Esse artigo é continuação do que escrevi abaixo no post chamado “Mediunica”.
Umas semanas atrás eu participei de um evento de cirurgias espirituais. Dessa vez não só participei para receber uma cirurgia, mas me prontifiquei como voluntária para ajudar durante o evento todo.
No dia descobri quais seriam minhas funções. Uma delas era cuidar para que tivesse chá e café para os convidados. Tiveram que me ensinar a fazer café, porque como eu não tomo e não tenho cafeteira, não sei exatamente quanto pó colocar para fazer um bom café. Ainda bem que lá me ajudaram. Depois eu fiquei ajudando as pessoas a se deitar e a se levantar da maca para receber o tratamento. Foi muito interessante estar presente no meio daquela energia de doação e amor. Aprendi muitas coisas ali com aquele grupo.
Depois que recebi o tratamento naquele dia, minha energia estava lá no alto e fiquei com uma vontade de participar de mais eventos desse tipo. Foi aí que, passeando pelo Instagram, vi a propaganda que minha amiga Sônia ia trazer Florêncio em breve.
Quando vi, já tinha esgotado ingressos para o evento em Copenhague na sexta. Aí vi que no sábado eles estariam lá no norte, numa cidade balneária chamada Gilleleje. Eu nunca estive naquele lugar, mas já tinha ouvido dizer que é muito lindo. Pensei, vou até lá.
E fui. Cheguei com 75 minutos de antecedência e aproveitei para caminhar um pouco pela cidade e ver o mar. Estava um vento muito forte e acabei não ficando lá por muito tempo.
No caminho da praia para o local do evento, que era um antigo posto do correio, eu notei que tinha um caixa automático para sacar dinheiro bem na esquina.
Cheguei no evento achando que já sabia o que ia acontecer, mas foi um pouco diferente.
Levei tampões de ouvido achando que a música estaria lá no alto, porém dessa vez o alto-falante ficou na frente do médium e não ficava tão alto para quem estava na platéia. Acabei não precisando do tampão, o que foi bom, porque durante a sessão, alguns dos pintores falavam algumas coisas. Se eu estivesse com tampão no ouvido, eu não teria escutado.
Por exemplo, um dos primeiros pintores deu uma bronca na minha amiga Sônia porque ela abaixou o volume um pouco. Num tom irritado ele disse “senhora, não mexa no volume que pode atrapalhar o transe”. O primeiro quadro foi pintado por Renoir, então acho que foi ele quem deu a bronca. Se não foi, deve ter sido o segundo pintor, um da Noruega chamado Munch, se não me engano.
A música dessa vez também não foi toda francesa. Cheguei lá e estava tocando umas músicas de Yanni que fazem lembrar do mar. Sônia disse que foi um pedido dos pintores no dia anterior.
Olha, é realmente impactante ver o Florêncio incorporando os pintores. As expressões faciais mudam totalmente, e quando sai um pintor e entra outro, Florêncio perde um pouco o equilíbrio. A Sônia tinha que apoiar ele. E é tudo muito rápido. Cada tela branca vira um quadro pronto em dez a quinze minutos. É impressionante.
Um dos quadros era de girassóis, que me lembrou muito a exposição do Van Gogh que vi em Budapeste. Ficou lindo aquele quadro.
De repente um dos pintores fala em espanhol e pergunta pra Sônia se ela não tem umas músicas espanholas. Ela diz “Sí” e ela coloca música espanhola.
O quadro vai evoluindo e a gente percebe que os traços são característicos de Picasso. Nesse momento um turbilhão de pensamentos passou pela minha cabeça: será que coloco meu nome para comprar esse quadro? Ter um Picasso original em casa é um investimento, no dia que eu morrer servirá de herança para minha família. Quando estive em Barcelona em 2009 eu não quis entrar no museu do Picasso porque eu achava que não gostava do estilo dele (que é cubismo) e porque ele era um mulherengo (eu e meus preconceitos até contra pintor morto! rsrs). Os pensamentos foram longe até que começou a tocar uma música de flamenco. Imediatamente me lembrei daquela viagem de 2009 para Barcelona, onde minha amiga Anne-Britt convenceu a gente a ir a um show de flamenco mas foi uma cantoria triste que eu não estava aguentando.
