Pernas pra que te quero 

Digamos que, pra quem viaja praticamente todo fim de semana, eu sou quase uma viajandeira profissional. Mas hoje eu dei uma de amador. Peloamordedeus. Rsrs 

Normalmente eu tenho saldo suficiente no meu cartão para o transporte público. Eu também sempre chego no aeroporto uma hora antes do vôo, que para quem só anda com mala de mão, é tempo suficiente para trocar dinheiro no banco, e para passear o controle segurança sem estresse. Mas tb não chego muito cedo, pq detesto tomar chá de cadeira. 

Eis que hoje a bruxa estava solta. Depois de um dia corrido no trabalho, lembrei que tinha esquecido de recarregar meu cartão de transporte. Eu tinha que andar até a estação para fazer isso no último da hora. Perdi 10 minutos com isso. 

Consequentemente, perdi o ônibus e tive que esperar o próximo. 

Dez minutos de atraso em torno das 3 da tarde numa sexta, fazem uma diferença enorme no trânsito de Copenhague. De repente tinha congestionamento. Perdi mais 10 minutos. 

A troca para o metrô foi tranquila. Ótimo. 

Checo pelo app qual a previsão de espera para passar pelo controle de segurança: 17 minutos. Gente, esqueci que em junho começa a temporada de férias na Dinamarca. Aff 

Estou eu, bela e formosa na fila, quando o app me avisa que está embarcando e que o portão ia fechar em 20 minutos. Pânico. 

Passando o controle, desisti de trocar dinheiro. Pela primeira vez, não tenho um puto comigo. 

Foi então que eu vi que meu portão de embarque era F1. Longe pra caramba. Seria mais rápido chegar em Berlim à pé do que achar esse bendito portão. São 15 minutos andando. Gente, não ia dar tempo. 

Sabe aquela história de correr para tirar o pai da forca? Pernas pra que te quero. Fazia tempo que eu não corria feito uma louca aeroporto afora. Eu e um outro carinha do meu lado. Parecia que estávamos nos metros finais de uma maratona, disputando tapa-a-tapa o primeiro lugar. 

Chegamos nesse portão ofegantes, suados, descabelados, e rindo demais, pq o avião não tinha nem terminado de desembarcar os passageiros da viagem prévia. Fala sério. Tanto desespero para nada. Kkk

Bom, próxima vez que viajar em alta temporada, vou chegar mais cedo nesse aeroporto! 

Tomara que o fim de semana valha a pena toda essa correria. 

Berlim, me aguarde, que estou chegando!

Sem sorte 

Gente, troquei um calor gostoso em Copenhague para vir para frio e chuva aqui na Noruega. Não deu nem para fazer a escalada na pedra púlpito. Nem no festival de dança estou dando sorte. Não dancei nada ontem. Vamos ver se hoje de noite a sorte muda. 

Temp 

Copenhague, um calorão gostoso (tenha em mente que o povo aqui começa a derreter nos 22 graus) e eu, ao invés de curtir da minha sacada, estou arrastando roupas de inverno e um casacão. O povo está me olhando como se eu fosse louca. 

Ainda não pirei na batatinha. Simplesmente escolhi o fim de semana errado para ir escalar a pedra púlpito (preikerstolen) nos fiordes da Noruega. 

Sobrevivendo

Dizem que quem é vivo sempre aparece. Eu continuo aqui. Muitas novidades na minha vida, muita coisa nova, mas nem tudo dá para compartilhar no blog. 

Nós últimos 3 meses eu me mudei duas vezes. Em janeiro eu aluguei um quarto em um apartamento que compartilhava com dois rapazes de 24 anos. Um era estudante e o outro, estava trabalhando. Mas eles eram super bons amigos desde a infância, conversavam bastante juntos, gostavam de fazer coisas no meio da noite, como lavar roupa ou colocar a lava-louça para funcionar. Eu já não consegui entrar para o “time”, especialmente pq eu tento ir dormir cedo para acordar as 6 da manhã. 

Ainda bem que foi um lugar temporário, mas em compensação a localização era ótima. Do outro lado da rua, literalmente, fica a empresa onde eu trabalho. Eu tinha que andar 7 minutos para chegar no escritório. Fantástico!

Quando o contrato estava para acabar, calhou de eu encontrar dois outros lugares, todos pertinho desse lugar que eu estava morando. Acabei escolhendo morar com duas moças. Uma dinamarquêsa quase da minha idade que trabalha para a rainha da Dinamarca, e a outra, um a moça sueca de 22 anos, que trabalha em loja de roupas acho. 

Eu achava que seria mais tranquilo morar com mulheres e que o padrão de limpeza também seria um pouco melhor, e é, mas há outras coisas que não funcionam como um mar de rosas. 

