Diário de viagem – primeiros dias

Eu achei que ia passar frio. A previsão era de 11 a 19 graus. Saí de casa vestida de preto, manga comprida e jaqueta, parecendo um urubu no meio dos turistas branquelos alemães usando shorts e regata. (E como tinha turista alemão nas Canárias!)

Eu de preto, e no meio do dia começou a esquentar pra valer. Me contaram que era Calima. Calima é quando os ventos transportam areia e calor do deserto do Sahara até as ilhas Canárias. Fez calor por quase 10 dias e eu não tinha roupa de verão na minha bagagem!

Na ilha fiz muitas trilhas. Minha primeira foi do mirante do Time, descendo 500 metros de altitude até o porto de Tazacorte. Trilha escorregadia, mas valeu a paisagem. A praia de um lado, do outro, a Caldera Taburente (o antigo vulcão de milhões de anos atrás).

Desci a trilha desse morro

De noite, para comemorar minha primeira trilha, fui para uma discoteca chamada Karma Copas.

Cheguei lá, cadê o povo? Só estava eu e o barman. Como a música estava boa, resolvi sentar no bar e tomar algo. Pensei que puxaria um papo com o barman. Perguntei se ele sabia fazer uma boa caipirinha (erro: gringos nunca sabem fazer caipirinha), ele obviamente disse que sim.

Quando esse drink chegou, eu tomei um susto. Esse homem colocou um copo de 400 ml na minha frente, que só tinha gelo e duas fatias de limão.

Depois ele se posicionou lá no fundão do bar, o mais longe de mim possível. E eu que achava que ia puxar papo. Em seguida, o cara começou a fazer o levantamento do estoque de bebidas.

Bom, já que ele não ia conversar comigo, fui tomando aquela caipira e dançando – sozinha mesmo.

Demorou uma eternidade para terminar aquela bebida horrível, mas tomei, já que me custou 6 euros (o preço de um almoço).

Voltei para casa cambaleando.

Deitei na cama e tudo começou a rodar.

Com medo de colocar as tripas para fora dentro do quarto (e eu estava de hóspede num airbnb), fui para o banheiro. Cheguei lá e foi uma maratona de vomitar.

A última vez que eu tinha passado mal por causa de bebida tinha sido na minha adolescência, e eu tinha jurado que nunca mais iria fazer uma bobagem dessas. Nunca imaginei que uma só caipirinha iria me deixar tão mal.

Dormi ali no chão do banheiro mesmo.

E assim começou minha aventura nas ilhas canárias.

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