Continuando a postagem da Globalização…
Depois de andar por metade da cidade, fazer um rombo nos meus sapatos e começar a arrastar os pés de tanto cansaço – pelo menos eu estava melhor que a mexicana do meu grupo, pois essa já estava arrastando as chinelas desde o castelo da “Branca de Neve”! – a atividade terminou no jardim do castelo da rainha. Esse jardim fica bem na frente da nova casa de ópera, a diferença é que o jardim fica desse lado do canal e a ópera fica lá do outro lado, na ilha de Amager. A propósito, a nova casa de ópera foi um presente do Maersk para a cidade (eu escrevi sobre o Maersk, quando ele morreu no dia do aniversário de 72 anos da rainha).

Dali do jardim nós fomos colocados dentro de um barco, e esse nos levou para um hotel onde nós tínhamos a possibilidade de tomar um banho e trocar de roupa, pois nos foi solicitado vestir traje business formal para o jantar, que foi realizado nada mais, nada menos, que na casa de ópera do outro lado do canal.
E eu te digo, depois da troca de roupa, assistir àquela mulherada de salto alto agulha entrando e saindo do barco, onde a rampa era uma grade onde os saltos ficavam presos, foi um espetáculo. Entretenimento puro. Mas realmente espetacular foi ver as moças indianas vestindo o Sari – aquele vestido tradicional sempre bem colorido. Era um Sari mais bonito que o outro e vocês tinham que ver a cara dos homens dinamarqueses (acostumados que as mulheres dina se vestem de mal a pior), o queixo de muitos deles desabavam quando passavam aqueles mulherões em Sari. Foi melhor que propaganda de Mastercard.
Para tornar a jornada ainda mais inesquecível, o barco que nos levou para a ópera passou pela frente da praia da Ofélia, onde esse ano está acontecendo o festival internacional de escultura na areia. Nós passamos por uns catelos de areia tão imponentes que me deu até vontade de brincar de baldinho e pazinha.
Eu ouvi dizer que as esculturas ficarão ali para visitação até agosto. Minha primeira pergunta foi: e se chover? Eles não se desmancham? Disseram que não, porém eu confesso que a resposta não me convenceu muito.
O restante da noite foi como de costume: Bati o maior papo com os indianos, pois nós trabalhamos juntos no entanto só nos conhecíamos por e-mail.
Um pouco mais tarde, duranteo o jantar, acabei sentando perto de um grego, de um eslovaco e das portuguesas. Ontem eu aprendi um monte de palavras novas! Você sabe como se chama xícara em português de Portugal? E aposentadoria, você sabe?
Após o jantar nos levaram para o anfiteatro e tivemos a oportunidade de assistir a 3 números de ópera com uma soprano e um tenor sendo acompanhados por uma pianista. Foi até bem interessante. Eu nunca tinha presenciado uma ópera antes. Claro que isso não foi um show de muitas horas. Foram somente 3 canções para dar um gostinho de ópera. Depois disso o nosso super-super chefe deu continuação à programação da empresa. Cansada do jeito que eu estava, eu me levantei sorrateira e escapei pela lateral. Não contavam com minha astúcia! Mas se eu realmente fosse astuta eu teria ficado sentada.
Depois da programação ônibus iriam nos levar de volta a Copenhague para a estação central. Mas isso só as 11 da noite e quando eu me levantei para ir embora sorrateiramente eram em torno de 10 horas. De repente eu me toquei de que eu estava do outro lado do mar, na ilha, onde não tem condução fácil e eu tinha acabado de perder o ônibus da única linha que passa por ali. Para tornar esse retorno ainda mais interessante, eu esqueci o meu celular em casa e na Dinamarca não existe mais telefone público, porque todo mundo tem celular. Sabe qual é a consequencia disso quando se precisa fazer um telefonema e o celular não funciona/foi esquecido? Tem que mendigar!!! Foi o que eu fiz.
Assim que vi a traseira do ônibus indo embora eu não sabia se me sentava e chorava ou se deveria voltar a nado para Copenhague. Uma senhora muito gentil, vendo meu desespero, ofereceu o seu celular e eu telefonei para o Carsten – o que não adiantou de nada, pois eu ainda não sabia como chegar na estação, nem a que horas eu pegaria o trem de volta para casa.
