De mala e cuia

Estou impressionada com a quantidade de turistas brasileiros aqui na montanha na Suíça. Cheguei ontem e já escutei pelo menos 3 grupos diferentes de brasileiros. Um deles está no chalé acima de mim.

Eu achava que a grana dos brasileiros estivesse curta e aqui na Suíça é um dos lugares mais caros que já visitei. Fico imaginando de onde o povo tira dinheiro para umas viagens caras dessas.

Hoje fui fazer uma trilha para ver de perto o Matterhorn (aquela montanha na embalagem do chocolate Toblerone). Quando estava voltando para o meu chalé, vi um cara sentado num banco de praça segurando uma cuia típica de chimarrão. Olhei para ele, um moreno careca botino, em torno dos seus 30 anos, e achei que fosse brasileiro e provavelmente gaúcho. Foi o que pensei.

Já cheguei falando português e brinquei com ele perguntando se ele estava tomando um chimarrão.

Ele não entendeu, me olhou confuso e pediu para eu falar em inglês. Ups, o cara não era brazuca. Dei uma mancada.

Expliquei que eu tinha encontrado muito brasileiro e vendo a cuia dele achei que ele era do Sul do Brasil e que ele tinha literalmente vindo para cá de mala e cuia.

Perguntei se ele estava tomando mate. Ele sorriu e disse que sim. Aí ele me disse que é argentino.

Eu troquei o idioma e conversamos um pouco em castelhano. Ele me explicou que o mate que eles tomam na Argentina é diferente. Que ele acha que as folhas são mais secas. Disse que tomou mate de cuia brasileiro uma vez e ele achava que as filhas ainda estavam úmidas.

Bom, eu nunca tomei chimarrão na minha vida, então não sei.

Perguntei se ele morava pras bandas del cá e ele disse que veio para a Suíça trabalhar e mal esperava poder voltar para a Argentina.

Eu fiquei embasbacada com a resposta dele. Achei que a Argentina estivesse como o Brasil, economia ruim, tudo muito caro, violento. Mas ele disse que estava achando a Suíça chato e queria voltar para a casa dele no país dele. E ele me disse algo que achei estranho. Disse que não pagaram seu último salário porque a empresa estava para falir e só por isso ele ainda estava aqui, esperando esse pagamento.

Eu achei melhor não perguntar mais nada. Que tipo de empresa será? Tanto turista aqui e tudo custa 3 vezes mais caro. Falir como? Enfim.

É sempre assim quando eu puxo papo com povo da América do Sul. Já de cara o povo conta todos os problemas e dramas. Eu sou assim também mas os europeus detestam esse tipo de coisa.

Eu poderia ter puxado mais papo com aquele guri, mas eu estava com medo da chuva que estava armando. A melhor coisa que fiz foi ter vindo direto pra casa. Foi fechar a porta do chalé que o maior temporal despencou. E ainda na esquina de casa escutei mais brasileiros. Como pode tanto brasileiro aqui? Será que os brasileiros também vieram para trabalhar?

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