Dedo duro

Eu encontrei aquele casal do chapéu cinza tantas vezes que confesso, achei que iria encontrá-los novamente no terceiro dia.

Achei isso, especialmente porque durante nossa curta conversa, quando eu mencionei que eu estava pensando em caminhar até Levanto (a vila do outro lado do morro de Monterosso) ele respondeu que não era possível andar até lá.

Eu imediatamente respondi “você tem certeza? Eu acabei de passar pela entrada de uma trilha que tinha placa dizendo Levanto, só não sei quanto tempo caminhando até lá”.

Eles ficaram quietos e pensativos com o meu comentário. Como parecia que eles estavam fazendo várias trilhas, achei que os encontraria na caminhada para Levanto. Já que a trilha começava literalmente ao lado do meu hotel, eu resolvi meter a cara, sem nem pesquisar quanto tempo levaria para chegar lá.

Levei uma hora só para subir meio quilômetro de morro. Lá de cima, as placas diziam 1.35 para Levanto. Achei que era 1,5 km. Beleza. Dá para encarar.

Eu achava que estava quase chegando, quando passei por uma placa que me desanimou. Na placa havia a foto do rochedo e percebi que eu não tinha caminando nem um terço da trilha ainda. Caraca, a placa dizendo 1.35 indicava quantas horas de caminhada!

Cheguei em Levanto morta. Morta nas pernas e morta de sede, pois eu não estava preparada para 3 horas de caminhada debaixo de sol escaldante. Mas valeu muito a pena. Foi a melhor trilha até agora. Eu gosto muito dessas caminhadas onde dá para ver o mar o tempo todo.

Levanto

Levanto é conhecida por ter uma praia bem legal. Faz parte da Riviera italiana. Mas eu estava tão cansada, que não me animei a entrar no mar.

Fui procurar um lugar para comer e ao escutar música brasileira, foi ali que parei. Demorou 10 minutos para trazer a bebida e quase meia hora para trazer uma salada, mas eu estava de bom humor. E eu tinha um livro infantil escrito em italiano para me ajudar a passar o tempo. Rsrs

Como eu não estava animada para entrar no mar, procurei a estação de trem para voltar para o outro lado do morro. Estava no trem junto com uns dois ou três casais, em frente a porta de saída, escuto o cara que confere os bilhetes vindo em nossa direção e gritando “coloquem a máscara” (na Itália ainda insistem em usar máscara em transporte publico). Assim que o cobrador gritou isso, um dos casais na minha frente, que, julgando pela maneira que a guria estava vestida, tinha a maior pinta de serem brasileiros, saíram de fininho na direção oposta e subiram as escadas.

O cobrador checou os bilhetes do casal ao meu lado e eu escuto o rapaz italiano dedurando, dizendo ao cobrador que um casal aqui saiu de fininho e subiu as escadas. O cobrador agradeceu e acelerou o passo em direção para onde o casal foi.

Eu entendo o que ele fez. Dá raiva a gente fazer tudo certinho e ver gente abusando e tirando vantagem do sistema. Mas não sei o quanto é nobre e gratificante dedurar assim. Eu não teria feito o mesmo.

Esta entrada foi publicada em Viagens com as tags . ligação permanente.

3 Responses to Dedo duro

  1. Seu Madruga diz:

    Quer dizer que você gosta de caminhada, bacana, acho que não aguento uma caminhada de 30 minutos, agora imagine subida, teria ficado na entrada tomando suco esperando o retorno da pessoa, kkkk
    De novo esses dois velhos, e vc querendo esbarrar com esses dois lunáticos, hahaha (brincando)
    Assista o Filme Wolf Creek.
    A Ultima foto da praia, ficou muito boa, e paisagem é bonita.
    Os passageiros que saíram de fininho eram brasileiros?

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.