Eu costumo ficar numa preguicinha boa durante os fins de semana, curtindo meu sofá, um netflix ou uma musiquinha e um livro. Só saio se combino de encontrar as amigas ou tenho programado alguma viagem.
Ano passado viajei ao extremo para escapar os problemas de mau cheiro no apartamento para qual me mudei há 15 meses.
Recentemente eu não tenho viajado por causa de toda essa instabilidade no mundo. Então tenho ficado em casa. Por sorte instalaram uns filtros no exaustor da pizzaria aqui embaixo e isso melhorou muito o problema do cheiro.
Então tenho ficado em casa curtindo. E quanto mais a gente fica na inércia, mais difícil fica de levantar da cadeira e sair. Nem mesmo para tomar um ar fresco eu não tenho saido.
Ontem eu tinha bilhete para uma feijoada brasileira com samba, mas acabei não indo. Na minha mente eu só lembrava das coisas ruins dos eventos passados. O que aconteceu no passado foi: faço esforço para sair de casa e chego lá não curto a música, não curto o ambiente, não curto a comida, passo raiva no transporte, passo frio, e me sinto sozinha. Volto pra casa mais desolada do que eu estava antes. Depois que isso aconteceu umas dez vezes, minha mente quer me proteger de passar por isso novamente, aí não vou.
Lembro quando eu tinha uns 13 anos de idade, em Paranaguá sempre tinha alguma família nova porque trocava o povo na capitania dos portos. Lembro que na oitava série, de repente apareceu dois irmãos, um menino e uma menina (ela também se chamava Cristiane!) que tinham vindo do Rio de Janeiro. Coitados, mudar do Rio para o fim do mundo que é Paranaguá. Enfim. Eu fiquei muito amiga do menino. André o nome dele. Ele me achava muito séria e sempre fazia umas piadinhas para tentar me fazer sorrir.
Porque a casa deles era somente uma quadra da minha, a gente voltava da escola juntos e conversávamos muito. Ele curtia jogar tarô e um dia ele me pediu para puxar uma carta e veio a carta IX – O Eremita.
Lembro que fiquei triste que uma carta que me definia era alguém solitário. Se eu pensar bem, infelizmente sempre foi assim, sempre sozinha, e agora mais do que nunca.
Quando estou sozinha nem sempre me sinto solitária. Eu preciso estar comigo mesma para recarregar as energias. Eu só me sinto solitária quando tenho expectativas de que terei companhia e isso não acontece, ou quando saio e vejo todo mundo acompanhado e eu sozinha. Esses são os piores dias. Acho que por isso parei de fazer as coisas. Depois do divórcio eu fiz muita coisa sozinha. Ia a concertos, cinema, passeios. Mas voltava pra casa me sentindo pior. Então melhor ficar em casa. Em casa eu me sinto bem.
E foi assim que passei meu sábado. Bem, porém me sentindo culpada que comprei um ingresso para um evento e não tive vontade de sair da cadeira. Meio triste isso. Mas não foi a primeira vez e tenho certeza não será a última. O melhor é aceitar que eu sou assim.