Mas hoje eu não vou chorar as pitangas para vocês. Os detalhes eu conto outro dia que eu tiver tempo para aparecer aqui no blog. 

Ano novo 

Um alô rápido da ilha da Madeira, onde vim passar o Natal e ano novo. 

A previsão era de chuva todos os dias, mas chuva só vi quando o avião pousou. Aliás aquilo não era nem chuva, era um dilúvio. Mas depois disso, apesar da previsão do tempo dizer chuva, só fez sol. Peguei até uma corzinha! 

A viagem está sendo fantástica, tanto para proporcionar novas experiências como para descanso. 

Os fogos de artifício na virada foram maravilhosos e valeu a viagem. 

Não deu para ver nem fazer tudo o que eu queria, mas não faz mal. Fica assim um motivo para eu um dia voltar. 

Hoje é meu último dia na ilha e estou aproveitando para descansar e tostar no sol de biquini, antes de voltar para a gélida Dinamarca, onde neve e cinco graus negativos me aguardam. 
Quando eu voltar, eu conto os detalhes da viagem, para inspirar vocês a um dia virem para cá. 

CEO

Sexta foi a festa de natal da minha empresa. Não foi tão animada quanto a do ano passado, mas tudo bem. Eu sou uma chata para esse tipo de coisa. A música tem que ser boa, ou eu acho que tudo foi horrível. Mesmo eu não tendo gostado da noite, vi algo que achei muito bacana. Mas deixa eu explicar a situação toda para vc entender.

O manda-chuva da nossa empresa é um cara bem ambicioso e assim que entrou na empresa no verão de 2015, a primeira decisão dele foi cortar 18% dos empregos e acabar com os contratos de cooperação com outras indústrias farmacêuticas, assumindo assim todos os riscos, mas também os ganhos (se houver algum).

Ele vem de uma outra indústria farmacêutica, onde eu trabalhei por muitos anos, e onde os chefões não se misturam com a plebe. Para quem vem do Brasil, não há nada de anormal nisso, mas na Dinamarca, todos são iguais. Ninguém deve achar que é melhor que ninguém, nem mesmos os chefes. Mas as coisas não funcionam assim lá naquela empresa.

No entanto o nosso manda-chuva sempre me impressiona. Mesmo vindo da outra empresa e sendo um cara híper ambicioso, ele sempre mostra que é parte da nossa empresa e que ele é como qualquer um. Todos os dias ele come na nossa cantina, junto com todo mundo. Pega o pratinho dele, pega a comida no buffet, se senta nas mesas ou na bancada e come o almoço dele com os colegas. Já o vi até lá fora, no pátio, num dia de verão, comendo seu almoço e tomando um solzinho.

Pois bem… na festa de natal eu achei muito, mas muito interessante vê-lo se misturando com a galera. Eu o vi dançando no meio da pista por várias vezes. E vc acha que ele só estava dançando com membros da diretoria? Não, não, não. Dançando com gente bem abaixo do patamar dele.. aliás, ele dançou até com uma moça que veio em uma das reuniões que eu estava presidindo. Fiquei até admirada, vê-los dançando, em altos papos!

Eu já não teria coragem de tirar o presidente da empresa para dançar. Eu sou toda esquisita quando se trata de gente famosa ou poderosa. Mas é assim, as pessoas são diferentes. Mesmo assim achei genial vê-lo se divertindo com a plebe!

Ilegal

Voltei ontem de Berlim e vim direto do aeroporto para o trabalho. Estou eu saindo do elevador e toca meu telefone. O identificador de chamada mostrou um número que eu não conhecia.

Alô
Você que é a dona de um Astra, placa tal?
Sim
Ele está estacionado no hotel Tivoli?
Onde?
No subsolo to Tivoli.
Qual é a placa do carro? E a cor?
(ele confirmou, e era o meu carro)
O seu carro está estacionado tão perto do meu, que eu não posso abrir a porta para entrar no carro.
Não sou eu que estou usando o carro hoje. Mas o seu carro tem dois lados. E o outro lado? Vc não pode entrar por ele?
Sim, eu posso, mas a questão é que estacionar tão perto pode causar danos no meu carro.
O meu carro causou danos no seu carro? Vc pode checar?
Não, acho que não, mas é a questão de estacionar assim tão perto.
Então me desculpei e ele desligou.

Carsten estava usando o carro ontem e coincidentemente ele tirou uma foto do estacionamento, pq o cara que me ligou estava estacionado fora da área demarcada e tomando espaço de quase 2 carros. Carsten estacionou bem colado de propósito, mas tb pq não tinha outra maneira de estacionar. E a culpa é do cara que me ligou.

