Eu imaginava que os amigos da gente começariam a morrer só depois da gente chegar nos 60 anos.
Mas não está sendo assim.
Foi um baque quando recebi a notícia que minha boa amiga Simone estava no hospital e no dia seguinte ela morreu.
Nem pude me despedir, pois foi bem no pior momento da pandemia covid. Os hospitais não estavam deixando visitar. Simone se foi por causa de um câncer.
Fiquei triste por um tempão e sempre me emociono quando me lembro dela.
E me arrependo que quando ela me convidou para ir na sua última festinha de aniversário, eu arrumei uma desculpa esfarrapada porque estava muito frio e vento naquele dia e eu não queria sair de casa. Se eu soubesse que três meses mais tarde Simone não estaria mais aqui, eu teria ido sem me queixar.
Três dias atrás eu recebi a notícia que mais um dos meus amigos está com câncer estágio terminal. Um câncer raro no pâncreas. E por coincidência, esse amigo foi namorado de Simone por alguns anos.
Eu fiquei muito atordoada esse fim de semana todo e somente hoje achei energias para ir até o hospital me despedir dele.
Comecei a chorar no meio do caminho. Mas depois passou, principalmente quando cheguei na ala de tratamento paleativo e não tinha uma enfermeira para me ajudar.
Caminhando pelo corredor achei a porta do seu quarto. Vantagens de ter nome brasileiro é que nenhum outro paciente nesse hospital inteiro tem o mesmo nome. Foi fácil achar o quarto, mas cadê ele?
Ele estava numa salinha, sentado numa cadeira de rodas de costas pra mim.
Achei que ele não me reconheceria. Achei que tivesse muitos sintomas de quemoterapia. Mas não foi assim. Achei ele bem. Muito cansado, mas razoavelmente bem.
Sua família veio de Belém. Coração de brasileiro. A esperança é a última que morre. E tem que ser assim mesmo. Tem que lutar até o fim. Se há um pinguinho de esperança de recuperação ou de viver por mais uns anos, a gente tem que lutar pra isso.
Apesar de eu não tê-lo visto ou conversado com esse rapaz faz uns sete anos, ficamos ali lembrando dos tempos que íamos para o forró. Até prum forró na Alemanha nós fomos em 2016. Simone foi junto. Mas não tocamos no nome dela.
Eu fiquei de voltar para visitar outro dia e levar sorvete.
Dessa vez eu fui de mão abanando. Paciente em quemoterapia normalmente não tem apetite, então não levei nada além da minha pessoa. Pensei em levar flores, mas lembrei de quando eu estava no hospital e o perfume das flores estava mais incomodando do que ajudando.
Enquanto isso ele tem consulta com uns especialistas. Vou ficar de dedos cruzados. Quem sabe tenha uma esperança dele melhorar.

Poxa vida, minha sogra faleceu de cancer, um dia estava bem e no outro dia hospital e do nada …
Muito triste, doe o coração, fica apertadinho.
é aproveitar a vida, bem que vc faz em conhecer esse mundão.
Eu entendo bem. Minha sogra também morreu de câncer e foi bem rápido. Foi muito triste. Carsten tinha apenas 27 anos. Ano passado fez 20 anos da morte dela.
A gente tem que aproveitar enquanto tem saúde.