Não sei se você leu o artigo Infortúnio que escrevi dia 13 de junho.
Eu comentei que esse ano estou passando por uma maré de má sorte com minhas férias e estava com medo que a tão esperadas férias de verão seriam afetadas também.
Pois é…
Vou desabafar. Sei que para muitos o que vou escrever é problema de luxo, mas para mim não é. Pense no quanto eu detesto a minha vida na Dinamarca. Detesto aquele país, o clima, os dinamarqueses, o meu trabalho, o meus vizinhos, tudo… A única coisa que gosto é o salário que me proporciona poder fugir de tudo aquilo por 6 semanas ao ano. Seis semaninhas para sumir e tentar ser feliz por uns dias.
Eu queria muito que minhas férias de verão tivessem incluído sol, calor, belas paisagens, belo mar, boa comida, gente bacana. Mas não está sendo assim.
Estou em Menorca e estou entediada, cansada, e desmotivada. E ainda faltam cinco dias para eu poder voltar pra casa.
Estou cansada, não só porque o meu trabalho na Dinamarca tem me consumido todas as energias, mas também porque minhas férias começaram com um passeio de trilhas nos Alpes que foi bem cansativo. Cansa acordar todo dia 6 da manhã depois de várias noites mal dormidas e fazer tudo correndo para:
- Tomar café 7 em ponto
- Preparar a lancheira as 7:45
- Estar pronta, linda e sorridente para sair com o grupo 8:10
- Pegar dois ônibus lotadérrimos até o início da trilha
- Fazer trilha sentindo dor de barriga (e engraçado, vontade de ir ao banheiro dava o tempo todo quando estava caminhando, mas era só ver um vaso sanitário que o intestino se negava funcionar)
Eu adoro o sobe e desce montanha para ver a paisagem. Mas que paisagem que vi? Estava tudo encoberto por nevoeiro ou nuvens a maior parte do tempo. E parece que cansa mais quando está fazendo frio e chuva. Não dava nem para fazer uma boa pausa e recuperar as energias, porque o corpo esfriava rápido e havia risco de ficarmos doentes. Então foram muito poucas pausas nas caminhadas.
Depois de passar frio o dia todo, a gente quer voltar para um hotel quentinho, mas o meu quarto estava uma friagem só. O hotel se recusou a ligar o aquecimento porque “estava muito cedo, estamos somente em setembro”, disse a recepcionista. Sim, eu sei que está cedo, mas normalmente em setembro faz 20 graus porém hoje está 2 graus e nevando! Não ligaram os aquecedores. Passei frio de verdade.
Esse passeio de trilhas incluía um dia de folga. A sugestão era ver o interior da geleira (um lugar chamado mer de glace) e pegar o teleférico mais alto da Europa e subir até o topo da montanha (4000 metros de altura). Porém estava tão frio, que eu não tinha vontade de ir a lugar nenhum. Estava 13 graus abaixo de zero no topo da montanha. Eu trouxe roupa adequada para temperatura até uns 8 graus (acima de zero!). Além do mais, estava muito nublado. Pagar 70 euros, que é bem caro, para subir até o topo da montanha passar frio e não ver nada? Não vou. Posso ver as fotos no Google.
No meu dia de folga eu fiquei no hotel, mas não fiquei naquele meu quarto gelado. Fui para a área da piscina aquecida, pois lá estava quentinho. Fiquei sentada na beira da piscina lendo um livro por umas 3 horas. Depois fui pro mercado comprar um conhaque e tomei uns goles quando voltei no quarto. Bebida forte assim ajuda a esquentar. Enchi a banheira de água bem quente e fiquei de molho um tempão para esquentar o corpo.
E assim foram minhas férias de verão na França: passando frio e cansaço. Nada disso estava nos meus planos.
E também passei alguma irritação. Eu comentei que parte do meu grupo eram americanos e, se eu puder ser honesta, eles são um saco de aguentar. Povo que não cala a boca um minuto e falam bem alto com uma voz estridente. Aturar eles por uma semana foi um desgaste.
Eu mal via a hora de ir embora dos Alpes e vir para Menorca, achando que aqui estaria sol e calor.
Está sol, sim, mas uma ventania sem fim. Não dá vontade de sair do hotel.
Ontem tomei um ônibus e fui para Mahon, a capital da ilha, que fica 3 km de distância. Achei que passaria a tarde lá, mas depois de duas horas caminhando, eu estava entediada. A cidade histórica é pequenininha e me lembrou Paranaguá. Um mercado, umas igrejas, imagem de santo, ruas de paralelepípedo, umas ladeiras descendo para a rua da praia.
A área portuária em Mahon é mais feia que a área portuária da vila onde estou hospedada. Achei que não estava valendo a pena passear em Mahon e peguei o ônibus para voltar.
Chegando na minha vila, vi placas indicando o Forte Marlborough (parece até nome de marca de cigarro). É uma fortificação construída pelos ingleses no período que eles dominaram a ilha. Parece que esse forte foi escavado nas rochas e custa somente 3 euros para entrar. Achei que seria um lugar interessante para visitar e eram somente 2 km de caminhada até lá. Beleza. Fui.
Cheguei 15:30 para descobrir que o horário de funcionamento era até 14:45. Quem fecha um museu nesse horário? A maioria dos museus no mundo ficam abertos até 17 horas. A que horas fecha o museu dos jesuítas aí em Paranaguá?
Fiquei de cara. Caminhei 2 km por uma área árida cheia de vacas mugindo pra mim para achar o museu fechado? Ô meu pai, dá-me paciência. Nem preciso dizer que caminhei os 2 km de volta de mau humor e cada pernilongo que tentava me picar levava uma porrada com toda a fúria do meu ser.
De volta ao hotel, conversei um pouco com a recepcionista que me indicou descer até a praia Cala Galdana que fica no sul da ilha e fazer umas caminhadas por lá. As fotos na Internet da praia Galdana e das praias adjacentes estão maravilhosas. E eu estou precisando de algo maravilhoso na minha vida. Fiz toda o planejamento, porque só tem um ônibus saindo 9:30 de Mahon para Cala Galdana e somente um ônibus que volta, as 16:50.
Fiz minha mochila, deixei tudo preparadinho e fui dormir.
Hoje de manhã quando acordei, vi que o vento piorou muito. A ventania combinado com umas resenhas que li na Internet sobre as condições da trilha nessa área, me fizeram perder o tesão.
Várias resenhas recentes disseram que tem lugar rochoso perigoso e que parte da trilha está coberta pelo mar – para atravessar, a água vem na altura da barriga. Isso me desanimou de verdade. E agora? O que eu vou fazer para passar o tempo até a hora de ir embora?
Eu poderia pegar dois ônibus e gastar 90 minutos para ir até a cidade Ciutadella, lá do outro lado da ilha, mas não estou animando. Já pensou se for uma experiência como Mahon, onde fiquei entediada depois de 2 horas de passeio? Gastar 3 horas de transporte e não curtir?
Eu escrevi no início desse artigo que estou entediada, cansada, e desmotivada. Pelo visto, preciso adicionar “pessimista”. Acho que preciso de uma intervenção divina para mudar essa energia e levantar a bunda do sofá.