Cinema

Desde dezembro que eu tenho duas entradas gratuitas para o cinema, com direito a pipoca e refrigerante, mas estava com dificuldade em achar um filme que me interessasse.

De vez em quando eu gosto de assistir uns filmes alternativos estrangeiros, mas esses só passam no cinema Grand Teatret, e meus bilhetes não eram válidos para esse cinema.

Se eu não me engano, o Grand é o cinema mais antigo da Dinamarca, e eles colocaram umas cadeiras de veludo vermelhas para combinar com a cortina de veludo vermelha e isso me lembra o antigo cinema Santa Helena de Paranaguá na Rua Faria Sobrinho. Eu me lembro que aquele cinema era também um teatro e minha escola de dança fazia apresentações de fim de ano lá. Me lembro de estar no palco, em posição, esperando a cortina vermelha abrir.

Falando em Grand Teatret, fim de semana passado minha amiga Camilla (que é dinamarquesa mas morou no Rio Grande do Sul por dez anos e fala português melhor do que eu) me perguntou se eu queria ir lá ver o filme japonês “Dias Perfeitos”. Achei o convite ótimo, pois o pessoal com quem viajei no Japão ano passado tinha mencionado esse filme no nosso grupo de WhatsApp e eu estava curiosa para assistir. Aceitei o convite, porém estava com receio de que não entenderia nada porque a legenda era em dinamarquês.

Eu não consigo ler em dinamarquês rápido. Quando o diálogo é rápido e a legenda passoa voando na sua frente, eu ainda estou na metade da frase quando já vem a próxima. Aí fico sem entender e pode ser um pouco frustrante. Por sorte, tinha muito pouco diálogo nesse filme, pois o personagem principal era bem taciturno, e o vocabulário em japonês estava básico e eu entendi até que bastante coisa sem precisar ler legenda.

O filme foi meio lento com pouco diálogo mas mostrou muita coisa da cultura do Japão. As casas que não têm chuveiro e as pessoas vão tomar banho nos onsen públicos. Usar bicicleta para se locomover, dormir no chão no tatami num futon, comprar bebidas quentes e frias nas máquinas que se acha em cada esquina. Sem falar que o ator escutava música em fita cassete dos anos 70 e 80. Tinha uma cena onde ele estava usando uma caneta para rebobinar a fita cassete. Isso me trouxe lembranças da minha juventude quando a fita marrom ficava presa no tocador e tinha que rebobinar manualmente para colocar a fita dentro do cassete novamente.

Então foi uma boa experiência no cinema semana passada e quando voltei pra casa, resolvi dar uma olhada na programação dos cinemas onde o meu bilhete gratuito era válido. Por todo lado na cidade há cartazes do filme “O Dublê”. Vi metade do trailer, gostei dos atores e achei que poderia ser um filme divertido. Eu ia convidar o Carsten para ir ao cinema comigo, depois pensei que toda vez que encontro Camilla é sempre ela que convida. Resolvi então convidá-la e fomos assistir ao filme ontem de tarde.

Escolhi o cinema no shopping Field’s. Sábado de tarde, tempo nublado, achei que o cinema estaria abarrotado. Você vai no shopping no Brasil num sábado de tarde, é tanta gente que não dá nem pra se mexer lá dentro e os cinemas, lotados. Ontem o shopping Field’s estava lotado, mas não tinha quase ninguém no cinema.

Compramos o refrigerante e a pipoca que estavam inclusos no bilhete. Era somente pacote de pipoca pequeno que estava incluído, mas a “pequena” era enorme e parecia um balde de 1 litro. A pipoca grande vinha num balde de 3 litros. É pipoca demais, sal demais. E você acaba comendo tudo. Nada saudável. Havia uns 40 pacotes de pipoca prontos. Pipoca morna mantida em estufa. Sabe-se lá quantas horas essa pipoca estava ali. E novamente fiquei pensando no cinema de Paranaguá nos anos 80, quando o pacote de pipoca era um saquinho de papel branco de 10 x 15 cm. Pipoca quentinha feita na hora. Assim é que era bom. E ainda tinha opção de pipoca salgada ou doce. O povo daqui nunca nem ouviu falar em pipoca doce.

Depois entramos na sala do cinema para aturar 10 minutos de propaganda e 10 minutos de trailers antes de começar o filme.

Olha, eu já tinha ido nums cinemas modernos na Dinamarca, onde a cadeira é reclinável e super confortável, mas esse foi o primeiro cinema que fui onde a primeira fileira é praticamente uma cama de casal. Eu e Camilla nos acomodamos numa dessas camas, pois assim eu podia manter meu pé machucado pra cima. O ruim da primeira fileira é que você fica ali no gargarejo e é perto demais do telão. Para ter uma melhor vista, é melhor sentar mais pro fundo.

Umas meninas deitadas na caminha central levaram até um cobertorzinho pro cinema!

Achei que o filme O Dublê seria melhor. A história do filme, tanto a trama principal quanto o romance, foi fraca e uma bobagem sem fim. Por outro lado, foi legal a parte da história sobre dublagem, com menções a dublagens de outros filmes com Jason Bourne e Miami Vice.

Não assistiria a esse filme novamente, mas também não foi uma perda total de tempo.

Você assistiu ao filme O Dublê? Gostou?

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4 Responses to Cinema

  1. Manu diz:

    Meu primeiro filme no cinema foi O Rei Leão no Santa Helena! Eu lembro um pouco do lugar, parecia tudo mais espaçoso… e não é pq eu era pequena, pois não cresci muito mais que aquilo, hahahah.

    Os comentaristas de cinema estavam falando que o filme O Dublê é mediano…
    Eu vou esperar entrar no streaming, heheh
    Quero assistir Furiosa no cinema, já viu?

    • Cristiane diz:

      Você assistiu o Rei Leão lá? O primeiro filme que eu vi no Santa Helena foi A história sem fim. Você conhece?

      Furiosa não ouvi falar. Vou pesquisar.

      • Manu diz:

        Assisti… 1994! hahaha Nem vou perguntar quando foi A história sem fim… :p
        Conheço A história sem fim… sempre quero assistir, mas acaba que escolho outro coisa. Conheço a história apenas.

        Não sei se é do teu gosto, mas é um prelúdio do filme Mad Max: fury road… que eu gosto bastante.

        • Cristiane diz:

          Vou ter que pesquisar e assistir trailer.
          Eu nunca fui muito fã de Mad Max. Gostava da música no entanto.

          História sem fim foi no meio dos anos 80. 😁

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