Agora vem a parte boa. Como o cara conseguiu o número do meu telefone a partir da placa do carro? Essa informação só se consegue com a polícia. O que indica que o cara tem conexões. Mas eu também tenho! E eu sei que é ilegal fornecer esse tipo de informação. Hoje eu vou descobrir qual departamento da polícia – e quem exatamente – liberou o meu número de telefone e vou registrar uma reclamação.

Sofrimento

Fui ao dentista. Nem preciso dizer mais nada.

Coitadinho, o meu dentista está todo sozinho naquele consultório. Ele não dá sorte encontrando dentistas auxiliares. De alguma maneira ele sempre contrata mulher e elas vivem em licença maternidade.

Mas não era nada disso que eu ia dizer. Hoje eu sofri demais na cadeira, mesmo não tendo cárie nenhuma. É a limpeza que mata a gente aqui. Eles não usam o jato de bicarbonato, como no Brazil, porque isso acaba com o esmalte do dente. Eles usam uma sonda de ultra-som, que é muito eficiente, mas dói demais. Quando a sonda toca a gengiva, é uma verdadeira carnificina. Assim não tem quem aguente.

A única coisa boa disso é o preço. Há 9 anos que o preço da limpeza é o mesmo. Honestamente, eu não sei como o meu dentista consegue essa façanha, quando tudo mais custa os olhos da cara.

Ouriçada

Nesse fim de semana tem festival de kizomba – uma dança proveniente de Angola, e que eu gosto de dançar de vez em quando.

Estava eu saindo de casa para ir para a festa, em torno das 9 da noite, e nesse horário está escurecendo. Entrei no carro, e pensei: melhor pegar o navegador GPS porque eu não conheço o caminho para o local. Cadê o negócio? Não está no carro. E cadê meu telefone? Putz, esqueci dentro de casa.

Saio do carro e enquanto estou destrancando a porta de casa, eu vejo um bicho me encarando. Já estava meio escuro, e de longe parecia uma ratazana. Fiquei com medo, e chamei o Carsten, que estava dentro de casa, para ele vir bem devagar até a porta, sem fazer barulho.

O bicho continuava lá, me encarando.

Carsten coloca a cabeça para fora de casa, e não estava bem certo se era um rato.

De repente o bicho vira, e dá uma caminhadinha e nós, embasbacados, pudemos ver que não se tratava de um rato, mas de um ouriço (hedgehog). Eu nunca tinha visto um antes na minha vida, assim ao vivo, somente em foto e em filme. Carsten disse que fazia uns 20 anos que ele não via um ouriço.

E eu, vendo as fotos, sempre achei que era um bichinho pequeno, mas esse tinha uns 25 a 30 centímetros. E parece ser um bicho bem dócil. Ficou lá olhando bem no olho da gente por uns dois minutos.

Carsten foi buscar a câmera fotográfica, mas bem nessa hora o bicho resolveu se embrenhar na folhagem. Pena.

Pensamos em dar alguma comida, mas nos lembramos que se for para dar algo, é ração para gato. Tem gente que põe leite para os ouriços (pois eles são mamíferos), mas isso faz com que o bicho fique doente e pode até matar. Então não se deve dar leite. E acabamos não dando nada, pois não temos ração de gato em casa.

Fui embora para Copenhague para dançar kizomba super contente, por ter visto pela primeira vez um ouriço selvagem no meu jardim. Será que vou ter outra oportunidade dessas?

Melhor que isso, somente a lua cheia, enorme e dourada, que estava iluminando o céu durante todo meu percurso até o centro da cidade.

Tricotando 

Acho que fazer tricô está na moda aqui. Muita gente, somente mulheres, obviamente, sentada no trem e tricotando uma nova peça de vestimenta. 

Tem gente que chega ao cúmulo de trazer o material para tricotar para as reuniões de departamento da empresa e sentam lá, com as mãos à obra. 

Será que elas prestam atenção no que está sendo dito? Ou será que ficam contando quantos pontos deram para a direita, e quantos pontos faltam para a esquerda? 

Achados e perdidos

Ontem eu postei sobre um telefone que foi esquecido dentro do banheiro do meu trabaho.

Como eu imaginei que o telefone ainda estaria no mesmo lugar, e eu não queria ver nenhum objeto perdido, eu resolvi ir até o banheiro do outro lado do prédio. Mas vai ter carma assim na Conchinchina. Entro no lavabo e a primeira coisa que vejo é uma garrafinha de água na pia e dentro da lixeira, um copo descartável que foi usado para café.

Mas o que é isso? O povo está pensando em passar horas dentro do banheiro e leva bebida junto? Sem comentários.
E nem venha com a desculpa de que levaram a garrafinha para enchê-la na pia, pois essa desculpa não cola, já que a água do banheiro é sempre morna.

