Emoções

Minha semana anda cheia de emoções.

Sexta-feira passada foi a festa de verão da minha empresa. Nos levaram a um local super alternativo: um galpão onde antigamente se faziam os consertos dos vagões de trem. Agora esse local foi decorado para receber eventos grandes, com música ao vivo e atividades tanto dentro do galpão quanto fora, no jardim. Muito bacana o lugar.
Mas eu acabei que fui embora cedo e chateada.

Estava eu dançando com as colegas do trabalho, me balançando ao ritmo da música, quando sem querer a minha mão dá uma esbarrada no bumbum da menina atrás de mim.
Foi algo bem de raspão mesmo, eu nem precisava me desculpar, mas por cortesia, me virei, ainda dançando, e disse: desculpa.
Ela, em resposta, agarrou os meus dois seios e disse: não foi nada.
Eu ri.

Ri, mas na verdade não me senti bem. Achei que foi uma agressão a resposta dela, sem falar que tocou nas minhas partes íntimas. Me senti abusada. E me pegou despreparada. Eu nem tentei me defender, porque jamais esperava.
Outra coisa que me chateou foi a maneira como ela falou “não foi nada”. Não tinha um tom de brincadeira em sua voz, o que deu a impressão de que a atitude dela era de violência.

Fui embora logo depois desse episódio, pois percebi que meu humor mudou completamente.

Como se isso não tivesse sido suficiente para apimentar a minha vida, ontem, terça-feira, eu me meti em mais uma enrascada.
Estava eu voltando da yoga de bicicleta lá por umas 9:20 da noite. Mega cansada, nem pensava mais direito.
Resolvi que ia cruzar o cemitério (que mais parece um jardim – muito bonito) porque a ladeira para subir ao cemitério era menos íngreme que a da avenida principal. Sem falar que pedalar no meio das árvores e flores do cemitério, é muito agradável. Esse cemitério fecha 10 da noite, então tinha tempo de sobra.

De repente vejo que uma rua alternativa dá acesso ao cemitério, e entro nela. Lá em cima, no final da rua, estava o portão principal. Mais eis que olho para a esquerda e vejo várias entradas laterais.
Entrei numa delas.

Ali nem estava tão bonito e arborizado, mas tudo bem. Tudo escrito em um alfabeto estranho. Era o setor judaico do cemitério e eu não sabia.
Quando cheguei no fundo, descobri que essa parte do cemitério não dava passagem para os outros setores. Tive que voltar ao portão por onde entrei. Cheguei lá e o portão estava trancado.
Me trancaram dentro do cemitério!
Pânico!

Tentei forçar, tentei abrir, chamei ao redor, e nada. Gente, 3 minutos atrás o portão estava aberto, como agora estava trancado e ninguém por perto?

Passa um ciclista e eu pergunto pra ele se ele sabe como abrir a porta. Ele diz que não, mas insiste que havia uma passagem desse setor até o outro, lá no fundo. Eu disse que não, que já tinha ido lá. Mas ele insistiu tanto, que voltei lá no fundo, para quebrar a cara. O setor judaico todo estava isolado por uma cerca.

Resolvi telefonar para a polícia para pedir ajuda.
Minha voz já estava exaltada. Definitivamente eu não estava com vontade de passar a noite num cemitério sozinha, com medo e com frio.

Expliquei o problema para a atendente e ela me passou para o departamento de polícia local. O policial que me atendeu brinca comigo, mas depois diz para eu voltar no portão e ver se tem alguma placa com número de telefone.

Nisso eu ainda estava no meio, perto da capela, mas enquanto caminhava, eu explicava que estava numa parte do cemitério onde tudo estava escrito nesse idioma estranho pra mim.
Eis que chego no portão e de repente vejo um botão preto enorme com uma placa dizendo: aperte para abrir o portão.

Putz, sacanagem. Incomodei a polícia à toa.
O que o desespero não faz. A gente fica cega. Um botão enorme daqueles, e eu não o tinha visto.

Abre-te sésamo. Problema resolvido. Mas que passei nervoso, passei.

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