Futuro incerto

Há mais ou menos 8 meses eu resolvi trocar de emprego. Depois de trabalhar por mais de 11 anos para a mesma sociedade (duas empresas diferentes, mas pertencentes ao mesmo grupo), eu pensei que seria interessante trabalhar para uma firma completamente diferente, com uma cultura diferente.

Estou na nova companhia faz 6 meses e não me arrependi. Estou gostando muito da empresa. O pessoal aqui é muito bacana, a empresa tem uma cultura bem mais humana e os colegas são fantásticos.

No entanto acho que esses 6 meses foi o período de calmaria antes da chegada da tempestade.

Naquele fatídico dia que eu caí e quebrei o cotovelo, foi anunciado que a nossa firma teria um novo diretor (que, diga-se de passagem, veio da mesma empresa onde eu trabalhava antes).

Como de costume, os novos chefes passam os primeiros 3 meses avaliando o que pode ser feito de melhorias e então anunciam um programa de reorganização. E foi exatamente isso que foi anunciado hoje.

Nosso novo chefinho vai reorganizar a empresa, e nesse contexto foi decidido que mil funcionários serão demitidos. Isso é em torno de 20% dos funcionários.

Digo que hoje ninguém trabalha aqui. Os humores estão baixos. Aparentemente essa não é a primeira vez que há cortes nesse departamento, e a última rodada deixou cicatrizes e traumas.

Essa é a primeira vez que estou numa empresa que anuncia cortes e onde sinto que estou numa situação incerta. Nem mesmo durante a crise de 2008 eu não passei por uma situação semelhante. Lembro que a firma para qual eu trabalhava anunciou que, para evitar demissões, nós tínhamos que cortar despesas. Nós, funcionários, fomos tão efetivos economizando dinheiro, que ninguém foi mandado embora e a empresa se recuperou.

Em compensação, onde eu trabalhava antes, vi um departamento inteirinho sendo demitido de uma hora para outra – 16 pessoas mais o chefe. Lembro que o povo chegou em torno das 8 da manhã, foram chamados para uma reunião às 9 e às 11 estavam todos na rua. Não deixaram eles nem se despedir dos colegas. Deram 15 minutos para eles coletarem seus pertences pessoais e ir embora. Isso foi um choque para todo mundo; essa maneira desumana como o povo foi demitido e como foram tratados. Naquele dia ninguém no meu departamento tinha cabeça para trabalhar. Afinal, eram nossos colegas próximos que tinham sido demitidos.

Na empresa que estou agora, o povo é mais solidário. Já foi dito que não será dessa maneira. Foi dito que dentro de 10 dias vão informar quem será cortado e haverá uma chance de chamar um representante do sindicato para estar presente na reunião final.

Como eu tenho contrato temporário, não sei se eu entro nos cortes. Talvez seja mais fácil não renovar meu contrato do que me despedir. Mas na minha cabecinha, faz mais sentido mandar embora os novatos, como eu, e manter empregados com mais experiência. Bom, veremos o que vai acontecer.

Vou deixar meus pertences mais ou menos ajeitados, de forma que seja fácil só pegar a bolsa para ir embora, caso eu seja uma das “fatalidades”.

Só fico pensando que é uma pena que essa notícia tenha sido dada somente duas semanas antes da festa de 100 anos de aniversário da empresa. Espero que essas demissões não afetem o clima da festa. Já pensou, uma festa de 100 anos com clima deprê?

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