No meio do caminho tinha uma…. brasileira.
Estávamos no trem de Roma pra Florença. Atrás de mim eu escuto um diálogo frustrado entre uma turista que mal entendia inglês e alguém tentando explicar que ela estava no trem errado.
Nesse mesmo instante eu olho para o painel do trem e vejo que ele diz: Nápoles.
Eu dei um pulo e disse para Lu que achava que nós estávamos no trem errado. Eu já estava psicologicamente pronta para pegar minhas coisas e procurar um atendente para pedir informação, quando a moça na minha frente me assegura que nós estávamos no trem certo. Ela disse em bom português: Esse trem está indo para Florença. Eu também estou indo para lá. O monitor indica de onde o trem está vindo.
Que gente doida essa. Quem é que quer saber de onde o trem está vindo? Eu quero saber para onde ele está indo!
Mas foi um alívio receber essa informação. E depois disso a gente foi puxando conversa a viagem toda. Ela nos deu várias dicas – e dicas boas – da cidade. Disse que o seu marido é guia turístico e por isso ela conhecia tanta coisa. E o resto é como de costume. A gente conta metade da vida da gente ali mesmo, no trem, e aproveita para trocar telefone, email, facebook, whatsapp e trocentos outros modos de entrar em contato.
Confesso que acho engraçadas essas modernidades. As pessoas viram “amigas” nesses meios de comunicação, mas ninguém envia uma mensagem. Se bem que quando voltei de viagem, eu mandei uma mensagem para ela, agradecendo por todas as dicas, e ela me respondeu dizendo que quem sabe um dia a gente se encontre novamente. E depois disso não trocamos mais mensagens – e provavelmente nunca mais vamos, mas o endereço de contato está guardado para posteridade!