Tomei coragem e fui em direção ao ponto de ônibus. No meio do caminho vejo um táxi se aproximando e uma cara familar esperando por aquele táxi. Pois era a miss simpatia, que uma vez me disse: vim aqui para ter silêncio para minha cabeça.
Eu rapidamente fiz uma proposta: perguntei se ela passaria em frente a alguma estação de trem e ofereci para pagar esse trecho. De maneira bem ríspida ela disse que não sabia se tinha estação no caminho do táxi e que ela estava muito cansada e que não queria que o taxista fizesse um outro trajeto para atrasá-la, que ela queria chegar em casa logo.
Essa mulher sempre me impressiona, pois ela consegue o fenômeno de ser mais grossa do que eu – e olha que eu sou casca dura. Pela segunda vez ela me deixou até sem resposta. Mesmo assim eu não coloquei meu rabinho entre as pernas. Abri a porta do passageiro e já fui perguntando para o taxista se no trajeto ele passaria por alguma estação. Quando ele falou estação central eu estava dando pulos (por dentro, claro, por fora eu manti minha carranca).
Tirei 100 coroas do bolso (era tudo o que eu tinha) e disse para ela: aqui, para ajudar nesse trajeto.
Cheguei na estação central e, acredite se quiser, vi UM telefone público, que funcionava com moedas. Mas como eu tinha acabado de entregar o meu último centavo para miss simpatia, eu não tinha como telefonar. O painel disse que meu trem viria em 2 minutos e o próximo só depois de meia-hora. Eu corri feito uma desvairada por essa estação inteira até chegar na plataforma, e deu tudo certo. Sentei no trem e comecei a matutar como fazer para avisar o Carsten que eu estava a caminho e que ele teria que me buscar na estação lá perto de casa.
Pode parecer bobagem, mas ter alguém para me buscar é muito importante, pois de casa até a estação são 5 km e o ônibus que faz esse trajeto só corre de 2 em 2 horas. Se der sorte pode ter algum táxi no ponto ali na frente, mas nesses 5 anos morando aqui nessa região, raramente vi táxi parado ali, mas nunca assim tarde da noite.
Dentro do trem demorou uns quinze minutos até que eu me enchesse de coragem para mendigar. Encabulada, eu pedi para a passageira atrás de mim para me emprestar o telefone dela. Ela me emprestou, mas não foi com prazer.
Quando Carsten atendeu eu falei bem rápido: Já estou no trem e passei pela estação tal. Nos vemos quando eu chegar. E desliguei, para não abusar da boa vontade da moça.
Uns quarenta minutos mais tarde eu cheguei ao meu destino e achei estranho que o Carsten não estava lá esperando por mim, como ele costuma quando eu viajo de trem tarde da noite. Para ajudar começou a chover bem na hora que eu saltei do trem e, debaixo de chuva, eu esperei e esperei. Passados 7 minutos, que mais pareciam uma eternidade, eu achei que alguma coisa tivesse acontecido. Carsten poderia ter pegado no sono, ou ter me entendido mal e ter ido me buscar em outra estação. As opções são infinitas.
Para minha sorte – e quando eu digo que eu sou a pessoa mais sortuda que você conhece, acredite! – nesse dia havia 2 táxis parados no ponto. Entrei no furgão e disse: Eu peguei táxi com o senhor recentemente. O senhor me leva lá novamente? Meu marido ficou de me buscar mas ele não apareceu. Eu aposto que no meio do caminho vamos cruzar com ele.
Dito e feito. Já quase chegando aqui em casa, no meio da estrada, passou o Carsten e eu não tinha telefone para avisar que ele estava indo para a estação em vão e que eu estava num táxi e tinha acabado de passar por ele. (Vc reparou o quão atrasado Carsten estava? Ele deveria ter saído de casa 15 minutos antes!)
