Lacto

Eu não me lembro se comentei que tenho intolerância à lactose. Descobri isso em dezembro, então é recente (a descoberta é recente, os sintomas tenho há muito mais tempo, só achava que era qualquer outra coisa). 

Eis que morar num país que vive da indústria de laticínios não é fácil, pois eles usam leite, creme e queijo em tudo quanto é comida. 

Para piorar, é bem difícil encontrar produtos livres de lactose nos supermercados. Normalmente um supermercado tem um produto, por exemplo leite, depois tem que ir num outro para encontrar iogurte ou manteiga e assim vai. Queijo sem lactose? aqui nunca tinha visto. 

Quando estive na Alemanha mês passado, fui à loucura quando vi que eles tinham tantas opções sem lactose, até queijo Philadelphia e queijo para pizza. 

Mas parece que minhas preces foram escutadas. Hoje foi a um supermercado de uma rede sueca (mas aqui em Copenhague mesmo) e fiquei tão surpresa que soltei um daqueles suspiros de surpresa e o povo ao meu redor todo me olhou. Tinha tanta, mas tanta coisa sem lactose, que eu não sabia o que comprar. 

Era sorvete, queijo cremoso, queijo mozzarella fresco, frios diversos, iogurtes, coisas para passar no pão, maioneses, queijos diversos inclusive para pizza e parmesão. Fiquei louca lá dentro. Claro que os preços são exuberantes, mas isso é um detalhe. 

Saí de lá feliz, e com um rombo no bolso!

Só espero que tenha saída esses produtos, que é para que eles não cortem, né. 

Festa

Volta e meia o povo me pergunta por que eu não faço videolog no YouTube. Gente, minha vida é tão sem graça. Quer um exemplo. 

Hoje de noite tem uma festança do Internations num restaurante badalado no topo de um prédio chique aqui de Copenhague. Eu sou membro do internations e entro praticamente de graça na festa, se chegar antes das 11 da noite. A festa começa com jantar para quem quiser a partir das 19 horas. 

O código de vestimenta é roupa branca. 

Eis que eu passei o dia me enrolando. Choveu horrores, dormi quase o dia inteiro. Quando acordei, já eram sete da noite. Um solaço começou a brilhar (mas frio, 13 graus e vento, afinal, isso aqui é Dinamarca). 

Eu poderia ter me arrumado e saído de casa gravando o vídeo para o YouTube, certo? Mas sabe o que eu fiz? 

Resolvi tocar piano. Então resolvi tomar um banho longo. Já que estava ali, resolvi lavar o box do banheiro. Nisso o relógio já estava mostrando 21:30. 

Resolvi então requentar uma comida que tirei do freezer. 

Enquanto comia, checava o horário do ônibus para ir para o centro. Tinha saída de dez em dez minutos, mas eu comecei a calcular: preciso de uns 15 minutos para escovar dentes e passar uma maquiagem. Mais uns minutos para achar uma jaqueta e dinheiro, pq não aceita cartão na festa. 

Com meus cálculos, mais o tempo que demoraria para chegar lá, eu já estava atrasada e não chegaria antes das 11 da noite. E depois desse horário, o preço da entrada era beeeeeem caro. 

Acabei que desisti de ir. Estou toda vestida de branco, mas resolvi que vou ficar em casa, vendo o por do sol da minha sacada, tomando chá de cidreira que trouxe do Brasil em 2014, escutando Festa do Interior. 

Viu como não dá certo essa história de videolog?! Minha vida é monótona demais! Rsrsrs

Agora vou lá caçar um filme no Netflix para assistir. Enquanto isso, a festa é aqui na minha cozinha, ao som de Gal Costa! 

Midsummer

Ontem, véspera de São João, foi o Midsummer escandinavo. Eu já escrevi sobre isso inúmeras vezes no blog, então não vou repetir (aleluia!, dirão alguns! rsrs). 

A primeira vez que eu fui a uma comemoração de Sankt Hans, como eles chamam a comemoração na Dinamarca, eu achei um porre. 

