Eu realmente tenho 10 pares no momento. Cada um tem sua finalidade. Comprei um muito giro (como dizem os portugas) mas Carsten não me deixou usá-lo.
Mas dos 14 que tive, só me desfiz de 4 pares.
O primeiro se afogou, o segundo entortou feito vara verde, o terceiro morreu de frio e o quarto foi rejeitado tantas vezes que agora não sei do seu paradeiro.
Comecei a usar óculos com 19 anos. Fui fazer as provas teóricas do Detran, passei na escrita e psicotécnico, quando cheguei no teste de visão reprovei e me mandaram de volta para casa com um novo boleto bancário.
O meu primeiro par de óculos caiu no rio Belém em Curitiba. Eu estava atrasada para uma aula na PUC, num dos prédios novos que ficava do outro dado do rio. Correndo sobre a ponte o óculos caiu do meu rosto e uma das hastes quebrou e caiu no rio. Passei o resto do dia com um óculos capenga.
Imediatamente tive que comprar um novo e na loja, por brincadeira, o atendente me mostrou um que lembrava o do John Lenon, e eu que adoro uma brincadeira, acabei levando os óculos e os usei por vários anos.
Esse par tinha armação de titânio, bem flexível. Quando eu troco de roupa, tenho mania de tirar os óculos e deixá-los sobre a cama. Depois me esqueço que os óculos estão na cama e várias vezes acabei me sentando em cima do óculos e entortando a armação toda. Eu dava simplesmente uma desentortadinha e continuava minha jornada. Até que um dia tomei vergonha na cara, fui ao shopping em SP e comprei um novo par tão modernex que vinha até com lentes de sol que se encaixavam na armação com um ímã.
Não era à toa que esse óculos vinha com lentes de sol. Ele só gostava de calor. Assim que me mudei para a Dinamarca, já no primeiro inverno, ele congelou e quebrou. Mas sabe como é brasileiro, a gente sempre dá um jeitinho. Um super bonder aqui, uma fita adesiva ali, e deu para aguentar até a próxima viagem ao Brasil.
Paranaguá é para mim o paraíso dos óculos em conta. Cheguei na lojinha e comprei logo duas armações bem baratinhas. Se uma congelasse, teria a outra de reserva. Faz quase 10 anos isso e esses óculos ainda estão aguentando bem.
Aqui na Dinamarca eu adquiri 6 pares. Ganhei 2, comprei 4.
Um deles a firma onde eu trabalhava pagou. Eu precisava de um par que não fosse tão forte para trabalhar várias horas em frente ao computador.
Outro eu ganhei de uma colega do serviço. Ela estava se desfazendo de luvas e óculos para esquiar no gelo. Eu aceitei. De graça até injeção na testa.
Engraçado é que pouco tempo depois que eu ganhei esse equipamento eu fui convidada para um passeio nas montanhas da Suécia para aprender a esquiar no gelo. Isso foi idéia de um brazuca doido amigo meu.
Já os óculos que eu comprei com meu próprio dindim foram bem baratinhos, com exceção de um. Caí no conto de uma falsa promoção que dizia: leve a armação gratuita e só pague pela lente.
Lembra aqueles dois óculos que eu comprei em Paranaguá? Quando meu grau aumentou eu tive que trocar as lentes deles e fiz isso aqui mesmo. Numa promoção de leve 2 pague 1, eu fiz as duas lentes antireflexo por 1000 coroas. Mas com o tempo esses óculos me deixavam cansada.
Fui na ótica, vi a promoção só pague a lente e imaginei: se paguei 1000 por duas lentes dois anos atrás, imagino que uma lente agora deva custar umas 1500 coroas. Entrei na loja, expliquei que os óculos me deixavam cansada, a moça muito atenciosa pediu para ver meus óculos, mediu não sei o que neles e me disse que um deles foi feito errado (típico Dinamarca, os caras não fazem nada direito).
Então ela gastou mais de meia hora testando minha visão e chegou a conclusão de que o meu grau tinha diminuído. Escolhemos então a armação “gratuita” e na hora que ela me passou o preço eu quase caí de costas: 2500 (quase 900 Reais). Nesse dia eu entendi porque os dinamarqueses dizem que óculos aqui é muito caro e viajam para os países vizinhos para fazer novos óculos.
Eu não tive coragem de dizer não iria levar os óculos, pois ela tinha usado um tempão tentando me ajudar e o teste de visão, que normalmente é pago, foi gratuito. Eu aceitei o preço, mas a única coisa que passava pela minha cabeça era que eu não tinha dinheiro suficiente na conta. Aqui na DK eles não sabem o que é parcelar um preço, tem que pagar na bucha, mas graças ao bom pai, nessa ótica eles tinham um esquema muito parecido com um crediário. Tia Cris e mil parcelas.
E sabe o que é pior? Eu só uso esse óculos caro em casa porque o grau não é forte o suficiente para o meu dia-a-dia. Com eles eu não consigo reconhecer as pessoas que estão a mais de 30 metros de distância e não posso dirigir, pois não consigo ler as placas de sinalização. Foi dinheiro jogado fora.
À propósito, eu tenho miopia. Não consigo ver as coisas que estão longe.
Daqueles 14 óculos, 4 deles são óculos de sol. Aliás, um deles eu nem sabia que era de sol, mas é. Aquele que eu ganhei da colega, para esquiar no gelo. Sabe como eu fiquei sabendo que ele é de sol?
