Mediúnico

Como vocês sabem, eu uso o blog como um diário para registrar um pouco da minha vida e para me ajudar a lembrar pelo que eu passei. Tanto as coisas boas quanto aquelas que serviram para me ensinar alguma lição.

Não lembro o quanto eu já comentei aqui sobre minha ligação com o espiritismo. Desde adolescente até hoje, as amigas com que tive amizades mais fortes são todas ligadas ao espiritismo. Em Curitiba, minha amiga me levou do outro lado da cidade para tomar passe. Eu nunca tinha tomado um passe antes.

Aqui na Dinamarca minhas amigas não só praticam o espiritismo, mas se dedicam de corpo e alma a traduzir livros de Allan Kardec, trazer médiuns para a Dinamarca para, entre outras atividades, fazer cirurgia espirituais. Eu mesma já recebi algumas dessas cirurgias espiriuais e me ajudou muito.

Essas minhas amigas sempre me convidam para participar das reuniões semanais dos grupos espíritas daqui, mas confesso que nunca tive muita paciência para essas coisas. Sentar, rezar, fazer leituras que parecem bíblicas… esse tipo de coisa me lembra do período em que me obrigavam a ir todo domingo na missa, e eu tenho horror a isso. Não é pra mim.

Mas eu gosto de participar e até contribuir com algumas atividades que eu acho que realmente ajudam as pessoas.

Por exemplo: minha boa amiga Sônia todo anos traz um médium de Salvador chamado Florêncio para fazer trabalhos de pintura mediúnica na Dinamarca. O valor arrecadado com a venda dos quadros é toda usada em trabalhos de caridade no Brasil.

Faz 21 anos que eles fazem esse trabalho juntos. É lindo.

Vinte anos atrás eu participei de um evento deles. Lembro certinho como se tivesse sido ontem. Foi a primeira vez que vi um médium incorporar espíritos. Me explicaram que Florêncio incorpora pintores, alguns deles famosos, e a maioria são pintores franceses. Não é à toa que durante a sessão toda tocam música francesa no último volume para ajudar no transe do médium — e também para que pequenos barulhos da plateia não atrapalhem ou façam o médium acordar do transe, que dura quase 90 minutos.

Naquele dia o médium incorporou uns 10 pintores, inclusive um que pintava com os dedos dos pés. Mais tarde fiquei sabendo que não era em toda sessão que ele incorporava algum pintor que pinta com os pés. Então foi muito especial aquele dia. E mais especial ainda foi o fato de que um dos pintores deu um dos quadros de presente para uma das mulheres sentada lá na frente. Eu estava umas cinco ou seis fileiras atrás e observei tudo. Eu acho que contei essa história no blog, porque em 2019, por acaso, eu encontrei a amiga da pessoa que ganhou o quadro e o que ela me contou mexeu muito comigo.

Naquela noite eu descobri que ela ganhou o quadro porque estava com câncer terminal, e no hospital, no seu leito de morte, aquele quadro ficou pendurado na frente da cama dela. Certamente foi a última coisa que ela viu antes de partir.

Talvez quem leia isso não ache nada de especial ganhar um quadro, mas pense: são espíritos do mundo superior que estão presentes naquela sessão e eles acharam que aquela mulher merecia um presente para amenizar sua dor. Isso é muito especial.

Os outros quadros foram vendidos para juntar dinheiro para uma obra de caridade na Bahia. Eu lembro que na época eu achei o preço dos quadros meio caro. Naquele período Carsten e eu não estávamos muito bem economicamente – e como eu não tinha gostado de nenhum quadro, assim, a ponto de querer investir em um, eu não coloquei meu nome na lista de compradores.

Mesmo eu não tendo comprado nenhum quadro, foi muito legal ter participado.

Todo anos eles fazem essa sessão de pintura mediúnica, mas depois daquele dia em 2006 eu nunca mais participei.

“Nunca” é no entando uma palavra forte, né. Não se deve nunca dizer “nunca”. Justamente hoje eu participei do evento deles. Foi muito especial, mas de uma maneira diferente. Vou contar como foi no próximo artigo.

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