Era na praia, a fogueira não passava de um amontoado de galhos e folhas (e nada mudou nesses muitos anos! os dina deveriam fazer um curso de como montar uma bela fogueira de São João com os brasileiros!). 

As músicas pareciam coisa de funeral, e em seguida vinham as crianças com bonequinhas de bruxa para queimá-las na fogueira, como símbolo da idade média quando eles queimava mulheres na fogueira. Isso fez ferver meu sangue e eu nunca mais quis ir a uma festa de Sankt Hans. 

Como agora os tempos são outros (fazendo alusão a minha nova vida), eu resolvi pesquisar o que tem para fazer no Midsummer em Copenhague. Achei mais de 7 eventos na cidade. 

Uns com show de bandas, outros com dança (salsa), outros com barraquinha de comida. E para completar tem o festival CopenHell acontecendo, que é um festival de heavy metal. Não tem nada a ver com São João, mas coincidiu a data. E olha que até o Robbie Zombie está aqui hoje.
Engraçado é que no metrô, pelas vestimentas, é possível distinguir quem está indo para qual evento! Os metaleiros e suas roupas incrementadas. 

Acabei que eu convidei o Carsten para vir no Midsummer comigo. Fim de semana passado eu fui lá na nossa casa, dei uma força no jardim e comemoramos o aniversário dele com um bom churrasco, e combinamos de explorar Copenhague no fim de semana seguinte. 

Todos os planos foram por água abaixo, literalmente, porque começou a chover horrores. Então fizemos tudo no improviso e saiu melhor que o esperado. 

Fomos no porto antigo, o Nyhavn, onde encontramos cereja (eu matei a vontade) e ele comeu waffle belga. 

De lá atravessamos uma ponte recentemente inaugurada e fomos parar num street food market, com mais de 40 barracas de comida, mas acabamos comendo no brasileiro. Churrasco. Estava muito bom. De brasileiro mesmo só o nome e a bandeira, mas de qualquer modo estava tudo bem feitinho. 

De lá nos embrenhamos num parque que estava abandonado. Não tinha nem uma alma penada andando por lá. Mas achei interessante, lá tinha muitas entradas para os antigos abrigos de bomba. Eu nunca tinha visto tantos juntos antes. 

Saindo do parque paramos na beira mar, para ver o concerto da Oh Land tocando piano. Enquanto esperávamos, ouvi um casal falando português e puxei papo: estão a passeio ou morando na cidade, eu perguntei. Estavam aqui fazia 4 meses e estavam adorando. 

Quando eu falei que estava aqui há 16 anos, se assustaram. Mas pq veio para cá, me perguntaram. Olhei para o Carsten e falei: vim porque eu e ele éramos casados. Outra vez, olhar de susto. (isso acontece muito, quando esbarramos em alguém conhecido e Carsten me apresenta como “minha ex-mulher” kkk)

E de onde vc é do Brasil? De Curitiba, disse. E eles: nós também!

Mas eu só esbarro com curitibano, impressionante! Duas semanas atrás, algo parecido aconteceu na minha viagem para Berlim. Mas isso é outra história. 

Final das contas. Oh Land tem uma voz bacana, mas selecionou umas musiquinhas desanimadas e nós fomos embora no meio do show. 

As fogueiras montadas tanto no Nyhavn quanto ali na beira mar não passavam de um amontoado de galhos secos de jardim. 

Só faltou as crianças com as bruxas, para dizer que nada mudou!

Voltamos para casa e ficamos tomando chocolate quente e escutando heavy metal, até que para nossa surpresa, começou um show de fogos de artifício que durou por 5 minutos e deu para ver de camarote aqui da minha sacada. Foi uma surpresa, pois não sabíamos que teria fogos, nem que duraria por tanto tempo. Foi o final perfeito para o São João!

E vocês, o que fizeram? Pinhão com quentão? 

Motivação 

Ontem fui a uma festinha de aniversário de uma amiga italiana. Muito interessante ver como as diferentes culturas celebram aniversário. 

Cantamos até o Parabéns pra você em italiano.

Foi muito agradável, tomamos um excelente proseco, e conheci garotas do Kwait, Grécia, diversos lugares da Itália e até uma dinamarquêsa. 

