Doidinha

Minha nossa senhora, que minhas amigas, de vez em quando, me deixam doidinha.

Em agosto desse ano eu fui a Berlim participar do festival de forró do Miudinho. Eu esperava encontrar Bárbara lá, já que ela foi ao Miudinho do ano passado e pareceu que gostou muito, apesar dela ter dito em 2017 que ia parar de ir em festivais de forró. Eu não conversava com Bárbara desde 2018, porque fiquei muito chateada com umas coisas que aconteceram naquele ano e no ano anterior, e com o que ela falou pra mim nessas ocasiões. Cheguei a bloqueá-la no Face e Insta, mas ela me achou no LinkedIn e me escreveu por lá. Achei interessante a sua persistência.

Os anos se passaram, veio covid, e só voltei a Berlim no ano passado. Fui somente para o Miudinho. Ao ver Bárbara lá, minha intensão era ser cordial, cumprimentá-la e nada mais. Mas para minha surpresa, ela tirou da bolsa dois ou três livros sobre o Japão e isso me intrigou. Ano passado eu estava com passagem marcada para o Japão e eu queria saber que lugares ela tinha visitado e o que tinha achado em geral.

Acabei que concordei encontrá-la no apartamento dela depois do festival e de lá fomos num restaurante japonês. Eu tenho uma tendência de guardar rancor, mas me superei. Conversamos muito bem nesse dia, e ela contou sobre a viagem para Osaka e Kyoto.

Isso foi ano passado.

Esse ano, em agosto, eu achava que encontraria Bárbara no Miudinho novamente, e que poderíamos nos encontrar para conversar sobre a minha viagem ao Japão e comparar experiências. Mas ela não apareceu no festival.

Escrevi para ela, e ela me pediu para falar com o organizador do festival e ver se dava para ela comprar entrada para o último dia somente (era um festival de 3 dias). Tive que falar com umas três pessoas e no final das contas, o organizador aceitou meu pedido. Isso foi no sábado. No domingo, que era o último dia do festival, o organizador olha pra mim e me pergunta: cadê a Bárbara? Estou esperando ela aparecer para liberar a entrada dela, disse ele.

Depois de todo o meu empenho para conseguir entrada para um dia só, ela não apareceu e não deu satisfação ou uma desculpa!?

Fiquei mordida, mas deixei passar. Escrevi para ela e marcamos de nos encontrar no dia seguinte. Ela tinha uma viagem de negócios de manhã mas ia me escrever de tarde.

Eu fui pro parque. Estava um calor doido em Berlim e eu fui me deitar debaixo de umas árvores. Bárbara demorou para escrever e combinar direitinho nosso encontro. Acabou que não deu certo, pois eu tinha que ir para o aeroporto. Mas foi de boas e eu disse que a gente podia se ver em outubro, que eu tinha planos de voltar a Berlim.

Desde 2016 que eu tenho vontade de ver o festival de luzes em Berlim, mas nunca deu certo. Decidi que desse ano não passava e de última hora comprei minha passagem. Uma semana antes da viagem escrevi para Bárbara perguntando, e aí moça, vem ver o festival comigo no sábado que vem?

Ela me explicou que na quinta seria feriado na Alemanha toda e ela tinha planos de viajar com o marido. Que não podia me encontrar no sábado mas que podíamos comer algo juntas no domingo de tarde. Combinado então.

E não é que no sábado de manhã, assim que eu cheguei em Berlim, ela me manda um monte de mensagens dizendo que está com vontade de tomar um coquetel, e perguntando se eu quero encontrá-la umas 9 da noite perto do apartamento dela.

Fiquei confusa. O festival ia das 19h até 23h e eram 5 km de percurso. Bárbara conhece bem o festival e sabe que leva horas até ver tudo. E no fim das contase eu fui até Berlim só para ver esse bendito festival. Se eu fosse até o bairro dela 9 da noite, eu perderia de ver mais da metade das luzes. E ela me bombardeava com mensagens com sugestões de bares e restaurantes e a localização deles no Google Maps.

Para dar um basta nessa doideira tive que ser honesta e lembrá-la de que ela tinha me dito que não estava disponível no sábado e por isso eu já tinha feito outros planos. Mantivemos então nossos planos de encontro no dia seguinte no restaurante japonês.

No domingo, antes de fazer o check out do hotel, eu tentei achar o endereço do restaurante. Como ela mandou muita mensagem com endereço de restautante, eu fiquei confusa, mas finalmente achei o endereço de um restaurante japonês no meio daquelas mensagens. Fui caminhando até lá, pois eram somente 6 km de distância, passando pelo parque. Fui devagar. Íamos nos encontrar somente 3 da tarde e eu saí do hotel meio dia. Eu tinha tempo de sobra e o dia estava nublado mas sem chuva. Bom para caminhar.

13:15 mais ou menos, eu comecei a enrolar, porque já estava faltando pouco para chegar no restaurante. Cogitei se deveria fazer um passeio de barco. Acho que já fui a Berlim umas 12 vezes, mas nunca fiz um passeio de barco. O passeio é de 60 minutos e eu achava que daria tempo bem certinho. Fui comprar o ingresso mas vi que o próximo barco só saía às 14h. Que pena. Nesse horário não dava certo nos meus planos.

Continuei caminhando e por acaso dei de cara com a Charité, que é um hospital e centro de pesquisas. Eu achava que a Charité era um prédio alto branco, mas descobri eles têm um campus inteiro, com prédios históricos e lindos. E um museu! Eu estava prestes a pagar 5 euros para entrar no museu, quando Bárbara escreve dizendo que ela tinha me enviado tantos endereços no dia anterior, que achava melhor me mandar novamente o endereço do lugar onde íamos nos encontrar daqui a pouco.

Fiquei chocada ao ver que o endereço ficava do outro lado da cidade, e Google dizia que de transporte público me levaria 50 minutos para chegar lá. Já eram 13:50.

Abandonei a ideia de entrar no museu da Charité (vai ficar pra próxima, porque me pareceu ser um museu bem interessante) e fui direto para a estação central, onde me bati para comprar o bilhete de trem. Comprar passagem naquela estação é sempre uma confusão.

Para piorar a situação, desci na estação errada, e tive que tomar mais um trem. Depois, na estação certa, eu tinha 2 opções. Ou caminhava 22 minutos ou tomava um ônibus. Com as pernas cansadas, resolvi esperar o ônibus, que chegou atrasado.

Eu cheguei no restaurante 15 horas em ponto, para descobrir que Bárbara não tinha feito reserva de mesa e eles estavam com todas as mesas reservadas. Acho que levantei uma sobrancelha quando ouvi aquilo. Tinha uma mesa vaga que estava reservada para 15:30. Nos deixaram sentar ali. Porém 15:25 as pessoas da mesa chegaram e nos mandaram sair dali. Eu não tinha ainda nem tomado metade do meu chá!

Sobremesas japonesas e Charité

Enfim, Bárbara é meio confusa e me deixa doidinha com essas situações.

De lá fomos caçar street art, mas no meio do caminho, depois da tia Cris ter tomado meio litro de chá, tive que fazer uma parada de emergência para um xixi num restaurante italiano. Acabamos que ficamos no restaurante por uma hora batendo papo. Nos atendeu um garçom muito doido que só falava italiano. Acabei comendo um nhoque bem gostoso e de lá fui para o meu hotel na frente do aeroporto.

Street art Berlim
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