Dossen e as vacas

Terceiro dia de trilha continua na Suíça, nas montanhas do monte Rigi.

No meu mapa, várias trilhas tinham indicação de que a pessoa deveria estar em boas condições física e ter conhecimento dos perigos das montanhas dos Alpes. Obviamente isso me deixou receosa, e eu só estava fazendo as trilhas indicadas no mapa como fáceis, para gente inexperiente, como eu.

Mas, porém, todavia… conversando com a dona da casa do Airbnb onde eu estava hospedada, ela disse que eu poderia subir o Dossen sem problemas. Que não era difícil.

Não é difícil para os suíços, que nasceram escalando montanhas. O Dossen é a segunda montanha mais alta dessa cadeia, mas isso eu só descobri depois da minha aventura. Eu resolvi dar uma chance para o Dossen, pois no dia anterior eu tinha subido o ponto mais alto, o Rigi Kulm. Mas para subir o Kulm há uma trilha de concreto. Praticamente uma estrada. Para subir o Dossen é na força e coragem, achando onde colocar o pé para não escorregar. Não há nada ao redor para se segurar, nem mesmo um matinho.

Depois de subir um terço, eu não estava mais segura se tinha feito uma boa decisão, mas descer não daria mais, pois a montanha era íngreme demais e me dava vertigem olhar para baixo. Decidi que olharia somente para cima e me concentraria nos passos que tinha que dar nesse exato momento. Não olhei no relógio para saber quanto tempo me tomou para subir, mas acho que mais de meia hora.

Em compensação, uma vez no cume, lá é lindo e plano. Daria para ficar lá admirando a paisagem por uma eternidade, se não fossem as mocas e mutucas assassinas.

Tentando achar o caminho para descer e continuar a trilha para o Rigi Scheidegg (6 km de distância), vi que a passagem era por dentro de uma fazenda. Tinha um mecanismo para passar a cerca elétrica. Lembro que pensei, “uau, que dispositivo bem bolado esse”. O que não gostei, é que as vacas todas estavam bem no meio do caminho e não havia outra passagem, pois atrás estava a cerca elétrica e as moscas que queriam me devorar, para a esquerda era a parte mais inclinada da montanha e para a direita havia uma cerca de arame farpado.

Eu não sei qual tipo de energia eu emano, mas as vacas sentem que eu tenho um pouco de medo. Eu ouvi dizer que é sempre bom tomar cuidado, pois vacas podem ser agressivas e há sempre casos de morte causadas por ataque de vacas. Acho que por isso eu fico com medo.

O fato é que assim que eu chego perto das vacas, elas começam a mugir, bater com o pé e balançar com a cabeça. Não acho isso um sinal amistoso.

Minhas opções nesse momento não eram muito boas, então decidi andar devagar, continuando o caminho, em direção às vacas. Uma delas chegou bem perto mas me deixou passar. Em compensação, as próximas cinco vacas me olhavam atentamente e vinham em minha direção. Eu resolvi chegar mais perto da cerca de arame. Quando percebi que não havia nenhum caminho seguro para passar pelas vacas, mais do que rápido tirei minha mochila das costas; joguei mochila, câmera e chapéu pela cerca (e deu dor no coração ver minha câmera cair mais de um metro encosta abaixo); e assim que a vaca chegou em mim, me joguei entre o arame farpado, mas tomando cuidado para não rolar barranco abaixo.

Me machuquei um pouco, mas por sorte foi pouca coisa.
Caminhei um pouco pelo lado de fora da cerca, para me distanciar das vacas, mas ali começava a floresta de pinheiros, e eu tinha que voltar para dentro da fazenda para continuar a trilha. Então voltei a pular a cerca, mas confesso que passei o restante das vacas com muito medo.

O resto do caminho foi tranquilo. Para Scheidegg o caminho é lindo demais, mas em compensação, a vista lá de cima não foi grandes coisas. Achei que a vista de Kulm, onde eu fui no dia anterior, era mais bonita.

Resolvi então sentar num restaurante, pegar uma sombra, e comer um prato típico local. Rösti dos Alpes, que é batata ralada, com queijo derretido, um tipo de bacon e um ovo frito por cima. Nada muito espetacular e super pesado no estômago para voltar 8 km de trilha.

Na volta, eu resolvi não subir o Dossen, mas passar pela passagem por trás, que é o Hinter Dossen. Essa trilha também estava indicada como difícil, mas comparada com a do Dossen, foi mel na chupeta. O único problema foi meu pânico quando vi que novamente teria que passar por dentro das fazendas e eu escutava os sinos das vacas.

Cheguei ao ponto de aguardar outras pessoas chegarem perto, para que eu passasse pelas vacas em grupo. Fiquei traumatizada.

A única coisa boa das vacas nesse caminho foi a água que os fazendeiros colocam para elas. Estava muito quente e nesses 8 km entre Rigi Kaltbad e Scheidegg não havia nenhum lugar aberto para comprar nada. Minha salvação foi beber a água dos bebedouros das vacas. Risos.

Abaixo uma coletânea dos vídeos do terceiro dia de caminhada.

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2 Responses to Dossen e as vacas

  1. Cabeça Disneyssauro says:

    esse ovo está bonito hein

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