Assim que abri a porta de casa corri para telefonar. Carsten foi obrigado a rir quando eu disse que o vi passando por mim no táxi e eu não tinha como avisar. Quando ele chegou em casa ele me contou que não tinha entendido nada do que eu falei no telefone e ele achava que eu ainda estava na estação central quando telefonei.
E eu passei por todo esse mico de pedir telefone emprestado – ainda mais para dinamarquês, que não gosta de fazer favor para ninguém – e isso não me ajudou em nada. Pelo contrário, só atrapalhou. Se eu tivesse ficado quieta, teria pegado um táxi na minha estação e teria chegado em casa sem estresse. Mas vai adivinhar que teria táxi ali. Afinal eu sou sortuda, não adivinha. Se estivéssemos no teatro essa história toda teria sido uma tragi-comédia.
Então, como é que se diz xícara em português?
Xícara eu não sei, só sei fila.
Mas você se mete em cada uma também!!
Mal de família deixar o celular p/ trás.
Você tem boas perspectivas… 😀 … porque encontrar aquela dina carrancuda (eu só de ouvir as histórias já tenho medo dela!) e achar que tudo isso é sorte! Olha, parabéns! rss
Eu já estaria achando que um pombo tinha cagado na minha cabeça!
O que o desespero não faz. Quando eu vi que era ela, a carrancuda, eu cheguei a pensar duas vezes, mas a idéia de ficar a noite toda esperando por um ônibus comparado com os seis minutos de desprazerosa interação que tive com ela, optei pela segunda alternativa. 🙂
Fila em português é a minha predileta, mas acho que muita gente sabe isso.
Mais tarde eu digo como se diz xícara em Portugal. Depois de saber que a palavra não é a mesma, e xícara não é uma palavra tupi-guarani, eu fui pesquisar a origem. (esses dicionários com etimologia são os meus prediletos!)
Descobri que xícara vem da palavra xicalli, que é de origem nauatle (uma das tripos dos Astecas). Não é interessante? Você vai se lembrar disso da próxima vez que tomar café.
Meu caneco, muito texto, esse vou ter que ler outro dia, não dá tempo de ler e comentar, ok
Oi John, não se sinta obrigado a ler todas as bobagens que eu escrevo no blog. Eu sei que vocês têm uma vida agitada e cheia de compromissos. Eu escrevo bastante porque no momento não tenho nada melhor para fazer. 🙂
sae dae, se não quisesse ler, não lia, o pior que entro para ver se postou algo e vejo que o texto é grande, fico com uma vontade louca de ler, as vezes fico na vontade. hehehe
Eu vejo que o seu trabalho é igual ao meu. Tem dias que não dá tempo nem de respirar, noutros, não tem o que fazer, tenho que ficar caçando coisa para matar o tempo.
apoiado!
É um complô?
Ahhh!! fui para esse tal teatro, ia ficar na cama dormindo e comendo calzone, hehehe
Então, como é que se diz xícara em português?
Essa eu sei, xícara, uhúúúúú
hehehe
Matando a curiosidade do povo.
O povo da terrinha chama xícara de chávena.
Quando aquela portuga falou chávena, eu não tinha entendido, só conectei o signficado da palavra porque ela olhou na direção do garçom segurando uma bandeja repleta de ‘chávenas’.
Outra palavra diferente que ela usou foi aposentadoria. Em portugal não se diz aposentar-se, mas se diz: reformar-se.
A idade de reforma é de 65 anos.
Uma outra que eu gosto e descobri por acaso é gambiarra.
Gambiarra em Portugal é extensão de luz (somente o cabo para extender a luz até a tomada). No Brasil, bom, todo brasileiro sabe o que é uma gambiarra! Se não sabe, vem pra cá que eu ensino.
Não quero ser chato,
P: Então, como é que se diz xícara em português?
R: XÍCARA
🙂
To certo ou não?
´hehehe
Se vc tivesse perguntado assim
Então, como é que se diz xícara em português (portuga)?
A resposta estava na ponta do dedo: chávena
hehehehe
Brincando, não sabia mesmo, por isso respondi xícara, hehehe
Antigamente a resposta estava na ponta da língua, agora mudou para a ponta do dedo? Gostei!