Mas o melhor de tudo foi ver os quadros na casa da minha amiga. Em todos os cômodos havia um quadro com uma frase motivacional. Tudo em inglês, mas vou tentar traduzir. 

Na entrada dizia: Amigos, sempre bem-vindos. Parentes, só com agendamento prévio. 

No quarto dizia: Vida é o que acontece agora enquanto você faz planos para o futuro. 

Na sala dizia: Você pode achar que eu sou impossível, mas tudo é possível. 

Na cozinha dizia: Se o trabalho de uma mulher nunca chega ao fim, para que começar? 

E no banheiro, o melhor de todos, e é o lema na minha casa nos últimos 29 anos:

Planejamento para lavar roupa
Separar peças por cor – hoje
Lavar – amanhã 
Dobrar – algum dia
Passar – rsrsrs

Original
Laundry Schedule:
Sort – today
Wash – tomorrow
Fold – some day
Iron – ha ha ha ha 

Eu deveria ter tirado uma foto desse quadro! Rs

Festança 

Sexta-feira passada foi o dia da festa de verão da minha empresa. Quando eu entrei na empresa, pouco mais de dois anos atrás, uma das primeiras coisas que me disseram foi que aqui eles quase não faziam festa de verão, que era para economizar. Onde eu trabalhava antes a festa de verão era para mais de 7 mil funcionários, sempre num lugar gigantesco, com jantar, bebida à vontade, e shows com bandas famosas. 

Honestamente, eu nunca gostei das festas daqui. O povo bebe demais, só dança depois de encher a cara, só toca música dinamarquêsa chata, e sete mil funcionários mas você é obrigado a ficar grudado com o povo do seu departamento para ser social. Um saco. Eu nem ia nas festas porque sabia que não me divertiria. 

Mas na lundbeck as coisas funcionam de outra forma. O objetivo não é impressionar ninguém, mas curtir, com atividades diferentes que dão oportunidade de conhecer gente nova.

Nada precisa ser perfeito, com garçom, jantar granfino. Aqui é pegar um sanduba na carrocinha, sentar na arquibancada, montar no touro mecânico (e eu consegui por 28 segundos, mais que muito cara metido que chegou lá se achando e caiu depois de 6 segundos!) usar uma peruca divertida e dançar muito ao som dos ritmos dos anos 80!

Pernas pra que te quero 

Digamos que, pra quem viaja praticamente todo fim de semana, eu sou quase uma viajandeira profissional. Mas hoje eu dei uma de amador. Peloamordedeus. Rsrs 

Normalmente eu tenho saldo suficiente no meu cartão para o transporte público. Eu também sempre chego no aeroporto uma hora antes do vôo, que para quem só anda com mala de mão, é tempo suficiente para trocar dinheiro no banco, e para passear o controle segurança sem estresse. Mas tb não chego muito cedo, pq detesto tomar chá de cadeira. 

Eis que hoje a bruxa estava solta. Depois de um dia corrido no trabalho, lembrei que tinha esquecido de recarregar meu cartão de transporte. Eu tinha que andar até a estação para fazer isso no último da hora. Perdi 10 minutos com isso. 

Consequentemente, perdi o ônibus e tive que esperar o próximo. 

Dez minutos de atraso em torno das 3 da tarde numa sexta, fazem uma diferença enorme no trânsito de Copenhague. De repente tinha congestionamento. Perdi mais 10 minutos. 

A troca para o metrô foi tranquila. Ótimo. 

Checo pelo app qual a previsão de espera para passar pelo controle de segurança: 17 minutos. Gente, esqueci que em junho começa a temporada de férias na Dinamarca. Aff 

Estou eu, bela e formosa na fila, quando o app me avisa que está embarcando e que o portão ia fechar em 20 minutos. Pânico. 

Passando o controle, desisti de trocar dinheiro. Pela primeira vez, não tenho um puto comigo. 

Foi então que eu vi que meu portão de embarque era F1. Longe pra caramba. Seria mais rápido chegar em Berlim à pé do que achar esse bendito portão. São 15 minutos andando. Gente, não ia dar tempo. 

