Perdida

Eu trabalho muito de casa nesses tempos, enquanto meu pé está se recuperando.

Fui esticar as pernas ontem de tarde e pegar um pouquinho de sol.

Na entrada da viela onde fica o meu bloco estava uma guria loirinha com cara de que ia pedir informação. Eu não sei porque todo mundo acha que eu tenho cara de informante. Sempre me param para pedir informação.

Ela perguntou se eu podia abrir a porta do bloco dela e me explicou que ela se perdeu da mãe. Que uma foi prum lado, a outra foi pro outro, e ela não sabia se a mãe já tinha chegado em casa. Eu tive que dizer que eu não poderia abrir a porta, porque eu não moro naquele bloco. A chave só abre a porta do seu bloco e nada mais.

Mesmo assim ela veio andando ao meu lado. Então tive uma ideia. Vamos telefonar para sua mãe. Ela pode estar preocupada. Você sabe o número, eu perguntei. Ela disse que não. Essa guria parecia ter uns 8 a 9 anos e não sabe o número de casa para uma emergência?

Nossa, a vida moderna não ajuda em nada. Acho que a maioria dos leitores do blog é da época que desde pequenos a gente sabia de cor e salteado o telefone da casa, do trabalho da mãe, e de todos os amiguinhos.

Lembro uma vez que eu estava na casa do vizinho numa festinha de aniversário e de repente vi uma fumaça saindo do meio da minha casa. Eu sabia que não tinha ninguém em casa, porque meu tio do Guarujá estava visitando e todo mundo, exceto eu, tinha ido para a lanchonete do meu avô. Correndo eu fui falar com a mãe do vizinho e perguntar se eu podia usar o telefone. Telefonei para a lanchonete, pedi para chamar meu avô e falei que a nossa casa estava pegando fogo.

De carro da lanchonete até a casa demora uns 4 minutos. Voltei lá no jardim da casa do vizinho e fiquei de olho, até que vi o carro do meu avô virar a esquina. Pouco depois a fumaça que estava saindo do telhado parou.

Depois da festinha, quando voltei para casa, fiquei sabendo que minha avó tinha esquecido uma caldeira ligada. Essa caldeira esquentava a água para usar na banheira. Então a água estava fervendo e saindo o vapor do telhado. Isso foi a “fumaça” que eu vi. Foi só desligar a caldeira e tudo voltou ao normal. Ufa.

Mas voltando à menina de ontem… assim que chegamos na porta do bloco dela, ela avistou a mãe. A mãe, muito calmamente, não achava que a filha dela estava perdida. Ela explicou pra filha que resolveu parar para comprar pão. Engraçado isso, deixa a filha na rua sozinha e sem chave de casa, e vai comprar pão.

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2 Responses to Perdida

  1. Manu diz:

    :O
    Gente, que loucura! Não faz nem sentido…

    O único número que eu sei de cor (exceto o meu) é o da vó, rs. Foram muitos anos tendo que saber de cor, rs.

    Você, desde sempre observadora e perspicaz!

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