E ela me beijou…

Finalmente o curso terminou. Depois de 4 dias de aventuras com os gringos começo dizendo que preconceito é uma coisa terrível. Juro que pensei que a mexicana chegaria atrasada todos os dias restantes do curso, mas não. Somente no dia 2 ela chegou atrasada. Em contrapartida nossa amiga americana não sabe o que é um despertador. Aparentemente para ela é de praxe chegar com 45 minutos de atraso.

Mas fora isso hoje não aconteceu nada de interessante durante o curso nem durante o almoço. Em compensação depois do almoço… levei o maior chega-pra-lá! (e depois um chega-pra-cá!)

Eu me levantei da mesa e como o dia estava muito bonito e ensolarado e do lado de fora do restaurante tinha um lago, fui até lá para tomar um solzinho. Lugar idílico. Então vi uma colega do lado de fora acendendo seu cigarro e como no dia anterior ela foi muito simpática comigo, pensei que uma brincadeirinha cairia bem. Tive a infeliz idéia de dizer que achava que ela estivesse ali para aproveitar o sol ao invés de acender um cigarrinho, mas recebi uma resposta bem ríspida: Vim aqui para obter silêncio para minha cabeça. (Caraca, não está mais aqui quem falou!) Fiquei muda, me afastei e fui olhar os matinhos na beira da água.

Quando tive coragem de novamente levantar minha cabeça para ver se a mulher-carrasco ainda estava ali nas redondezas, vi que ela tinha sumido mas que nossa simpática mexicana tinha chegado para alegrar meu dia. Ela lançou um sorriso em minha direção, que foi a deixa para eu ir até lá puxar papo. Ela de câmera na mão, aproveitei e perguntei se ela não queria que eu tirasse umas fotos dela. E assim a conversa engatou. Antes de entrarmos no prédio ela se despediu de mim dizendo que foi um prazer me conhecer e abriu os braços para me dar um abraço. Já estou tão acostumada a abraçar desconhecido que imediatamente abri os braços e segundos antes do abraço se concretizar, ela me beijou!

Calma, eu explico melhor.

Nos países latinos a gente primeiro dá um beijinho na bochecha e então abraça. Certo? Eu também fazia isso automaticamente mas depois que me mudei para cá eu passei uns apertos.

O povo daqui não beija seus amigos no rosto, mas só os abraça sem beijar. No início os amigos do Carsten vinham me abraçar e eu os beijava no rosto automaticamente, pois achava inconcebível partir para um corpo-a-corpo sem beijar primeiro para quebrar o gelo. Sabe qual era a reação de pessoal? Eles levavam o maior susto. Uns ficaram duros, outros davam um pulo para trás, parecia até que eu os tinha atacado com algum ato perverso.

Engraçado como as coisas mudam. Depois de várias rejeições eu acostumei a abraçar sem beijar.  E agora até mesmo eu levo um susto quando vou abraçar alguém e esse alguém me tasca um beijo no rosto.

Acredite se quiser, mas da última vez que estive no Brasil eu passei até vergonha, pois me beijavam e eu me esquecia de retribuir. E hoje foi a mesmíssima coisa com a mexicana. Eu não estava esperando aquele beijo. E que beijaço! Até fez estalo.

Eu tinha me esquecido completamente de que sendo latino-americana, que ela me beijaria. Linguagem corporal não mente. Ela deve ter percebido que eu virei um pau-duro (no bom sentido, seus depravados!) e essa minha reação, acredito eu, deve ser equivalente à de uma pessoa experimentando um assédio sexual.

Bom, se ela percebeu ou não percebeu, o que conta é que eu levei um beijão que até valeu o meu dia! risos

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7 Responses to E ela me beijou…

  1. Aroldo diz:

    Beijinho hein, hehehe
    É muito dificil beijar pessoas, beijava bastante meu papai, abraçava, agarrava e lá vinha o beijo, mas estranho é muito raro, só se a pessoa me beijar 1º. hehehe

  2. Aroldo diz:

    Cris, vc que gosta de boa música, olha esse vídeo, é muito emocionante, realmente o rapaz é bom

    http://www.youtube.com/watch?v=X2WH8mHJnhM&feature=player_embedded#!

  3. Manoela diz:

    “Vim aqui para obter silêncio para minha cabeça.” Até eu paralisei aqui… rs

    Sobre a mexicana, até tinha pensado que ela iria te beijar na boca!
    Definitivamente você já virou Nórdica! (Usa-se isso?)

  4. cris diz:

    Sim, usa-se. Nórdico, Escandinavo, Norte Europeu. Tudo farinha do mesmo saco.
    Mas se ela tivesse me beijado na boca, acho que eu não seria muito nórdica, não. Acho que rodaria a baiana e das duas opções, uma:
    – Ou dava um tremelique e perguntava ‘o que é isso, companheira? onde estamos?’
    – Ou ia de pá virada e já a agarrava como numa cena com Clark Gable de E o vento levou (Sim, porque se for para virar a pá, então é pra fazer bem feito! risos).

  5. Manoela diz:

    Uau!
    Nem a mexicana esperaria algo assim!!

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