Estou até com medo de ir ao banheiro novamente. O que mais será que eu vou encontrar por lá? Uma camisinha usada, talvez, que nem encontraram numa sala de reuniões da minha antiga empresa! Verdade!

Deu branco 

Acabei de presenciar uma cena desagradável e tive que tomar uma decisão importante. 

Encontrei um telefone celular no banheiro da empresa onde trabalho. Quem leva celular ao banheiro? 

Acho que é muito anti higiênico levar o celular para o banheiro. E a situação é no mínimo irônica, tendo em vista que o povo daqui não usa a escova higiênica por que têm nojo de tocar nela, mas levar o celular para juntar bactérias, isso pode? Sem comentários. 

E vai demorar para a dona do celular encontrá-lo, pois ele tem capa branca e está deitado sobre o radiador branco… 

Antes de vir embora prata casa, eu cheguei a pensar se eu deveria me empenhar para procurar a dona do troço, mas pela primeira vez decidi não fazer meu os problemas alheios. 

Só quero ver quanto tempo o telefone vai ficar ali juntando bicharada… 

Chocada

Estou em estado de choque.

Esse verão foi um dos mais chuvosos. Choveu todo santo dia por quase 2 meses e para finalizar com chave de ouro, nesse fim de semana, nevou! Em pleno verão! Com sol e 19 graus de temperatura! Eu nunca tinha visto nada igual.

É normal chover granizo durante o verão aqui, mas nevar? Essa foi a primeira vez. Claro que não foi o tipo de neve que acumula no chão, mas um tipo que neve molhada, que derrete rapidamente. Os dinamarqueses têm até um nome diferente para esse tipo de neve: slud.
Enquanto neve de verdade eles chamam de sne.

Lembrei de um trocadilho brasileiro:

Sol e chuva casamento de viúva,
Chuva e sol, casamento de espanhol
E sol e neve, é o que?

Enigma

Estou encafifada com uma coisa. Lembram-se de quando eu comentei do meu vizinho da frente, que em 2014, de uma hora para outra, sumiu?

Eu escrevi sobre isso no post Novo destino (link abaixo)

Novo destino

Pois é, ele por seis anos nunca nem sequer podou a cerca viva na frente da casa – era o locador da casa que vinha fazer a poda, mas curiosamente nessa semana, quando eu cheguei em casa no fim da tarde, dei de cara com ele, o antigo vizinho, fazendo a poda da cerca viva. Achei muito estranho.

Foram dois dias que eu os vi, colocando o jardim em ordem. E o barulho e a gritaria das crianças dele, agora adolescentes, vieram junto. Lembro que eu perguntei para o Carsten se ele achava que a família voltaria a morar ali. Nós esperamos que não.

No dia seguinte apareceu a placa de vende-se.

Demorou, hein! Mais de dois anos a casa está às moscas. Depois do incêndio ninguém veio fazer restauração.

Fui no website ver quanto eles querem pela casa, e achei o preço caro. Está bem mais barato que todas as outras casas à venda nas redondezas, mas essa aqui realmente precisa ser demolida. Vamos ver quanto tempo vai demorar para vender.

Só para ter uma idéia da situação da casa, no site da imobiliária eles não colocaram nenhuma foto!

Resposta para meu enigma eu ainda não encontrei. O cara, enquanto morava na casa, nunca podou os arbustos, e justamente agora, depois de estar mais de dois anos fora do lugar, vem para fazer a poda? Não é estranho isso?

Vindo para DK

Se alguma das perguntas abaixo é a pergunta que não quer calar, então eu tenho uma sugestão:

  • Eu quero ir para a Dinamarca?
  • Como posso me preparar para morar na Dinamarca?
  • Vou ser expatriado para a Dinamarca, e agora?
  • Como é a vida em Copenhague?
  • Como funcionam as coisas na Dinamarca?
  • Será que vou me acostumar a morar na Dinamarca?
  • A Dinamarca é muito diferente do Brasil?

Imagino que há muitas outras perguntas, para quais as respostas podem ser encontradas em uma nova página de internet chamada “O livro Copenhague”. A página é em inglês e é voltada principalmente para expatriados, mas qualquer um que esteja vindo para ficar por um tempo prolongado, pode beneficiar das informações publicadas lá.

thecopenhagenbook.dk

Eu dei uma “folheada” rápida no website, mas vi que tem muita informação lá, desde como achar emprego para cônjuges de expatriados, passando por tratamento dentário, médico, seguros, banco e afins.

Clique em “Practical Info” para acessar a maioria das informações úteis.

Eu espero que essa dica ajude.