (se bem que eu encontrei rabada uma vez, faz uns 10 anos, mas eu não soube preparar. não ficou bão, não)

Infelizmente, morando em um país de clima temperado, há muita coisa que temos no nosso Brasil tropical que eu não acho por aqui. No início a gente sente falta, mas com o passar dos anos, a gente vai se adaptando à nova realidade.

Por sorte aqui tem umas frutas boas também, como cereja e damasco e uns tipos de ameixa que deixam a gente com água na boca. Então dá para encarar.

Agora, o que sinto falta mesmo é de um bom mamão.

E vocês, também passaram a gostar de coisas que não comiam quando criança?

Praia

Sempre que eu escuto gaivotas cantando, eu me imagino na praia.
Aquele barulhinho gostoso do mar, gaivotas cantando, sol, calor, areia branquinha fofinha. Hmmm

Então abro meus olhos, e estou eu no meu escritório: barulho de fábrica, frio, um sol tão fraquinho que parece estar anêmico, carpete cinza, cercada de computadores.

Mas as gaivotas que moram aqui no complexo continuam cantando… Então eu fecho meus olhos novamente e me imagino perto do mar, nos trópicos.

Confesso, gosto de um calorzinho e sol – mas nada mortífero como o verão desse ano no Brasil.

Gente, será que chegou a hora de eu me mudar da Dinamarca? Mas pra onde vou? Pro Brasil a tia Cris aqui não volta.

Porco

Seu cachorro, cretino, patife, safado, salafrário!

Calma gente, estou falando do ano que se encerra hoje, 4 de fevereiro de 2019. Pelo horóscopo chinês, o ano lunar de 2018 foi o ano do cão.

Eu nunca fui de checar premonições de zodíaco, horóscopo, mas confesso que para o zodíaco chinês, eu gosto de olhar a previsão para o ano que inicia.

Quando o ano do cão começou em fevereiro de 2018, a previsão para o meu signo (eu sou serpente – 1977) estava muito boa. Saúde estável, previsão de promoção no trabalho, economia estável ou ganho de dinheiro, e muitas previsões boas para o amor, especialmente para quem estivesse solteiro. Nunca antes eu tinha lido tanta previsão boa para romance.
Como minha vida romântica andava pra lá de parada, eu me empolguei. Pensei, “agora sim, vou tirar a barriga da miséria”.

Surpreendentemente, as previsões foram se realizando uma a uma.

Em matéria de saúde, 2018 foi o melhor ano dos últimos 4. Passei 7 meses sem dores nenhuma (dores de endometriose), que antes eram diárias. Estou muito contente com isso.

Promoção no trabalho também foi batata. Para minha grande estupefação, minha chefe me promoveu em abril e me deu até um aumento de salário. Foi a primeira vez na vida que fui promovida – depois de 15 anos de trabalho na Dinamarca.

Era uma coisa melhor que a outra, então confesso que me veio aquela previsão do romance na cabeça. Quando em junho apareceu um cidadão na minha vida, eu me deixei levar sem avaliar corretamente os prós e os contras, ignorei todos os sinais que algo não estava cheirando bem, e obviamente eu tinha altas expectativas porque a premonição do cão… tá ligado?

Ter expectativas é algo perigoso demais. Expectativa é sinônimo de decepção, porque nessa vida, nada nunca acontece como a gente imagina.

Nesse romance, eu caí do cavalo de cara no chão. Me espatifei e aprendi uma grande lição. Acreditar em horóscopo, mesmo no chinês, pode nos deixar tristes, desapontados, e até mesmo em depressão, porque criamos esperanças e expectativas nas nossas mentes, e ficamos na espera disso, ao invés de aproveitar a vida como ela é.

O cão ficará pra trás hoje e amanha inicia o ano do porco.
Não me contendo, hoje eu abri a página de internet das premonições para o meu signo chinês. Li apenas umas duas ou três linhas e pensei: “pare já! Que venha 2019 e que seja o que o universo quiser”. Tenho certeza que assim, estando aberta ao inesperado e ao que der e vier, eu serei mais feliz.
(Mas só por precaução, estou fechada pra balanço… cansei de romance ruim e drama.)

Espero que o ano do porco traga muitas energias boas para vocês. Feliz ano novo!


Ano Novo

Um ótimo 2019 para todos nós. Tudo que desejo é saúde – porque pra todo o resto a gente dá um jeito.

