25 anos

30 de outubro de 2026. Carsten e eu comemoramos bodas de prata! Bom, comemoraríamos se ainda estivéssemos casados.

Fico até imaginando o que faríamos para comemorar. Provavelmente nada. Nós raramente nos lembrávamos quando tínhamos boda. A exceção foi quando fizemos bodas de cobre (que aqui na Dinamarca não cai no dia do seu casamento, porque é a metade de 25 anos, então é 12,5 anos e a nossa boda de cobre foi em abril de 2014). Naquele dia não tinha como esquecer das nossas bodas, pois o pai do Carsten foi de manhã bem cedo até a nossa casa montar um portal na frente do portão. Bom, meio portal (eu explico nesse artigo que escrevi em 2012).

Eu nem me lembro se fizemos algo para comemorar nossa boda naquele dia. Só lembro que em agosto fizemos uma viagem de carro pela Alemanha para comemorar. Rodamos 2 mil quilômetros.

Se hoje ainda estivéssemos casados, na frente da nossa casa teria um portal e provavelmente uma bandinha tocaria música às 7 da manhã (que é a tradição daqui). Aí de noite, provavelmente sentaríamos no sofá da sala para assistir a um filme ou série. Era assim a nossa vida, bem simples. Acho que a única coisa que aconteceu fora do comum (além de termos nos conhecido no IQC, um programa de bate-bapo, nos anos 2000) foi que uns dias depois do nosso casamento, a gente saiu no jornal. Não só saímos no jornal, mas nossa foto estava na primeira página do jornal, entre a Madonna e o antigo primeiro ministro.

Eu acabei de ligar meu computador antigão para ver as fotos. Lembrei que 25 anos atrás não tinha câmera digital boa. As fotos do jornal ficavam meio tortas. Então me lembrei que eu ainda tenho aquele jornal! Coitado, guardado dobrado há 25 anos. Está até amarelado.

E agora eu entendo dinamarquês. Gente, a matéria sobre a Madonna era de como ela usava os homens, e a matéria sobre o primeiro ministro era sobre sua campanha fracassada. Abaixo era qualquer coisa sobre terror. Gente, só notícia ruim e a nossa foto ali no meio!!!

Apesar de termos nos divorciados já há quase 10 anos, Carsten e eu nos encontramos umas vezes por ano para colocar a conversa em dia. Última vez que nos vimos foi três semanas atrás, dia 9 de outubro, para participar da noite da cultura em Copenhague. Jantamos num restaurante tailandês. Nos serviram tanta comida que saímos de lá rolando!

Daí fomos para a igreja Jesuskirken onde a família Carlsberg está sepultada. Estou falando do fundador da cervejaria Carlsberg. Faz uns 10 anos que tenho vontade de visitar a cripta daquela igreja, porém ela só está aberta ao público em ocasiões muito especiais. Matei a vontade! E enquanto estávamos lá embaixo, só nós dois e os sarcófagos, alguém no andar de cima começou a tocar no órgão uma peça de Bach que é meio macabra: Tocata e Fuga em ré bemol K565 – você deve reconhecer se assistiu ao O Fantásma da Ópera. Depois da cripta seguimos o pianista para o andar de cima da igreja e vimos uma coleção muito grande de órgãos e pianos antigos! Uau!

Na hora de ir embora, demos de cara com um cidadão que nos olhou bem sério e disse: vocês não vão subir na Torre Alf? Huh?

A torre só abre no dia da cultura. Aí tínhamos que aproveitar. São 52 metros de altura. Acho que ele disse que tínhamos que subir uns 230 degraus. Valeu a pena. Apesar de estar noite, tinha uma vista legal.

Noite da cultura

De lá fomos para a casa do Carslberg, que ficava na próxima quadra, e sem programar nada, acabamos parando dentro do museu. Gente, tem uma coleção gigante de cervejas do mundo todo lá. Achei Antartica, Brahma e até Skol.

Olha, já fui várias vezes já na noite da cultura em Copenhague. Quando éramos casados, Carsten e eu tentávamos ir todo ano. Algumas vezes até ficamos hospedados em algum hotel na cidade, que era para não precisar voltar para casa. Aí a gente ficava na cidade até mais tarde. A gente morava mais no interior naquela época. Mas acho que de todas as vezes que fomos na noite da cultura, esse ano foi o melhor. Sem planos, sem preocupação, sem pressa. Foi a nossa comemoração de 25 anos de amizade.

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