Alemão, por que não?

Acabei de voltar de Berlim, onde passei o final de semana, e quero contar sobre meu dia de ontem, pois ele foi muito inusitado. Foi uma mistura de experiências.

Eu, recentemente, ouvi falar que o museu Pergamon é muito bonito e que valeria a pena ir lá. Também ouvi que eles estavam com uma exposição temporária chamada panorama.

Me programei para chegar lá assim que o museu abrisse, 10 da manhã. Debaixo de chuva, fui de bicicleta até lá. Cheguei 10:10.

Esses dez minutos de atraso fizeram uma diferença enorme. Já tinha tanta gente pra comprar bilhete de entrada, que fiquei na fila por 25 minutos!

Quando foi minha fez, o atendente falou: tem muita gente já no museu, a próxima entrada será somente 12:00.

Putz, que sacanagem. Pois eu só tinha das 10 às 12 para ver esse museu. À 1 da tarde eu tinha compromisso noutro canto da cidade.

Saí de lá desolada e fui procurar minha bicicleta.

E não é que, indo em direção da bicicleta, eu vejo placas dizendo: “Panorama siga em frente”. Imediatamente minha energia mudou. Então a exposição do panorama não estava dentro do Pergamon, mas num prédio separado? Pensei, talvez dê tempo para ver o panorama então? Nisso já eram 11:10.

Cheguei no prédio e olhei os guichês para comprar entrada. Se eu tivesse que ficar na fila novamente, eu iria embora. Mas não tinha ninguém na fila. Ninguém! Cheguei, comprei minha entrada, e foi perfeito. Passei 40 minutos lá.

A experiência de ver aquele panorama da cidade antiga de Pergamon (na antiga Grécia), escutar os sons ambientes e ver a imagem mudando de dia e noite, foi demais.

Mas meu dia não acabou aí.  Mais uma experiência me encheu de alegria.

De lá, corri para a estação central para comer um sanduíche antes do meu compromisso.

Estou eu na fila, decidindo qual sanduba escolher e pensando, não posso me atrasar, quando sinto alguém me cutucando.

Minha primeira reação foi: que mal-educado é isso de cutucar as pessoas.

Então olhei para o lado, e uma velhinha colocou bem na minha cara um papel que dizia $ 0,50.

Ela falou qualquer coisa em alemão.

Olha, se eu não entendesse nada de alemão, acharia que ela estava pedindo dinheiro. Afinal, tem sempre alguém pedindo dinheiro na estação central.

Mas eu acho que entendi ela falar: Das geben Rabat.

Reconheci a palavra “Rabat”, que em dinamarquês quer dizer desconto, e supus que em alemão era a mesma coisa.

Imediatamente eu reconheci o bilhete. Eu, ano passado, ganhei um desses. Quando se vai ao banheiro da estação, tem que pagar 1 euro, mas eles dão esse voucher de desconto de 50 centavos para gastar nas lojas da estação.

Eu fiquei sinceramente comovida com o gesto dela. Os alemães são um tipo de gente que estão cagando e andando para os outros e detestam estrangeiros. O fato de uma alemã vir me perguntar (eu, que tenho cara de estrangeira) se eu poderia usar o voucher, quando ela simplesmente poderia ter jogado o papel fora, foi muito simpático.

Eu fiquei tão comovida, que não consegui nem dizer Danke (obrigada). Mas, quando ela já estava se afastando de mim, eu consegui dizer: Das ist sehr nett von Ihnem (Isso é muito gentil da sua parte, senhora).

Depois que eu falei isso, eu percebi uma mudança na energia dela – a linguagem corporal dela mudou. Mudou de uma energia de cautela e dúvida para uma energia de satisfação por ter feito algo bom por alguém. Acho até que ela foi embora sorrindo.

Eu me senti muito bem de ter recebido um presente desses. O ato dela, a gentileza, foi meu maior presente, e me encheu de alegria.