Passei o Réveillon sozinha, no meu apartamento em Copenhague. São quase 19 anos aqui, e essa é a primeira vez que passei a virada na cidade.

Recebi vários convites para festas, mas resolvi passar esse ano em completa introspecção. Aliás, um dos convites foi de uma amiga que mora perto dos lagos de Copenhague. Dizem que os fogos vistos de lá são muito bonitos. Eu imagino que sim. Eu morei por 4 anos perto daquele lago, e nunca fui lá num ano novo. Esse ano teria sido uma ótima oportunidade, mas, por outro lado, eu queria ver os fogos do meu ap.

Moro no quinto andar de um prédio e tenho uma vista privilegiada. Daqui posso ver várias cidadezinhas e bairros de Copenhague. Como talvez em breve eu tenha que me mudar daqui e achar um lugar mais barato, achei que esse ano seria uma oportunidade única para apreciar os fogos daqui.

Olha, fiquei impressionada com os fogos em Copenhague. Superou expectativas. Normalmente passo o ano novo fora, ou viajando, ou no interior, visitando a família do Carsten ou na nossa antiga casa, quando éramos casados. Descobri que no interior o povo não investe em fogos. O povo compra alguns fogos para se divertir, mas nada muito espetacular. Talvez por isso sempre achei a virada do ano na Dinamarca meio chinfrim, com poucos fogos. E talvez por esse mesmo motivo eu sempre procurei viajar para lugares que tem show pirotécnico bonito. Porque eu sou fã de ver fogos.

Mas esse ano, Copenhague me surpreendeu. Não é nada planejado, cronometrado, com cores maravilhosas, como no Rio, Londres, Sidney. É tudo uma mistureba de fogos soltos à torta e à direita, mas a quantidade de fogos, me deixou boquiaberta. O povo da cidade gasta uma fortuna em fogos.

Assim que escureceu, 4 da tarde, começou. Uns aqui, outros ali. A princípio eu estava pensando que estavam somente testando alguns fogos, mas nunca parou. Foi assim, soltando fogos o tempo todo das 4 da tarde até 1 da manhã. Os 45 minutos depois da meia-noite foram fenomenais. Era um mar de fogos por todos os lados, e gente nas sacadas dos apartamentos com cornetinhas, apitando sem parar.

E eu já estava embalada. Pois abri minha espumante 9 da noite. Eu nunca fui muito de convenções. Quem disse que só se pode fazer isso em determinado horário, ou fazer assim ou assado? Se podem soltar fogos sem parar desde 4 da tarde, torturando os pobres dos cachorros da vizinhança, então eu também posso passar meu reveillon na banheira tomando espumante nove da noite! Afinal, nove da noite aqui é meia-noite em algum outro lugar do mundo!

Para matar do coração o povo que gosta de convenções: passei minha virada de pijama azul, comi caranguejo, e tomei espumante italiana baratinha! E que venha 2019 com tudo, que eu estou pronta, armada até os dentes!

Depois dos tombos que tomei em 2018, em 2019 ninguém me derruba!

Três vezes

Alguém aqui se lembra daquele ano que eu recebi jornal de graça por um ano inteiro, porque a companhia simplesmente se esqueceu de me mandar a cobrança da assinatura, mesmo depois de eu escrever para eles duas vezes dizendo que não tinha recebido o boleto para o pagamento?

Pois é… depois desse episódio eu sempre fico prestando atenção nas coisas que acontecem comigo, onde ou eu recebo coisas demais ou o povo se esquece de me cobrar.

O acontecimento mais recente foi hoje, agorinha. Fui buscar uma encomenda e tomei um susto quando abri a caixa. Deixa eu contar a história do começo.

Sexta-feira passada foi Black Friday. Eu precisava comprar umas vitaminas e suplementos tipo óleo de peixe numa loja, e numa outra loja eu queria comprar uma luva própria para correr e fazer exercícios ao ar livre no inverno.

Fiz as duas compras online, pois não tenho muita paciência para lojas super-lotadas. O pacote com as vitaminas eu peguei na segunda, e as luvas, hoje.

Na segunda eu percebi que eles, talvez por erro, me mandaram um produto a mais, que eu não tinha pedido – e não tinha nenhuma mensagem dizendo que aquilo era brinde (mesmo porque brindes normalmente são pequenas amostras, e eu ganhei uma caixa inteira de um produto com fibras alimentares, um troço não muito barato). Pensei, acho que algum funcionário novo empacotou isso e não se deu conta do erro.

