Kumano Kodo parte 3 – fotos

De pé antes do sol raiar. O nascer do sol da sacada do meu apartamento mostra que será mais um lindo dia de sol.

Hoje foi o segundo café da manhã nesse ryokan (alojamento tradicional japonês). Para minha surpresa, foi quase igual ao do dia anterior, mas o tofu cozido foi substituído por brócolis e outros legumes. O ovo veio cozido (cozido demais do ponto, mas tudo bem). Ao meu lado fiquei observando aqueles que optaram por café da manhã ocidental. Iogurte (que muita gente não comeu e eu louca por um iogurte!), uma fatia de pão cavalar, um croissant, salada, tomate, e outras coisas estranhas. Nada de queijo, frios. Ao verificar aquilo, percebi que fiz a escolha correta em me manter firme e forte e comer o peixe frito como dejejum.

Antes de entrar na van, consegui tirar uma foto do poço do onsen, de onde eles tiram a água quente para cozinhar. A van nos levou para perto do poste 62, onde começou a jornada.

Nesse dia fizemos a caminhada mais importante da peregrinação: 8 km até o templo mais importante, o Hongu Taisha. Foi essa caminhada que valeu o carimbo final que dá status de peregrino do Kumano Kodo. Então dá-lhe coletar carimbos até lá.

A trilha passou por umas vilas, onde vi pela primeira vez um pé de kiwi e uma árvore de yuzu. Passamos por uma escola pública que tinha piscina e uma casa que tinha umas carpas. A trilha começou com árvores com folhas bem avermelhadas, indicativo que o outono está chegando.

No meio da floresta havia umas toras que tinham como objetivo servir como “camas” para você se deitar e meditar na natureza. Quando chegamos nesse local, havia um casal tocando um instrumento de sopro bem estranho. Eu achei que a gente iria se deitar e que eles tocariam para facilitar a meditação, mas não foi assim. Eles tocaram o instrumento para nós assim que chegamos, em seguida nos deitamos, e por cinco minutos fiquei aguardando eles tocarem, mas nada. Eles tinham ido embora. Era pura coincidência que eles estavam naquele lugar naquele momento.

A trilha foi bem diversificada. Terra, pedras, escadas. De uma pequena clareira podíamos ver o vale lá em baixo e tinha um daqueles portais. Nossa guia nos explicou que é o maior portal do Japão. Eu não ia tirar foto nesse local, mas vi todo mundo tirando umas fotos bem legais, e eu também quis. Mas eu não estava satisfeita com nenhuma das fotos que tiraram pra mim. Ou o rosto estava escuro na sombra, ou meia cara no sol e meia na sombra. Depois pedi para outra pessoa tirar minha foto, ela não me avisou que já estava tirando a foto e não me deu a chance de sorrir. Enfim. Foi um momento de frustração. Mas a canadense não se deu por vencida e continuou tirando fotos minhas…

Tiramos uma foto de grupo e eu estou nela! Me achar na foto é um jogo de Onde está Wally.

Eu não sabia, mas nós estávamos a caminho daquele portal. Na descida, passamos por um cemitério. Ouvi comentários de companheiros de viagem que não entendiam porque havia cemitério se os japoneses cremam seus defuntos. Eu fiquei quieta. Eu já sabia que eles enterram as cinzas em cemitérios. Fazem a mesma coisa aqui na Dinamarca. Nesse lugar, havia umas lápides de pedra bem trabalhadas.

A trilha acabou no templo e bem em frente ao portal do templo havia uma tampa de bueiro bem colorida com a imagem de um carro de bombeiro.

Em seguida visitamos o templo. Deixei minhas moedinhas, fiz minha oração e carimbei o meu passaporte de peregrino. Quem sabe um dia eu me anime a fazer os mínimos 100 km requeridos do Caminho de Santiago de Compostela e me torno uma peregrinante dupla!

Descemos as escadarias daquele templo, tiramos uma foto que parece a capa de um disco dos The Beatles. Achei um panfleto com uma foto noturna linda do portal número um. Também encontrei um marco dizendo que o Caminho de Santiago de Compostela está a 10 mil km de distância.

No final do dias o guia nos deu umas duas horas livres. Eu aproveitei para me sentar no sol num jardim bem tranquilo. Em seguida fui caminhar na beira do rio Kumano (Kumanogawa). A água cristalina, dava até vontade de tirar a roupa e tomar um banho ali.

E em cima de mim os falcões sobrevoando a área.

Os japoneses nunca se atrasam… pois ficamos quase uma hora esperando a nossa van aparecer. Pelo visto eles se esqueceram de nós.

Mas chegamos no ryokan com bastante tempo. Dessa vez eu consegui tirar a craca antes do jantar. E eu não usei o onsen público com as outras mulheres peladas. Eu consegui usar um dos onsen privados. Bem menor que os outros, claro, mas só pra mim!

O jantar nesse dia me decepcionou. Um dos pratos era carne. Eu sou fã de um bom bife. No Brasil nossa carne de boi é das melhores. No Japão também, mas é outro tipo de carne. A carne tem a gordura muito bem espalhada que parece até um mármore. Eles conseguem isso controlando o gado de uma maneira surreal. Mas o resultado são essas carnes Wagyu de qualidade alta. Acho que uma das melhores é o que chamam de carne Kobe. No jantar comemos uma carne mais barata, chamada carne Mikumano (claro que tem “kumano” no nome). Eu me decepcionei porque não ficou bom.

Carne pra mim tem que ser feita no ponto que eu gosto, mal passada, por um bom cozinheiro. Esse negócio de colocar fogo na minha frente, dizer que eu tenho que fritar cada pedaço por um minuto de cada lado, é furada. Os três pedaços de carne que colocaram na minha frente tinham espessuras bem diferentes. Uma delas era tão grossa, que mesmo depois de 3 minutos ainda estava crua. E a carne não veio temperada. Colocaram um potinho de sal na minha frente, mas tinha tão pouco sal que mal deu para um pedaço. Minha carne não tinha gosto de nada. Horrível. Depois do jantar olhei para o povo ao meu lado, todos eles tinham sal sobrando. Acho que foi um erro que o meu saleiro tinha tão pouco sal. Mas como eu não sabia disso, não reclamei.

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