Sabe aquela história de correr para tirar o pai da forca? Pernas pra que te quero. Fazia tempo que eu não corria feito uma louca aeroporto afora. Eu e um outro carinha do meu lado. Parecia que estávamos nos metros finais de uma maratona, disputando tapa-a-tapa o primeiro lugar. 

Chegamos nesse portão ofegantes, suados, descabelados, e rindo demais, pq o avião não tinha nem terminado de desembarcar os passageiros da viagem prévia. Fala sério. Tanto desespero para nada. Kkk

Bom, próxima vez que viajar em alta temporada, vou chegar mais cedo nesse aeroporto! 

Tomara que o fim de semana valha a pena toda essa correria. 

Berlim, me aguarde, que estou chegando!

Sem sorte 

Gente, troquei um calor gostoso em Copenhague para vir para frio e chuva aqui na Noruega. Não deu nem para fazer a escalada na pedra púlpito. Nem no festival de dança estou dando sorte. Não dancei nada ontem. Vamos ver se hoje de noite a sorte muda. 

Temp 

Copenhague, um calorão gostoso (tenha em mente que o povo aqui começa a derreter nos 22 graus) e eu, ao invés de curtir da minha sacada, estou arrastando roupas de inverno e um casacão. O povo está me olhando como se eu fosse louca. 

Ainda não pirei na batatinha. Simplesmente escolhi o fim de semana errado para ir escalar a pedra púlpito (preikerstolen) nos fiordes da Noruega. 

Sobrevivendo

Dizem que quem é vivo sempre aparece. Eu continuo aqui. Muitas novidades na minha vida, muita coisa nova, mas nem tudo dá para compartilhar no blog. 

Nós últimos 3 meses eu me mudei duas vezes. Em janeiro eu aluguei um quarto em um apartamento que compartilhava com dois rapazes de 24 anos. Um era estudante e o outro, estava trabalhando. Mas eles eram super bons amigos desde a infância, conversavam bastante juntos, gostavam de fazer coisas no meio da noite, como lavar roupa ou colocar a lava-louça para funcionar. Eu já não consegui entrar para o “time”, especialmente pq eu tento ir dormir cedo para acordar as 6 da manhã. 

Ainda bem que foi um lugar temporário, mas em compensação a localização era ótima. Do outro lado da rua, literalmente, fica a empresa onde eu trabalho. Eu tinha que andar 7 minutos para chegar no escritório. Fantástico!

Quando o contrato estava para acabar, calhou de eu encontrar dois outros lugares, todos pertinho desse lugar que eu estava morando. Acabei escolhendo morar com duas moças. Uma dinamarquêsa quase da minha idade que trabalha para a rainha da Dinamarca, e a outra, um a moça sueca de 22 anos, que trabalha em loja de roupas acho. 

Eu achava que seria mais tranquilo morar com mulheres e que o padrão de limpeza também seria um pouco melhor, e é, mas há outras coisas que não funcionam como um mar de rosas. 

Mas hoje eu não vou chorar as pitangas para vocês. Os detalhes eu conto outro dia que eu tiver tempo para aparecer aqui no blog. 

Ano novo 

Um alô rápido da ilha da Madeira, onde vim passar o Natal e ano novo. 

A previsão era de chuva todos os dias, mas chuva só vi quando o avião pousou. Aliás aquilo não era nem chuva, era um dilúvio. Mas depois disso, apesar da previsão do tempo dizer chuva, só fez sol. Peguei até uma corzinha! 

A viagem está sendo fantástica, tanto para proporcionar novas experiências como para descanso. 

Os fogos de artifício na virada foram maravilhosos e valeu a viagem. 

Não deu para ver nem fazer tudo o que eu queria, mas não faz mal. Fica assim um motivo para eu um dia voltar. 

Hoje é meu último dia na ilha e estou aproveitando para descansar e tostar no sol de biquini, antes de voltar para a gélida Dinamarca, onde neve e cinco graus negativos me aguardam. 
Quando eu voltar, eu conto os detalhes da viagem, para inspirar vocês a um dia virem para cá. 