Hoje chegou o pacote da loja de esportes onde eu pedi uma luva da Nike para corrida no inverno e um “cachecol” esportivo. Era um item de cada que eu pedi, e um item de cada que eu paguei.

Sabe quantos itens de cada eu recebi no pacote? Adivinha…

Três.

Três pares de luvas e três pares de cachecol. Essa loja tomou um preju tremendo, porque o valor de mercadoria que me mandaram é pelo menos 4x maior do que paguei, já que eu comprei tudo com 30% de desconto.

Só pode ter sido algum estagiário adolescente, pensando na morte da bezerra, que empacotou minha encomenda. Porque não tem outra explicação.

Fora do ar

Oi pessoal, não sei se mencionei, mas Carsten e eu conseguimos vender a casa. Passamos uma fase ocupada com as reuniões com o agente imobiliário, bancos, e afins. Agora é a fase de encaixotar a casa e fazer a mudança do Carsten.

Durante a mudança, o servidor será desligado, e por isso esse blog estará fora do ar por várias semanas. Talvez meu email também fique fora do ar.

Quando tudo voltar a funcionar, eu volto cheia de novidades. Saio de férias daqui a algumas dias a caminho da Sicília, Itália. Escrevo sobre a viagem em outubro, se tudo der certo.

Emoções

Minha semana anda cheia de emoções.

Sexta-feira passada foi a festa de verão da minha empresa. Nos levaram a um local super alternativo: um galpão onde antigamente se faziam os consertos dos vagões de trem. Agora esse local foi decorado para receber eventos grandes, com música ao vivo e atividades tanto dentro do galpão quanto fora, no jardim. Muito bacana o lugar.
Mas eu acabei que fui embora cedo e chateada.

Estava eu dançando com as colegas do trabalho, me balançando ao ritmo da música, quando sem querer a minha mão dá uma esbarrada no bumbum da menina atrás de mim.
Foi algo bem de raspão mesmo, eu nem precisava me desculpar, mas por cortesia, me virei, ainda dançando, e disse: desculpa.
Ela, em resposta, agarrou os meus dois seios e disse: não foi nada.
Eu ri.

Ri, mas na verdade não me senti bem. Achei que foi uma agressão a resposta dela, sem falar que tocou nas minhas partes íntimas. Me senti abusada. E me pegou despreparada. Eu nem tentei me defender, porque jamais esperava.
Outra coisa que me chateou foi a maneira como ela falou “não foi nada”. Não tinha um tom de brincadeira em sua voz, o que deu a impressão de que a atitude dela era de violência.

Fui embora logo depois desse episódio, pois percebi que meu humor mudou completamente.

Como se isso não tivesse sido suficiente para apimentar a minha vida, ontem, terça-feira, eu me meti em mais uma enrascada.
Estava eu voltando da yoga de bicicleta lá por umas 9:20 da noite. Mega cansada, nem pensava mais direito.
Resolvi que ia cruzar o cemitério (que mais parece um jardim – muito bonito) porque a ladeira para subir ao cemitério era menos íngreme que a da avenida principal. Sem falar que pedalar no meio das árvores e flores do cemitério, é muito agradável. Esse cemitério fecha 10 da noite, então tinha tempo de sobra.

De repente vejo que uma rua alternativa dá acesso ao cemitério, e entro nela. Lá em cima, no final da rua, estava o portão principal. Mais eis que olho para a esquerda e vejo várias entradas laterais.
Entrei numa delas.

Ali nem estava tão bonito e arborizado, mas tudo bem. Tudo escrito em um alfabeto estranho. Era o setor judaico do cemitério e eu não sabia.
Quando cheguei no fundo, descobri que essa parte do cemitério não dava passagem para os outros setores. Tive que voltar ao portão por onde entrei. Cheguei lá e o portão estava trancado.
Me trancaram dentro do cemitério!
Pânico!

Tentei forçar, tentei abrir, chamei ao redor, e nada. Gente, 3 minutos atrás o portão estava aberto, como agora estava trancado e ninguém por perto?

Passa um ciclista e eu pergunto pra ele se ele sabe como abrir a porta. Ele diz que não, mas insiste que havia uma passagem desse setor até o outro, lá no fundo. Eu disse que não, que já tinha ido lá. Mas ele insistiu tanto, que voltei lá no fundo, para quebrar a cara. O setor judaico todo estava isolado por uma cerca.