Eu lá sentada pensando todas essas coisas, quando de repente o Florêncio, incorporando Picasso, começou a dançar flamenco.
Descobri mais tarde que nesses 21 anos de pinturas mediúnicas, isso só aconteceu 3 vezes. Gente, eu vi Picasso dançando flamenco! Isso é raro. Disseram que quando vivo, Picasso adorava flamenco e dançava muito bem. Daí eu entendi porque ele ficou super empolgado com aquela música. Foi muito especial presenciar isso.
No final dos trabalhos Florêncio respondeu a perguntas da platéia. Alguns dinamarqueses perguntaram o que os pintores estavam falando durante a sessão. Os pintores não falaram nada em dinamarquês, então muitas pessoas ficaram sem entender. A bronca na Sônia por ter mudado o volume foi em português. Picasso falou espanhol pedindo por música. Eu lembro disso muito claramente. O pintor seguinte não estava contente com aquelas músicas espanholas e mandou mudar a música. Sônia perguntou, música francesa? Ela tocou Edith Piaf e eu vi a expressão de felicidade que apareceu no rosto do médium. Ele também disse algo em francês mas eu não consegui entender a frase toda. Então foram 3 idiomas falados pelos pintores nesse dia.
Finalmente chegou o momento que quadro por quadro foi trazido para o salão e quem estava interessado recebia um número. Era sorteio.
O primeiro quadro do vaso de flores do Renoir estava bonito, mas não é meu estilo. Esperei até chegar o quadro dos girassóis de Van Gogh para levantar a mão. Eu recebi número 8. Infelizmente não fui a sorteada. Eu cheguei a pensar que se eu fosse sorteda, eu compraria esse quadro para minha amiga Teresa que adora Van Gogh de paixão.
A qualidade dos quadros hoje foi fenomenal. Cheguei a ficar na dúvida se eu deveria tentar comprar mais de um. Não sei porque meu coração estava me falando que eu tinha que colocar meu nome para o quadro do Picasso. Assim que o quadro foi apresentado me veio na cabeça que eu ganharia aquele quadro só para pagar minha língua (porque eu tinha dito que não gostava de Picasso e de cubismo!!!).
Novamente recebi número 8. Até então pessoas na platéia estavam sorteando os números, mas para o Picasso o Florêncio se prontificou. Quando vi aquilo eu secretamente pensei, meu número será sorteado. Mas a Sônia disse que ela mesma faria o sorteio.
E não é que ela puxou o número 8!
Esse universo maroto! Era pra eu pagar minha língua! rsrs
Agradeci ao universo. Na verdade eu saí de casa com um pensamento que eu gostaria muito de me sentir especial. E hoje algo realmente especial aconteceu. O fato de eu lembrar certinho o que Picasso disse ao pedir outro estilo de música e dele dançar nesse evento, o que é raro, tudo isso contribuiu para que eu sentisse que o dia fosse especial. 40 pessoas naquela sala, 8 quadros, e eu fui selecionada para comprar um dos quadros. Isso me fez sentir muito especial. Eu estava precisando disso.
As doações para a compra do quadro deveriam ser feitas em dinheiro e uso cartão pra tudo. Foi aí que entendi porque, momentos antes do evento, o universo me mostrou que tinha um caixa automático na esquina. Quando disseram que eu deveria pagar em dinheiro, eu tranquilamente disse, vou ali sacar e já volto.
Trazer esse quadro para casa, com a tinta ainda molhada, foi uma aventura. Peguei carona, tomei ônibus, segurei a tela para ela não sair voando no vendaval que está fazendo hoje. Mas depois de 90 minutos, chegamos em casa são e salvos. E agora eu não preciso mais ter inveja da minha amigona que também tem um Picasso pendurado na sala dela. Eu nunca perguntei mas acho que ela comprou numa dessas sessões de pintura mediúnicas há alguns anos. A diferença é que o quadro dela é em tons de verde e o meu é em tons da bandeira brasileira. Verde, amarelo, azul e branco. E o cabelo da mulher é ruivo, claro! Porque eu adoro ruivos!
