Estreito

Essa vida é tão engraçada. Quando eu estava disponível para viagens, ninguém entrava em contato me convidando para viajar (salvo algumas exceções). Agora que eu estou na minha, aguardando saber no que vai dar o fechamento do estreito de Ormuz e as consequências para a Europa, aí chove gente perguntando se eu quero viajar. Ficam até mandando links para companhia de viagens.

No momento eu não me vejo viajando para nenhum lugar longe, e correr o risco de ficar lá sem poder voltar pra casa por falta de combustível de avião ou por causa fechamento de espaço aéreo (que foi o que aconteceu com um monte de gente que ficou presa em Dubai sem poder voltar pra casa quando a guerra no Irã eclodiu).

E os convites estão bem tentadores: Cambodia, Bali, Filipinas. Eu animo viajar pra Ásia e conhecer lugares novos. Quem sabe até dá para incluir uma parada em Singapura para eu ver minha amiga novamente. Mas com os preços nas alturas e a instabilidade, eu acho muito arriscado.

Pedi para o Gemini fazer uma avaliação da situação e me dar um prognóstico. Choquei quando li que mesmo que a guerra terminasse hoje, estima-se que os preços das passagens de avião só voltarão a normalizar em meados de 2027.

Ontem foi feriado aqui na Dinamarca. Encontrei Teresa para fazer um passeio na floresta e a gente estava discutindo que nenhuma de nós tinha sonhado numa situação dessas, de não ter vôo para levar a gente embora da Dinamarca por falta de combustível. Eu sempre pensei que se a guerra chegar aqui na DK, que eu ia juntar meus banos de bunda (como dizia meu avô) e ia embora de volta para o Brasil. Mas e se não tiver vôo? Aí lascou tudo.

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