Resolvi telefonar para a polícia para pedir ajuda.
Minha voz já estava exaltada. Definitivamente eu não estava com vontade de passar a noite num cemitério sozinha, com medo e com frio.

Expliquei o problema para a atendente e ela me passou para o departamento de polícia local. O policial que me atendeu brinca comigo, mas depois diz para eu voltar no portão e ver se tem alguma placa com número de telefone.

Nisso eu ainda estava no meio, perto da capela, mas enquanto caminhava, eu explicava que estava numa parte do cemitério onde tudo estava escrito nesse idioma estranho pra mim.
Eis que chego no portão e de repente vejo um botão preto enorme com uma placa dizendo: aperte para abrir o portão.

Putz, sacanagem. Incomodei a polícia à toa.
O que o desespero não faz. A gente fica cega. Um botão enorme daqueles, e eu não o tinha visto.

Abre-te sésamo. Problema resolvido. Mas que passei nervoso, passei.

Donkey Republic

Todos esses anos, e o povo dizendo que o melhor modo de se locomover em Copenhague é de bicicleta. Morando na Dinamarca há mais de 17 anos, e só agora pude comprovar que é verdade. Bicicleta para mim, era algo que eu mantinha no porão, para alguma emergência.

De carro leva tempo demais por causa de trânsito, sinaleiros e depois, leva uma eternidade procurando lugar para estacionar.

Com busão, metrô ou trem, além do tempo de transporte, tem que contar o tempo que leva andando até a estação ou ponto e o tempo de espera.

Eu nunca tinha andado de bike, porque achava que seria um martírio. Aqui chove o tempo todo no verão, está sempre um vendaval (e pedalar contra o vento é uma grande M) e no inverno, congelo só de pensar em sair de bike.

Mas nessa primavera (2018) está fazendo um calorão infernal. Faz dois meses que não chove, e tem muito pouco vento. Durante esse tempo apareceu também um novo sistema de aluguel de bicicletas, mais barato que o sistema das city bikes. O novo sistema é de uma empresa chamada Donkey Republic.

Aproveitei então para provar o sistema de aluguel deles, e aluguei uma bicicleta. Tenho aproveitado o bom tempo para pedalar pra tudo quanto é canto. Um dia pedalei 32 km. Fui até a praia. Foi um dia muito gostoso.

De bicicleta a gente descobre lugares onde os carros não vão, e eu curto demais esse negócio de achar lugares novos.

E estou pasma em descobrir o quanto mais rápido é chegar nos lugares de bicicleta, e olha que eu padalo bem devagar. Um exemplo: do meu cafofo até a yoga, de transporte público me leva de 35 a 45 minutos. De bicicleta chego lá em 18 minutos!!

Diferença brutal.

Mas quando o tempo está ruim, frio e chuva, esses 18 minutos duram uma eternidade. Senti isso ontem! Não estava previsto chuva essa semana, saí de casa com roupitcha normal. Mas me faltou sorte em grande estilo. Voltar pra casa de bike foi um martírio. Eu tremia de frio. Sem falar que eu não enxergava nada. Chuva e óculos são duas coisas que não combinam.

Bom, renovei minha mensalidade do aluguel da magrela. Vamos ver se eu consigo manter o ritmo de usar bike o verão todo.

Andar de bike é bom para pegar um ar fresco, fazer um pouco de exercício, chegar mais rápido no seu destino, mas também não é aquele mar de rosas.

A quantidade de bikes nas ciclovias da cidade é inacreditável. Tem gente que te corta, que te empurra. Eles não estão nem um pouco preocupados se você vai cair e se quebrar todo.

Sem falar nos carros estacionados. Os caras estacionam ao lado da ciclovia, abrem a porta do carro com tudo, sem pensar que está vindo uma bicicleta.

E os motoristas doidos que esquecem que têm que parar para as bicicletas (bicicleta e pedestre aqui tem prioridade). Então todo cuidado é pouco.

Mesmo com todos os inconveniêntes, estou adorando. É como se estivesse conhecendo uma nova Copenhague. Pelo menos, por um ponto de vista diferente, sobre duas rodas.

Brigadoido

Tô matando cachorro a grito com vontade de comer coisa doce. Ando assim, não sei o que é.

