Mestrado”

Estou nesses dias me preparando para fazer uma prova na sexta-feira que vem. Estudando e revisando. É uma prova do curso de mestrado que estou fazendo, ou tentando fazer.

Quando a gente muda para o exterior, pode ser complicado ter o curso superior reconhecido e trabalhar na sua área. Eu dei certa sorte, mas nunca consegui ter meu curso de farmácia bioquímica totalmente reconhecido.

Uma das barreiras é que aqui, depois de cinco anos de estudo, o povo já sai com o titulo de mestre, e no Brasil, apesar do curso ser praticamente equivalente nas matérias e tempo de estudo, não se consegue o título de mestrado tão facilmente. Só se consegue o título de bacharel.

Depois de mais de 8 anos tendo minha papelada sendo avaliada, e muita frustração, recebi o resultado de que 80% do meu curso foi reconhecido mas que eu deveria fazer minha tese de mestrado na Dinamarca para ter título de mestre.

Meu, depois de passar 18 anos sem estudar, não dá pra simplesmente chegar na universidade aqui e dizer, olha eu vim pra fazer uma tese. Ainda mais que aqui as teses são tudo trabalho de grupo. Tem que se enturmar, tem que aprender a estudar novamente, tem que talvez começar o curso do zero. Mesmo porque as coisas evoluem e o que eu aprendi 20 anos atrás, certamente já não vale mais. Naquela época não tinha nem o mapa do genoma.

Então em 2015 eu tomei vergonha na cara, e procurei um curso de mestrado que me interessasse.

Eu tinha acabado de começar a trabalhar numa outra indústria farmacêutica, e ao invés de trabalhar com assuntos regulatorios, agora eu estava no departamento de estudos clínicos. Então achei cursos de mestrado em estudos clínicos. Achei aqui na Dinamarca, na Escócia e na Inglaterra.

Na Dinamarca, na época eu não tinha a cidadania, e eu teria que pagar pelo meu curso (mestrado gratuito é somente para quem é dinamarquês). O preço aqui é o dobro do que eu pagaria em Londres.

Optei por Londres pelo preço e porque eu já tinha ouvido falar bem da universidade.

Então o que fiz? Mandei minha papelada pra Londres, curso à distância. Passei pelo processo seletivo e fui aceita. Fiquei muito contente.

Mas como as coisas são… Pouco depois eu fiquei muito doente, e descobri que tinha endometriose severa, que teria que fazer cirurgia. Foram meses para descobrir o que eu tinha e meses esperando pela operação.

Honestamente, eu achava que ia morrer no período pós operatório, já que tenho uma predisposição para formação de trombo e embolia (tive em 2006, mas isso é outra história). Então decidi que nos meus meses “finais” eu ia somente me dedicar a atividades que me davam prazer e me deixavam feliz. Foi aí que eu voltei a dançar e achei forró na Europa. Aí ferrou tudo.

Depois disso foi uma maratona de forró, e como não morri, rsrsrs, dá-lhe forró para comemorar.

Usei muito do meu tempo viajando, caçando festivais, organizando festivais. Não tinha tempo para estudar. E assim passaram dois anos. E eu pagando pelo curso em Londres.

Mas eu pensava, no ano seguinte eu vou estudar.

Mas continuei viajando, e ainda de quebra usei muito tempo e energia procurando um lugar para morar e superando o divórcio.

Somente agora, dois anos e meio mais tarde, que cansei de viajar de duas em duas semanas caçando forró e gastar tanto dinheiro – e pior, não me divertir como antigamente – que resolvi que chegou a hora de me dedicar ao curso de mestrado.

Entrei em contato com a universidade para saber qual a melhor opção, pois eu tenho somente até 2020 para terminar o curso. Eles me recomendaram começar com uma matéria somente esse ano. Para eu voltar a me acostumar a estudar. E é isso que estou fazendo. Vamos ver como vou me sair na prova.

Me desejem boa sorte.

4 thoughts on “Mestrado”

  1. Oi, Cris querida!!! Nossa, que hisgtória! Eu sabia pouca coisa a respeito! Mas vc é super boa de contar histórias…. Dei boas risadas com a sua história de forró… 🙂
    Eu te admiro! Boa sorte e sucesso com teu teste semana que vem. Que Deus lhe abençoe e nos falamos, querida amiga! Bjs!

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