CEO

Sexta foi a festa de natal da minha empresa. Não foi tão animada quanto a do ano passado, mas tudo bem. Eu sou uma chata para esse tipo de coisa. A música tem que ser boa, ou eu acho que tudo foi horrível. Mesmo eu não tendo gostado da noite, vi algo que achei muito bacana. Mas deixa eu explicar a situação toda para vc entender.

O manda-chuva da nossa empresa é um cara bem ambicioso e assim que entrou na empresa no verão de 2015, a primeira decisão dele foi cortar 18% dos empregos e acabar com os contratos de cooperação com outras indústrias farmacêuticas, assumindo assim todos os riscos, mas também os ganhos (se houver algum).

Ele vem de uma outra indústria farmacêutica, onde eu trabalhei por muitos anos, e onde os chefões não se misturam com a plebe. Para quem vem do Brasil, não há nada de anormal nisso, mas na Dinamarca, todos são iguais. Ninguém deve achar que é melhor que ninguém, nem mesmos os chefes. Mas as coisas não funcionam assim lá naquela empresa.

No entanto o nosso manda-chuva sempre me impressiona. Mesmo vindo da outra empresa e sendo um cara híper ambicioso, ele sempre mostra que é parte da nossa empresa e que ele é como qualquer um. Todos os dias ele come na nossa cantina, junto com todo mundo. Pega o pratinho dele, pega a comida no buffet, se senta nas mesas ou na bancada e come o almoço dele com os colegas. Já o vi até lá fora, no pátio, num dia de verão, comendo seu almoço e tomando um solzinho.

Pois bem… na festa de natal eu achei muito, mas muito interessante vê-lo se misturando com a galera. Eu o vi dançando no meio da pista por várias vezes. E vc acha que ele só estava dançando com membros da diretoria? Não, não, não. Dançando com gente bem abaixo do patamar dele.. aliás, ele dançou até com uma moça que veio em uma das reuniões que eu estava presidindo. Fiquei até admirada, vê-los dançando, em altos papos!

Eu já não teria coragem de tirar o presidente da empresa para dançar. Eu sou toda esquisita quando se trata de gente famosa ou poderosa. Mas é assim, as pessoas são diferentes. Mesmo assim achei genial vê-lo se divertindo com a plebe!

Ilegal

Voltei ontem de Berlim e vim direto do aeroporto para o trabalho. Estou eu saindo do elevador e toca meu telefone. O identificador de chamada mostrou um número que eu não conhecia.

Alô
Você que é a dona de um Astra, placa tal?
Sim
Ele está estacionado no hotel Tivoli?
Onde?
No subsolo to Tivoli.
Qual é a placa do carro? E a cor?
(ele confirmou, e era o meu carro)
O seu carro está estacionado tão perto do meu, que eu não posso abrir a porta para entrar no carro.
Não sou eu que estou usando o carro hoje. Mas o seu carro tem dois lados. E o outro lado? Vc não pode entrar por ele?
Sim, eu posso, mas a questão é que estacionar tão perto pode causar danos no meu carro.
O meu carro causou danos no seu carro? Vc pode checar?
Não, acho que não, mas é a questão de estacionar assim tão perto.
Então me desculpei e ele desligou.

Carsten estava usando o carro ontem e coincidentemente ele tirou uma foto do estacionamento, pq o cara que me ligou estava estacionado fora da área demarcada e tomando espaço de quase 2 carros. Carsten estacionou bem colado de propósito, mas tb pq não tinha outra maneira de estacionar. E a culpa é do cara que me ligou.

Agora vem a parte boa. Como o cara conseguiu o número do meu telefone a partir da placa do carro? Essa informação só se consegue com a polícia. O que indica que o cara tem conexões. Mas eu também tenho! E eu sei que é ilegal fornecer esse tipo de informação. Hoje eu vou descobrir qual departamento da polícia – e quem exatamente – liberou o meu número de telefone e vou registrar uma reclamação.

Sofrimento

Fui ao dentista. Nem preciso dizer mais nada.

Coitadinho, o meu dentista está todo sozinho naquele consultório. Ele não dá sorte encontrando dentistas auxiliares. De alguma maneira ele sempre contrata mulher e elas vivem em licença maternidade.

