Natal

Uns 20 anos atrás eu estaria animada para o Natal. A mãe do Carsten ainda era viva. Não me lembro se o último natal que passamos com ela foi em 2002 ou 2003. O que lembro é que aquela noite parecia coisa daqueles filmes de natal onde as famílias dão mais de 20 presentes de natal por criança e a criança mimada ainda quer mais. Lembro que o filhinho da minha ex-cunhada tinha uns cinco anos de idade e depois dele abrir trocentos presentes (mais de 10, sem exagero), deram de presente uma guitarra elétrica cara para ele. Engraçado é que em seguida eles não queriam que a criança colocasse as mãos no instrumento, para não estragar, porque era um presente caro. Foi uma sessão choradeira e tiveram que levar a criança embora. Depois desse dia eu nunca mais quis passar o Natal com a família do Carsten e criamos nossa própria tradição onde fazíamos caça ao tesouro ou gincana antes de dar o presente de natal do outro. Bem mais tranquilo assim.

Depois do divórcio em 2017 eu não sei exatamente o que fazer no natal. Esse é um período para se passar em família e a maioria das minhas amigas aqui são brasileiras e elas viajam para o Brasil no natal para ver suas famílias. Então raramente tenho companhia para o natal e eu tento fugir. É o que vou fazer esse ano. Daqui uma semana eu vou para uma das ilhas canárias, a Grã Canária, à procura de um pouco de sol e tranquilidade. Escolhi um hotel só para adultos. Para ficar lá, tem que ter mais de 18 anos.

Não programei nada para fazer durante a viagem. Talvez eu leve uns livros para ler e o teclado para escrever no blog, caso aconteça algo interessante para narrar.

Falando em viagem, comprei uma passagem para minha mãe visitar a família dela. Comprar coisas no Brasil via internet quando se mora no exterior ficou muito difícil. Eles não aceitam as formas de pagamento que tenho. Mas depois da décima tentativa consegui comprar passagem com a LATAM. Ficou muito mais caro do que com as outras companhias que não aceitaram meu cartão. Mas agora já foi.

print com as dimensões aprovadas pela latam

Olha, se fosse eu viajando pela Latam, eu teria entrado pelo cano na hora de fazer o check-in no aeroporto. Eu não sabia que no Brasil há restrições de medidas para a mala despachada. Pras bandas de cá as restrições em dimensão são somente para bagagem de mão. Por sorte a Latam mandou um email ontem com as medidas e a coitada da minha mãe teve que sair correndo para comprar uma mala nova. Uma pena. Eu tinha dado para ela uma mala grande, e agora ela não pode usar, já que só aceitam mala média. Aff.

Uma coisa boa nesse período chato de natal, é que resolvi ir na festinha de natal da empresa. Alugaram um restaurante perto da estação central em Copenhague bem na noite do Black Friday (tem Black Friday no Brasil?). Para chegar lá de trem foi meio aventura, porque tinha tanta gente e os trens estavam todos lotados e atrasados.

Nesses 22 anos de Dinamarca, raramente eu gostei das festinhas de natal. A comida não é das melhores, toca música chata, e os colegas bebem demais e se tornam desagradáveis. Normalmente ou eu vou embora cedo dessas festas ou tento aturar mas não me divirto. Dessa vez foi diferente. A comida estava deliciosa. Acho que foi a melhor que comi nessas festas de natal de empresa. Enquanto esperávamos pela sobremesa, fizeram um bingo diferente. Em cada cartela havia nomes de músicas. O deejay tocava um pedacinho da música e a gente ia marcando na cartela. Com exceção das músicas dinamarquesas, as músicas estavam bem animadas. Eram dos anos 60, 70, 80 e 90. Eu estava me divertindo.

Deu bingo relativamente rápido e fiquei triste porque achei que a diversão durou pouco. Então a gerente disse que íamos continuar até que alguém completasse duas linhas na cartela. O povo ia me ajudando, porque eu não conhecia as músicas dinamarquesas. Eu estava firme e forte marcando x nas minhas músicas e me divertindo até que só faltava uma música para eu completar duas linhas. Tocou pelo menos umas 5 músicas e a minha não vinha. Já tinha perdido a esperança quando toca “Sweet Dreams” do Eurythmics. E foi com essa música que tia Cris ganhou duas entradas para o cinema com direito a pipoca e refresco!

Acho que vou convidar o Carsten para ir ao cinema comigo, já que foi ele quem me apresentou a musica Sweet Dreams. Era o verão do ano 2000. Eu e ele tínhamos acabado de nos conhecer via programa de bate-papo chamado ICQ. Eu no Brasil e ele na Dinamarca. Eu usando um daqueles modem de 28k. Lembra deles? Demorou uma eternidade para baixar a música que ele enviou naquele dia: Sweet Dreams.

Esta entrada foi publicada em Cá entre nós, Coisas da Dinamarca com as tags , , , . ligação permanente.

4 Responses to Natal

  1. Manu diz:

    Tia Cris sortuda! 😀

  2. Seu Madruga diz:

    ICQ era muito bacana, aí veio o MSN, época boa.
    Esperava dar meia noite para poder entrar na internet (kkkkk).

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *