Feridas

Demorei muito tempo para fechar as feridas das desilusões pelas quais passei em 2017. Não tem nada no blog sobre essa parte difícil da minha vida.

Eu lembro que eu precisava desabafar e eu falava o tempo todo no que aconteceu. Coitada da Helle, minha então colega de escritório. Ela tinha uma paciência de Jó para escutar a mesma ladaínha inúmeras vezes. Nem mesmo minhas amigas queriam escutar. Fernanda chegou mesmo a dizer que não aguentava mais. rsrsrs

Um dia resolvi sentar e escrever tudo em detalhe num diário. Eu tinha ouvido dizer que escrever as coisas ajudavam a tirá-las da mente. Então escrevi muito, mais de 9 páginas. E isso ajudou. Pelo menos eu não sentia mais necessidade de falar sobre o que se passou.

E o tempo passa e a gente tenta enterrar bem fundo todas essas desilusões. Não se fala mais nisso, não se pensa mais nisso. Nem mesmo quando fiz terapia para me ajudar a sair da depressão mais foda da minha vida eu não toquei nesse assunto. Não queria reabrir essas feridas que demoraram tanto para fechar.

Eu ainda tenho os diários e de vez em quando eu dou uma olhada neles para ver o quanto minha vida mudou, mas eu nunca tive coragem de reler aquelas 9 páginas. Não é tanto pelo que aconteceu em si, mas o que aquilo significou para mim. Os acontecimentos daquele fim de semana me fizeram entender várias outras coisas que tinham acontecido durante 2017 e ver o quanto eu era ingênua, até mesmo cega.

Ontem eu estava respondendo uma carta e o assunto era desilusões. Fiz a besteira de descrever metade do que aconteceu num fim de semana fatítico em Berlim. Achei que depois de 9 anos que aquilo não me afetaria. Erro né.

Muitas feridas reabriram, memórias que estavam enterradas vieram à tona. Na minha mente era como se eu estivesse revivendo cada momento. As memórias vieram bem nítidas e o coração sentiu novamente todos aqueles sentimentos.

Ai meu pai. E agora?

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