São esses os momentos que fazem valer a pena aprender a falar vários idiomas.

Nelson Mandela uma vez disse: Se você falar com alguém num idioma que a pessoa entende, o que você disser, vai entrar na cabeça dela. Mas se você falar com alguém no idioma nativo da pessoa, o que você disser, entrará no coração dela.

E ele tem razão. Ontem eu entendi isso.

O pouco do alemão que sei, eu aprendi gratuitamente na internet. Um curso gratuito da rádio Deutsche Welle. O curso se chama “Alemão, por que não?”

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6 Responses to Alemão, por que não?

  1. Das ist sehr nett von Ihnem says:

    Muito bacana, quem me dera conhecer esses lugares, aos poucos vou conhecendo, não vai me dizer que não fez um vídeo do museu, fiquei curioso para saber como é essa tecnologia, hehehehe, vou pesquisar no youtube.
    Bacana a senhora ter dado um desconto de 50 centavos, o que é 50 centavos pra quem já está melado né, hhehe, uma coisa não entendi, vc estava na alemanha e foi até o museu de magrela, hehehe.
    e como ficou o relacionamento com os pretendentes internautas ? hehe
    Se cuida, falofa

    • Cristiane says:

      Pesquisa no google Pergamon Panorama Berlin e dá uma olhada nas fotos. Muito legal.
      Sim, de magrela. Eu gosto muito de andar de bici em Berlim. Tem ciclovia pra todo lado. 🙂 Mais prático e econômico que pegar metrô. Sem falar que eu aproveito mais da cidade assim.

      Tem nenhum relacionamento, não. Cancelei minha conta no website de encontros. Não tenho muita paciência para esse povo, não. Quem sabe no futuro eu tente novamente, mas num site mais barato. hahaha

      beijão!

  2. Gabriela Sakuno says:

    Cris,

    Olha eu de novo por aqui, e já se foram 7 anos que sempre, pelo menos alguma vez por ano eu entro no seu blog para me atualizar. Não sei se ainda lembras de mim, embora. Mas depois de uma experiência de vida fantástica no Japão eu voltei ao Brasil, fiquei 1 ano lá que também me transformaram positivamente. Acontece que peguei minha malinha de novo e me mudei para Lisboa, em Dezembro já vai fazer 1 ano nesta nova aventura. Será que agora, que estamos mais perto, vamos conseguir tomar um cafézinho algum dia desses? Finalmente me estabeleci nesse meio virtual e acho que não vou mais sumir do Facebook.

    Beijinhos,

    Gabriela Sakuno

    • Cristiane says:

      Gabi! Claro que me lembro de você!
      Eu normalmente vou a Portugal duas vezes ao ano. Podemos combinar da próxima vez. Ou se você quiser dar um pulo aqui em Copenhague, me dá um alô.

      Normalmente eu vou em Dezembro para Lisboa, para o festival de forró Baião, mas esse ano eu ainda não decidi sei se vou. Gastei muita grana nos últimos dias. hahaha

      Mas se você curte um forró ou quer conhecer uma galera bacana, aparece lá. Segundo final de semana de dezembro.

      Japão deve ser tudo de bom. Eu estou me programando para ir lá pela primeira vez no ano que vem, em novembro, para Momijigari e, se eu tiver coragem, fazer a trilha do Kumano Kudo. Vamos ver se vai dar certo de fazer isso ano que vem ou se ficará para 2021.

      Beijo grande para você e mantém contato. Meu Facebook é o mesmo.

  3. Gabriela Sakuno says:

    Olha não é minha praia baião e forró mas se você vier podemos fazer outras atividades como fazer uma caminhada em Sintra, tem tantos castelos e parques “giros” neste lugar. Te procurei no FB mas tem 200 milhões de Cris Santos e não te achei, haha!

  4. Cristiane says:

    Eu te dou um toque se eu for a Lisboa.
    Te mandei um contact request no Face.
    me acha lá!
    beijão

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