Mas não era nada disso que eu ia dizer. Hoje eu sofri demais na cadeira, mesmo não tendo cárie nenhuma. É a limpeza que mata a gente aqui. Eles não usam o jato de bicarbonato, como no Brazil, porque isso acaba com o esmalte do dente. Eles usam uma sonda de ultra-som, que é muito eficiente, mas dói demais. Quando a sonda toca a gengiva, é uma verdadeira carnificina. Assim não tem quem aguente.

A única coisa boa disso é o preço. Há 9 anos que o preço da limpeza é o mesmo. Honestamente, eu não sei como o meu dentista consegue essa façanha, quando tudo mais custa os olhos da cara.

Ouriçada

Nesse fim de semana tem festival de kizomba – uma dança proveniente de Angola, e que eu gosto de dançar de vez em quando.

Estava eu saindo de casa para ir para a festa, em torno das 9 da noite, e nesse horário está escurecendo. Entrei no carro, e pensei: melhor pegar o navegador GPS porque eu não conheço o caminho para o local. Cadê o negócio? Não está no carro. E cadê meu telefone? Putz, esqueci dentro de casa.

Saio do carro e enquanto estou destrancando a porta de casa, eu vejo um bicho me encarando. Já estava meio escuro, e de longe parecia uma ratazana. Fiquei com medo, e chamei o Carsten, que estava dentro de casa, para ele vir bem devagar até a porta, sem fazer barulho.

O bicho continuava lá, me encarando.

Carsten coloca a cabeça para fora de casa, e não estava bem certo se era um rato.

De repente o bicho vira, e dá uma caminhadinha e nós, embasbacados, pudemos ver que não se tratava de um rato, mas de um ouriço (hedgehog). Eu nunca tinha visto um antes na minha vida, assim ao vivo, somente em foto e em filme. Carsten disse que fazia uns 20 anos que ele não via um ouriço.

E eu, vendo as fotos, sempre achei que era um bichinho pequeno, mas esse tinha uns 25 a 30 centímetros. E parece ser um bicho bem dócil. Ficou lá olhando bem no olho da gente por uns dois minutos.

Carsten foi buscar a câmera fotográfica, mas bem nessa hora o bicho resolveu se embrenhar na folhagem. Pena.

Pensamos em dar alguma comida, mas nos lembramos que se for para dar algo, é ração para gato. Tem gente que põe leite para os ouriços (pois eles são mamíferos), mas isso faz com que o bicho fique doente e pode até matar. Então não se deve dar leite. E acabamos não dando nada, pois não temos ração de gato em casa.

Fui embora para Copenhague para dançar kizomba super contente, por ter visto pela primeira vez um ouriço selvagem no meu jardim. Será que vou ter outra oportunidade dessas?

Melhor que isso, somente a lua cheia, enorme e dourada, que estava iluminando o céu durante todo meu percurso até o centro da cidade.

Vindo para DK

Se alguma das perguntas abaixo é a pergunta que não quer calar, então eu tenho uma sugestão:

  • Eu quero ir para a Dinamarca?
  • Como posso me preparar para morar na Dinamarca?
  • Vou ser expatriado para a Dinamarca, e agora?
  • Como é a vida em Copenhague?
  • Como funcionam as coisas na Dinamarca?
  • Será que vou me acostumar a morar na Dinamarca?
  • A Dinamarca é muito diferente do Brasil?

Imagino que há muitas outras perguntas, para quais as respostas podem ser encontradas em uma nova página de internet chamada “O livro Copenhague”. A página é em inglês e é voltada principalmente para expatriados, mas qualquer um que esteja vindo para ficar por um tempo prolongado, pode beneficiar das informações publicadas lá.

thecopenhagenbook.dk

Eu dei uma “folheada” rápida no website, mas vi que tem muita informação lá, desde como achar emprego para cônjuges de expatriados, passando por tratamento dentário, médico, seguros, banco e afins.

Clique em “Practical Info” para acessar a maioria das informações úteis.

Eu espero que essa dica ajude.