Foi uma viagem de trabalho da minha empresa. Levaram o departamento todo para a Suíça, para conhecer o novo time. Então bolaram uma atividade chamada snow walking – andar na neve com uns negócios que parecem raquetes de tênis amarrado aos sapatos.
Chegando na montanha estava um sol de rachar. Aquela colega que me deu o óculos logo perguntou se eu os tinha trazido. Eu respondi que não -pois eu pensava que aqueles óculos eram para proteger os olhos dos respingos de neve quando se estava esquiando. Para que um óculos daqueles se a intensão era somente andar na neve? Então ela me aterrorizou contando como ficou cega por três dias por causa do reflexo do sol na neve – conhecido como cegueira da neve.
Eu nunca tinha ouvido falar nisso. Nem me passou pela cabeça que aqueles eram óculos de sol. Tive que sair correndo para comprar um óculos na lojinha. Já que estava na Suíça, comprei um óculos de sol para esquiar na neve bem modernex. Por sorte nesse dia eu estava usando lentes de contato. Ou a alternativa teria sido colocar um óculos em cima do outro. Não ia prestar.
Esse negócio de se proteger no reflexo do sol na neve é sério. Fiquei com medo da tal cegueira quando ela me contou em detalhes dos três dias que ficou cega. Depois ela me perguntou se eu tinha passado protetor solar no rosto. Aí já achei demais. Estava sol mas estava um frio de matar. Me arrependi. Fiquei com uma queimadura bem feia no rosto. Não conseguia nem dormir. Demorou uma semana para melhorar.
E os outros dois óculos?
Um deles é o meu óculos número quatro, aquele que eu não sei do seu paradeiro. Eu lembro que eu queria porque queria um óculos de sol, levei meu avô ao shopping em Curitiba e o convenci a comprar um par para mim. Daí descobri que eu não sou muito fã de usar óculos de sol porque eles não tinham grau e eu precisava colocar lente de contato para poder usá-los. Como eu uso mais óculos do que lente, os óculos de sol viviam na gaveta. Antes de me mudar para a DK eu passei os óculos para minha irmã, mas eu acredito que ela também deva ter passado os óculos para frente ou achado um cantinho na gaveta para eles.
Até recentemente eu achava que não precisava de óculos de sol. Nunca faz sol na Dinamarca. Até que um dia eu estava no volante e peguei o sol de frente bem brilhante e baixo no horizonte. Eu não estava enxergando nada, nada, nada. Bati o pneu no meio-fio, subi na ciclovia e a calota voou longe. A rua estreitou e eu não vi, porque sem óculos de sol não dava para ver nada. Que perigo. Já pensou se eu tivesse atropelado alguém? Já que tinha perdido a calota, tive que contar para o Carsten o que aconteceu. Ele não ficou nada satisfeito. Eu não imaginava que uma calota custava tão caro aqui.
Depois disso eu colocava os óculos de sol do Carsten sobre os meus óculos de grau. Ficava gatinha! Mas pelo menos quebrava o galho quando o sol vinha de frente.
Até que ano passado passei por Paranaguá, o paraíso dos óculos em conta, e decidi checar quanto custaria um óculos de sol com o meu grau. Depois de passar por várias lojas que só vendiam modelo abelhão, eu achei uma ótica com um modelo antigão – para combinar com a minha personalidade. Pensei, é esse mesmo. Pedi para fazer com o meu grau. O óculos era tão levinho, mas quando ficou pronto com a lente de grau, parecia que o óculos era feito de chumbo. Ficou pesado pra caramba, mas eu o uso assim mesmo.
E as lentes de contato?
Uso muito raramente, quando viajo ou vou a uma festa. Eu usaria mais frequentemente se fosse mais prático. Mas eu acho que é muito demorado para colocar a lente de manhã cedo, demora meio século e eu não tenho paciência. Óculos são muito mais práticos. Eu os coloco em 2 segundos. Com exceção dos dias que eu não consigo encontrar nenhum óculos. Eu tenho essa mania de largar óculos em tudo quanto é canto, depois não os acho. Aí tem que chamar tio Carsten para ajudar a procurar. Se bem que eu já percebi a tática dele. Ele vai direto na cama, que é onde eu costumo largar pelo menos um par. Mas se ele encontrar óculos sobre a cama, eu tenho que escutar um sermão de meia hora.
Eita.
Gostei do óculos da primeira foto. Você fica bem com o modelo abelhão!
O óculos estava guardado. Até que veio a mudança e ele e o outro óculos foram embora.
Acho que vou comprar esse de esquiar, ninguém por aqui vai querer, mesmo…
Engraçado como sempre some coisa numa mudança. De 1999 até 2007 eu me mudei 5 vezes. Até hoje estou procurando coisa que sumiu na primeira mudança.
Então vc também é fã de um modelo abelhão? Baseado nas fotos que vi, sei que a sobrinha é super fã deles. Eu fico imaginando se ela será modelo fotográfico quando ficar mais velha.
5 vezes? Sabia, acho, de duas…
Eu gosto do abelhão porque esconde minha sobrancelha de taturana! A Duda, qualquer coisa que coloque nela fica enorme! Eu vou fazer fortuna com ela!!! rs
Tá demorado hein , colocar um óculos em 2 segundos, faço isso num piscar de olhos, hehehe.
tá muito bem detalhada, aprovada no teste de bafómetro, hehehe