Achei uma lata de leite condensado e resolvi fazer brigadeiro. Eu gosto daqueles mais molengas, da receita que leva um pouco de leite.

Vasculhando a geladeira, vi um resto de leite de coco que sobrou de sexta quando fiz uma pina colada pra mim.

Gente… E não é que o brigadeiro com leite de coco ficou bom. Dos bão mesmo.

Recommendo!

Mestrado”

Estou nesses dias me preparando para fazer uma prova na sexta-feira que vem. Estudando e revisando. É uma prova do curso de mestrado que estou fazendo, ou tentando fazer.

Quando a gente muda para o exterior, pode ser complicado ter o curso superior reconhecido e trabalhar na sua área. Eu dei certa sorte, mas nunca consegui ter meu curso de farmácia bioquímica totalmente reconhecido.

Uma das barreiras é que aqui, depois de cinco anos de estudo, o povo já sai com o titulo de mestre, e no Brasil, apesar do curso ser praticamente equivalente nas matérias e tempo de estudo, não se consegue o título de mestrado tão facilmente. Só se consegue o título de bacharel.

Depois de mais de 8 anos tendo minha papelada sendo avaliada, e muita frustração, recebi o resultado de que 80% do meu curso foi reconhecido mas que eu deveria fazer minha tese de mestrado na Dinamarca para ter título de mestre.

Meu, depois de passar 18 anos sem estudar, não dá pra simplesmente chegar na universidade aqui e dizer, olha eu vim pra fazer uma tese. Ainda mais que aqui as teses são tudo trabalho de grupo. Tem que se enturmar, tem que aprender a estudar novamente, tem que talvez começar o curso do zero. Mesmo porque as coisas evoluem e o que eu aprendi 20 anos atrás, certamente já não vale mais. Naquela época não tinha nem o mapa do genoma.

Então em 2015 eu tomei vergonha na cara, e procurei um curso de mestrado que me interessasse.

Eu tinha acabado de começar a trabalhar numa outra indústria farmacêutica, e ao invés de trabalhar com assuntos regulatorios, agora eu estava no departamento de estudos clínicos. Então achei cursos de mestrado em estudos clínicos. Achei aqui na Dinamarca, na Escócia e na Inglaterra.

Na Dinamarca, na época eu não tinha a cidadania, e eu teria que pagar pelo meu curso (mestrado gratuito é somente para quem é dinamarquês). O preço aqui é o dobro do que eu pagaria em Londres.

Optei por Londres pelo preço e porque eu já tinha ouvido falar bem da universidade.

Então o que fiz? Mandei minha papelada pra Londres, curso à distância. Passei pelo processo seletivo e fui aceita. Fiquei muito contente.

Mas como as coisas são… Pouco depois eu fiquei muito doente, e descobri que tinha endometriose severa, que teria que fazer cirurgia. Foram meses para descobrir o que eu tinha e meses esperando pela operação.

Honestamente, eu achava que ia morrer no período pós operatório, já que tenho uma predisposição para formação de trombo e embolia (tive em 2006, mas isso é outra história). Então decidi que nos meus meses “finais” eu ia somente me dedicar a atividades que me davam prazer e me deixavam feliz. Foi aí que eu voltei a dançar e achei forró na Europa. Aí ferrou tudo.

Depois disso foi uma maratona de forró, e como não morri, rsrsrs, dá-lhe forró para comemorar.

Usei muito do meu tempo viajando, caçando festivais, organizando festivais. Não tinha tempo para estudar. E assim passaram dois anos. E eu pagando pelo curso em Londres.

Mas eu pensava, no ano seguinte eu vou estudar.

Mas continuei viajando, e ainda de quebra usei muito tempo e energia procurando um lugar para morar e superando o divórcio.

Somente agora, dois anos e meio mais tarde, que cansei de viajar de duas em duas semanas caçando forró e gastar tanto dinheiro – e pior, não me divertir como antigamente – que resolvi que chegou a hora de me dedicar ao curso de mestrado.

Entrei em contato com a universidade para saber qual a melhor opção, pois eu tenho somente até 2020 para terminar o curso. Eles me recomendaram começar com uma matéria somente esse ano. Para eu voltar a me acostumar a estudar. E é isso que estou fazendo. Vamos ver como vou me sair na prova.

Me desejem boa sorte.

Smoothie blender

Comprei um liquidificador especial só pra fazer vitaminas, milkshakes e smoothie.

