Metrô

Antes de descrever as aventuras em Bornholm, vou descrever a aventura de ontem.

Olha que doideira.

Eu tinha um compromisso após o trabalho, e não podia chegar atrasada, ou seria penalizada. Peguei o ônibus pra chegar com vinte de minutos de antecedência. Faltava somente um ponto para eu descer. Você acredita que o ônibus, ao invés de virar para a direita, virou para a esquerda e foi para mais longe do meu destino?

E agora? Pânico.

Eu tive que descer num ponto qualquer, andar até achar uma estação de metrô, para poder chegar no meu compromisso. Que sufoco. Ainda bem que cheguei no horário.

Na hora de ir para casa, eu não quis mais nem saber daquela linha de ônibus. Fiz planos de pegar o metrô até o centro e de lá trocaria para o trem, para voltar pra casa.

Linda, bela e formosa, entrei no metrô, ele começou a andar, e então parou no meio dos trilhos, numa ponte. Faltavam somente uns 20 metros para a plataforma da próxima estação.

Então começou uma infinidade de anúncios no auto-falante. Era um anúncio a cada 90 segundos mais ou menos. Uma chatice.

Diziam tanto em dinamarquês quanto em inglês que não tinha metrô entre a estação de Bella Center e uma outra estação qualquer porque um metrô tinha parado por causa de problemas técnicos. E eu pensando: mas o metrô parado é o meu!

Esse anúncio, imagino, estava sendo tocado em todos os metrôs e estações.

Então vem outro anúncio, mas esse era somente para o povo do meu metrô. Diziam que havia indicação de que o metrô tinha batido em alguma coisa (a primeira coisa que pensei foi que alguém tentou se suicidar na linha do metrô, coisa que acontece com certa frequência aqui na DK), mas naquela ponte alta, talvez tenha sido somente um passarinho.

Mais tarde o anúncio dizia que estavam mandando um técnico e que ele chegaria dentro de 15 minutos. Então ouvi a ventilação do metrô ser desligada.

Opa, com esse povo todo aqui, corona vírus à solta, trancada num lugar fechado sem ventilação? Fico preocupada?

O engraçado é que o povo estava muito tranquilo. Não havia gente esbravejando, gritando, colocando a culpa em Deus e o mundo (coisa que normalmente a gente vê acontecendo no Brasil). Todo mundo, muito educadamente, esperando a situação se resolver.

Por mais de 20 minutos ficamos presos ali, ouvindo uma sucessão infinita de anúncios de que havia um metrô parado e anúncios específicos para nós dentro do metrô afetado. Até que uma hroa eu escutei o metrô dizer: a alavanca para abertura de emergência foi acionada.

Lembro que eu e os passageiros ao meu redor nos entreolhamos. Como assim, saída de emergência? Foi aí que vimos do outro lado do metrô entrar um funcionário que fez uma gambiarra e forçou o metrô a chegar na estação, onde todos desceram e os anúncios diziam que demoraria mais de 30 minutos para o próximo metrô.

(Essa é a desvantagem de ter um metrô que funciona sem maquinista. Quando tem problema, demora um tempão até que alguém chegue no vagão.)

Eu resolvi não esperar por 30 minutos. Voltei lá no ponto daquele ônibus infeliz, e peguei ele mesmo.

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4 Responses to Metrô

  1. Seu Madruga diz:

    E o carro?
    Dias de aventura, hehehe, é bom as vezes ter uns desafio na vida, mas não tinha um taxi por perto para te levar até o compromisso?
    Então é frequente o suicídio nas linha de metrô, ohh loco, O mundo é bom Sebastião (Nando Reis)

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