Nem se despediu

No dia 8 de setembro eu comentei no blog que um colega pediu demissão para poder viajar por um ano inteiro pela América Latina carregando uma mochila nas costas.

Nessas últimas semanas eu tive a oportunidade de observar a quantidade de colegas que pararam na mesa dele para se despedir, desejar tudo de bom, e dizer que ele é muito corajoso em viajar sozinho pela América Latina.

Muita gente disse também que vai ser uma viagem fascinante e que seria legal ver umas fotos ou acompanhar as aventuras dele.

Obviamente eu disse o mesmo. Mas eu não falei por educação nem da boca pra fora. Eu adoro viajar e seria muito legal acompanhar uma viagem fascinante dessas.

Meu colega me respondeu que antes de ir embora ele ia me passar seu contato para a gente trocar fotos.

Fiquei pensando, se é pra trocar contato, por que não trocar agora? Depois pensei: tem gente que prefere enviar um email de despedida para todos e compartilhar o endereço de email particular dessa maneira. Assim precisa mandar somente uma mensagem.

Hoje foi o último dia do colega. Depois do almoço ele serviu bolo e torta para todo mundo e deu um pequeno discurso dizendo coisas lindas sobre o grupo (tudo mentira, pois numa conversa privada uma vez ele me disse que não gostava do grupo). Depois de servir bolo, ele foi embora. Nem se despediu de mim.

Ele também não mandou email de despedida pra ninguém. Então ão trocamos email, nem Insta, nem FB, nem nada. Eu certamente nunca mais verei essa pessoa, nem saberei quais aventuras ele vai vivenciar. Pena.

Foi assim que me lembrei da música “Nem se despediu de mim” do Luiz Gonzaga, o rei do baião. A letra diz assim:

Nem se despediu de mim
Nem se despediu de mim
Já chegou contando as horas
Bebeu água e foi-se embora
Nem se despediu de mim.

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