Antes eu achava uma bobagem isso, já que dá pra usar o liquidificador comum pra essas coisas, mas agora que eu experimentei o novo equipamento, digo que é muito melhor usar o específico.

Percebi a diferença já no primeiro dia. Milkshake de mirtilo (blueberry) congelada com leite e açúcar ou mel.

Fazendo no liquidificador comum, é difícil liquidificar completamente a fruta congelada e sempre ficam uns pedaços grandes, mesmo deixando bater por um tempo.

No troço pra fazer smoothie, em 30 segundos está pronto e perfeito. Fiquei impressionada.

Valeu a compra.

Tempo

Acho que esse ano tô sem sorte nas viagens. Só estou pegando tempo feio, frio ou temporal. Ninguém merece.

Hamburgo no ano novo estava muito frio e chuva.

Berlim em janeiro estava do mesmo jeito.

Londres no início de março estava uma nevasca que os voos chegaram todos atrasados ou foram cancelados.

Praga no final de março estava chovendo.

Depois de tanta falta de sorte, a expectativa pra próxima viragem é grande, porém já sei que estou embarcando pra uma temporada de chuva, enquanto na Dinamarca, onde raramente faz sol, o tempo estará melhor do que no Brasil!

E assim será depois de amanhã, quando embarco para dez dias de chuva e dez graus de temperatura em Portugal e Irlanda, e a previsão em Copenhague é de muito sol e calor. Fala sério.

Ainda pra deixar tudo mais picante, hoje de noite será decidido se a Dinamarca vai entrar na pior greve da história, onde vão fechar o país. Ou seja, se a greve começar domingo dia 22 de abril, como programado, talvez eu não possa voltar pra casa. Só quero ver no que vai dar.

Novo Look

Quem tem cabelo cacheado ou crespo entende bem o que eu vou falar. Sempre que a gente vai ao cabeleireiro, a gente sai de lá ridícula. Quem tem cabelo liso, vai ao salão e sai magnífica. Cabelo crespo, gasta horrores, tanto de dinheiro quanto de tempo, e sai de lá parecendo um cão poodle. Para tentar salvar o dia, chega-se em casa correndo, e lava-se o cabelo para tirar o efeito indesejado causado pelo cabeleireiro. Fala sério.

Acho que quando morava no Brasil, eu só saia do salão satisfeita se tivesse matado meus cachos (feito escova simples – naquela época não existia essas coisas de marroquina, keratina, progressiva e deus sabe lá o que mais inventaram).

Eu nunca alisei meu cabelo. A verdade é que sempre gostei dos meus cachos, apesar de passar por muito bullying. O povo não pode ver você feliz, tem que tentar te colocar pra baixo, e acabar com sua autoestima.

Nesses 40 anos de praia, somente duas vezes eu saí do cabeleireiro feliz, com um bom corte. A primeira vez foi no dia 30 de abril de 2012. Fiquei tão contente que até postei as fotos aqui no Blog (por isso eu lembro a data! rsrsrs).

Mas aquele cabeleireiro, que era brasileiro – mas só falava espanhol pq tinha vivido muitos anos na Espanha – eu nunca mais encontrei. Ele sumiu. Parece que ficou na Dinamarca somente por alguns meses.

Mas finalmente encontrei outro. Eu estava numa festa de aniversário e fui apresentada para uma moça que vem do Kuwait. Cabelo cacheado dela, parecia o meu, mas um corte bem bacana. Resolvi perguntar quem era o cabeleireiro, e ela me passou o nome Clauds.

Faz um ano isso… mas o preço dele, nossa senhora. Então fiquei enrolando, enrolando. Fui ao Brasil, cortei o cabelo lá, mas não ficou grandes coisas (como sempre)… até que tomei vergonha na cara e paguei as 500 coroas (normalmente, mão de vaca como eu sou, pago entre 100 e 350 e com dor no coração!!). Olha, valeu demais a pena pagar os olhos da cara. O rapaz decepou meu cabelo. Acho que 70% da minha juba ficou no chão do salão, mas ficou muito prático e muito bom. Que diferença pagar um profissional

especializado.

Clauds…pelo nome, achei que ele era francês. Mas olha que mundo pequeno, ele nasceu em Curitiba! Mas cresceu em Barcelona, Espanha. Só sabia falar espanhol. rsrsrs.

Aparentemente para cortar bem o meu cabelo é preciso ser brasileiro e ter crescido na Espanha. Rs